

O Incio S Podia Ser Voc

Cecily Von Ziegesar - Gossip Girl 12

Abas:
Desde cedo aprendemos que toda histria tem um comeo, certo? Isso  bvio. Mas
todo comeo de histria merece ser contado? Alguns so tooo entediantes e sem graa,
que merecem ficar para sempre na gaveta. Outros como os nossos amados personagens
do Upper East Side merecem ser contados e recontados, principalmente com os detalhes
picantes da nossa querida fofoqueira Gossip Girl.
Como sempre, tudo comea com um garoto e uma garota, oops, quer dizer, um garoto e
duas garotas. Amigos de infncia, Nate, Serena e Blair so inseparveis. Esto sempre
juntos, vo a todas as festas que importam, sabem tudo um do outro, e dormem juntos
como trs irmozinhos fofos. O nico probleminha  que Blair e Serena esto
perdidamente apaixonadas por ele -- e uma no sabe o que a outra sente! Serena d o
primeiro passo e beija Nate escondida de Blair. Ele retribui e, nesse momento, tem
certeza de que Serena  a garota dos seus sonhos. Mas no dia seguinte, nenhum dos dois
consegue contar a novidade a Blair. Para piorar, os pais dela esto se separando e,
dramtica como s Blair consegue ser, isso se torna o maior problema do universo. Com
pena da amiga, Serena guarda segredo e mesmo sofrendo permanece ao seu lado. Mas a
temperatura sobe em uma festa na sute de Chuck, quando Blair finalmente se declara
para um confuso Nate -- que corresponde com, digamos, muita empolgao. Ser o fim
de uma amizade? Ou o incio de um tringulo amoroso? Faam as suas apostas...
Mas no  s nosso trio preferido que recebe a ateno de nossa Gossip Girl. S podia
ser voc est cheio de surpresas: Por que Dan era to obcecado por Serena? Como ele e
Vanessa tornaram-se amigos? Comeou como amizade ou pegao? Chuck sempre foi
um babaca? E Jenny? Algum dia ela foi uma menina boazinha? E o que ela faria para
ter um corpo perfeito? Ficou curioso? Ento comece a ler agora este esperado "o incio"
e prepare-se para muitas revelaes!




Um dos motivos que torna a srie Gossip Girl to real  que a autora, Cecily von
Ziegesar, foi criada na alta-roda nova-iorquina e aluna de um dos mais chiques colgios
da cidade, convivendo com pessoas to requintadas, elegantes, fteis e divertidas como
os personagens que criou. Ela mora no Brooklyn com o marido, o filho, afilha e um gato
quase sem pelos chamado Pony Boy. Atualmente, ela escreve os livros de sua nova
srie.




"Gossip Girl seria mais uma histria de amor e intrigas entre adolescentes no
fosse a dose cavalar de sarcasmo que contm."
-- O ESTADO DE S.PAULO

"Os livros so gostosos de ler, divertidos e ao mesmo tempo cruis."
-- JORNAL DO BRASIL

"Vai resistir?"
-- CAPRICHO
"As altas doses de humor dessa autora ferina permitem a seus leitores a
oportunidade de ver o prprio mundinho com uma saudvel distncia crtica."
-- O GLOBO




www.galerarecord.com.br
www.gossipgirl.com.br



For nobody else, gave me a thrill --with all your faults, I love you still. It had to be you,
wonderful you, it had to be you.

-- Como cantou FrankSinatra,
"Ningum mais me emocionou -- com todos os seus defeitos, eu ainda te amo. S podia
ser voc, to maravilhosa, s podia ser voc."
gossipgirl.net
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Advertncia: Todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e eventos foram
alterados ou abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                      oi, gente!

J tiveram a sensao totalmente bizarra de que algum est ouvindo suas conversas,
espionando voc e seus amigos enquanto bebem cafs lattes na escadaria marfim do
Metropolitan Museum of Art, seguindo vocs a estreias e festas, basicamente te
perseguindo? Bom, e esto fazendo isso mesmo. Quer dizer, eu estou. E a verdade  que
eu estive aqui o tempo todo, porque eu sou uma de vocs. Uma entre os Eleitos.
Voc no sai muito? O cabelo est to processado que fritou seu crebro? Talvez voc
no seja um de ns e no faa ideia do que estou falando ou de "quem" somos. Somos
um grupo exclusivo de pessoas indescritivelmente lindas que por acaso moram naqueles
prdios majestosos de toldo verde e porteiro de luvas brancas perto do Central Park.
Frequentamos as escolas particulares mais elitistas de Manhattan. Nossas famlias tm
iates, casas de campo e vinhedos em vrios lugares exticos de todo o mundo. Vamos s
melhores praias e aos resorts de esqui mais exclusivos na ustria e em Utah.
Conseguimos de imediato as mesas nos melhores restaurantes nos bairros mais chiques
sem precisar fazer reserva. Ns chamamos ateno. Mas no nos confunda com atores
de Hollywood, modelos ou astros do rock  essa gente que voc acha que conhece
porque l tanto sobre elas nos tabloides, mas que na verdade so completamente chatas
se comparadas aos personagens que interpretam ou s baladas que cantam. No h nada
de tedioso sobre mim ou meus amigos, e quanto mais eu falar disso, mais voc vai ficar
morrendo de vontade de saber. Ficamos em silncio at agora, mas aconteceu uma coisa
e, se eu no partilhar isso com o mundo, vou explodir.

a maior histria de todos os tempos

Aprendemos esta semana, em nosso curso de redao criativa do segundo ano, que a
maioria das grandes histrias comea de uma das seguintes maneiras: algum
desaparece misteriosamente, ou um estranho chega  cidade. A histria que estou
prestes a contar  do tipo "algum desaparece misteriosamente".
Para ser especfica, S sumiu. A escadaria do Met no  mais agraciada com seu
esplendor louro. No somos mais distrados na aula de latim pela viso de suas mechas
claras se enrolando em seus dedos longos e magros enquanto ela pensa em certo menino
de olhos esmeralda.
Mas segure a onda a, vou chegar l daqui a pouquinho.
A questo  que S desapareceu. E para resolver o mistrio de por que ela foi embora e
para onde foi, vou ter que voltar ao ltimo inverno  o inverno de nosso segundo ano no
colgio - quando o creme de rosto LaMer bateu no ventilador e a nossa linda bolha pink
com aroma de rosas explodiu. Tudo comeou com trs amigos inseparveis,
perfeitamente inocentes e berlindos de 15 anos. Bom, agora eles tm 16, e digamos
que dois deles no so assim to inocentes.
Um pico como este exige uma escriba observadora e de raciocnio rpido. Que seria
eu, uma vez que eu realmente estava na cena de todos os crimes e por acaso tenho um
olhar impecvel para os detalhes mais ultrajantes. Ento, sente-se, enquanto revelo o
passado e os segredos de todos, porque eu sei de tudo e o que eu no sei vou inventar
com muitos detalhes.

Admita, voc j est caidinho por mim.

                                 Pra voc que me ama,

                                      gossip girl




como a maioria das histrias picantes, esta comeou com um garoto e
duas garotas

- Trgua - gritou Serena van der Woodsen enquanto Nate Archibald cobria seu corpo
em um monte de neve branca de um metro de altura. Fria e mida, a neve entrava pelas
orelhas e descia pelas calas. Nate mergulhou em cima de Serena, com todo o seu
1,77mm de masculinidade perfeita, de cabelos castanhos dourados e olhos verdes
cintilantes. Ele tinha cheiro de Downy e de sabonete de sndalo L'Occitane que a
empregada estocava no banheiro. Serena ficou deitada ali, tentando respirar com Nate
por cima. - Minha cabea est gelada  implorou ela, pegando um punhado dos cachos
divinos e molhados de neve de Nate enquanto falava.
Nate suspirou com relutncia, como se pudesse passar o resto da manh ao ar livre, no
frigorfico gelado que era em fevereiro o jardim dos fundos da casa de sua famlia na
rua 82, perto da ParkAvenue, em Manhattan. Ele rolou de costas e se esfregou como
Guppy, o golden retriever de Serena, que tinha morrido h um tempo, quando ela
costumava deix-lo solto na grama verde do Great Lawn no Central Park. Depois ele se
levantou, limpando desajeitado as bem-passadas calas cqui Brooks Brothers. Era
sbado, mas ele ainda estava com a mesma roupa que usou a semana toda como aluno
do segundo ano da St. Jude's School for Boys, na East End Avenue. Era o uniforme
extraoficial do Prncipe do Upper East Side, o mesmo uniforme que ele e os colegas de
turma usavam desde que comearam o maternal juntos na Park Avenue Presbyterian.
Nate estendeu a mo para ajudar Serena a se levantar. Atrs dele, assomavam os
luxuosos prdios de calcrio pr-guerra da Golden Mile da Park Avenue e suas
coberturas com varanda e janelas de vidro laminado. Ainda assim, nada superava morar
numa casa de verdade, com toda uma ala s dele e um jardim de fundos com uma fonte
e cerejeiras,  distncia de uma ida a p da casa de uma das melhores amigas, da
Serendipity 3 e da Barneys. Serena franziu a testa cautelosamente para Nate,
preocupada que ele s fingisse para ela e estivesse prestes a atac-la de novo.
- Eu estou com frio de verdade - insistiu ela.
Ele agitou a mo para ela, impaciente.
- Eu sei. Vem.
Ela fingiu tirar meleca do nariz e pegou a mo dele com o falso ranho.
- Obrigada, amiguinho. - Ela ficou de p aos tropeos.  Voc  um amigo de verdade.
Nate entrou primeiro. Por trs, suas pernas estavam molhadas e ela podia ver o contorno
de suas coxas. Linda viso! Ele segurou as portas francesas para ela passar e se colocou
de lado. Serena tirou as Uggs azul-beb e pisou descala - as unhas pintadas com
esmalte Urban Decay Piggy Bank Pink - pelo longo corredor at a cozinha imensa, toda
branca, no estilo italiano moderno, que mal era usada na casa. O pai de Nate, o capito
Archibald, era um ex-capito da marinha que virou banqueiro e a me era uma socialite
francesa. Eles basicamente nunca estavam em casa e, quando estavam, iam para a pera.
- Est com fome? - perguntou Nate, seguindo Serena pelo reluzente piso de mrmore
branco. - Estou to enjoado de pedir comida pelo telefone. Meus pais foram 
Venezuela, ou a Santo Domingo ou sei l onde por duas semanas, e eu ando comendo
pizza ou sushi toda noite. Pedi a Regina para comprar presunto, queijo suo, po
branco Pepperidge Farm, mas Grammy Smith e manteiga de amendoim. S quero a
comida que eu comia no jardim de infncia. - Ele mexeu ansiosamente numa mecha de
cabelo castanho-dourado e ondulado. - Talvez eu esteja passando por um tipo de crise
de meia-idade ou coisa assim.
Como se a vida dele fosse estressante.
-  Granny Smith, seu bobo - informou Serena ternamente. Ela abriu o armrio de vidro
branco e encontrou uma caixa fechada de Pop-Tarts de acar mascavo e canela. Pegou
um dos pacotes no interior, abriu-o com seus dentes bonitos e brancos e sacou uma
massa com uma cobertura grossa. Comeu o canto doce e esfarelento do Pop-Tart e
pulou na bancada, chutando os armrios abaixo com os ps tamanho 38. Pop-Tarts na
casa do Nate. Ela fazia isso desde que tinha 5 anos. E agora... E agora...
- A mame e o papai querem que eu v para um colgio interno no ano que vem -
anunciou ela, os enormes olhos azul-escuros ficando imensos e apticos enquanto se
enchiam de lgrimas inesperadas. Ir para o internato e deixar Nate? Doa demais s de
pensar.
Nate se encolheu como se um ser invisvel tivesse lhe dado um tapa na cara. Pegou
outro Pop-Tart do pacote e pulou na bancada ao lado dela.
- De jeito nenhum - respondeu ele decisivamente. Serena no podia ir embora. Ele no
ia deixar.
- Eles querem viajar mais - explicou ela, a curva rosada e perfeita de seu lbio inferior
tremendo perigosamente. - Se eu ficar em casa, eles acham que precisam ficar mais
tempo em casa tambm. At parece que eu quero eles por perto, Mas ento, eles
marcaram para eu conhecer alguns diretores de admisso e essas coisas. , eu meio que
no tenho escolha.
Nate se aproximou alguns centmetros e passou os braos nos ombros bem definidos de
Serena.
- A cidade vai ficar um saco se voc no estiver aqui - disse ele com sinceridade  Voc
no pode ir.
Serena respirou fundo e trmula, e pousou a cabea louro-clara no ombro de Nate.
- Eu te amo - murmurou ela sem pensar. Os corpos dos dois estavam to prximos que
toda a lateral de Nate zumbia. Se ela virasse a cabea e tombasse o queixo s um pouco,
podia ter facilmente beijado seu pescoo lindo e quente. E ela queria isso. Ela estava
morrendo de vontade de fazer isso, porque realmente o amava, de todo corao.
Amava mesmo? Peral. Desde quando?!
Talvez desde o baile da escola na quarta srie. Ela era alta para a idade e Nate foi um
cavalheiro em relao a falta de ritmo dela, o modo como Serena pisava em seus ps e
metia os cotovelos ossudos em suas costelas. Ele teve a delicadeza de pegar a mo dela
e gir-la para que a saia de seu vestido de cetim cor de ostra Bonpoint rodasse de um
jeito magnfico. A professora deles, a Sra. Jaffe, que tinha cabelo azul comprido que
prendia com uma rede preta adornada com prolas, venerava Nate. Assim como a
melhor amiga de Serena, Blair Waldorf. E Serena tambm - mas s agora percebeu isso.
Serena tremeu e sua pele perfeita e bronzeada do Natal no Caribe explodiu em arrepios.
Todo seu corpo parecia estar sofrendo uma reao adversa  ideia de revelar uma coisa
que ela guardou to bem at de si mesma por tanto tempo.
Nate passou os braos tonificados de lacrosse por sua cintura estreita e a puxou para
mais perto, enfiando a cabea dourada de Serena na curva de seu pescoo e
massageando os vos entre as costelas de suas costas com a ponta dos dedos. A melhor
coisa em Serena era sua total falta de constrangimento. Todo seu corpo era longo,
magro e tenso como as cordas de sua raquete de tnis Prince de titnio.
Doa ter uma amiga to ridiculamente gata. Por que a melhor amizade dele no era um
cara bundudo, cheio de espinhas e caspa? Em vez disso, ele tinha Serena e Blair
Waldorf, tranquilamente as garotas mais lindas do Upper East Side e talvez de toda
Manhattan, ou at do mundo todo.
Serena era uma deusa absoluta - todo cara que Nate conhecia falava dela - mas causava
perplexidade de to imprevisvel. Passaria horas rindo se visse uma nuvem com formato
de privada ou coisa igualmente ridcula, e no minuto seguinte estava pensativa e triste.
Na maior parte do tempo, era impossvel saber o que estava pensando. s vezes Nate se
perguntava se ela ficaria mais  vontade num corpo que fosse um pouco menos perfeito,
que lhe desse mais estmulo, para usar uma palavra pomposa. Como se ela no tivesse
certeza do que desejar, uma vez que basicamente tinha tudo o que uma garota podia ter.
Blair era mignon, com uma linda carinha de raposa, olhos azul-cobalto e cabelo
castanho ondulado. Na quinta srie, Serena tinha dito a Nate que Blair meio que
empinava o peito quando percebia que algum estava olhando, e ela sempre ou estava
mandando nele ou ajeitando o cabelo dele.  claro que Blair jamais admitiu que gostava
de Nate, o que fazia com que ele gostasse ainda mais dela.
Nate soltou um suspiro fundo. Ningum entendia como era difcil ser amigo de duas
meninas to lindas e to impossveis.
At parece que seria assim se elas fossem esquisitas e horrorosas.
Ele fechou os olhos e respirou o doce aroma do xampu clareador Frdric Fekkai de
cidra de ma de Serena. Ele beijou algumas garotas e at avanou um pouco mais em
junho passado, com L'Wren Knowes, uma terceiranista mais velha da Seaton Arms
School que realmente parecia saber de tudo. Mas beijar Serena seria... diferente. Ele a
amava, Era simples. Ela era sua melhor amiga e ele a amava.
E se voc no pode beijar sua melhor amiga, quem voc pode beijar?




estudante do upper east side descobre um escndalo sexual chocante!

- Ai - Blair Waldorf gemeu para seu reflexo no espelho de corpo inteiro atrs da porta
do armrio. Ela gostava de manter o armrio organizado, mas no organizado demais.
Brancos com brancos, creme com creme, marinho com marinho, preto com preto. Mas
era s isso. Os jeans estavam atirados numa pilha no cho. E eram dezenas. Era quase
um jogo fechar os olhos e tatear, pegando um par que antigamente era apertado demais
na bunda, mas agora que ela cortou a rotina de leite e biscoitos Chips Ahoy depois do
jantar, estava meio largo.
Blair olhou-se no espelho, examinando a roupa. Sua blusa Marc by Marc Jacobs de
algodo rosa e simples era bonita, como o jeans Seven. O problema era o suti fcsia La
Perla. Aparecia tanto pela blusa que ela parecia uma stripper do Scores. Mas ela apenas
ia  casa de Nate para ficar com ele e Serena. E Nate gostava de falar de sutis. Tinha
uma curiosidade genuna, por exemplo, sobre o propsito da armao, ou por que
alguns sutis eram afivelados na frente e outros atrs. Evidentemente isso o deixava
muito excitado, mas tambm era meio doce da parte dele. Nate era s uma criana
solitria que ansiava por ter irms.
Ah, t.
Ela decidiu usar o suti por causa de Nate, escondendo todo o conjunto por baixo do
cardig de cashmere preto acinturado Loro Piana, que ela tiraria no minuto em que
entrasse em sua casa bem aquecida. Talvez, ao v-la com um suti rosa e sensual, Nate
percebesse que estava apaixonado por ela, como Blair era apaixonada por ele.
Talvez.
Ela abriu a porta do quarto e gritou para o longo corredor e pela vasta cobertura na 72
Leste com seus mveis de poca, frisos e pinturas impressionistas francesas.
- Me! Pai? Vou na casa do Nate. Serena e eu vamos passar a noite l!
Como no houve resposta, ela foi at a imensa sute master dos pais com os tamancos
Kors de pele de ovelha e saltos de madeira que comprou por impulso na Scoop, abriu a
porta do quarto e foi direito  cmoda da me. Eleanor Waldorf guardava na gaveta de
lingerie um bolo alto de notas de vinte dlares para as emergncias, para Blair e o irmo
de 10 anos, Tyler - para txis, cappuccinos e, no caso de Blair, ,o ocasional par muito
necessrio de sandlias Manolo Blahnik. Vinte, quarenta, sessenta, oitenta, cem. Vinte,
quarenta, sessenta, oitenta, duzentos. Blair contou as cdulas novas em folha, dobrando-
as com cuidado antes de enfi-las no bolso de trs.
- Se eu fosse um cabernet - a voz de advogado do pai, brincalhona e confiante, ecoou
pelo quarto de dormir adjacente -, como descreveria meu aroma?
Excusez-moi?
Blair bateu os tamancos at a cortina de veludo chocolate que separava o closet da me
do quarto do pai.
- Se vocs esto a dentro, tipo assim, transando quando eu estou em casa,  um nojo -
declarou ela categoricamente. - De qualquer modo, eu vou para a casa do Nate, ento...
O pai, o advogado Harold J. Waldorf III, colocou a cabea pela cortina de veludo,
mantendo-a firme na mo para que Blair no a pudesse puxar. O nico ombro que ela
podia ver parecia estar vestido com o roupo de cashmere Paul Smith carvo preferido
dele. Mas se ele no estava nu, por que no deixava que ela abrisse a cortina?
- Sua me est com Misty Bass organizando os pratos para a festa beneficente do
Guggenheim - disse ele, com o rosto bronzeado e bonito meio corado. - Pensei que voc
tivesse sado. Aonde vai exatamente?
Blair olhou para ele e depois puxou a cortina, flagrando-o ao colocar no bolso do roupo
o BlackBerry imenso e preto. Ela o empurrou de lado e ficou com as mos nos quadris
entre seus ternos Valentino e Dior. Com quem ele estava falando? A estagiria? A
secretria? Uma vendedora da Hermes, a loja preferida dele?
- Que foi, Ursinha?  O pai sorriu tenso para ela, os olhos azuis cristalinos parecendo
inocentes demais. O que ele estava escondendo?
Com o estmago revirando de fria e os olhos azuis brilhando de lgrimas de raiva,
Blair irrompeu para fora da sute master e marchou pela cobertura at o saguo. Pegou a
bolsa Hobo Jimmy Choo Treasure Chest vermelha e laranja e correu para o elevador.
Fevereiro tinha sido incomumente cruel. Do lado de fora, estava um frio de cortar o
flego e enormes flocos de neve caam aqui e ali. Em geral, Blair percorria a p as 12
quadras at a casa de Nate, mas hoje no estava com pacincia para andar. Estava louca
para ver os amigos e lhes falar sobre o cretino do seu pai. Um txi esperava por ela na
rua. Ou melhor, um txi esperava pela Sra. Solomon do 4A, mas quando Alfie, o
porteiro de uniforme verde, viu como estava apavorante a normalmente linda cara de
Blair, deixou que ela pegasse.
Alm disso, chamar txis na neve devia ser o ponto alto do dia dele.
Os muros de pedra que circundavam o Central Park estavam cobertos de neve. Uma
mulher alta e idosa e seu Yorkshire terrier, com casacos Chanel de xadrez vermelho
iguais e lao de veludo preto no cabelo e no pelo brancos, atravessaram a rua 72 e
entraram na loja Ralph Lauren da esquina. O txi de Blair disparava descuidadamente
pela Madison Avenue, passando pela Zitomer, Agns B. e pela cafeteria Three Guys,
onde todas as alunas da Constance Billard se reuniam depois da aula, entrou na 82 e
finalmente parou na frente da casa de Nate.
- Abre! - gritou ela pelo interfone do lado de fora da elegante porta de vidro e ferro
batido da casa dos Archibald enquanto martelava a campainha sem parar com a mo
impaciente.

Nate e Serena ainda estavam aninhados na cozinha quando a campainha tocou. Serena
ergueu a cabea que pousava nos ombros de Nate e abriu os olhos, como se sasse de
um sonho. O beijo com que eles fantasiaram no aconteceu de fato e provavelmente era
melhor assim.
- Acho que agora estou quente - anunciou Serena e pulou da bancada de mrmore
branco, compondo o rosto para que parecesse totalmente calma e fria, coisa que eles no
foram em nenhum momento. E talvez no precisassem ser - ela nem tinha certeza disso.
Ela sorriu para a imagem distorcida de Blair mostrando o dedo para eles no monitor.
- Entra, meu bem! - gritou ela, abrindo a porta para a melhor amiga.
Nate tentou apagar a ideia perturbadora de que Blair o flagrara com Serena. Eles no
estavam juntos. Eram s amigos que ficavam juntos, como os amigos fazem. No havia
nada para flagrar. Era tudo da cabea dele.
Era?
- E a, mans. - Blair entrou na cozinha com flocos de neve derretendo no cabelo
castanho na altura do ombro. Seu rosto estava rosado de frio, os olhos azuis meio
injetados e as sobrancelhas castanhas cuidadosamente modeladas pareciam
desordenadas, como se ela tivesse chorado ou esfregado os olhos feito louca. - Tenho
uma histria bizarra para contar. - Ela botou no cho a bolsa laranja e respirou fundo,
revirando os olhos teatralmente, estendendo ao mximo o momento. - Por acaso meu
pai Sr. Advogado Totalmente Tedioso, Harold Waldorf, est tendo um caso. H alguns
minutos eu o peguei falando ao telefone no closet com uma mulher qualquer, dizendo,
"Se eu fosse um vinho, como descreveria meu aroma?"
- Uau - responderam Serena e Nate em unssono.
Blair abriu e fechou a torneira da cozinha. Seu rosto se retorceu numa careta horrvel.
- Ele estava to... nojento! - gemeu ela desanimada enquanto admirava o prprio reflexo
na porcelana branca. Ela levantou a cabea e colocou com cuidado o cabelo atrs das
orelhas um tanto pontudas, esperando que os amigos dissessem alguma coisa
tranquilizadora para que ela se sentisse melhor.
Como se isso fosse possvel.
- Bom, talvez ele s estivesse falando sacanagem com a sua me - sugeriu Serena.
- Claro - concordou Nate. - Meus pais falam desse jeito o tempo todo - acrescentou ele,
sentindo-se meio enjoado ao dizer isso. O pai ex-almirante era to careta que
provavelmente jamais pensaria em coisas sexies por medo de ir  corte marcial.
Blair fez uma careta. A ideia da me tonificada-de-tnis-mas-ainda-assim-rolia com
seu bronzeado de St. Barts e amante de joias em qualquer telefonema sobre sexo, ainda
mais falando em cabernet, com o pai magro e mauricinho que usava meias com padro
de losangos era to improvvel e to totalmente nojenta que ela se recusava at a pensar
nisso.
- No - insistiu ela, pegando a metade semidevorada do Pop-Tart de Serena bancada e
engolindo inteira. - Era outra mulher. Quer dizer, vamos encarar a realidade - observou
ela, ainda mastigando.  Papai  um gato e se veste bem,  um advogado importante e
tudo. E minha me  totalmente biruta, no faz nada na vida e tem veias varicosas e uma
bunda mole.  claro que ele est tendo um caso.
Serena e Nate assentiram as cabeas louras como se isso fizesse muito sentido. Depois
Serena abraou Blair com fora. Blair era a irm que ela nunca teve. Na segunda srie,
elas fingiram que eram gmeas por um ms inteiro. A professora de educao fsica da
Constance Billard, a Srta. Etro, que foi demitida no meio do ano por contato fsico
inadequado  o que ela chamava de "reconhecimento"  durante aulas de salto
acrobtico, at acreditou nelas. Elas usaram blusas Izod rosa iguais e cortaram o cabelo
na mesma altura. Chegaram a usar brincos de argola Cartier iguais, at que concluram
que eram bregas e trocaram por diamantes da Tiffany.
Blair apertou o rosto na clavcula perfeita de Serena e soltou um suspiro trmulo de
exausto.
-  uma merda to grande que me d vontade de vomitar.
Serena afagou suas costas e encontrou o olhar de Nate por sobre a cabea castanha e
reluzente de Blair, graas ao Elizabeth Arden Red Door Salon. De jeito nenhum ia
levantar toda a questo de ser mandada-a-um-colgio-interno - no quando a melhor
amiga estava to triste. E ela tambm no queria que Nate falasse no assunto.
- Vem, vamos preparar uns martnis e ver um filme idiota ou algo do tipo.
Nate pulou da bancada, completamente confuso. De repente s o que ele queria era
abraar Blair e beijar suas lgrimas. Agora ele tambm era a fim dela?
Esse  o problema de ter amigos que por acaso so meninos. No se pode separar o
menino do amigo.
- S temos vodca e champanhe. Meus pais guardam todo o vinho e o usque bom no
armrio para quando tm visita  desculpou-se ele, tirando pela cabea o moletom J.
Crew cinza e provocando um ataque cardaco nas duas meninas ao verem seu umbigo
bronzeado.
Delcia.
Serena se separou de Blair e andou de bunda pela bancada at chegar ao cesto de po,
onde a maioria das famlias realmente guardava po, mas a me de Nate guardava os
maos de cigarros Gitanes que a irm mandava duas vezes por ms da Frana por
FedEx porque os que eram vendidos nos EUA simplesmente no tinham um sabor to
fresco. Ela abriu a porta e pegou o mao azul-rei.
- Acho que d pra gente se virar com isso.
Ela abriu o mao e colocou dois cigarros na boca, imitando presas. Depois conduziu
Nate e Blair para fora da cozinha, subindo  sute master. Se havia algum especializado
em mudana de humor, esse algum era Serena. Esta era uma das coisas que eles
adoravam nela. - Vou mostrar a vocs como se divertir - acrescentou ela de um jeito
bobalho.
Ela sempre conseguia.
O quarto enorme dos Archibald foi decorado pela me de Nate no estilo Lus XVI, com
um espelho imenso de moldura dourada acima da cama gigantesca de baldaquino com
desenhos vermelho e dourado, e pesadas cortinas douradas nas janelas. As paredes eram
adornadas com papel de flores-de-lis vermelhas e douradas e representaes artsticas
do chteau de vero da famlia da Sra. Archibald, perto de Nice. No cho havia um
tapete persa dourado, vermelho e azul resgatado do Ttanic e comprado num leilo pela
Sra. Archibald na Sotheby's como presente ao Sr.Archibald pelo aniversrio de dez
anos de casamento. A nica exceo moderna na decorao histrica do quarto era a
claraboia circular de vidro acima da cama, uma vigia para as estrelas.
- Nunca fui santa? Quanto mais quente melhor? Ou a verso remasterizada de Quanto
mais quente melhor? - perguntou Serena, vasculhando a limitada coleo de DVDs dos
pais de Nate. Obviamente o capito Archibald gostava de filmes de Marilyn Monroe, e
muito.  claro que Nate tinha sua prpria coleo de DVDs no quarto, inclusive uma
narrao detalhada dos ltimos vinte anos das regatas da America's Cup. No, obrigada.
O gosto dos pais dele era mais femino  Ou a gente pode ver Nate jogar Xbox, o que
sempre  demais  brincou ela, embora meio que estivesse falando a srio.
- S se ele jogar pelado - brincou Blair, cheia de esperana. Ela se sentou e quicou na
beira da luxuosa e imensa cama.
Nate corou. Blair adorava faz-lo corar e ele sabia disso.
- Tudo bem  respondeu ele com ousadia, sentando-se ao lado dela.
Blair pegou um Kleenex na caixa de lenos prateada na mesa de cabeceira da me de
Nate e assou o nariz. Ela s precisava de uma distrao para o impulso dominador de
agarrar Nate e arrancar as suas roupas. Ele era to incrivelmente lindo que ela achava
que podia explodir. Meu Deus, ela o amava.
Nunca houve uma poca em que ela no o amasse. Ela amou o short idiota cor de
lagosta que ele usou no clube em Newport quando os pais dos dois jogavam tnis no
vero, quando eles tinham o qu? Cinco anos? Ela amou o fato de ele sempre ter um
Band-Aid do Homem-Aranha em alguma parte do corpo at pelo menos os 12 anos, no
porque tivesse se machucado, mas porque achava que era legal. Ela amava o modo
como sua cabea refletia o sol, cintilando dourada. Ela amava seus olhos verdes
reluzentes - olhos que eram quase bonitos demais para um menino. Ela amava o fato de
ele to obviamente saber que era um gato, mas no entender bem o que fazer com isso.
Ela o amava. Ah, como Blair o amava.
Oh, oh, oh!
Blair assoou o nariz feito uma trombeta e depois pegou no cho a caixa de DVD rosa-
choque que parecia brega. Virou a caixa, examinando-a. Bonequinha de luxo.
- Nunca vi, mas ela  to linda. - Ela ergueu a caixa para que Serena pudesse ver Audrey
Hepburn com o vestido preto longo e as prolas incrveis. - No ?
- Ela  bonita - concordou Serena, ainda vasculhando os DVDs.
- Ela  parecida com voc - observou Nate, tombando a cabea de lado e examinando
Blair de um jeito to lindo que ela precisou fechar os olhos para no cair da cama.
- Acha mesmo? - Ela atirou o leno de papel sujo na direo do cesto de lixo de
porcelana branca dos Archibald e olhou a foto na caixa do DVD. Comeava a passar um
filme em sua cabea e nele ela era Audrey Hepburn. Uma megaestrela fabulosamente
vestida, magrrima, perfeitamente penteada, linda e misteriosa.  Talvez um pouco -
concordou ela, retirando o cardig de cashmere preto para que O suti fcsia ficasse
claramente visvel sob a blusa.
Ela virou a caixa do DVD e olhou as fotos no verso. Audrey Hepburn parecia a mulher
mais estilosa e mais sofisticada do mundo, mas tambm parecia meio afetada e formal,
como se usasse lingerie sexy mas no deixasse que um homem visse, a no ser que ele
se casasse com ela. Blair vestiu de novo o cardig e fechou o primeiro boto. De agora
em diante, a misso de sua vida seria imitar Audrey Hepburn de todas as maneiras
possveis. Nate podia ver seu suti, mas s depois que ela tivesse certeza de que um dia
eles iam andar juntos at o altar da catedral de St. Patrick com alianas de casamento
nos dedos e confetes voando pelo ar.
Isso fazia sentido - para ela.
- Eu vi esse filme com a minha me - confessou Nate, fazendo com que o corao das
duas meninas derretesse em poas pegajosas no cho. - Na verdade,  meio estranho.
Acho que devia ser romntico, mas no sei bem se entendi.
Era disso que as meninas precisavam. Blair colocou o DVD no aparelho enquanto
Serena preparava martnis no bar vintage de ao batido na biblioteca adjacente. Isto
envolvia servir Bombay Sapphire em taas geladas de martni e agitar com um abridor
de cartas de prata. Era s meio-dia - no era exatamente hora de um coquetel  mas
Blair estava em crise e Nate tendia a tirar a camisa quando ficava bbado. Alm de tudo,
era sbado.
- Pronto - anunciou Serena, como se tivesse acabado de dar os ltimos toques numa
receita muito complicada. Ela entregou as taas.  A ns. Porque ns merecemos.
- A ns  entoaram Blair e Nate em coro, erguendo as taas.
Sade!




at as cowgirls de vermont ficam melanclicas

- De quem foi a ideia de me mandar para a Constance?  perguntou Vanessa Abrams, de
15 anos,  irm de 19, Ruby.
- Sei l, porra. - Ruby estava na banheira, lavando o suor e o fedor do show no Pete's
Candy Store da noite anterior. Ela era baixista da banda SugarDaddy, a ltima sensao
dos bares de Williamsburg, no Brooklyn, e ficou acordada a noite toda, se divertindo. -
Faz diferena?
Vanessa estava parada na soleira da porta do banheiro enquanto a irm boiava nua na
gua morna com poucas bolhas, as mechas pretas e grossas de alternativa de
Williamsburg coladas na testa branca e pegajosa.
- Existe algum motivo para que eu no v a uma escola mais conveniente, menos
materialista e menos cheia de cretinas, digamos, no Brooklyn, que por acaso  o bairro
onde moro? - reclama Vanessa.
- Voc sabe como . - Ruby abraou seus joelhos brancos e molhados. - Papai leu um
artigo sobre aquela mulher que recicla objetos pessoais para fazer arte na Atlantic
Monthly e a biografia da artista dizia que ela foi aluna da Constance Billard. Ele ficou
to impressionado, que quando voc disse que queria vir morar comigo, ele
simplesmente matriculou voc l. Ele no liga para a chatice que  estudar l. E faz bem
a ele que voc esteja nessa escola de luxo o dia todo.  como se ele pensasse que a
escola pode ser me substituta, porque est acostumada a lidar com famlias em que os
pais sempre esto em Gstaad, Cannes ou sei l onde. - Ruby se deitou de bruos, de
modo que sua bunda rosa e achatada ficou em plena vista. Do lado de fora da janela
encardida do banheiro, um caminho rugiu rumo  fbrica de doces a trs quadras dali.
Essa era uma das coisas que Vanessa adorava em morar na spera Williamsburg: o ar
sempre tinha cheiro de algodo doce.
- Legal - murmurou ela com severidade. Vanessa virou-se para o espelho da pia, pegou
uma escova verde de Ruby e comeou a passar em seu cabelo naturalmente preto e na
altura da cintura. Seis meses antes, em seu primeiro dia de aula na Constance Billard,
todas as meninas da oitava srie ficaram loucas com seu cabelo, alisando-o e penteando-
o, como se Vanessa fosse uma dessas cabeas de Barbie num salo, um pnei novo ou
algo do tipo. Foi claramente a nica coisa de que gostaram em Vanessa. - T legal,
ento ele leu o artigo tipo vinte anos atrs. As meninas da minha turma no do a
mnima para reciclagem nem arte. S o que fazem  luzes no cabelo e trocar o brilho
labial que ganham nas bolsas de brinde de todas as festas chiques a que vo. Alm
disso, voc se formou na White River High e est ganhando uma boa grana sem ter que
ir  faculdade.
- Eu sou uma exceo - respondeu Ruby secamente, sentando-se para espremer o xampu
de beb Johnson na palma da mo. Se eu tivesse ido para a Constance em vez de uma
escola de merda em Vermont, provavelmente agora seria a primeira mulher na
Presidncia da Repblica.
Vanessa examinou os poros no espelho do banheiro. A banheira era bege e a pia era
amarelo-ovo - tpica de Williamsburg - mas ela adorava a simplicidade do
esfrangalhado apartamento de quarto e sala. Se ao menos a escola a que ela ia cinco dias
na semana, o dia todo, fosse igualmente simples. Na vspera, ela passou a hora do
almoo sozinha, tomando ch gelado e comendo Saltines enquanto do outro lado da
mesa Kati Farkas, uma das colegas de turma de cabelos brilhantes e boca com gloss,
reclamava de ter de ir velejar de novo nas Ilhas Gregas nas frias de primavera com os
pais. "Mas eu j fui a Corfu. Tipo assim, ser que eles no podem levar a gente para
velejar na Grcia onde tenha compras melhores, tipo Milo?", queixouse Kati,
ignorando alegremente a geografia, a topografia e tudo no mundo, apesar dos esforos
da Constance Billard de educ-la.
No  que Vanessa tivesse toneladas de amigos em Vermont. Ela passou tantos anos
sonhando em se mudar para Nova York e se tornar uma cineasta de vanguarda no estilo
de Ingmar Bergman, que nem teve tempo para fazer social. Agora que os pais
finalmente cederam e deixaram que ela se mudasse para a casa de Ruby, ela estava
meio... entediada. Ou talvez a palavra vazia fosse mais adequada. No era uma sensao
nova, mas ela pensou que desapareceria quando chegasse a Nova York e no sumiu, no
mesmo. Nem quando ela comia falafel feito uma porca.
- Voc precisa de um projeto - observou Ruby da arranhada banheira de loua bege. O
periquito de Ruby, Tofu, entrou voando no banheiro e pousou na saboneteira, onde fez
coc e comeou a mergulhar o bico verde na gua turva.
Vanessa pegou a filmadora digital e deu um zoom em Tofu.
-  to bonitinho quando ele faz isso - ela riu.
Ruby revirou os olhos e afundou na gua.
- Voc  relativamente nova na cidade, precisa se estabelecer e fazer alguns amigos para
poder ter alguma coisa para fazer alm de me filmar nua na banheira, o que  totalmente
pervertido e irritante, em especial quando passei metade da noite me arrebentando de
tocar  ela bocejou - Por que no cria um blog ou coisa assim? Tipo assim, enche a
pgina de imagens de coc de periquito ou coisa parecida tem muita gente que gosta
disso. Pense em todos os amigos que pode conhecer. Voc podia at conhecer seu
primeiro namorado assim.
Vanessa esticou o p e chutou a saboneteira na banheira. Tofu voou para o suporte da
cortina do boxe com um grasnado. O coc flutuou na banheira como um pedao de
chiclete Juicy Fruit mastigado.
- Piranha  murmurou Vanessa antes de sair no banheiro com as botas de combate Doc
Martens pretas de ponta de ao que ela usava como um grande "foda-se"  regra de
"sapatos escuros simples" da Constance Billard. No havia nada de complicado em
botas de combate, mas Vanessa tinha certeza de que a escola estava pensando em
alguma coisa mais na linha de um mocassim ou sapatilha de bal. At parece. Que se
fodam.
Ela se jogou de cara pra baixo nos lenis brancos do futon desarrumado no quarto
pequeno e todo branco, pretendendo engolir a irritao e o ressentimento at que Ruby
arrastasse a bunda molhada da banheira e colocasse um filme ou coisa assim. Mas o
comentrio de Ruby lhe deu uma ideia. Vanessa passava a maior parte do tempo livre
em casa, folheando publicaes de fotografia e arte alternativas e separando
distraidamente as pontas do cabelo preto e longo. O estdio fotogrfico da Constance
Billard era ridiculamente bem abastecido e totalmente subutilizado, e a escola devia ter
milhes de dlares em oramento. Por que no aproveitar os recursos da escola e criar
uma revista de arte s dela? Ela podia pedir contribuies de suas colegas da Constance
e publicar uma de suas prprias fotos sombrias e brilhantes na capa da engenhosa
edio. Ela no conseguiria um namorado assim, no que se importasse, mas isso a
manteria ocupada e podia at ajudar a coloc-la dentro da NYU, a Universidade de
Nova York.
 claro que ela provavelmente teria de publicar um monte de fotos imbecis de ps bem-
cuidados e poemas sobre bichons friss mortos, mas tambm podia deform-las
eletronicamente na privacidade de seu lar. Talvez a me de uma das meninas, uma dona
de galeria, descobrisse seu olho primitivo e intuitivo por trs da cmera e ela comeasse
a carreira no cinema antes at de terminar a escola de cinema da NYU. Talvez Ruby
tivesse razo - ela precisava de um projeto. Criar sua prpria revista de arte seria a
maneira ideal de se estabelecer na cidade e mostrar a todos que ela era mais do que uma
recm-chegada de Vermont, uma garota plida, um tanto gorducha, que se vestia de
preto e usava Doc Martens. E j que estava nessa, talvez ela fizesse alguma coisa
diferente com o cabelo, algo inesperado.
Vamos rezar para que o que quer que ela faa no envolva coc de periquito.




os perseguidores psicticos podem ser mirins

- Mas voc se lembra dos da mame, no ? Eles no so pequenos - lembrou Jennifer
Humphrey, de 12 anos, ao irmo mais velho, Daniel, enquanto se sentavam  mesa de
frmica cor de banana e rachada da cozinha para tomar o brunch de sbado. Com o
corpinho de 1,50m enfiado no mesmo pijama de fleece com pezinhos que ela usava
desde que tinha 10 anos, Jenny cavoucava o recipiente gigante de iogurte de soja sabor
pera na esperana de que o estrognio natural da soja aumentasse o tamanho de seus
peitos. Todo mundo na turma do stimo ano da Constance Billard estava florescendo
(Luna Skye tinha crescido dois tamanhos desde setembro!). Todo mundo, menos Jenny.
- , mas talvez sejam falsos. Quer dizer, a gente nem sabe nada da mame - assinalou
Dan, desgrenhado com uma cala de veludo cotel marrom e suja. Neste inverno ele s
usou duas mudas de roupa: cala de veludo colet marrom e uma camisa polo preta com
uma camisa branca e puda de gola rul por baixo, tudo da Old Navy, ou cala Levi's
desbotada com um casaco de capuz mostarda que ele comprou num brech no East
Village. Ele fez o rodzio das duas mudas de roupa at que elas ficaram cinzentas e
Jenny finalmente cedeu, levando-as na lavanderia do poro de seu prdio. Era isso que
acontecia quando no se tinha a me por perto para lavar a roupa, pensou Jenny com
tristeza. Era irm mais nova que tinha de fazer.
Dan colocou outra colherada de caf instantneo Falgers na caneca de plstico verde do
Ursinho Puff onde ele tomava caf desde que tinha 6 anos. Falar na me sempre lhe
dava mal-estar e, como o pai dos dois, Rufus, estava fora desde a noite anterior,
comparecendo a um recital que durava a noite toda com os camaradas poetas
anarquistas, Jenny estava falando na me ainda mais do que o normal.
- No eram falsos. Ns dois mamamos no peito, ento...
- Ser que d para parar de falar nas... partes da mame?  interrompeu Dan, amuado,
sentindo-se culpado quase de imediato. Jenny era a nica menina que vivia numa casa
com um pai imundo e esquisito e um irmo imundo e esquisito. Tinha todo o direito de
falar na me ausente. Era um tormento a falta de feminilidade ou at de normalidade no
decadente apartamento alugado no Upper West Side. Jeanette Humphrey deixou Rufus
e os dois filhos quando Dan tinha 8 anos e Jenny ainda no tinha nem 6, para "se
descobrir" com um lindo conde na Repblica Tcheca. Dan preferia pensar na me como
uma bab que cuidou deles por alguns anos e depois conseguiu outro emprego. Ele
nunca parou para pensar se parecia com ela. Claramente Jenny pensava muito nisso. Ou
pelo menos continuaria a pensar nisso at que enfim tivesse peitos e comeasse a pensar
em outras coisas. No  que ela sentisse falta da me. Quem sentiria falta de algum que
abandonou os filhos, nunca escreveu, nem telefonou e mandou a cada um deles peas de
roupa ntima tamanho infantil por dois Natais seguidos?
A nica coisa em que Dan pensava obcecadamente era Serena van der Woodsen. Serena
van der Woodsen. S de pensar em seu nome fez com que ele agarrasse a caneca de caf
com os dedos suados. Serena era to linda que ele tinha vontade de vomitar toda vez
que permitia que seus pensamentos vagassem at ela; to perfeita que era difcil
acreditar que existia; to inteiramente inatingvel que podia muito bem ser um fantasma,
uma fada ou coisa igualmente etrea. Serena van der Woodsen era e sempre seria a
garota dos sonhos de Dan, sua musa - embora ele no fizesse nada criativo que exigisse
uma musa.
Nunca diga nunca.
Dois anos antes, numa crise de compaixo insana pelo filho sem me, Rufus deu uma
senhora festa de aniversrio de 13 anos para Dan. Tinha um globo de discoteca,
gelatina, uma banheira cheia de cerveja St. Pauli Girl, e sorvete de caf Hagen Dazs e
pipoca de micro-ondas Newman's Own suficientes para alimentar toda a lista de alunos
do oitava ano da escola dele, a Riverside Prep. Como Rufus era notoriamente liberal e
certamente no teria problema em embebedar um bando de garotos do oitavo ano, toda
a turma de Dan apareceu, inclusive Zeke Freedman com seus quadris de mulher, o nico
amigo de verdade de Dan. Mas os alunos da turma de Dan na Riverside no foram os
nicos que souberam da festa regada a lcool. Os do primeiro ano pareceram e os do
ltimo ano tambm. E tambm vinte garotos que moravam do outro lado do parque e
souberam da festa pelo altamente desagradvel colega de turma de Dan e morador de
Park Avenue, Chuck Bass. Alguns das penetras eram meninas - graas a Deus  e
Serena era uma delas.
Ela ficou bbada e Dan tambm - todos ficaram. Mas a verso oitavo ano de Dan era
ainda mais introspectiva e insegura do que a verso do segundo ano, ento ele no teve
coragem de falar com ela. S ficou sentado no sof de couro marrom surrado do
escritrio, olhando pela porta enquanto Serena participava de um jogo bizarro de
bbado com os amigos no corredor da sala de jantar, envolvendo um livro de latim, um
pincel atmico e o peito nu de um menino. Foi Jenny quem disse o nome dela. Jenny
devia estar na cama - ah, t  mas ela se esgueirou para a sof de couro ao lado dele
com um pote de sorvete e duas colheres e cochichou palavras mgicas no ouvido de
Dan: "Essa  Serena van der Woodsen.  da minha escola. Ela no  divina?"
Absolutamente divina.
Jenny era ainda mais obcecada por Serena do que ele. Ela recortava fotos de Serena nas
pginas de colunas sociais e fazia desenhos dela nas margens do seu dirio da Hello
Kitty. Ela decorou o horrio de Serena - que ficava colado do lado de fora do armrio da
prpria e a seguia pela escola. Jenny ouvia suas conversas na hora do recreio, na hora do
almoo e no banheiro. Nos fins de semana, ela navegava pela internet atrs de fotos
dela. S nesta manh Jenny tinha baixado uma foto dos arquivos de um minsculo
jornal de Ridgefield, em Connecticut, de uma Serena de 8 anos comendo um sorvete de
chocolate com menta na casquinha. Faltavam quatro de seus dentes da frente, mas ela
ainda estava gloriosa.
- Eu andei pensando. Por que no fazemos uma colagem? - sugeria Jenny agora. - Tipo
assim, da vida toda dela, como imaginamos que seja.
- Quer dizer da mame? - perguntou Dan, a testa enrugada de preocupao. Que
pssimo que seu pai fosse totalmente contra terapia. A irm meio que parecia precisar
disso.
- No, seu bobo. De Serena - esclareceu Jenny, erguendo a foto do sorvete.
Como se isso fosse menos louco.
- Como ? - Dan se recusava a admitir que essa era a ideia mais empolgante que ele j
ouviu na vida. - De jeito nenhum. - Ele foi at a pia e encheu a caneca do Ursinho Puff
com a gua meio quente da torneira, mexendo o p do caf instantneo com uma colher
de plstico. Tomou um gole. Perfeito.
Perfeitamente nojento?
Jenny digitou no MacBook branco da famlia, ignorando os protestos do irmo. Ela
aprendeu que Dan era completamente intil quando se tratava de Serena van der
Woodsen.
- Ah, caraca - murmurou ela enquanto a nova foto que tinha baixado comeava a
aparecer na tela. Ela girou o laptop para que Dan pudesse ver. - Olha s isso. Ela
deveria estar na capa da Bride ou coisa assim.
Dan queria fingir desinteresse, mas era impossvel. Serena tinha um daqueles rostos
extraordinrios que mesmo quando distorcidos e reticulados reluziam uma beleza que
no podia ser arruinada. Jenny podia ter desenhado um bigode, sobrancelhas imensas e
um nariz peludo na imagem e ainda assim o efeito teria sido o mesmo: ele mal
conseguia respirar.
Serena usava um vestido frente-nica longo com contas prateadas no corpete e parecia
mesmo uma noiva, mas no uma modelo de vestido de noiva. Ela era linda demais para
ser modelo. Sua beleza era to extraordinria, genuna e inestimvel que era impossvel
imaginar algum usando-a para vender alguma coisa,
A no ser, talvez, o MasterCard.
- E agora, quer fazer a colagem? - insistiu Jenny, digitando no teclado. - A gente pode
fingir que  tipo a foto do anncio do seu casamento na seo Styles do New York Times
e escrever a coluna.  Ela abriu um novo documento no Word. - Serena Antoinette van
der Woodsen e Daniel Fartbreath Humphrey, 12 de julho na catedral de St. Patrick na
Quinta Avenida. A noiva conheceu o noivo quando eles foram  Universidade de
Columbia juntos. Ele era obcecado por ela h anos, mas intimidado demais para falar
at o dia em que ela deslocou o tornozelo na biblioteca depois de tropear na antologia
de Shakespeare de Daniel. Ele a carregou para seu alojamento fedorento, colocou seu p
no frigobar e leu livros existencialistas chatos em voz alta at que ela comeou a chorar.
A partir da, eles se tornaram inseparveis. Ele at comeou a cheirar melhor. A
voluptuosa irm mais nova de Daniel, Jennifer, est noiva do irmo mais novo da noiva,
Miles, e eles vo se casar no Dia de Ao de Graas.
Dan estava acostumado com a tagarelice de Jenny e teria se desligado se no fosse pelo
fato de que o que ela dizia era muito parecido com os devaneios que ele se permitia ter
toda noite quando ia dormir.
- Antoinette  mesmo o segundo nome dela? - perguntou ele, desconfiado.
Jenny deu de ombros. No fazia ideia do segundo nome de Serena ou se tinha ou no
um irmo mais novo chamado Miles, ou Michael, ou Morry. O nome do meio no devia
ser Antoinette, mas era sem dvida uma coisa igualmente glamourosa. Scarlett?
Jessamine?
- Acho que voc devia dizer a essa menina como voc  apaixonado, assim no tenho
que ouvir voc devanear sobre ela o dia todo - a voz do pai, Rufus Humphrey, surgiu da
porta da cozinha. O cabelo grisalho, comprido e crespo de Rufus estava num rabo de
cavalo frouxo e baixo preso com o arame amarelo de plstico que ele tirou de um saco
de lixo. Ele vestia o seu melhor "visual sem-teto": o moletom roxo e manchado de caf
preferido, com as mangas cortadas na altura dos cotovelos e QUESTIONE A
AUTORIDADE escrito em preto no peito; cala de esqui vermelha que a me de Jenny
e Dan deixou no armrio; e sandlias de borracha preta Birkenstock que faziam
maravilhas com seus tornozelos peludos. Na verdade, um tornozelo estava
inexplicavelmente escondido numa meia de l laranja, enquanto o outro p estava nu.
Evidentemente Dan e Jenny estavam acostumados com o pai, mas ainda era meio
chocante v-lo depois de uma boa noite de sono, e era sempre, sempre constrangedor
quandoele ia s escolas dos filhos. O pai de ningum parecia ou agia como Rufus. Mas
eles ainda o amavam tremendamente, independente de como se vestisse.
- Cala legal, pai - observou Jenny. - Se um dia me deixar fazer snowboard, vai me
emprestar?
Rufus sorriu para o elogio.
- Elas so isolantes! - trovejou ele. - D para fazer xixi nessa merda e ainda assim no
vaza!
Dan ainda estava fixado no que o pai acabara de dizer. Dizer para Serena que ele a
amava? Impossvel. Apavorante. Inescrutvel.
Rufus bateu um caderno com capa de couro preta na mesa da cozinha diante do filho.
- Escreva uma carta ou um poema para ela. Diga o que sente. Depois Jenny pode
colocar no armrio dela. Ela vai adorar. Todo mundo vai adorar. - As enormes
sobrancelhas eriadas de Rufus se ergueram na ponta. Ele estava ficando animado.
Como se fantasiasse ser o prximo Cyrano de Bergerac, que por acaso era uma das
tragicomdias preferidas de Dan. - At pensei no primeiro verso. Pensei nele quando
estava colocando os sapatos hoje de manh e s consegui encontrar uma meia. Eu
estava perdido como uma meia, mas agora encontrei voc. Ns somos um par.
Dan revirou os olhos. No era surpreendente que o pai nunca tivesse publicado nenhum
de seus escritos. Mas talvez ele conseguisse um emprego na Hallmark escrevendo
versos para cartes e finalmente poderiam contratar uma empregada. Dan abriu o
caderno de capa preta e pegou um toco de lpis mastigado na mesa. Sem pensar,
comeou a escrever.

Nada doeu at voc me empurrar, com fora, e eu ca.
Eu sangro. Estou sangrando.
E ainda estou caindo. Ainda caio.
No me v da de cima? A gua est clara.

Rufus olhou por sobre o ombro dele e franziu a testa.
-  um tanto sombrio.
Jenny arrastou a cadeira para ver.
- O que  um tanto sombrio? O que voc escreveu?
Dan fechou o caderno num baque. Ele nunca escreveu um poema na vida, s deixou que
as palavras sassem dele. Era meio excitante.
- Vou mostrar a vocs quando terminar. Talvez. -Ele j pensava em outro verso. Na
verdade era s uma palavra. Transformar. Ele se transformava em um poeta e Serena se
transformava em sua musa. Mesmo que ele nunca falasse com ela pessoalmente, podia
escrever para ela, ou pelo menos sobre ela. E depois, se ele morresse num incndio
terrvel tragicamente em idade precoce e sua poesia fosse proclamada como inovadora
de torcer o corao, ela ficaria famosa por ser sua inspirao.
At parece que ela j no era famosa.




toda produzida e sem ter aonde ir

- A vida no  perfeita? - perguntou-se Serena enquanto fumava na piteira ridiculamente
comprida e laqueada de preto que ela descobriu na gaveta mnima da mesa de cabeceira
dourada da Sra. Archibald, junto com frascos de comprimidos e um pequeno dirio com
capa de camura vermelha cheio de garranchos ilegveis em caneta azul num francs de
bbada. Zut alors, je dteste Misty Bass! J'adore mon nouvel chauffeur!
- Merveilleux - concordou Blair, ajeitando no nariz os enormes culos de sol Chanel da
Sra. Archibald.
As meninas estavam deitadas de costas na cama dos pais de Nate, vendo as estrelas
comearem a aparecer na claraboia. Nate estava deitado entre elas, os olhos verdes
fechados. A gravata-borboleta de seda roxa e preta do pai e o cinto de mesma cor
estavam amarrados em sua camisa Polo branca.
- Humm - observou ele meio bbado. Nate ficava meio tonto quando bebia gim, mas at
bbado e vestido como um babaca ele era um gato.
- Acha que ela usava pijama para dormir? - refletiu Serena. - Ou uma camisola?
- Pijama - respondeu Blair categoricamente. - Pijama de cetim com detalhes de veludo
preto. - Elas viram Bonequinha de luxo duas vezes seguidas e nenhuma das duas
conseguia parar de falar nisso. Estavam obcecadas.
- Se um dia eu dirigir cinema,  esse tipo de filme que quero fazer - declarou Serena
sonhadoramente enquanto um avio voava alto no cu, suas luzes piscando. - E vocs
dois podem ser os astros.
- Eu no - Nate bocejou. Atuar no era a praia dele. Decorar todas aquelas falas? No,
obrigado. Ele era um marinheiro. Sempre seria marinheiro. No que velejasse muito
durante o ano letivo, mas ele e o pai estavam trabalhando no projeto de um veleiro
incrvel que iam construir na propriedade da famlia em Mt. Desert Island, no Maine.
Um dia ele levaria Serena e Blair para velejar naquele barco. E um dia ele ganharia o
America's Cup com ele.
Em sua cabea, Blair j estava passando o filme que ia estrelar. Ela e Nate podiam no
ser completos estranhos em seu filme, como eram Fred e Holly Golightly. Eles se
conheciam desde sempre. Mas talvez, depois da faculdade, eles fossem morar por acaso
no mesmo prdio do Upper East Side, como Holly e Fred. E um dia, quando os dois
estivessem correndo para pegar o mesmo txi, eles se esbarrariam na chuva. Blair
estaria segurando um gato, eles se beijariam e perceberiam que na verdade se amaram a
vida toda. Depois correriam para o apartamento dela e fariam um sexo louco e
apaixonado.
Ou talvez isso acontecesse agora mesmo.
Blair virou um pouco a cabea para olhar Nate. Havia um tufo de penugem dourada em
seu rosto que ele deixou escapar com o barbeador eltrico. Seus clios castanhos claros
se curvavam to dramaticamente que pareciam falsos. Era quase doloroso estar to.perto
e no tocar nele. Com ousadia, ela colocou a cabea em seu peito e sussurrou sonolenta,
no melhor estilo Audrey Hepburn:
- Graas a Deus existem camas king size. .
Do outro lado de Nate, Serena apagou o cigarro numa taa vazia de martni, desabotoou
o jeans Earl ainda molhado de neve e deslizou para fora dele. Depois rolou, passando a
perna perfeita e sempre bronzeada pelas calas cqui de Nate. Ele era um ursinho de
pelcia muito fofo, perfeito para se aconchegar. E um dia ela criaria coragem para
passar as mos por baixo da camisa dele e beij-lo, beij-lo de verdade.
Um dia em breve, por favor.
Era uma glria que ele estivesse bbado, ou Nate nem teria sido capaz de suportar.
Mesmo com trs martnis girando pela barriga, a cala cqui estava ficando cada vez
mais apertada numa certa rea com zper. Ele amava Serena e Blair, amava de verdade,
e as duas eram to lindas. Ele at gostou um pouco mais de Bonequinha de luxo na
segunda vez em que viu. Mas uma coisa ocorreu a ele enquanto via o filme de novo:
todo mundo parecia to reprimido. Todas as meninas usavam maquiagem e os caras
usavam chapu e todos estavam totalmente vestidos o tempo todo. Isso fazia com que
ele quisesse... quisesse...
Nate tinha quase 16 anos e estava cansado de ser virgem. Ver-se de recheio de
sanduche entre Serena e Blair no ajudava em nada  s o deixava tremendamente
excitado. Mas como ele poderia escolher entre as duas? As duas faziam parte dele e
parecia um erro imaginar uma delas nua. Ele cruzou os tornozelos, afastando-se da
perna de Serena. Talvez fosse melhor se continuasse sendo amigo delas, como um
cunuico assexuado - pelo menos para suas duas melhores amigas - enquanto encontrava
outra garota para finalmente transar. S para tirar isso de sua cabea.
Humm, no era exatamente o que as duas tinham em mente.
- Vamos ficar assim para sempre - murmurou Serena sonolenta, remexendo o nariz no
pescoo quente de Nate. Depois ela se lembrou de que os pais queriam mand-la para o
colgio interno no ano seguinte. Ela fechou os enormes olhos azuis, mas no se sentia
mais cansada. Os clios longos e quase pretos tremularam no pescoo de Nate quando
ela voltou a abrir os olhos. A respirao reduzia enquanto ele resvalava para o reino dos
sonhos. Blair j estava ressonando, como sempre fazia quando bebia e fumava. Serena
levantou a cabea para olhar os dois que dormiam rpido em um monturo adorvel e
confortvel, como filhotinhos que brincaram demais.
Na aula de ingls da Sra. Warwick, eles estavam lendo O retrato de Dorian Gray, de
Oscar Wilde. Nele, um cara chamado Dorian fica jovem e bonito enquanto um retrato
que pintavam dele envelhece e enfeia. Serena ps as mos em concha nos olhos e
estalou a lngua, fingindo tirar uma foto dos amigos para que os congelasse assim,
juntos e sempre perfeitos. Ela se curvou e deu um beijo de leve na testa de Nate,
respirando o cheiro maravilhoso de sabonete de sndalo e molhando sua pele com as
lgrimas. Ela chorava porque amava Nate e Blair, e nunca era mais feliz do que quando
estava com eles. Como deixaria os dois melhores amigos?
Talvez ela chorasse porque a ideia de Blair e Nate aninhados na cama dos pais dele sem
ela fosse demais para suportar.
gossipgirl.net
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Advertncia: Todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e eventos foram
alterados ou abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                      oi, gente!

se cuida, Liz Smith

Para minha grande surpresa, este negcio de fofocar acontece naturalmente. A nica
coisa que no posso contar  minha identidade. Muitos de vocs j esto clamando por
ela, mas ai de mim, eu opero sob uma poltica estrita de no-pergunte-que-eu-no-conto,
ento nem se deem esse trabalho. Vocs podem querer me contar todo tipo de outras
coisas picantes e isso  muito bem-vindo. Sou facinha quando se trata de fofocar - vou
ouvir tudo. Afinal, descendo de uma longa linhagem de fofoqueiras e colunistas
glamourosas que inclui Dear Abby, Hedda Hopper, Simon Doonan e Liz Smith. No
que eu realmente tenha parentesco com qualquer um deles, mas posso senti-Ios em
minhas veias. Ento mandem um furo para mim!
flagras

B brigando com o pai na Ferragamo da Quinta com a rua 52. Ela fica apavorante
quando est com raiva, mas finalmente se acalmou o suficiente para experimentar e
obrigar o pai a comprar seis - eu contei, seis  pares de sapatilha de bal em cetim em
tons de pedras preciosas. S com a me na Frette comprando lenis de flanela italiana
tamanho extralongo. Aonde ela vai, a uma colnia de frias? N dando mole para um
grupo de meninas da L'cole na frente daquela pizzaria na 86 com a Madison.
Pardonnez-moi, mas tira as mos da - ele j est prometido para mais de uma garota.
quatro letras e comea com a

Somos jovens, ainda no estamos pirando com a faculdade e ainda cometemos grandes
micos da moda e gafes sociais e nos safamos totalmente disso. Por que nos incomodar
com o amor, agora que somos to livres e independentes? A resposta bvia: tdio.
Precisamos agitar um pouco as coisas e, porque estamos entediados, mas no somos um
tdio, no temos escrpulos de contar a nossos melhores amigos que depois de todos
esses anos de amizade s conseguimos pensar neles... nus. Eu sei, eu sei. J posso ouvir
voc gritar, Eca! Mas imagine que seu melhor amigo seja N - quem no pensaria nele
sem camisa e tirando a sua blusa com ele? Quer dizer, tenha d!
Pronto, j disse. Estou apaixonada por ele tambm, Et vous? Ou eu basto para voc?
                         Voc sabe que no se cansa de mim,
                                      gossip girl
mais um dia insano na escola

- Rapazes, preciso lembrar vocs de que o inverno est quase acabando e que logo
estaremos competindo? No me importa que estejam com frio. Corram! Batam nessa
merda! Levantem os bastes!  gritava o treinador Michaels para a equipe de lacrosse
do St. Jude's School for Boys. Os meninos treinavam no canto do Sheep Meadow no
Central Park sob um cu cinzento e sem sol. Bolas congeladas de gelo eram esmagadas
por seus ps com trava. A maioria dos meninos estava de short, como que para provar
como eram dures e impermeveis ao frio.
E por falar em impermeabilidade. O treinador Michaels vestia o mesmo bluso verde
Lands' End que usou em todo o outono e a primavera. Ou ele tinha uma boa ceroula de
polipropileno ultraquente e ultrafina por baixo, ou era totalmente insensvel ao calor, ao
frio ou ao que fosse, o que era mais provvel.
- Archibald, s porque voc  meu jogador mais novo no quer dizer que possa ser o
mais maricas. Goodred, pegue Archibald e faa alguns revezamentos. Enfia seu basto
na bunda dele!
Os outros meninos riram. O treinador Michaels era famoso pela boca suja e pelas ordens
absurdas. Nunca dizia o que queria, ou, se o fizesse, no havia como os meninos
realmente fazerem o que ele mandava. Mas eles entenderam a mensagem. Ele queria
que corressem pra valer, tomassem a bola, passassem preciso e fizessem gol. Era um
bom treinador e eles geralmente venciam. Alm disso, ele sabia reconhecer talentos.
Nate era s um segundanista, mas o treinador Michaels o tirou do time de juniores "para
ele ter mais culhes".
Luke Goodred, o capito do time, colocou o cesto da ponta do basto de lacrosse Brine
na virilha de Nate e fingiu atirar as bolas crescentes de Nate por sobre as rvores que
cercavam o parque e estavam em todo Central Park West.
Splat!
Luke era alto e magro, com cabelos castanho-arruivados e crespos, boca de Mick Jagger
e nervosos olhos castanhos. Ele teria sido rotulado de nerd se no fosse to confiante e
um jogador de lacrosse to bom.
- Voc est de moletom - observou ele obliquamente.  Aposto que ainda  virgem.
Meu Deus, Archibald. Como pode passar todo seu tempo com aquelas duas gatas e
ainda ser virgem? - Luke tinha muito orgulho de saber o status sexual de cada jogador
de seu time e fazia o mximo para ajudar os virgens a se desvirginizarem.  No falou
mais com L'Wren?
Nate deu de ombros.
- Ela est na faculdade - respondeu ele antes de correr atrs da bola.
Luke correu atrs dele.
- Bom, ela vem para a minha festa amanh. Voc vai?
Normalmente seria estranho um veterano convidar um segundanista para sua festa, mas
alguma coisa em Nate transcendia hierarquias de turma. Talvez fosse o fato de que ele
nunca fosse a lugar nenhum sem as duas lindas amigas, Blair Waldorf e Serena van der
Woodsen, tornando-o bem-vindo em basicamente todo lugar. Ele ainda tentava entender
exatamente quem era, como os demais meninos de 15 anos, mas no era nenhum
imbecil. Na verdade, j era meio evidente que parte dos veteranos de sua escola se
esfora muito para imitar ele.
- As meninas que esto de fofoquinha a!  gritou o treinador Michaels para eles do
outro lado do gramado.  Querem que eu pegue um ch com biscoitos? Isso no  a
porra de um jogo de rquete, seus retardados!
Lake riu.
- Ei, treinador, vou dar uma festa amanh  noite, quer ir? Vai ser uma orgia daquelas,
vou te contar!
O treinador Michaels enfiou as mos nos bolsos do bluso.
- No, obrigado. Vou ter minha prpria orgia em casa!  Todo o time estremeceu, a cara
enrugada numa careta coletiva. O treinador sempre falava dele e da mulher como se
fossem o casal mais quente do mundo. Os meninos viram a foto da Sra. Michaels na
parede da sala do treinador no ginsio e todos concordaram que ela era meio parecida
com Jennifer Aniston. O cabelo ruivo pintado era comprido e ondulado, tinha olhos
castanhos sorridentes e um sorriso bonito. Mas usava uma tonelada de maquiagem e
exibia um bluso cor-de-rosa para combinar com o verde do treinador. O veredito
oficial do time era de que o casal Michaels ficava de bluso quando transava.
Que lindo.
Assim que o treino terminou, Nate mandou uma mensagem de texto para Serena e Blair,
que estavam do outro lado do parque, na escola, curtindo Fotografia em Dupla. A
Fotografia em Dupla era a matria favorita de todas. Uma hora e meia para andar pela
cidade sem superviso com o pretexto de tirar fotos, quando o que elas realmente
faziam era ir a liquidaes de grife, cortar o cabelo, comprar sapatos ou fazer as
sobrancelhas. Por que perder um fim de semana precioso fazendo todas essas coisas
quando tinham a Fotografia em Dupla?
As luzes estavam acesas no quarto escuro e o laboratrio tinha cheiro de fixador e do
eterno caf expresso do Sr, Beckham. O professor examinou sua folha de frequncia,
preparando-se para dispor as meninas em pares para a aventura ao ar livre com suas
Nikons. O celular de Serena zumbiu na bolsa Lambertson Truex azul. Ela levou a mo
s costas e disfaradamente leu a mensagem de Nate.
VAMOS A UMA FESTA AMANH A NOITE?  NA CASA DO MEU CAPITO
DE LACROSSE, ENTO TENHO QUE IR.
Nate era to lindo e indefeso - jamais conseguia fazer nada sem elas.
T, GATO, CLARO QUE VAMOS, digitou Serena em resposta. NO SE ESQUEA,
AMANH  DIA DOS NAMORADOS.
- No se mexa - sussurrou Blair para ela, pegando o brao de Serena. - O Sr. Tdio est
formando as duplas. Temos que ficar juntas - acrescentou ela, como se fosse questo de
vida ou morte.
- Kati Farkas e Vanessa Abrams - disse o Sr. Beckham com o sotaque arrastado e
montono do Meio-Oeste.
- De jeito nenhum, porra - sibilou Vanessa, a estranha, com botas de combate e cabelo
preto na altura da cintura que chegou em setembro de sei-l-onde e se recusava a falar
com tudo mundo.  Se acha que vou andar por a tirando fotos com Catinga Farsa, voc
enlouqueceu - declarou ela num tom de voz bem alto.
Serena e Blair explodiram em uivos de riso. Catinga Farsa? Ora, por que elas no
pensaram nisso antes?
Vanessa vestia uma calola xadrez azul-marinho e branca - sim, calola - obrigatria
para as meninas das primeiras sries na aula de educao fsica, por cima de leggings
pretas, como uma modelo da Anna Sui que perdeu a saia.
Bom, pelo menos ela ainda estava de uniforme.
- Com licena? - gemeu Kati, colocando as mos nos quadris brancos e expostos. Kati
preferia usar camisas Polo ou Lacoste em tons pastel combinadas com a mesma saia de
uniforme diminuta que usava desde a sexta srie. Ela deixou a saia desabotoada e a
dobrou na cintura, para ficar superbaixa e supercurta. - Sr. Beckham? Ela no devia ser,
tipo assim, expulsa por me dizer essas coisas?
O Sr. Beckham a ignorou. Vanessa era a fotgrafa mais talentosa de sua turma e ele no
ia expuls-la e nem suspend-la quando um dia ela podia faz-lo famoso.
- T bom - suspirou ele, como se a depravao das alunas no O incomodasse mais. -
Vanessa, voc vai com Blair, e Serena, voc vai com Kati.
- No! - gemeu Blair, atirando os braos em Serena, abraando-a com fora.
- Est tudo bem - cochichou Serena, livrando-se do aperto mortal de Blair. Ela pensou
que podia usar os prximos dois tempos de aula para finalmente contar a Blair sobre o
internato no ano seguinte, mas como Blair estava toda sensvel desde que ouviu o pai
falando obscenidades com algum no closet, Serena no podia perturb-la ainda mais.
- Tenho que ir na Barneys de qualquer forma, e voc j foi duas vezes esta semana -
lembrou-lhe ela com delicadeza. Blair tinha o hbito horrvel de ir  Barneys na hora do
almoo e imediatamente depois da aula, mesmo que isso significasse chegar atrasada
para todas as atividades extracurriculares que elas deviam fazer para ela entrar para
Yale, como o Clube de Francs, tnis, a Princeton Review e o novo conselho juvenil do
museu Guggenheim. Alm disso, Serena odiava fazer compras com Blair porque Blair
era competitiva demais. Antes de pagarem a conta, ela precisava comparar o que estava
comprando com as roupas de Serena e se Serena tivesse uma saia a mais do que ela, ou
um vestido de uma estampa incomum, Blair vasculhava as prateleiras atrs de uma
compra igualmente fabulosa. Hoje Serena queria comprar uma coisa bonita para vestir
na festa a que Nate acabara de convidar as duas para a noite de manh, e ela no queria
que Blair visse o que ela ia escolher. Alm de tudo, era bom ter Kati por perto para
carregar suas coisas.
As macacas de imitao tm l suas utilidades.
- E no se esqueam de apresentar suas fotos para a nova revista de Vanessa  lembrou-
lhes o Sr. Beckham.  uma maneira maravilhosa de mostrar seu talento - acrescentou
ele friamente.
Vanessa revirou os olhos. Esta manh ela colocou dois sacos de papel pardo na parede
do refeitrio da Constance Billard. Um dos sacos tinha o rtulo ARTE e o outro
ESCRITOS, com uma placa no alto que dizia TRABALHOS DE ARTE PARA A
REVISTA DA ESCOLA. At agora os sacos continuavam vazios, o que para ela era
timo. Vanessa tinha muitas fotos para preencher a revista e talvez pudesse espalhar
umas citaes aleatrias, como aquela rabiscada na parede do banheiro de seu
restaurante preferido de falafel em Williamsburg: A juventude  um desperdcio dos
jovens.
As meninas dispararam escada acima a seus armrios no terceiro andar para pegar os
casacos. A Constance Billard recentemente redecorou seus corredores em ouro e prata -
paredes douradas e armrios prateados, carpete dourado e pintura prateada no teto. A
ideia era que as meninas perdessem menos tempo com a aparncia e mais tempo com os
estudos se a escola fosse mais glamourosa do que todas elas.
Valeu a tentativa.
Um pedao de papel cuidadosamente dobrado estava enfiado em uma das fendas do
metal prateado do armrio de Serena. Ela pegou o papel e o abriu, lendo apressadamente
enquanto lutava com o novo casaco de l marrom Burberry que a me tinha comprado
para ela em Londres um ms antes.

Nada doeu at voc me empurrar, com fora, e eu ca.
E ainda estou caindo. Ainda caio.
No me v da de cima? A gua  clara.
Est se transformando - no, eu estou me transformando
Mais claro e ainda mais claro.
No pode me ver?

- O que  isso? - Kati espiou ruidosamente por sobre o ombro de Serena para a folha de
papel enquanto abotoava o novo casaco de mohair laranja que era idntico ao casaco de
cashmere laranja Marni que Serena usou na primeira parte do inverno. - Voc escreveu
isso?
- No - respondeu Serena, relendo o poema. - Acho que algum deixou aqui para mim.
- Eca! - guinchou Kati, enfiando o cabelo louro-arruivado patentemente tingido atrs
das orelhas proeminentes - Isso  assustador. Se eu fosse voc, eu superpassaria a andar
com um segurana.
Serena deu de ombros. Estava acostumava a ser admirada e era meio lisonjeiro ter um
poema escrito expressamente para ela, mesmo que o poema fosse meio sombrio,
mrbido, bizarro e ela no fizesse ideia de quem tinha escrito. Ela colocou a folha de
papel no bolso e passou a ala da cmera Nikon no pescoo. Depois dobrou a cintura da
saia de uniforme pregueada azul-marinho, encurtando ainda mais, de forma que a saia
agora mal cobria a bunda com leggings azuis. Uma coisa de que no ia sentir falta
quando fosse para o internato eram os uniformes horrorosos da Constance.
- Vem, Kati, vamos encontrar alguma coisa bonita de veludo roxo. Toda garota deve ter
algum veludo roxo, no acha?
Os olhos vagamente castanhos de Kati se iluminaram de empolgao.
-  mesmo? - exclamou ela.
Sem dvida nenhuma.




v ajuda b a perceber as pequenas coisas
- Isso  to rosa - observou Vanessa, ajoelhando-se no gelo sujo para fazer outra foto em
close do chiclete mastigado que foi cuspido bem em frente s imensas portas de madeira
azuis da Constance Billard.
Ela estava fotografando o chiclete h quase meia hora e Blair queria estrangul-la. Blair
nem acreditava que fosse andar em pblico com algum que usava calola, que era
basicamente roupa ntima bufante, em xadrez azul e branco.
- Nossas fotos so todas em preto e branco mesmo, lembra?- rebateu ela. - Ser que a
gente pode ir agora?
 claro que Vanessa sabia muito bem que tipo de filme estava na cmera.
- Eu s queria pegar de mais um ngulo - respondeu ela distrada, deitando-se de costas
na calada e erguendo a cmera de cabea para baixo sobre o chiclete. Ela reprimiu uma
gargalhada. Caraca, era divertido irritar Blair.
Mas ser que ainda vai ser divertido quando sua cmera for atirada na Quinta Avenida?
- Meu Deus - murmurou Blair, pegando o celular que vibrava no bolso do casaco verde
Marc Jacobs Jackie O com os botes imensos de tartaruga. - Oi, me - disse ela
friamente. - Que bom que encontrou tempo para retornar meus telefonemas. - Blair
tinha deixado quatro recados para a me desde a vspera, depois de decidir na noite
anterior que tinha de falar com ela sobre o incidente no closet.  claro que ela via os
pais quase toda manh antes de ir para a escola, o pai insistia em cafs da manh em
famlia durante a semana, mas ela precisava falar com a me a ss.
- Desculpe, querida, mas sabe como ando ocupada este ano. A primavera est chegando
e h tantas festas beneficentes para planejar. Eu queria ser trs! - exclamou Eleanor.
Blair revirou os olhos. J havia trs dela. No ltimo ms a me ficou extremamente
gorda com uma ridcula dieta francesa que exigia que comesse um bife por dia e uma
rodela inteira de brie por semana. Blair semicerrou os olhos para a calada e vasculhou
a bolsa em busca do cachecol de cashmere TSE branco. Ela no estava de leggings e a
sua bunda congelava.
- S pensei que voc devia saber que na semana passada eu peguei o papai escondido no
closet dele, tendo uma conversa nojenta com outra mulher enquanto voc estava
provando comida para a festa do Guggenheim - soltou Blair. - Ele est tendo um caso.
Eu tenho certeza disso.
Como a maioria das mes e filhas, elas tinham uma complicada relao de amor e dio.
Blair achava que a me tinha o direito de saber o que ela viu e ouviu, mas contar a ela
era uma espcie de desafio, como se dissesse, "O negcio  o seguinte, bundona. E
agora, vai fazer o que com isso?" No que Blair realmente quisesse que os pais
brigassem, se separassem nem nada disso, mas certamente daria mais drama a sua vida.
E todos ns precisamos de drama.
- Ah, tenho certeza de que voc ouviu mal, querida  respondeu Eleanor com o tom
chilreado de "esta informao no computa". Era o que Blair no conseguia suportar
nela. - Seu pai anda trabalhando muito ultimamente. Ele devia estar praticando para um
processo ou coisa assim.
O pai de Blair era um advogado de patentes especializado em produtos farmacuticos e
calados. Blair tinha certeza absoluta de que ele no estava trabalhando em nenhum
caso para a Ernest & Julio Gallo.
Ela achou o cachecol e o enrolou no pescoo, descobrindo que Vanessa tinha ido
embora. Ela girou, a voz abertamente petulante da me ainda tagarelando ao fundo.
- Pensei que talvez ns pudssemos ir  Bergdorf's depois da aula - dizia ela. - No vou
l h semanas e voc precisa de um novo casaco de primavera.
Era um dia cinzento e mido de fevereiro e o ar tinha cheiro de pur frio. Uma lama de
neve suja enchia os meios-fios e at os txis amarelos pareciam frios. Era o tipo de dia
que fazia Blair querer colocar seu biquni Missoni preferido e escapar com Nate para St.
Barts.
Do outro lado da Madison Avenue, Blair viu a bunda larga com calola de Vanessa
descendo a 93 na direo da Park Avenue, o cabelo preto ondulando atrs no vento
mido e gelado. Blair partiu para segui-la, andando rapidamente. O telefonema com a
me parecia totalmente irrelevante, uma vez que a me no a ouvia mais. Era muito
mais importante que Vanessa soubesse que ela  que devia decidir aonde iriam. Ela
queria tirar fotos dos patinhos novos que nadavam na represa do Central Park, mas
Vanessa andava para o leste, afastando-se do parque.
- Tenho que ir, me. A gente se v mais tarde, se voc no sair.
- Seu pai vai me levar a uma pera de Wagner. Um tdio.
- Tudo bem. Tchau! - Blair desligou e disparou pela Park Avenue atrs de Vanessa.
Suas botas Prada cinza-escuro no eram exatamente calados de corrida e estavam
ficando totalmente sujas de lama.  Mas que merda! - disse ela ofegante, alcanando a
colega de turma.
- Achei que sua conversa era particular - explicou Vanessa sem reduzir o ritmo.  E eu
tinha terminado de tirar fotos do chiclete.
- E agora ns vamos aonde? - Blair estava irritada que estivesse seguindo Vanessa
quando o que realmente queria fazer era entrar na Starbucks e comprar um chocolate
quente com uma dose extra de chantilly.
- Tenho que passar rapidinho num lugar - anunciou Vanessa vagamente enquanto
localizava o que procurava. Ela entrou na Lexington Avenue, andou meio quarteiro e
abriu a porta de uma barbearia minscula.
- Mas o que... - Blair hesitou e a seguiu para dentro. A barbearia tinha cheiro de
aromatizante de ar e cano de descarga de nibus, e o barbeiro estava usando imensos
sapatos brancos de enfermeiro e um cinto de couro vermelho, como um serial killer que
fazia sero como palhao. Ele colocou uma coisa que parecia uma toalha de mesa de
polister nos ombros de Vanessa e a sentou em uma das duas cadeiras de barbeiro de
couro sinttico marrom e pudo.
Com relutncia, Blair se empoleirou na outra cadeira para esperar. No havia revistas na
loja, nem mesmo uma Sports lllustrated. S um exemplar de um jornal qualquer
chamado Il Recordo que nem era em ingls. Era melhor que isso fosse rpido.
- Seu cabelo  to saudvel - observou Blair, tentando uma conversa amistosa para no
enlouquecer de tdio. - Estava pensando que voc deve cortar a cada poucas semanas
para manter esse visual.
Mas num chiqueiro como esse?
Vanessa ignorou a colega de turma e olhou a parede espelhada com um sorriso
malicioso nos lbios vermelhos e finos. O barbeiro acionou uma alavanca com o p para
levantar a cadeira e passou as mos pelo cabelo grosso e preto na altura da cintura.
- S uma aparada, senhorita? Talvez 5 ou 7 centmetros?  perguntou ele educadamente.
Vanessa respirou fundo.
- Na verdade, gostaria que raspasse, por favor - ordenou ela. - Raspe tudo.
Pode repetir, por favor?
Ela pegou o olhar chocado de Blair no espelho. Com as mechas castanhas e luxuriantes
bem-cuidadas, casaco verde de grife, botas de couro cinza-escuro e biquinho rosa com
gloss, Blair parecia completamente deslocada na barbearia mnima e masculina. At
Vanessa parecia deslocada. Mas no por muito tempo.
O barbeiro assentiu e cortou o ar com a tesoura algumas vezes orno se estivesse louco
para retalhar todo aquele cabelo. Pegou as pontas e se preparou para atacar.
- Pare! - Blair arfou, como se fosse o cabelo dela. - No pode fazer isso!
Vanessa virou-se na cadeira.
- E por que no? O cabelo  meu.
Corta, corta! Um mao enorme de fios pretos e grossos caiu no piso de linleo cinza.
No era mais seu cabelo.
Blair encarou o cabelo, numa pilha desordenada perto da ponta do feio sapato branco do
barbeiro. Ela nem conseguia imaginar cortar todo seu cabelo daquele jeito, em especial
se fosse to comprido e abundante como o de Vanessa. Parte dele ainda devia ser cabelo
de quando era beb!
- Devia pelo menos guardar - aconselhou ela, cruzando e descruzando as pernas, pouco
 vontade. - Ou doar para a caridade. Serena e eu demos mechas ao Kute Kuts da
Madison no quarto ano, e se voc tiver pelo menos 10 centmetros de cabelo, eles doam
a uma organizao de caridade que faz perucas para crianas com leucemia. Acho que
se chama Braid Aid.  uma causa muito boa.
O sorriso de Vanessa se enrugou no espelho. Doar o cabelo no era m ideia, mas
eliminava parte do choque de raspar a cabea. A no ser que ela conseguisse que Blair
raspasse a dela tambm. Mas por que no a turma toda, melhor, toda a escola raspava a
cabea para essa porra de boa causa? Ela j podia imaginar as manchetes na Page Six do
New York Post: "Altrustas da Constance Billard raspam cabea por crianas doentes!"
Como se isso um dia fosse acontecer.
O barbeiro borrifou gua na cabea de Vanessa e comeou a zumbir o barbeador
eltrico no cabelo preto da nuca.
- Voc bem que podia tirar umas fotos disso - sugeriu ela a Blair. - Tudo em nome da
arte.
Blair pegou a Nikon de Vanessa. Ela no precisava documentar o evento. No era
exatamente uma coisa que fosse esquecer. Mas tinha de admitir que Vanessa era dona
de um cabea bonita - sem manchas, marcas, ou cicatrizes. Raspada, ela quase ficava...
bem. E os olhos ficaram maiores, mais castanhos, e de certo modo mais bonitos. O
barbeiro borrifou talco em seu pescoo plido e recm-raspado e o espanou com uma
escova gigante exatamente igual  que Blair usava com seu p facial Chanel preferido
para oleosidade da pele.
- Ficou bom? - perguntou ele, como se pudesse ter feito alguma coisa diferente. Ela
estava basicamente careca.
Vanessa ponderou seu reflexo no espelho. Ela certamente no parecia mais uma aluna
da Constance Billard. Era s ela mesma  totalmente sem acessrios, sem maquiagem e
sem enfeites. Que golpe ter criado sua prpria revista de artes e criado sua prpria
imagem alternativa num dia s.
- Est perfeito. - Ela desceu da cadeira marrom e ficou de p. O barbeiro tirou o manto
escuro, enfiou-o sob o brao e escovou as costas de seu suter com uma escova dura. -
Poderia colocar meu cabelo num saquinho ou algo do tipo? - perguntou ela
educadamente. - Minha amiga aqui quer doar para a caridade.
A boca de Blair se abriu. Quem Vanessa pensava que era? O barbeiro rapidamente
varreu o monte de mechas pretas, pegou um saco plstico grande de freezer e enfiou o
Ziploc na bolsa Jimmy Cho laranja escura e imensa de Blair como se estivesse fazendo
um enorme favor a ela.
Blair seguiu Vanessa para fora da barbearia e colocou o saco plstico na lixeira mais
prxima. Eca, eca, eca! Parecia um bicho morto. Ela pegou na bolsa um frasco de gel
higienizante Purell para mos.
- Est tudo bem - Vanessa a tranquilizou. - Eu tomei um banho no ms passado, ento
os piolhos no devem ser muitos.
Ela riu e passou a mo na careca recente, adorando senti-la limpa e eriada. Blair a
fuzilou com os olhos e Vanessa retribuiu o olhar. Fazer com que as colegas da
Constance a odiassem era parte intrnseca da imagem que estava cultivando e, de todas
as pessoas de sua turma, era muito importante para ela que Blair Waldorf fosse a que
mais a odiasse.
Bom, digamos que ela comeou de um jeito brilhante.




p-e-i-t-o-s - descubra o que significam para mim!
Eles eram to perfeitos. Mesmo que ela finalmente conseguisse os dela, talvez jamais
fossem assim. Bronzeados e redondos com um tom dourado. T legal, ento agora ela
parecia a maior pervertida do universo, mesmo que ningum pudesse ouvir seus
pensamentos. Mas ela no conseguia esconder, estava totalmente obcecada. Se ao
menos houvesse uma coisa que pudesse tomar para aumentar s um pouquinho os
dela...
Jenny deu uma ltima olhada demorada na foto de Serena que tinha descoberto no site
chamado Model Shoppers, que exibia polaroids de modelos saindo de salas de prova em
lojas como a Barneys e a Bendel's. Serena no era modelo, mas certamente enganou os
fotgrafos. Usando s um biquni branco e simples, tudo nela era impecvel,
especialmente os seios de tamanhos perfeitos.
Apressadamente, Jenny digitou "seios maiores" na ferramenta de busca no alto da
pgina. A foto de Serena desapareceu, substituda por 2.407 resultados de busca. Seios
maiores e uma libido aumentada em apenas trs semanas. Sinta-se melhor e tenha uma
aparncia melhor sem ganhar peso. Baixo risco de efeitos colaterais. A alternativa 
cirurgia! Ignorando os links totalmente pornogrficos como vejaminhastetonas.net,
Jenny passou os olhos pela lista parando para ler as palavras totalmente natural, sem
riscos com um link para um site chamado sempeitos.com. Era um nome idiota, mas
parecia seguro. Ela clicou no link e leu a lista de ingredientes de um suplemento para
aumento dos seios, 100% orgnico e totalmente natural, chamado MammaGro. Inhame,
feno grego, uma coisa chamada raiz de kavu da Tailndia, cevada. Eles pareciam
mesmo totalmente inofensivos, mas o MammaGro custava 300 dlares para um ms de
suplementos, tempo que, segundo o site, era necessrio para que os comprimidos
tivessem total efeito. Nos testemunhos na base da pgina, algumas mulheres afirmaram
ter obtido bons resultados em menos tempo. De P a M em duas semanas! Estou to
animada. E meu namorado tambm!
Os dedos de Jenny pairaram sobre o teclado. Ela precisava fazer o pedido em nome do
pai, porque era necessrio ter mais de 18 anos, e ela precisava usar o nmero do carto
de crdito dele, que ela decorou, porque no tinha o dela. O carto Discover devia ser s
para emergncias, mas a verdade era que ausncia completa de qualquer sinal de peitos
atingira propores emergenciais.
Ela preencheu o formulrio com as informaes necessrias e clicou em "Pedir agora".
Obrigado!
- Jenny, posso falar com voc um minuto? - sussurrou algum bem atrs dela, fazendo
com que Jenny saltasse constrangida da cadeira. A mo voou para o botozinho na base
do monitor, desligando-o antes que algum pudesse ver o que ela estava fazendo. Jenny
tinha se esquecido totalmente de que estava no laboratrio de computao da escola,
presumivelmente baixando fontes para a equipe do anurio que gostava de usar alunas
inteligentes do stimo ano como mo-de-obra barata.
Jenny girou e viu a professora de artes, a Srta. Monet, que ela menosprezava, embora
artes fosse sua matria preferida. Ela estava convencida de que a Srta. Monet tinha se
tornado professora de artes simplesmente por causa do sobrenome, provando que no
tinha imaginao nenhuma. O caso era que a Srta. Monet no sabia nada de arte. Ela
fazia as alunas pintarem as naturezas-mortas mais chatas e previsveis de bananas e
ameixas e se recusava a usar a palavra azul, preferindo a palavra azure. Ao que parecia,
azul era s azul para ela, enquanto para Jenny azul era to ilimitado e excitante quanto
seu futuro.
Ou era o azul-esverdeado claro da bolsa Balenciaga do ltimo catlogo da Barneys.
Jenny se empoleirou na mesa do computador e cruzou os braos, fingindo a completa
inocncia de algum que no tinha acabado de encomendar na Internet suplementos
para aumentar os peitos.
- Sim? - respondeu ela, lamurienta.
A Srta. Monet lhe entregou uma folha de papel amarelo-mostarda. CONCURSO DE
DESIGN DO HINRIO DA CONSTANCE BILLARD, estava digitado em caracteres
grandes no alto.

A VENCEDORA TERA O CRDITO DE DESIGNER DE NOSSOS HINRIOS
EXCLUSIVOS A SEREM USADOS NAS REUNIES SEMANAIS DA ESCOLA E
APRECIADOS PELAS GERAES FUTURAS. ILUSTRE E DESENHE AS PGINAS
DE CADA HINO. PARA PARTICIPAR, ESCOLHA SEU HINO PREFERIDO, ILUSTRE
E COMPONHA NA FORMA DE SUA PREFERNCIA.
ALUNAS DO 8 ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL AO TERCEIRO ANO DO
ENSINO MDIO. PRAZO DE ENTREGA, 1 DE MARO. OS RESULTADOS SERO
ANUNCIADOS EM JUNHO.

                                                               BOA SORTE, MENINAS
                                                          SRA. MACLEAN, DIRETORA

O cartaz estava pendurado desde que as meninas voltaram das frias de inverno ms
anterior. Como s estava no stimo ano, Jenny o ignorou.
- De imediato eu vi que era perfeito para voc - disse-lhe a Srta. Monet com um
sussurro audvel. A diminuta professora vestia uma camisa de homem branca e suja de
tinta por cima de cala de smoking preta e botas sem salto. Usava culos RayBan de aro
preto e lentes verdes e mantinha O cabelo louro-acinzentado num corte severo na altura
do queixo. Provavelmente pensava que parecia moderna e artstica, mas Jenny
desconfiava que ela s copiou o estilo de algum.
Uma mistura de Meryl Streep em O diabo veste Prada com Bono?
Jenny franziu os lbios. Havia uma regra estrita de no falar no laboratrio de
computao e o inspetor - um professor de matemtica com um basto bigode castanho -
franzia a testa para elas.
- Aqui diz alunas do oitavo ano ao terceiro ano  respondeu ela em voz baixa. - Eu estou
no stimo.
A Srta. Monet tirou os culos do nariz bulboso e comprido e sacudiu a cabea.
- No se preocupe com isso. Voc  a artista mais talentosa desta escola.
- Vou pensar no assunto. - Jenny colocou o cabelo castanho crespo atrs das orelhas na
mesma atitude to-equilibrada-mas-natural que vira Serena van der Woodsen empregar
quando falava com os professores.  claro que ela estava morrendo de vontade de entrar
no concurso, mas de jeito nenhum ia admitir isso.
- Que bom. - A Srta. Monet colocou os RayBans no alto da cabea como quem sugere
que o que tinha a dizer era importante demais para culos. - Inscreva um daqueles anjos
maravilhosos que voc desenhou nas margens daquele questionrio sobre Dal que
passei na semana passada. E uma pgina de caligrafia. Sua caligrafia  extraordinria.
Jenny a fitou. Anjos? Anjos? Ela nunca desenhou anjo nenhum. A sineta tocou de
repente e as meninas nas mesas ao redor comearam a guardar seus pertences e sair.
Jenny abaixou-se para pegar a mochila de nylon rosa Le Sportsac. Anjos. Que anjos? E
ento ela se lembrou. No eram anjos, eram representaes de Serena, to loura,
dourada e perfeita que  claro que parecia um anjo.
- Tenho que correr para minha aula da turma do quinto ano. - A Srta. Monet deu um
sorriso falso, os lbios rachados sem batom deslizando por cima dos dentes manchados
de caf. - Estou torcendo por voc!
Embora estivesse atrasada para a aula de ingls, Jenny voltou a se sentar diante do
computador. Os hinrios eram distribudos na cadeira de todas as meninas antes das
reunies, para que elas pudessem ler ou cantar com a Sra. McLean o Pai Nosso ou hinos
como Hark! The Herald Angels Sing. Era impensavelmente bizarro pensar que os
rabiscos que fez de Serena podiam ser impressos centenas de vezes nos mesmos
hinrios que todo o corpo discente via quase todo dia.
Mas ento um tremor sbito de empolgao se esgueirou pelos punhos virados do suter
Old Navy de l preta e gola em V e subiu por seus braos, chegando ao peito. Talvez ela
vencesse. E com isso, e peitos maiores, um dia podia ser alguma coisa - algo mais do
que s baixinha, de cabelo crespo e esquecvel.
Bem, no se esquea de ambiciosa. No vamos a lugar nenhum sem ambio.




os idiotas s prestam para uma coisa

-  melhor pegar uma cpia enquanto eu ainda tenho  sussurrou audivelmente Chuck
Bass no espao entre sua carteira e a de Dan. Ele estendeu para Dan uma foto em preto
e branco de sua cabea e o torso nu.  Voltei de Berlim ontem  noite, onde fiz esse
anncio de colnia, entendeu? As mulheres alems so demais, cara.  Charles
Bartholomew Bass, filho nico de Bartholomew e Misty Bass e herdeiro fortuna de
artigos de luxo e couro dos Bass, era alto e bonito, do tipo modelo de propaganda de
loo ps-barba ou de cueca. O cabelo escuro cuidadosamente cortado era espesso e
sedoso, ele exibia um bronzeado que parecia falso, o rosto era hidratado demais e os
olhos azuis vtreos cintilavam de lascvia. Chuck usava um anel com monograma rosa e,
no inverno, um cachecol de cashmere azul-marinho com um monograma em ouro, como
que para demonstrar a todos que ele estava apaixonado por cada aspecto de si mesmo,
inclusive suas iniciais.
Em geral Dan era um cara muito legal, mas, particularmente, quando este colega da
Riverside Prep falava com ele, sua reao fsica automtica era torcer o nariz de
completo nojo. Ele fingiu estar perdido em pensamentos, sonhando com a estrofe
seguinte do novo poema que escrevia para Serena, embora eles estivessem na aula de
geometria, mas seus olhos no conseguiram deixar de vagar para a cabea irritante de
Chuck.
-  srio, cara, pegue enquanto ainda est fresca.
Dan abriu um meio-sorriso rpido de afronta e enfiou a foto na bolsa de carteiro preta e
suja.
- Obrigado. - Ele voltou a devanear com a beleza inacreditvel de Serena, a caneta Bic
azul roda postada sobre uma nova pgina de seu caderno com capa de couro preta.
Chuck no entendeu a dica.
- Acha que se eu distribuir isso naquela festa de amanh  noite, Serena van der
Woodsen finalmente vai ceder e me deixar v-la nua? Afinal, amanh  Dia dos
Namorados.
Dan pestanejou. De repente no se importou com o ridculo fedor de perfume masculino
de Chuck.
- Que festa?
Chuck apoiou os cotovelos na mesa de Dan.
- J que estou aqui, voc tem as respostas para a planilha que a Srta. Porquete passou
ontem? Tive de ir a um almoo, mas depois meu agente ligou para perguntar se eu podia
fazer umas fotos para a Ax em Reykjavik neste domingo. Como se eu precisasse
trabalhar tanto a ponto de estar disposto a congelar meu pau.
A professora de geometria, a Srta. Pohrbet, sempre deixava a sala por cinco minutos e
voltava, ou para test-los ou porque tinha algum problema de bexiga e tinha de ir muito
ao banheiro. No momento ela estava fora da sala. Dan passou sua planilha completa.
Dizer no e depois discutir com Chuck exigiria muita energia - e, alm de tudo, era s
matemtica.
- Que festa? - repetiu ele, insistente.
Chuck pegou a planilha.
- De algum veterano do St. Jude's - explicou ele vagamente enquanto copiava as
respostas s pressas. - Mas todo mundo vai.
Todo mundo. Traduo: Serena.
Dan assentiu.
- Acha que seria estranho se eu fosse?
Chuck devolveu a planilha a ele.
- E quem disse que eu ligo? Voc pode ir, ou pode no ir - rosnou ele com desprezo,
indicando que no estava mais interessado em conversar com Dan. - Mas se voc for,
talvez possa experimentar no usar calas que neguinho doa ao Exrcito da Salvao.
Dan olhou a cala de veludo cotel desbotada. Era da Old Navy e um dia foi nova- em
algum momento no ano passado. Alm da cala de veludo cotel marrom e da cala do
agasalho que usava de vez em quando para jogar basquete no parque, esta era a nica
que ele tinha. Rufus no era de fazer compras e embora Dan tivesse de seguir o cdigo
de vestimenta de cala azul-marinho, cinza, preta ou caramelo e camisa lisa de gola, ele
gostava de como ficava meio retr e mais desleixado do que os colegas que usavam
cqui. Mas ser que Serena ficaria revoltada com suas roupas desbotadas e em geral de
aparncia descuidada? Talvez ele s estivesse comeando a descer a ladeira. Quando se
desse conta, estaria prendendo o cabelo com arame de po ou pedaos de saco de lixo,
como o pai fazia.
 melhor ir a uma loja de departamentos tout de sute!
Dan sacou o celular da bolsa e digitou discretamente uma mensagem para o nico
amigo no mundo alm da irm mais nova.
VOU NA GAP DEPOIS DA AULA, QUER IR COMIGO?, digitou ele rapidamente. O
uso de celulares era estritamente proibido na escola - no que todo mundo e o irmo
mais novo com idade de jardim de infncia no quebrassem essa regra diariamente.
T LEGAL, VOSSA VIADEZA, digitou Zeke Freedman do outro lado da sala. QUAL
 A OCASIO?
Dan estava prestes a convidar Zeke para ir  festa com ele, mas o fato era que outros
meninos da turma chamavam o fera do basquete e da fsica cheio de acne e quadris
largos de Zeke, o esquisito. Talvez fosse melhor no anunciar a amizade dos dois
quando sua meta de vida era falar com Serena.
MINHA BUNDA CRESCEU, digitou Dan, sentindo-se culpado - mas no to culpado
assim - por deixar de falar na festa ou em seu motivo para ir. Ele preferia evitar ser
censurado por Zeke por cortar o cabelo, fazer a barba e comprar jeans novos por causa
de uma menina que nem sabia que ele existia. Se Serena se aventurasse a sorrir para ele
ou, melhor ainda, se dissesse alguma coisa, Zeke seria esquecido com tanta rapidez que
seria como se nunca tivesse existido.
Mas isso  que se chama lealdade.
Dan abriu o caderno enquanto uma lufada de palavras inundava sua mente.

No  a ideia de mim. Sou eu. Quer me conhea ou no,
Temos a mesma identidade.
Ento finja.  s fingir. Finja que me conhece.
Que nos amamos. Finja. A ideia  essa.
S isso.

Corando enquanto a caneta voava pelo papel, Dan sentiu as palmas das mos ficarem
cada vez mais molhadas e mordeu o lbio inferior. Ele era o prximo e.e. cummings! O
prximo Robert Frost! O prximo Wallace Stevens.  claro que ele jamais permitiria
que Serena lesse este poema. Finja que nos amamos? Ele preferia ser atirado num poo
cheio de vboras. Mas ele podia fingir que ela leu quando a visse na festa. Seria o
presente de Dia dos Namorados para ele mesmo.
O que  meio triste, mas tambm muito lindinho.




no existe festa sem uma penetra careca

J se perguntaram o que acontece depois que morre um bicho de estimao? Bom, a
pointer de pelo curto alemo de minha famlia morreu na semana passada de cncer de
estmago e foi muito triste. Eu sei que parece idiota, mas eu acredito no cu dos
cachorrinhos. Stella me visita em sonhos e lambe minha mo. E depois eu dou a ela
uma de suas guloseimas preferidas: caviar numa tigela de gua. Ela tambm adorava
vinho branco e costumava comer as pontas do cinzeiro do meu pai, e foi assim que teve
cncer de estmago...
De incio Vanessa ia descartar a histria, mas depois decidiu manter na pilha do "sim".
Afinal, a menina que escreveu era a nica do oitavo ano. E at agora era a nica a
apresentar um texto, alm de um poema de uma caloura, que ela se recusava
terminantemente a publicar.

               Meu Namorado
       Ele me faz rir e diz que sou bonita
       E eu me sinto mais bonita a cada vez
       Ele  to engraado que no paro de rir
       Estou rindo ainda agora
       Fomos  praia e ele disse que eu era linda
       Fomos patinar no gelo e ele disse que eu era linda
       Ele caiu e depois eu ca
       E ns ficamos rindo e ele me beijou

Ela no conseguia decidir se a dita poeta era uma total idiota ou extraordinariamente
profunda. Apesar disso, o poema era to irritante que foi o comeo perfeito para o que
estava se transformando numa grande pilha de rejeitados. Vanessa atirou o poema na
pilha do "no", por cima de um ridculo desenho do p de uma menina, que mais parecia
uma perna de galinha. Ela se levantou do cho empoeirado do quarto e abriu a janela
encardida, deixando entrar uma rajada fria do ar da fbrica de doces. Besteirada
bobalhona e feliz como desse poema fazia seu sangue ferver. Ela se sentia totalmente
cheia de... rancor. A penugem de beb em sua cabea recm-raspada se eriou e um
sorrisinho se espalhou pela boca amarga. Rancor. Era um nome perfeito para a revista -
raivoso, incomum e um tanto intimidador.
Parece algum que conhecemos.
Ela colocou a pequena pilha de papis na mochila de lona preta e foi para o banheiro.
Mas por que estava trabalhando numa sexta  noite quando tinha uma festa para ir?
Parada diante do espelho sujo de sabonete e cuspe no banheiro, ela espremeu na mo o
gel antifrizz Bed Head e passou na cabea quase careca s por diverso. Ela odiava o
Dia dos Namorados e no pretendia ir a nenhuma festa esta noite, mas ontem Blair
recebeu cinco mensagens de texto sobre as festividades de hoje enquanto elas tiravam
fotos na Fotografia em Dupla, e a ideia de aparecer inesperadamente s para chocar e
irritar as colegas de turma mais descoladas era to deliciosa que ela no conseguia
resistir.
Tecnicamente, Vanessa nunca foi a uma festa na cidade. As festas em Vermont
consistiam em um bando de mans com camisa de futebol bebendo cerveja Busch choca
de um barril no poro mofado da casa de algum ou num campo. Uma festa de escola
particular de Manhattan, no Upper East Side, devia ser exatamente a mesma coisa,
exceto pelo ambiente, as roupas e a cerveja. Na verdade, no devia ter cerveja nenhuma,
s scotch vintage e vodca pura. Mas Vanessa no era muito de beber mesmo. S tinha
ficado bbada uma vez, com a irm, e ela acabou dormindo na banheira, de cara para
uma poa do prprio vmito.
 claro que ela ia com a desculpa de que estava levando a cmera. Ela faria uma
fotomontagem para a revista - "Babacas no Paraso". Um perfil dos excessos
adolescentes.
E, vamos ser francos, quem no ia querer estrelar isso?




a gente sabe que o drink  bom quando no sente o lcool

- Qual  a graa? - perguntou Nate no elevador muito iluminado a caminho do loft da
famlia de Luke em Tribeca, no eminente Elmer Building. Antigamente um armazm da
cola Elmer, o prdio ainda cheirava ligeiramente a cola, apesar do granito polido, das
superfcies cromadas e do porteiro vestido de Armani. Mas os eflvios no tinham nada
ver com a gargalhada incontrolvel de Blair e Serena.
Serena colocou as mos com luvas de cashmere cinza na boca com gloss, os olhos azul-
escuros imensos e brilhantes. Ela fitou sugestivamente a virilha de Blair e cruzou os
tornozelos, que estavam encerrados num par de botas de cano alto, cinza e pontudas,
cortesia de Miu Miu.
Vrum, vrum.
- Para com isso! - gritou Blair alegremente. - Pelo menos estou usando uma roupa mais
comprida. - No que 35 centmetros pudessem realmente ser classificados como
comprido. Seu vestido pinafore Marc Jacobs malva parecendo gasto mal cobria as
coxas.  E meia-cala.
- Isso porque voc  uma covarde - declarou Serena, puxando a bainha do casaco
Burberry de xadrez marrom e revelando os joelhos sempre bronzeados. A tnica de
veludo Marni roxa pendia no alto de suas coxas uns bons 45 centmetros acima das
botas. Esta noite elas decidiram experimentar um novo visual e um novo esquema de
cores com roxo, marrom e preto. Tambm estavam experimentando no usar calcinha.
 claro que foi ideia de Serena. Blair s concordou porque nunca deixou Serena pensar
que ela era mais atrevida, mais criativa ou mais louca do que ela. Qualquer coisa que
Serena fizesse, Blair podia fazer tambm, embora ela insistisse em usar meias pretas,
para pelo menos dar a iluso de que todo seu corpo estava coberto e para se aquecer.
Serena levou tudo a extremos, usando o vestido mais curto, o que na verdade
significava cobrir as partes e mais nada. A ideia era que se algum percebesse que elas
no estavam de calcinha, estava olhando demais e assim se degradaria ao status de
babaca. Tambm era uma pegadinha com Nate. Faz-lo corar era uma fonte constante
de diverso e excitao. Hoje era Dia dos Namorados e este era seu presente divertido
para Nate, completo com tatuagens temporrias de corao nas ndegas.
Ai, meu Deus!
- Est com vontade de fazer xixi ou coisa assim?  perguntou Nate a Serena,
provocando outro surto de gargalhadas nas meninas.
O elevador chegou no dcimo andar e abriu-se diretamente para o loft, que era
pavimentado de lajotas de mrmore pretas e brancas e vibrava com o som do velho e
turbinado James Brown. Uma morena de cabelos crespos da L'cole danava na mesa
de centro cromada de 6 metros, as pernas compridas dispostas numa espcie de pose de
stripper que ocorria naturalmente a francesas piranhudas. Na cozinha aberta, Luke
servia alguma coisa verde de uma coqueteleira Mielc vermelha em copo de cristal cheio
de gelo.
- Ns estamos sem calcinha! - guinchou Serena enquanto passava correndo por Nate e
jogava o casaco na pilha no cho da imensa entrada. Ela no estava exatamente
paquerando, s contando a verdade.
Uma histria plausvel.
- Achei que no era para contar - rebateu Blair, lanando o novo casaco de camelo Max
Mara na direo da pilha de casacos. Era bom para Nate descobrir isso quando eles
estivessem a ss, arrancando as roupas um do outro, mas ela no pretendia exatamente
anunciar o fato de que estavam sem suas Hanros. Que coisa constrangedora.
- Eu tambm no estou usando - confidenciou uma garota alta com cabelo escuro na
altura do ombro e luzes numa voz rouca do outro lado da entrada. As unhas dos ps,
pintadas de Chanel Jet, projetavam-se por baixo da bainha de um tubinho preto e longo.
O decote drapeado era to largo e to fundo que ela podia ter levado um yorkshire
terrier com muito conforto ali. Blair, Serena e Nate a encararam, cada um deles
experimentando seu prprio coquetel de ressentimento, inveja e desejo. A menina ps
as mos nos quadris e fez um biquinho para Nate com a boca vermelha. - Lembra de
mim?
- Oi, L'Wren - ele mal murmurou. Nate queria parecer um pouco mais surpreso para
Blair e Serena no pensarem que s queria vir  festa para ver L'Wren, mas ao ver seu
corpo incrivelmente gostoso, esqueceu. S o que ele precisava fazer era desamarrar o n
em sua nuca, o vestido cairia e ela ficaria nua. Uau.
Blair pegou o cotovelo de Serena e cravou as unhas nele. Quem era essa L'Wren,
porra?
- Vem, Natie, vamos pegar uma bebida - ordenou Serena severamente. Aqueles
coquetis verdes que Luke preparava pareciam saborosos. O plano dela era se acomodar
numa das banquetas altas de couro do bar junto  bancada da cozinha e beber o bastante
para no ligar mais para quem visse sua bunda.
Entre outras coisas.
- Na verdade, estive preparando uma coisa especial para voc no quarto de Luke, Natie.
 L'Wren ergueu as sobrancelhas pretas que mal existiam e estendeu a mo. - Vem ver.
Nate a seguiu obediente pelo corredor, deixando Blair e Serena para trs.
Respira, respira, respira.
- Que merda  essa? - murmurou Blair, furiosa. Nate era delas, quer ele soubesse disso
ou no. Ser que ele podia j conhecer uma piranha de nome L'Wren quando ela nunca
colocou os olhos na garota? Ela puxou o vestido para baixo e marchou para a cozinha. -
O que  isso, afinal? - perguntou ela, apontando para o lquido verde na coqueteleira da
bancada.
Luke sorriu. Ele adorava quando as meninas apareciam em festas na casa dele. Fazia
com que se sentisse um completo sucesso.
- Experimente o meu - ofereceu ele, levando um copo de cristal aos lbios de Blair.
Ela engoliu metade do preparado verde, respirou e terminou O resto. Tinha gosto de
detergente, mas ela no deu a mnima.
- Prepara um pra gente? - perguntou ela, enxugando a boca. Kati e Isabel Coates
estavam do outro lado da sala, fumando como loucas perto da janela aberta. Ela ficou na
ponta dos ps e acenou justo quando Chuck Bass apareceu atrs, presumivelmente para
pegar mais gelo na gaveta da Sub-Zero.
- Eu sabia que voc era uma garota boazinha - comentou ele jogando um cubo de gelo
no vestido de Blair. - Isso  uma tatuagem?
Blair o fuzilou com os olhos, colrica. A famlia de Chuck e a famlia dela moravam a
apenas quatro quadras de distncia e eram amigas h geraes. Ele era um completo
imbecil, mas no havia como escapar dele.  claro que Chuck estava destinado a ser o
primeiro a descobrir que ela no estava de calcinha por baixo das meias. Ele ia contar ao
mundo todo e a seria o fim.  assim que acontecia com fofocas idiotas, o tipo preferido
de Chuck.
- Man - declarou Serena terminantemente, bebendo o drinque verde-non. Tinha gosto
de soda misturado com terebintina e hortel. Excelente para a digesto. Ela pegou mais
dois e gesticulou para Blair segui-la. Elas iam tomar um porre, fumar cigarros e Serena
finalmente contaria tudo sobre os pais quererem que ela fosse para um colgio interno
no outono. Blair ia pirar, mas pelo menos ia pirar menos com toda essa coisa verde no
sistema. O que era isso, afinal - absinto? Serena colocou os dois drinques no parapeito
que tinha sido plantado com grama. Depois abriu a bolsa e pegou um mao novo de
Parliaments, o nico cigarro que podia fumar sem ficar com dor de garganta. Ela
colocou um nos lbios e girou outro entre os dedos, esperando que Blair terminasse sua
briga com Chuck para elas poderem conversar sobre assuntos srios.
Mas ento a msica que era a preferida de Blair no momento comeou a tocar - aquele
rap idiota de Natal com Beyonc, jay-Z e todos os outros rappers. Blair segurou Chuck
pelos quadris e comeou a danar com ele. Serena apagou o cigarro e secou o segundo
drinque. Discutir o seu futuro apavorante no era exatamente uma ideia divertida.
Danar sem calcinha com um pervertido como Chuck seria muito menos estressante.
Mas  por isso que ela  convidada a todas as melhores festas.




n aprende a tragar, entre outras coisas
- Assim que te vi, achei que voc no se lembraria de mim  murmurou L'Wren antes
de enfiar metade da cara em um cachimbo de vidro rosa. Ela estava sentada de pernas
cruzadas no cho, riscando o isqueiro Bic amarelo para acender o cachimbo e tragar
profundamente enquanto a gua do cachimbo borbulhava e se agitava. Lanando a
cabea para trs, ela parou para curtir o tapa antes de exalar um fino jato de fumaa
cinza. - Mas voc parece o tipo de cara que quer terminar o que comeou - acrescentou
ela, a voz falhando.
Ela passou o cachimbo e o isqueiro a Nate, que os colocou desajeitado no colo. J
recebera ofertas de baseados em festas dezenas de vezes, mas ele no fumava e, talvez
porque no tragasse corretamente, nunca sentiu nada. Ainda assim estava disposto a
agradar L'Wren.
De mais de uma maneira.
- Esse  do bom. Alguns tapas e serei toda sua - disse ela, esfuziante.  O bagulho me
deixa excitada.
O que no deixa?
Nate acendeu o isqueiro e experimentou. Fechou os olhos e a boca com fora, tentando
prender a fumaa enquanto tossia e espirrava. Meu Deus. Ele no fazia ideia de como
era um cachimbo - nem que no tragar no era uma opo. Nate exalou e deu outro
trago, decidido a no parecer um imbecil desta vez. L'Wren o olhava com um sorrisinho
na cara, como se estivesse to orgulhosa de seu pequeno prodgio fumante de maconha
que quisesse apert-lo, belisc-lo e beij-lo aos pouquinhos.
E quem no quer?
- E a. - Nate colocou o cachimbo no espao entre eles, sempre com o cuidado de no
derramar nada no tapete de alga orgnica caribenha que cobria a maior parte do quarto
de Luke. Inexplicavelmente, todo o quarto tinha um tema caribenho moderno, com
paredes em cor de dunas, cortinas de painel de seda cor do mar e moblia de bambu.
Nate riu suavemente consigo mesmo. Que quarto mais bobo.
- E a, quem so aquelas meninas que vieram com voc?  perguntou L'Wren,
continuando de onde ele parou. Ela estendeu as mos para ajeitar as alas do vestido,
empurrando os peitos para frente e quase esbarrando no cachimbo com eles.
Meninas? Que meninas?
Nate deu de ombros.
- S umas amigas. - Ele sorriu maliciosamente para o peito de L'Wren, todo o corpo
zumbindo. - Vamos tirar seu vestido  acrescentou ele, como se fosse a sugesto mais
lgica que fez na vida.
L'Wren pegou o cachimbo e deu um longo trago. Ela prendeu a fumaa na boca e se
inclinou para Nate, pegando sua nuca e colocando os lbios nos dele. Uma onda de
fumaa de maconha entrou pelo esfago de Nate com a lngua quente e escorregadia de
L'Wren. Demais, pensou Nate, chapado. Que demais, porra.
Ele desamarrou o vestido dela, que caiu no cho, chocando-se no cachimbo,
derrubando-o, molhando e fedendo todo o cho. Ela mentiu - ela estava de calcinha,
mas era to minscula que mal parecia existir.
- Est vendo o que andou perdendo? - sussurrou L'Wren, desabotoando a camisa dele.
Do lado de fora do quarto, uma menina gritou e alguma coisa se espatifou com rudo no
ch de lajotas. Nate riu de novo enquanto L'Wren o beijava. Cara, isso era divertido.
Quase no importava que menina estava com ele. Pelo menos no quando ele estava to
doido e quando o corpo dela era to quente. Agora no havia nada melhor do que
abraar essa gostosa quase nua que provavelmente nem sabia o sobrenome dele ou que
ele chupava o polegar e tinha lngua presa at fazer 7 anos. No importava que ele no
conseguisse se lembrar da faculdade de L'Wren ou por que ele se confundia com a
grafia de seu nome.
Ou que ele provavelmente no se lembraria de nada disso amanh?




careca como um peixe fora d'gua

Vanessa j odiava a festa antes mesmo de sair do elevador ofuscante. Que tipo de
babaca tocava rap de Natal numa festa - em qualquer festa, em especial uma em
fevereiro? Idiotas. Ela mal conseguia criar coragem para agraci-los com sua presena
quase careca.
Depois de atirar a jaqueta militar de lona preta no alto da pilha de casacos de grife no
imenso hall, ela entrou na cozinha e pegou um copo de gua quente na torneira. Seu
nariz escorria e ela estava ficando resfriada. Certamente no estava interessada em
beber aquela merda revoltante e verde que todos viravam para dentro. Ela preferia ch
preto, mas quando estava sob presso s bebia gua quente pura.
- Que corte de cabelo incrvel! - guinchou Serena van der Woodsen, lanando a
berlourice na direo de Vanessa. Talvez fosse imaginao de Vanessa, mas o ar em
volta de Serena sempre parecia cheirar a algodo-doce e a menina parecia flutuar a uma
frao de centmetro do cho, mesmo quando usava os Jimmy Choos que eram quase
impossveis de usar. Vanessa parou pacientemente de beber a gua enquanto Serena
afagava sua cabea. - Eu adorava seu cabelo. Quer dizer, quem tem cabelo preto e
natural assim to saudvel e brilhante? Mas isso  pra l de descolado. Voc  muito
corajosa - derramou-se Serena, abraando-a.
Vanessa despejou o resto da gua quente na pia. Ela gostava mais de Serena do que de
Blair. Serena parecia menos calculadamente na moda, parecia fazer menos esforo e era
provavelmente por isso que as outras meninas da turma - no, a escola toda - no
gostava dela. Ainda assim, era impossvel ter uma conversa com algum que sabia
muito bem que era loura, alta e linda mas fingia ser como qualquer pessoa.
- Posso tirar uma foto sua? - perguntou Vanessa, erguendo sua Nikon diante da cara.
Serena fez um biquinho com os lbios cheios de gloss lavanda como uma modelo
profissional.
- Mais nono - Ela deu uma risada embriagada e girou o corpo, fazendo voar a bainha do
minsculo vestido de veludo roxo e expondo a base da bunda nua com o corao
vermelho.
Feliz Dia dos Namorados!
Blair Waldorf aproximou-se danando para se unir  amiga.
- O formato da sua cabea  mesmo perfeito - disse ela bbada enquanto Vanessa fazia
as fotos. As duas meninas pegaram outro par de drinques verdes na bancada, viraram na
garganta de cisne, depois ficaram de costas e levantaram as saias simultaneamente para
que Vanessa pudesse ter uma foto superespecial. Embora nenhuma delas admitisse isso
em voz alta, a nica razo para estarem bebendo tanto e agindo de forma totalmente
desagradvel era porque Nate as ignorava. Ele estava muito ocupado com L'Wren, que
nem o amava como Blair e Serena. Ela s o estava usando e ele a usava tambm.
Pensando bem, no  um mau negcio.
Vanessa sentia-se a dubl de fotgrafo em uma seo da Playboy. "Babacas no Paraso"
adquiriu todo um novo significado. Ela pessoalmente preferia morrer do que mostrar a
bunda para a cmera, mas havia alguma coisa atraente na completa confiana das lindas
colegas de turma. Elas eram de uma raa superior, to impecveis que pareciam no ter
nada a esconder.
Nem mesmo uma bunda trmula.
- Mandem ver, garotas! - Um cara com a aparncia de comercial de creme de barbear e
um sorriso arrepiante gritou para elas do outro lado da sala.
- Eu te contratei? - Um sujeito que parecia nerd com boca de Mick Jagger e cabelo
castanho arruivado comprido demais sussurrou babo no ouvido de Vanessa. - Voc  o
cara da Vanity Fair?  Ele empirrou um drinque verde para ela, errando a cmera por
pouco.
Comeou outro rap horroroso, desta vez de Diddy ou Daddy ou sei l a porra do nome
do cara - o sujeito que usava pelo de cachorro nas roupas de sua linha de moda.
Legal.
- Ei, eu adoro essa msica! - Blair pegou o brao de Vanessa.  Vem, dana com a
gente!
Vanessa odiava rap e odiava danar. Balanar os quadris em batidas repetitivas no era
a praia dela. E o sujeito do boco a havia chamado de "cara".
- Voc sabe que quer. - Serena soltou o bafo de lcool em sua cara, mexendo as
sobrancelhas perfeitamente cuidadas e louras como se estivesse fazendo uma oferta que
Vanessa no podia recusar de jeito nenhum.
Vanessa tinha de ir embora naquele momento, ou pelo menos tomar um ar. Uma placa
de SADA piscava em vermelho numa porta cromada com um vigia e parecia levar a
algum lugar. E talvez esse lugar tivesse uma hidro e vista para o Hudson, e todo mundo
na festa estivesse bbado e idiota demais para ter descoberto.
- S vou fazer umas fotos cnicas - murmurou ela e foi para a porta de SADA. Ela
empurrou a porta e deixou que batesse depois de passar.
- Porra! - Ela arfou enquanto o ar glido do lado de fora quase congelou suas orelhas.
Vanessa empurrou a porta cromada com o ombro, pensando se devia voltar, pegar o
casaco e ir para o elevador. Mas a porta no cedeu. Ela estava presa do lado de fora sem
celular, s com uma camiseta preta fininha e jeans pretos, numa sada de incndio a dez
andares do estacionamento escuro, entre os fundos de dois armazns convertidos. Sem
hidro. E sem amigos l dentro.
E sem cabelo para mant-la aquecida, coitadinha.




entrando por uma porta e saindo por outra

Dan estava apavorado de chegar na festa, no conhecer ningum e se mandado embora
na frente de Serena van der Woodsen, que, a partir da, pensaria nele como um man
pattico. Ele decidiu ir a p at Tribeca a partir do Upper West Side, pensando que uma
caminhada animada no ar frio da noite lhe daria um surto de confiana. Quando chegou
e entrou no elevador tremendamente iluminado, seu corpo supercafeinado e exausto
estava rgido de frio e o cabelo castanho-claro e desgrenhado estava colado na testa com
o seu suor de nervoso. As portas se fecharam e o cho sob seus ps comeou a subir.
Logo o elevador se abriria para a sala de estar do loft de um cara chamado Luke
Goodred e Serena estaria bem ali diante dele, vendo-o pingar suor frio.
Como se ela no tivesse coisas melhores para fazer do que ficar na frente de um
elevador.
As portas se abriram. O piso preto e branco vibrava com o rap. Uma pilha imensa de
casacos estava em seu caminho. Dan ficou com o casaco como uma armadura e no
tirou os olhos das lajotas pretas e brancas enquanto andava se esquivando para a origem
da msica. O apartamento de Luke Goodred era um espao imenso em preto, branco e
verde com janelas retangulares enormes, uma cozinha americana e uma mesa de centro
de cromo polido que tinha, tipo, um quilmetro de extenso. Um grupo de meninas
danava em cima da mesa com uma bebida verde-non nas mos. Elas rebolavam e
sorriam uma para outra como se todas tivessem ouvido um timo segredo. Dan bateu
nos bolsos e fingiu estar procurando as chaves enquanto continuava a varrer o ambiente
com os olhos em busca de Serena. Havia dois veteranos da escola dele, fumando perto
das janelas, com duas meninas de cabelos cacheados que pareciam francesas e usavam
idnticos batons vermelhos escuros. Havia Chuck, o Babaca, usando um blazer risca de
giz preto por cima de uma camisa branca, jeans escuro apertado e mocassins de couro
marrom sem meias, parecendo o garoto-propaganda de tudo o que Dan odiava e jamais
seria. E danando com Chuck estavava Serena e aquela amiga bonita e morena dela.
Suas cabeas lindas se lanavam para trs e as bundas sem calcinha podiam ser vistas
abaixo da bainha da roupa roxa e supercurta. As mos de Dan comearam a tremer e ele
desviou os olhos. Ela era boa demais para ele.
- Humphrey! Meu salvador! - Chuck rugiu pela sala quando localizou Dan. - Eu tirei 10
no meu trabalho de matemtica. Cara, nunca consegui nem um 9, que dir um 10! Vou
sentar do seu lado todo dia!
Parecia a Dan que ele estava ouvindo o ataque de Chuck atravs de uma parede. Por
mais que tentasse no encar-la, tudo o que ele via, ouvia, provava, era Serena. At que
Chuck se virou para ele e lhe bateu na cabea,
- Cara, est doido ou coisa assim? Eu paro o que estou fazendo para ser legal com voc
e voc nem olha pra mim?
Dan piscou com um sorriso bobo nos lbios. Nunca havia visto Serena danar. O corpo
longo e magro ondulava com a msica de um jeito furtivo, mas desajeitado, como se ela
fosse uma puro-sangue jovem que ainda no sabia usar os membros perfeitamente
formados. A sua notvel amiga morena, porm mais baixa, era mais cool e mais
calculista. Os imensos olhos azuis de Serena estavam fechados, como se seu corpo e a
msica estivessem numa espcie de dilogo maravilho.

       Batida tntrica - um ritmo ou uma nusea.
       O que se apodera de mim?
       O que ser de mim?

A cada vez que Dan punha os olhos em Serena, versos de poesia atravessavam sua
conscincia, pedindo para serem escritos.
- Nossa, voc quer que eu chame uma ambulncia?  gritou Chuck, cuspindo nas
plpebras de Dan. Serena abriu os olhos e olhou para Dan, que chamava a ateno
graas  performance de Chuck.
Ser que ela me reconhece? Ela sabe que esteve na minha casa? Ela sabe que fui eu
que escrevi aquele poema? Ela sabe o quanto eu penso nela?
Esperemos que no!
Dan acenou timidamente para Serena, os dedos entorpecidos ao perceber que finalmente
estava fazendo contato - finalmente estava acontecendo. Mas o que ia fazer agora? Se
apresentar? S ficar ali, olhando? Convid-la para danar? Vomitar em projtil e sair,
esperemos que no nesta ordem?
- Sei do que voc precisa. - Chuck pegou as pernas de Dan e o iou para o ombro. Ele
era muito forte, de tanto levantar peso enquanto via pornografia em vez de fazer o dever
de casa. Dan tentou se libertar, mas Chuck era muito mais forte do que ele, e ele se
recusava a se meter numa briga e se fazer de imbecil na frente de Serena. Em vez disso,
ele se permitiu ser carregado pela sala feito um saco de roupa suja, passando pela porta
de SADA
Chuck estava s gargalhadas quando a porta bateu s suas costas e o ar gelado atingiu os
pulmes de Dan, quase o sufocando.
- Babaca - exclamou ele, batendo infrutiferamente o corpo na porta.
- Pelo menos voc tem uma merda de um casaco  resmungou algum atrs dele.
Dan se virou e viu uma menina plida e quase careca de camiseta preta fininha, jeans
pretos e botas de combate agachada perto da grade da sada de incndio, os braos nus e
no muito magros envolvendo o corpo trmulo.
Instintivamente, ele tirou o casaco de l preto e o colocou nos ombros da garota. Ela se
aprumou, passando os braos nas mangas e fechando o casaco. Dan percebeu que eles
eram da mesma altura.
- Cabe perfeitamente - disse-lhe ela com gratido, estendendo a mo. - Ah, o meu nome
 Vanessa Abrams. Feliz Dia dos Namorados. - Ela sacudiu com firmeza a mo ainda
suada de Dan com a sua mo congelada e branca. Havia alguma coisa slida e
tranquilizadora em seus grandes olhos castanhos, a cara redonda e plida sem
maquiagem e a cabea raspada. Ela era a anttese de Serena van der Woodsen. To
atipicamente feminina e feia que era quase bonita.
Era para ser um elogio?
- Dan Humphrey - ele se apresentou. - No me pergunte por que estou aqui. Nem
conheo o cara que est dando a festa. Ele bateu nos bolsos da cala de veludo cotel
azul-marinho, como se procurasse por cigarros, embora no fumasse. Apenas parecia a
coisa certa a fazer.
- Ento, por que voc est aqui? - perguntou Vanessa com curiosidade. A festa estava
cheia de babacas, ela estava trancada do lado de fora e seu casaco, que esteve usando o
inverno todo, ainda estava l dentro. Mas aqui estava esse cara descuidado que parecia
perdido com olhos castanho-claros e grandes como de um filhote de cervo pego nos
faris de um carro. Ele vestia cala de veludo azul-marinho que pareciam to novas que
a me deve ter comprado para ele na Gap hoje de manh. Mas ele claramente no era
um babaca - todos os babacas ainda estavam l dentro. Ela franziu a testa, percebendo
que j esquecera o nome dele. Doug? Brad? Ned? Ela era pssima com nomes. No
momento em que algum lhe dizia seu nome, ela j havia esquecido.
Dan no ia admitir que tinha vindo  festa por causa de Serena, apesar de ela nem saber
que ele existia, ou que Chuck Bass o atirou pela porta de sada s para se divertir. Mas o
que ela estava fazendo aqui fora no frio? Ser que ela veio  festa por um motivo
igualmente ridculo? Mas que casualidade conhecer outra penetra numa festa desse
jeito! Ou talvez essa menina nem existisse. Talvez ela tivesse sido conjurada por sua
imaginao desvairada potica, uma fada madrinha fantasma, vinda para guiar sua
existncia condenada de volta a um rumo mais sensato do que o que ele tomou esta
noite.
Vanessa foi at a beira da sada de incndio e espiou a escada de metal que descia por
ali.
- Acha que a gente pode descer, espertinho? - perguntou ela em voz alta.
Dan deu de ombros. Ele preferia tentar do que se humilhar batendo na porta por tempo
suficiente e alto o bastante para que algum como Serena finalmente o deixasse entrar.
Alm de tudo, ele no queria voltar l para dentro.
Ele foi na frente, descendo devagar os nove lances de escada. Eles desceram sem falar
nada, concentrando-se na tarefa apavorante que tinham. O ltimo degrau da escada
precipitava-se a dois metros e meio acima da calada escura. Dan fechou os olhos e
pulou. Seus joelhos doeram com a queda, mas ele estava bem. Ele olhou para cima,
preparado para Vanessa a descer com uma conversa mansa, mas ela se soltou so ltimo
degrau e cambaleou para ele, agarrando seus cotovelos enquanto recuperava o
equilbrio. No, ela no era um fantasma.
- Epa. Desculpe, Pete - ela riu, soltando-o. Vanessa bateu as botas de combate e limpou
os vestgios de ferrugem das mos.  Pra falar a verdade, isso foi meio divertido.
Dan sorriu, aos poucos percebendo que foi mesmo meio divertido. Ele nunca fez nada
com ningum alm de Jenny e seu amigo da Riverside Prep, Zeke, que no contava
porque (a) Dan conhecia Zeke desde o jardim de infncia e nem o escolhera com amigo
- Zeke meio que o adotou - e (b) Zeke se tornou uma pessoa socialmente inaceitvel. De
qualquer forma, brincar de Homem-Aranha com Vanessa era muito melhor do que ser
humilhado por Chuck Bass diante de Serena van der Woodsen.
As paredes de tijolos dos armazns deram lugar a prdios luxuosos que assomavam dos
dois lados. Um txi solitrio demorou-se na esquina e depois acelerou. A Vastry Street
estava num silncio mortal e quase apavorante de to escura. O frio era tanto que todas
as pessoas de juzo estavam dentro de algum lugar, enroscadas em cobertores, tomando
ch de camomila.
Mas todos ns sabemos que J-U--Z-O = C-H-A-T-O.
- Voc no fuma, no ? - perguntou Dan, batendo nos bolsos de novo.
Vanessa sacudiu a cabea.
- No, sinto muito, Charlie.
- Nem eu. - Dan se perguntou se ela realmente esqueceu o nome dele ou se s estava
sendo engraada. A garota tinha um senso de humor distorcido e espertinho, disso ele j
sabia. - Mas acho que posso comear.
- Vamos, Sam - Vanessa passou o brao no dele. - Vou comprar um para voc.
Alguma coisa me diz que este  o comeo de uma bela amizade.




era uma vez uma sexta  noite

Uma menina tmida sem amigos a no ser o irmo mais velho, que estava festa a que ela
no podia ir porque era s uma aluna desprezvel do stimo ano, pouco pode fazer em
uma noite de sexta-feira a no ser ver filmes, ler ou tomar um banho de espuma. Como
sempre, Jenny despejou quase um frasco inteiro de Mr. Bubble na banheira e abriu a
torneira at que, quando ela entrou, a gua quente transbordou e poas imensas se
esparramaram no piso de ladrilhos brancos rachados. Tinha tanta bolha que ela no
conseguia se ver, e era assim que ela gostava. Ela se deitou de costas na gua quente,
pousando a cabea com sua massa molhada de cachos castanho-escuros na ridcula
almofada inflvel em forma de boca que a me deixara para trs.
- Jennifer? Saia da... Estou experimentando uma nova receita de ovo  la diable e quero
que voc prove! - berrou Rufus da cozinha. Um dos motivos para Jenny ter escolhido
tomar um bom banho quente era que o pai estava fazendo experincias com um
maarico e ovos cozidos enquanto tocava na cozinha s alturas uma pera italiana. -
Rpido! - gritou ele, como se fosse uma emergncia de verdade.
- Pai, estou na banheira! - gritou ela. - Pensando!  acrescentou, na esperana de que
isso calasse a boca dele.
- Pode esquecer  respondeu o pai do lado de fora da porta branca e lascada do
banheiro. Ele a abriu um pouco e colocou a mo para dentro, brandindo alguma coisa na
palma. - No estou olhando. Experimente e me diga o que acha.
Jenny suspirou.
- No pode esperar?
Rufus esticou o brao s cegas o mximo que pde.
- No. No pode esperar.
Ela se curvou para fora da banheira e pegou a coisa na mo dele, j tendo certeza de que
ia ser nojenta. Em sua mo pesava meio ovo cozido, a casca dura com veias pretas e
cheia de alguma coisa que parecia manteiga de amendoim crocante misturada com coc
amarelo de cachorro. Estranhamente, tinha cheiro de pipoca doce.
- Coloquei umas amndoas, mas depois decidi que as nozes deviam ser caramelizadas,
ento atirei uma xcara de acar e um pouco de xerez e meti fogo em tudo. Achei que o
gosto ia ficar melhor, sabe como , flambado com confeitos de nozes - a voz de Rufus
ecoou fora da porta. Sua abordagem  comida no era diferente de sua abordagem 
moda: inventiva e completamente apavorante.
Jenny olhou a triste metade de um ovo.
- Mas pai, no est entendendo? No  mais um ovo  la diable.  s... nojento.
- Aposto que voc ainda nem provou. Anda. Prove, prove!
Jenny cheirou o ovo de novo e o atirou na pequena lixeira sob a pia. Colocou a cabea
novamente na boca vermelha e fechou os olhos.
- Humm. Humm. Caramba. Na verdade, pai, acha que eu podia levar uns desses para a
escola amanh, para dar a meus professores? Aposto que consigo um A em tudo se eu
disser a eles que tenho de comer isso toda noite no jantar.
- Deixa pra l - murmurou Rufus antes de se retirar para a cozinha.
Jenny abriu os olhos novamente para colocar mais gua quente na banheira e ficou
desanimada ao descobrir que as bolhas j estavam quase completamente evaporadas. L
estava ele  seu peito plido e cncavo com aquelas duas coisinhas rosadas que mais
pareciam olhos de camundongo numa ilustrao de Beatrix Potter, do que peitos. At
Marx, o gato preto e gordo dos Humphrey, tinha peitos maiores do que os dela, e ele era
macho. Talvez ela devesse se acostumar com isso. Estava condenada. Ou talvez no.
Segundo os folhetos que ela recebeu com os suplementos para aumentar os seios que
chegou esta tarde por FedEx da sempeitos.com, no incio era possvel que ela no
percebesse nada. Ento, ela ia se medir e descobriria que aumentou pelo menos um
pouco mais de meio centmetro. Se acontecesse duas vezes por ms, ela seria tamanho
M at a primavera! Podia at usar um suti normal ou at um biquni de tamanho de
mulher normal em vez do tamanho infantil.
Ansiosa para medir seu progresso, Jenny saiu da banheira e enrolou no corpo o roupo
rosa-chiclete desnecessariamente grosso de chenile. Andou pelo corredor at seu quarto,
fechou a porta e empurrou a cadeira na direo da porta para trav-la. Depois se abaixou
e puxou de lado a colcha rosa-clara para pegar a caixa de papelo branca embaixo da
cama. Dentro dela havia um imenso frasco de plstico branco com uma ilustrao de
uma mulher ruiva com um decote perfeito. Jenny abriu a tampa, colocou dois
suplementos orgnicos na palma da mo e os engoliu a seco. Depois abriu a fita mtrica
branca e elegantemente enrolada que veio dentro da caixa ao lado do frasco. Baixando
os ombros do roupo de chenile rosa felpudo e gigante, ela passou a fita pelas costas e
pelos dois olhinhos de camundongo. Teve o cuidado de no apertar demais e reduzir a
chance de um aumento mnimo desde a ltima vez em que se mediu, que aconteceu esta
manh.
- Setenta e sete ponto oito - disse ela em voz alta. Ela verificou a fita de novo. Estava
torcida? No. Setenta e sete ponto oito. Esta manh ela mediu exatamente 77,5. Ela s
tomou uma dose. Seria possvel que os suplementos j estivessem fazendo efeito? Ela
correu para o armrio e pegou uma coisa que a fazia corar de vergonha e culpa cada vez
que tocava nela. O suti de Hanro de algodo azul-claro meio que pendia da nica fenda
acessvel no armrio de Serena quando Jenny precisou colocar o poema de Dan na
vspera. Ela puxou o suti e ele caiu. O armrio estava trancado, ento em vez de
simplesmente deixar o suti no cho, Jenny o substituiu pelo poema e enfiou o suti na
bolsa. O que mais ela devia fazer, arrastar Serena da aula de francs e dizer que estava
com seu suti? Ela um dia o devolveria.
Talvez.
A etiqueta dizia M. No era grande demais, nem pequeno demais, simplesmente
perfeito. Jenny o colocou pela cabea e empurrou os braos pelos buracos. O bojo de
tecido macio e azul ficou to frouxo que ela parecia uma garotinha brincando de usar as
roupas da me. Ainda assim, havia algo de tranquilizador em vestir o suti. Talvez, s
talvez, se ela continuasse tomando os suplementos, um dia coubesse nele. Talvez um
dia ela no fosse s uma menina ratinha presa em casa numa sexta  noite com o pai
maluco comendo ovos flambados com confeitos de amndoas. Talvez um dia ela fosse a
menina que usava suti, a menina que todo garoto queria ter e toda garota queria ser.
Exatamente como Serena.
Isso no seria timo?




a neve cai nos trapaceiros

- Cad o Nate?  balbuciou Blair de porre no ouvido de Serena. As duas meninas
estavam sentadas, costas com costas, no meio da mesa de centro de cromo polido,
dividindo um cigarro. Em volta dela, os convivas se espalhavam pelo cho ou pela
moblia, o cabelo colado de suor de danar ou vomitar, os lbios sujos de gloss. Justin
Timberlake cantava em cmera lenta no som, ou pelo menos assim parecia.  claro que
Blair sabia perfeitamente que no momento Nate estava indisponvel, porque ele estava
ocupado perdendo a virgindade com aquela megaputa horrorosa da L'Wren, mas ela
precisava dele agora.  Quero que ele me leve para casa.
- Eu tambm - concordou Serena. - Minha bunda est gelada  Ela estava louca para
vestir uma calcinha de algodo confortvel e se arrastar para a cama.
Com Nate.
- , onde est o Nathaniel? - intrometeu-se Chuck, do cho. Ele ficou olhando embaixo
das saias das meninas a noite toda, s esperando que uma delas ficasse bbada o
bastante para cair em seu colo e ele poder aproveitar.
- Acha que ele e aquela garota esto mesmo...? - A voz de Blair falho. A ideia de Nate
com algum que no fosse ela lhe dava nuseas.
Serena deu de ombros com tristeza. Como o cara que ela amava podia ser to negligente
e insensvel? Ser que ele no sabia que ela se deitava na cama toda noite imaginando
como seria, os dois juntos, como uma propaganda do perfume Eternity, s que melhor?
Eles at eram parecidos - mais ou menos. Ser que ele no via?
Chuck de repente se colocou de p.
- Sabe o que isso est pedindo?
As duas meninas sacudiram a cabea. As ideias de Chuck geralmente eram terrveis.
- Montinho! - gritou ele pegando as mos das duas. Ele as empurrou para frente,
disparando pela porta fechada do quarto de Luke. E sem parar para bater ou se anunciar,
irrompeu porta adentro, libertando uma nuvem pungente de fumaa de maconha.
Nate e L'Wren estavam deitados no tapete creme Flokati, ela com uma calcinha mnima
de renda preta e ele com a samba-cano azul-rei, sorrindo para o teto no que s podia
ser uma completa felicidade ps-coito.
Bom, pelo menos eles estavam de roupa ntima.
- Montinho! - gritou Chuck de novo, enquanto se colocava em cima dos dois. Era como
se ele estivesse recriando uma cena de um filme de fraternidade universitria idiota que
ele adorava, mas ningum mais tinha visto.
Serena e Blair se penduraram uma na outra na porta, encarando os peitos que pareciam
falsos de L'Wren. Eram redondos feito bales e bronzeados. At os mamilos pareciam
estar bronzeados. Eles luziam para o peito nu, musculoso e lindo de Nate. Como ele
pde?, perguntaram-se elas ao mesmo tempo. Com essa piranha de peito falso e
calcinha fio-dental preta fosca Victoria's Secret!?
- Natie? - choramingou Serena, meio tragicamente demais. A Blair est passando mal.
Precisamos ir para casa.
Obediente, Nate se sentou. Esfregou os olhos verdes meio fechados e sorriu para os
joelhos nus. Chapado daquele jeito, vestir-se parecia uma tarefa monumental.
- S um minutinho - murmurou ele, a lngua pesada como chumbo. Ao lado dele no
cho, Chuck fazia ccegas no p descalo de L'Wren e ela ria alegremente, adorando.
Nate no entendia. L'Wren parecia ficar cada vez mais excitada quanto mais eles
fumavam, mas ele mal conseguiu fazer mais do que beij-la algumas vezes antes de
entrar num transe de maconha em que ele exps numa voz montona como a do pai
como os carros deviam ser movidos a maconha e no a gasolina e depois no haveria
aquecimento global e todos seriam felizes. Ele nem chegou perto de perder a
virgindade.
E ns nos perguntamos por que o aquecimento global  to sexy.
Ele conseguiu ficar de p, cambaleando, e vestiu a camiseta cinza pelo avesso.
- Seu casaco est no hall - lembrou-lhe Blair, toda maternal. Ela pegou a mo dele,
curvando-se para pegar os tnis Stan Smith brancos debaixo da panturrilha nua de
L'Wren.
L'Wren se sentou. Com Chuck no colo, as costas dele nos volumosos peitos nus dela e
um sorriso imenso de dentes cintilantes na cara estranhamente bonita, ela comeou a
recarregar o cachimbo rosa.
- Tchau, Natie - disse ela num tom de zombaria.
Serena foi na frente, puxando os casacos da pilha e entrando trpega no elevador.
- Que festa de merda - declarou ela, embora tivesse se divertido um pouco.
Nate se atrapalhava com os botes do casaco de cashmere azul-marinho.
- Senti falta de vocs - admitiu ele pateticamente.
As duas meninas o encararam, os coraes derretendo. Como ele conseguia ser to
enfurecedor de lindo e um babaca to grande ao mesmo tempo? Elas se sentiam
especialmente idiotas por terem ido  festa sem calcinha. Passaram a noite toda
sentindo-se terrivelmente expostas e pouco higinicas, e Nate nem percebeu. As portas
se abriram para o lobby e Serena passou os braos em Blair numa solidariedade de
bebum.
- Pare um txi, amor - disse ela a Nate com um sotaque britnico imponente.
O txi foi para leste, pela Houston, passando pelo Angelika Film Center, onde os trs
tinham visto seu primeiro filme perverso-demais-para-ser-proibido juntos quando
tinham 11 anos, tendo implorado a uma dupla de mulheres grisalhas que pareciam
bomias que dessem as mos a eles, fingindo que eram trigmeos adotivos. O filme foi
O ltimo tango em Paris, com Marlon Brando e Maria Schneider, exibido numa
retrospectiva. Os personagens ficavam se agarrando num apartamento em Paris,
transando em posies estranhas que eram totalmente constrangedoras. Era to sujo que
eles saram antes de terminar. Mas as suas duas mames ficaram at o fim.
Agora eles estavam na autoestrada FDR Drive indo para a parte residencial da cidade.
As luzes da ponte de Williamsburg cintilavam como o Natal  direita e atrs deles. 
esquerda, os imensos prdios do Centro Mdico da Universidade de Nova York
cortavam a vista do Empire State, que na ltima semana fora iluminado de vermelho
para o Dia dos Namorados. Do outro lado do rio, a famosa placa vermelha do Silver
Cup Studios brilhava promissora enquanto uma leve neve comeava a cair. Flocos
brancos e pequenos danavam no feixe amarelo dos faris do txi.
O motorista ligou o limpador de para-brisa. Serena pousou o rosto no ombro de Nate e
afagou a cabea de Blair, que estava em seu colo.
- Eu no quero ir embora - sussurrou ela audivelmente.
Nate passou o queixo no cabelo dourado e macio de Serena enquanto segurava a mo
quente e pequena de Blair. Elas eram timas, suas meninas. Ele se sentia bem. Quente e
bem. E chapado.
Pois .
Obviamente, Blair queria evitar sua casa a todo custo e os pais de Nate ainda deviam
estar acordados, recm-chegados de uma pera interminvel. Os pais de Serena estavam
na casa de veraneio da famlia em Ridgefield, Connecticut, para um fim de semana de
compras de antiguidades, ento no era preciso dizer que todos dormiriam na casa dela.
Blair teve que ser carregada para dentro do prdio. Ela no estava com sono, mas se
recusava a andar. Serena enfiou Blair embaixo das cobertas e entrou em seu banheiro
grande no estilo da antiga Nova York. A janela do banheiro estava um pouquinho aberta
e a neve tinha se acumulado no peitoril, caindo no piso de ladrilhos hexagonais brancos,
onde derretia de imediato. Serena vestiu uma camiseta branca e fina e uma samba-
cano de flanela vermelha que roubara de Nate anos atrs.
Quando voltou ao quarto, Nate estava deitado, ao lado de uma Blair adormecida por
cima da colcha branca, piscando para o dossel branco no alto como se decifrasse as
constelaes. Serena subiu ao lado dele e se deitou, relutando em puxar as cobertas e
colocar mais uma camada de separao entre o corpo dela e o dele. Em vez disso, ela
passou as longas pernas em volta de Nate e colocou o rosto em seu peito.
- Feliz Dia dos Namorados - sussurrou ela, muito delicadamente.
Eles ficaram deitados assim por um minuto, acordados. De repente Nate mais excitado
do que em toda a vida. Por que agora? Ser uma espcie de reao retardada a ficar
chapado com L'Wren? Em vez larica de comida, estava com larica de sexo? Na
verdade, ele estava faminto. Mas podia passar fome se Serena s rolasse para cima dele
e o beijasse.
- Nate? - Serena ainda estava bbada e se sentia relaxada e ousada. Nate estava bem ali
e ela estava bem aqui. Parecia a coisa mais bvia do mundo. - Sei que isso pode ser
estranho, mas... - Ela ergueu a cabea e olhou para ele, que sorria para ela, em
expectativa. Depois ela no disse mais nada, simplesmente fez. Ela o beijou.
Blair estava a centmetros dali, respirando profundamente, mas eles no conseguiam
parar de se beijar. Nate nem estava pensando em Blair. Tudo o que pensava era como
era bom beijar a garota quente, familiar e incrvel em braos. Serena queria beijar Nate
h tanto tempo que fazer para valer era uma experincia mstica. Ela abriu os olhos,
vendo-o beij-la numa nvoa de tontura. Isso  loucura, ela tentou dizer a si mesma,
ainda beijando.
- Eu podia beijar voc para sempre - murmurou ela delicadamente, os lbios roando os
dele. Nate abriu os olhos e sorriu em xtase e o corao de Serena explodiu em mil
estrelinhas cintilantes. Ela o beijou de novo, desta vez com mais fervor. Eu te amo,
Nate! Seus pensamentos eram to altos que ela estava certa de terem acordado Blair,
mas talvez Blair entendesse. Afinal, elas eram grandes amigas. E a paixo de Blair por
Nate era s uma coisinha de paquera infantil, no era amor verdadeiro, de adultos. No
era esse amor. No para esses beijos.
Finalmente eles se desgrudaram, abraando-se, os lbios rachados e crestados de tanto
beijar. A neve agora era mais mida, quase uma chuva. A luz do incio da manh se
esgueirava pelas cortinas brancas e nibus espirravam ruidosamente a lama da Quinta
Avenida. Mas os trs amigos dormiam, respirando suavemente no cabelo um do outro,
os membros entrelaados.
To inocentes... ou no.
gossipgirl.net
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Advertncia: Todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e eventos foram
alterados ou abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                      oi, gente!

Sair a "commando"

Tem uma coisa que precisamos muito discutir. Trata-se deste negcio de calcinha
opcional que parece estar dominando a cidade, o pas, a Terra e possivelmente at o
universo. Ol, aliengenas de Marte. Vou mostrar a minha se voc me mostrar a sua! As
partes que todos nos acostumamos a manter seguras dentro de nossas roupas de baixo
eram chamadas de "privadas" nos velhos tempos porque simplesmente no  educado
coloc-las em exposio. Completos estranhos realmente no precisam ver as ditas
partes, nem mesmo enquanto estamos saindo de um txi e certamente no enquanto
estamos jantando em restaurantes ou almoando no refeitrio da escola.
No que diz respeito ao termo commando, a expresso pode ter algo a ver com a falta de
lavanderias ainda na guerra. Sou totalmente a favor da exibio e coragem. A audcia 
uma coisa boa. Mas a verdade  que no estamos em guerra, no ?Temos empregadas
para lavar nossa roupa suja e pilhas de calcinhas Hanky Pankye Cosabella de renda e
algodo, lindas. Ento vamos us-las - pelo menos em pblico.

flagras

C esbanjando um sorriso permanente e perolado enquanto beijava uma mulher mais
velha de cabelos escuros que vestia s uma peruca branca que parecia de l numa limo a
caminho do Tribeca Star Hotel, onde eu por acaso sei que a famlia dele tem uma sute
na cobertura. D e V devorando Irish coffees na Ear Inn, uma espelunca minscula no
West Village que conhecemos bem por servir a menores e deixar que as pessoas fumem.
Eu sei -  muito chocante, mas muito providencial. B com a cabea para fora da janela
de um txi na 96 leste, respirando o ar no to puro. Bebemos algumas a mais, no ? S
e N carregando B para o prdio de S do outro lado do Met. A manh est quase
acabando e nenhum dos trs saiu... ainda. V com a mo na nuca de D enquanto este
examinava de perto a sarjeta na frente da j mencionada espelunca. Que lindo - para
eles. Um conselhozinho:  melhor no fumar, mas se e quando experimentar pela
primeira vez, no fume feito uma chamin todo um mao sem filtros, ou voc tambm
vai colocar para fora seus biscoitos e seus Irish creams.

um novo adendo

Ora, ora, parece que no sou a nica que no consegue ficar de boca fechada. Vocs
andaram me inundando com e-mails recheados das mais recentes notcias e petiscos
picantes de coisas to idiotas que eu tenho que dividir, ento decidi incluir uma amostra
de suas cartas em cada postagem. Faam bom proveito, meus bichinhos.
seu e-mail

P: E a, Gossip Girl?
Vc  demais. N?
- bug'n

R: Caro bug'n,
.
- GG

P: Minha querida Gossip Girl,
Voc no sabe h quanto tempo estou planejando criar meu site ou blog ou o que for e
agora que voc fez eu no posso deixar de te dizer como voc  maravilhosa porque eu
conheo total todo mundo de quem voc fala porque eles so totalmente meus amigos e
s vezes bancamos os idiotas mas todos na verdade somos inteligentes s que somos
competitivos e s vezes isso me deixa triste por no podermos ficar juntos e dizer o que
pensamos na cara um do outro entendeu?
- candyc

R: Minha querida candyc,
Entendi. Tambm sei que voc e seus amigos no so as pessoas sobre quem escrevo,
mas se quer acreditar nisso, tudo bem. Tenho certeza de que seus problemas so vlidos
e me solidarizo com eles. Espero alcanar as suas expectativas no que diz respeito a esta
pgina, mas por favor no permita que meus esforos a impeam de escrever alguma
coisa sua. Voc tem uma voz, ento use, de alguma maneira. Mas primeiro, um
conselho: respire fundo, tome uma taa de Sancerree e use alguma pontuao. Pode
parecer antiquado, mas seus amigos a admiraro por isso.
- GG

P: Oi, GG,
Porque voc tem que ser to piranha, despejando lixo sobre pessoas que mentem e
fingindo que voc no inventa essa merda?
- bobo
R: Caro bobo,
E de onde voc tirou a ideia de me chamar de mentirosa? Seus amigos esto mentindo
quando te chamam de bobo? Quem  o bobo agora?
- GG

 agora que eu vou me retirar para um longo banho de leite e mel, fazer uma pedicure
francesa, comprar um linda bata, comer um pedao mnimo de chocolate Payard, ceder
e comer um pedao bem grande de chocolate Payard, fazer alguma coisa com meus
clios e comprar um maravilhoso par de botas de pele de enguia Louboutin. Sei que vou
esbarrar com um ou dois de vocs na Madison e vocs podem me contar o que eu posso
ter perdido - como se eu perdesse alguma coisa. Mais tarde, voc pode se esgueirar para
baixo de seu cashmere preferido com um saco de Cheetos e uma frute de champanha
Cristal e ler tudo aqui. Quem tem tempo para inventar histrias quando a verdade 
muito mais interessante?

Teremos mais em breve. At mais!
                                  Pra voc que me ama,

                                       gossip girl




v no consegue tirar d do que restou de seu cabelo
Dan. No era o melhor nome do mundo. Ela teria preferido se ele insistisse em ser
tratado por Daniel. Dashiell teria sido muito mais excitante. Depois, o apelido, teria sido
Dash, o que era muito sexy. Dan. Quem teria pensado que ela gostava de um cara
chamado Dan? Dan era to tedioso, como John, Bob ou Brad. Mas eram sete horas de
uma manh de sbado e ela estava acordadssima, pensando em Dan.
Ele ficou to lindinho quando vomitou. Seu corpo magrelo meio que murchou de nojo
enquanto ele botava as tripas para fora. Ela tentou avis-lo de que fumar cigarros era
como sugar o cano de descarga de um carro e que o corpo dele ia rejeitar todo aquele
monxido de carbono, em especial combinado com a cafena e a merda que eles
puseram no Irish coffee - bala de menta alcolica? Mas Dan no a ouviu. Ele era
teimoso e seriamente ingnuo, mas to inteligente. Hein? Algum mais que ela conhecia
citava Goethe, Proust e Joyce sem fazer fora? Era evidente que ele nasceu no sculo
errado. E era to lindo com a pele branca, o cabelo sem cor e embaraado, veludo cotel
largo e os olhos castanho-claros e comoventes. Ela s queria lev-lo por a na bolsa para
poder peg-lo e brincar com ele sempre que quisesse.
Au, au!
Vanessa pegou a caixa de fsforos do Ear Inn com a palavra Dan e o nmero de
telefone escrito em sua letra arrumadinha e toda em maiscula. Antes que conseguisse
se reprimir, ela pegou o telefone no peitoril atrs da cama e discou. L fora nevava e
chovia ao mesmo tempo, e o cheiro de acar molhado da fbrica de doces permeava o
ar. O radiador atrs da cabea de Vanessa tossia e estalava, tentando aquecer o
apartamento minsculo.
- Meu Deus do cu, al? - atendeu uma voz rude.
O corao de Vanessa acelerou. O pai de Dan? Que porra ela devia dizer?
- Ah, al. Aqui  Vanessa Abrams, gostaria de falar com Dan. Sei que  cedo...
- ? Eu no uso relgio - explodiu a voz. Ela podia ouvir farfalhar de papis e o tilintar
de copos. - S durmo quando estou cansado. Espere, quem voc disse que era?
- Vanessa - disse-lhe ela novamente. - Dan e eu nos conhecemos ontem  noite. - Ela
corou ao dizer isso, percebendo que parecia que ela e Dan tinham transado ou coisa
assim. Ela cruzou as pernas toda pudica, embora estivesse usando ceroula cinza e toda
coberta com o edredom branco.
- At que enfim! - grunhiu a voz. - No faz ideia de h quanto tempo existe essa
fascinao. Ele andou impossvel, no mundo da lua por sua causa. Mas voc deve ser
uma garota maravilhosa. Meio patricinha para o meu gosto, mas tenho certeza de que
tem miolos por baixo de todas essas roupas caras.
Vanessa se sentou ereta na cama.
-  da casa de Dan Humphrey?
- Sim, eu sou o pai dele, Rufus. Ento, quando  que aparece para jantar? Tenho muitas
receitas novas e estou morrendo de vontade de experiment-las com algum que no
seja completamente tendencioso!
Ela tentou imaginar como seria o apartamento de Dan. O pai evidentemente gostava de
cozinhar, ento devia ter cheiro de alho, molho marinara e po assado o tempo todo.
Todo o lugar devia ser forrado de estantes abastecidas de clssicos. Provavelmente
havia um monte de sofs confortveis para ler e uma boa luz natural e um ou dois ces.
E flores - flores e livros em todo o lugar. Ela olhou o prprio quarto branco com o futon
duro no cho e nada nas paredes.
- Me parece muito bom.
- Sabe de uma coisa, o Dan no sai muito, ento foi uma sorte vocs finalmente se
conhecerem. Ele  um bom garoto, mas tem problemas de confiana. No quero
generalizar, mas com uma garota bonita e charmosa como voc nos braos dele, talvez
ele saia um pouco da concha.
Vmessa corou novamente. Ser que o pai de Dan sempre falava desse jeito
constrangedor? Ela esfregou a mo livre na careca recente.
- Tudo bem. Bom, por favor, diga ao Dan que a amiga Vanessa ligou.
- Tudo bem, Vanessa, amiga de Dan - repetiu o Sr. Humphrey num tom de zombaria. -
Agora v fazer outra mscara facial de ovo ou as coisas que vocs, mulheres, fazem.
Vanessa desligou e abraou no peito os joelhos com ceroulas. Ento Dan j falara dela
em casa! Ser que ele passou o resto da noite pensando nela, como Vanessa pensou
nele? Sua cmera digital estava no cho ao lado do futon. Ela pegou a cmera e
repassou parte das fotos da noite anterior. Havia Serena danando, vestgios de sua
bunda nua e tatuada aparecendo na beira da foto. Com essa cortina de cabelos louros
caindo pelo meio das costas e as pernas bronzeadas e interminveis, ela era to perfeita
e estonteante que quase parecia falsa. Ento apareceu Dan, tremendo de frio sob um
poste em Tribeca, os dedos ossudos em volta de um Camel sem filtro enquanto sorria
com timidez para a lente. Ela tombou a cabea e beijou com cuidado a imagem, sem
ficar nem um pouco sem graa.
E ela que diz que no precisa de namorado.




eram trs na cama e o menor disse, "mas que @*$&  essa?"

Blair piscou para o dossel branco que assomava acima dela. Estava sonhando que
beijava Nate numa praia em algum lugar do Mediterrneo e parecia to real que ela
podia sentir o cheiro de bronzeador Bain de Soleil e o gosto salgado do mar.
Ou talvez fosse s o gosto de cabo de guarda-chuva da bebedeira e cigarros da noite
anterior.
Ela virou a cabea pesada. O rosto de Nate estava no peito de Serena. A camiseta cinza
estava fora do corpo e ele parecia totalmente... feliz. Serena estava com uma camiseta
branca fina e abraava a cabea de Nate. Blair se colocou ereta e afastou as cobertas
com os ps, ao mesmo tempo retirando-os de seu sanduche aconchegante e revelando
as pernas longas dos dois, que estavam emaranhadas.
- Eu sei que voc fez isso com Serena porque faz comigo quando eu durmo na sua casa -
observou ela em voz alta. - Talvez devesse, tipo assim, arrumar um ursinho de pelcia.
Os enormes olhos azuis de Serena se abriram e ela piscou os clios escuros para Blair. O
cabelo castanho-dourado de Nate estava praticamente em sua boca enquanto ela
murmurou.
- Que horas so?
- No sei. Dez, onze. - Blair levou a perna para trs e deu um chute de kung fu nas
costelas de Nate. - D para acordar?
Os olhos dele se abriram e ele meio que se sentou, assustado. Raios da luz de inverno
branca e inflexvel brilhavam pela vidraa grande.
- Nossa - murmurou ele, deixando a cabea tombar no suntuoso travesseiro de penas de
ganso. - Blair, voc realmente sabe como acordar um cara. Eu devia deixar voc me
acordar toda manh.
A ideia  essa.
Blair o encarou, to adorvel agora que estava deitado no travesseiro e no nos peitos 38
de Serena. Ela se aninhou no lado em que Serena no estava e ps no rosto a mo calosa
de lacrosse de Nate, falando como fez mil vezes na vida.
- Temos que fazer alguma coisa tima neste vero, gente - anunciou ela enfaticamente.
De jeito nenhum ia ficar com a famlia maluca neste vero, testemunhando o pai
escapulindo e a me ficando cada vez mais gorda, em especial quando no havia aulas e
ela realmente podia fugir para um lugar distante, bem distante.
Tipo o Mediterrneo?
- Vero - refletiu Serena em voz alta. Sem escola. Dias ensolarados cheios de beijos.
Nadar nus. Nate. - Mal posso esperar. - Ela passou a mo no pulso de Nate e apertou a
mo livre dele. Ele retribuiu o aperto e ela balanou os ps, feliz, sob o cobertor,
gritando de emoo em silncio. Era s o comeo, o comeo dela com Nate.
Nate abraou as duas meninas, sentindo-se feliz e confuso. Ele se lembrava de beijar
Serena na noite anterior, e se lembrava de beijar L'Wren tambm. As duas eram timas.
Ele se lembrava de se sentir superchapado, o que tambm foi demais. Ele adorava
segurar o rosto de Blair em sua mo como estava fazendo agora. Ele adorava como seus
ossinhos ficavam sob a palma da mo dele e como os lbios macios de Blair roavam
nos seus dedos. As meninas eram timas. As meninas eram demais. Cara, ele tinha
sorte.
- Ei, Nate. Por que no passamos o vero na casa da sua tia na Frana? - continuou
Blair. - Ela no mora, tipo assim, na Provena ou coisa parecida? A gente podia at ter
crditos em francs avanado por isso.
- De jeito nenhum - respondeu Nate rapidamente. - Ela  mais prima donna do que a
minha me. A gente pode ficar l, mas vamos virar escravos dela. Vamos ter que, tipo
assim, levar seu almoo na cama e levar os cachorros para tomar banho na cidade ou
lev-la nas consultas de cirurgia plstica.
Blair achou que isso era meio romntico. Ela e Nate podiam ser os caseiros da tia de
Nate. Eles ajudariam na casa e fariam amor na varanda  tardinha, enquanto a tia
estivesse dormindo, recuperando-se de uma de suas muitas cirurgias. E Serena podia
dormir na casa de hspedes com os cachorros. Ela sempre gostou de animais.
Ah, ela ia adorar isso.
- Ento, em vez disso, a gente podia velejar no seu barco  sugeriu Serena.
Melhor ainda, refletiu Blair.
E Serena podia dormir, onde? No bote salva-vidas?
Nate e o pai estavam construindo um veleiro juntos na propriedade dos Archibald em
Mt. Desert Island. Eles mesmos projetaram e j tinham construdo boa parte do casco
neste outono, antes que o clima mudasse. Nate tirou a mo do rosto de Blair.
- Ainda nem comeamos a construo direito. S vai ficar pronto daqui a pelo menos
um ano.
Blair pulou para fora da cama, pegando o MacBook de Serena na mesa, e levou para a
cama. Ela o abriu e procurou no Google, "retiros fabulosos na Europa".  claro que tudo
que apareceu era totalmente pornogrfico. Retiro fabuloso de nudistas! Jantar nudista 
beira da piscina! Servio de quarto nudista! Tudo includo!
Eu quero!
Nate se sentou e tirou o laptop dela, pretendendo olhar um site de viagens tradicional
como o Lonely Planet. Por reflexo, ele verificou seu e-mail primeiro, onde uma
mensagem de lwren@knowes.com com o assunto "Continua..." acenava da lista de "no
lidas". Nate olhou para Blair e depois para Serena e, em seguida, sentindo-se
particularmente macho e ousado, abriu o e-mail.

De: lwren@knowes.com
Para: narchibald@stjudes.edu
Data: Sbado, 15 de fevereiro, 08:45
Assunto: "Continua..."

Querido Natie,
Voc  trs adorable, mas acho que fiquei meio mal - nem terminamos o
que comeamos, de novo! Para sua sorte, vamos ter uma terceira chance.
No fim de semana que vem vai ter um baile de debutante no St. Claire
Hotel. No tem naaaada a ver comigo, mas minha me e minha irm mais
velha vo, ento eu tenho que ir. Mas ento, preciso de um
acompanhante bonito de uma famlia "aceitvel", e  a que voc entra.
Podemos comear no primeiro andar no baile e depois ir para meu quarto
de hotel. O que acha disso? Estou pegando o trem para a UVA esta noite
para fazer um trabalho chato. J estou com saudade.

Voc sabe que me ama,

- L'Wren

Nate desviou os olhos da tela, vendo Serena e Blair lendo o e-mail de L'Wren por sobre
seu ombro.
Serena fechou a carranca.
- E a, voc vai? - disse ela em desafio, cruzando os braos por cima da camiseta branca
e comprida, o cabelo louro-claro achatado de um lado e manchas escuras de maquiagem
cercando os olhos. Ela parecia Edie Sedgwick, a musa magricela e drogada de Andy
Warhol, em um dia bom.
Blair deu uma risadinha maliciosa e pegou o laptop. Clicou no boto de responder e
rapidamente digitou, VC  TO GATA, ADOREI AS SUAS TETAS  N.
Ela clicou em "enviar" antes que Nate tivesse a oportunidade de ler o que escrevera.
- , ele vai sim - anunciou ela triunfante. - Bobo.
- Ei! - Nate pegou o laptop de volta e clicou no boto "mensagens enviadas" para poder
ler a resposta de Blair. - Meu Deus - murmurou ele, desanimado. s vezes Blair era
uma reclamona encrenqueira.
Mas no  que todos somos - inclusive ele - apaixonados por ela?
Serena no tinha certeza absoluta do que ia acontecer. Nate e Blair pareciam estar
brincando da forma sedutora de sempre e Nate tinha acabado de receber um convite
daquela vagaba com nome impossvel. Onde exatamente ela ficava nessa histria? J
no havia meio que acontecido uma coisa grande entre eles na noite anterior?
- Nate - arriscou-se ela -, posso falar com voc um minuto, humm, no banheiro?
Blair se levantou da cama e ficou quicando. Ela ainda estava com o pinafore roxo Marc
Jacobs da noite passada e sem calcinha. Epa! Ela se sentou novamente.
- Ei! Se vocs tm alguma coisa para falar, eu quero ouvir.
-  s que... humm... - Serena estava louca para contar  melhor amiga sobre ter beijado
Nate, mas ela meio que queria falar com ele primeiro, em particular. Ela queria
principalmente ter certeza de que ele tambm estava muito excitado com tudo. Depois
eles precisavam decidir como lidar com a reao de Blair, que tendia a ser espetacular.
No mau sentido.
Nate no disse nada por algum tempo. Estava irritado com Blair por mandar o e-mail a
L'Wren e, embora quisesse beijar mais Serena  e ele realmente queria  ele no queria
fazer isso no banheiro com Blair espiando os dois pelo buraco da fechadura. Em vez
disso, ele saiu da cama e vestiu a cala, depois calou os sapatos.
- Aonde voc vai?  perguntou Blair, protegendo-se sob as cobertas. Precisava pegar
uma calcinha emprestada com Serena. E no devolver,  claro.
- Para casa - respondeu ele monotonamente. E talvez, no caminho, ele parasse na casa
de Charlie Dern. O irmo mais velho de Charlie estava na Costa Rica em seu ano de
intercmbio no exterior e mandava constantemente a Charlie maconha escondida em
artefatos locais dentro de latas de caf. Agora que Nate sabia como era incrvel ficar
totalmente chapado, ele queria experimentar de novo.
- Tudo bem - disse-lhe Blair irritadia e foi at a antiga e imensa cmoda de Serena para
procurar uma calcinha.
- Me liga mais tarde - disse Serena com a voz fraca enquanto a porta do quarto se
fechava nas costas de Nate. Ser que ele realmente estava saindo sem um abrao ou um
beijo de despedida?
- Ele no entende - observou Blair, revirando as gavetas bagunadas de Serena.
- Entende o qu? - Serena puxou o edredom grosso at o queixo, tentando se decidir se
ficava feliz, com raiva ou triste. Ela queria dormir o dia todo e acordar com o doce beijo
de desculpas de Nate. O poema que algum deixou em seu armrio estava no cho,
espiando por de baixo da colcha branca. Finja que me conhece. Que nos conhecemos.
Pelo que ela sabia, Nate nunca escreveu um poema na vida. Ou talvez ele tenha escrito,
pensou ela, animando-se.
- Nada. - Blair pegou uma calcinha Petit Bateau de algodo branco com bolinhas
vermelhas e a levou ao banheiro.
Serena continuou debaixo das cobertas, criando coragem para contar  melhor amiga
sobre a noite passada e sobre a ida para o internato - tudo. Ela no ia gostar - pelo
menos no a princpio -, mas Serena precisava de conselhos e Blair era sua melhor
amiga.
E se voc no consegue romper a bolha da melhor amiga, ento que outra bolha voc
vai romper?




nossos corpos, ns mesmos

- Jennifer! - berrou Rufus Humphrey de seu escritrio essa manh, acordando Dan. -
Que diabos  sempeitos.com?
Os olhos castanhos e sonolentos de Dan se abriram uma fenda. Seus lbios estavam
colados na velha fronha Calvin & Hobbes com uma mistura seca de baba com cheiro de
vmito e Aquafresh. Ele se lembrava vagamente de ser colocado num txi por aquela
menina de cabea raspada, Vanessa, com uma nota de vinte dlares e um mao quase
vazio de Camels sem filtro. Ela era legal. E descolada. Ele tinha certeza de que se
divertiu, a no ser pela parte de vomitar-Irish-coffee-na-sarjeta pouco antes de entrar no
txi.
Ai.
- Jennifer? Pode me explicar, por favor, como pode ter doado quase trezentos dlares do
meu dinheiro a uma instituio de caridade do Tennessee o nome de Sempeitos? O que
 isso? Alguma organizao de birutas que ajudam meninas subdesenvolvidas a
encontrar Jesus? Jennifer... Est me ouvindo?
Dan puxou as cobertas para cima e colocou o travesseiro na cara, enjoado com o fedor
de cigarro nas mos. Se ao menos ele tivesse tido a chance de falar com Serena ontem 
noite. S um oi teria sido incrvel. Em vez disso, ele se tornou fumante. Ele apertou o
travesseiro nos olhos fechados. E Serena sempre se lembraria dele como o nerd que
apareceu na festa e foi atirado pela porta de incndio por Chuck Bass, para nunca mais
ser visto ou ouvido.
Jenny estava deitada de costas sob a colcha de chenile Pottery Barn Kids rosa-claro,
sentindo o peito.
-  s um lugar onde eu compro roupa de baixo, est bem, pai? - gritou ela, esperando
calar a boca dele. Eram uma famlia de berros, ento no era o grito que a incomodava.
Era a ideia de falar de peitos com o pai, o que evidentemente no ia acontecer, nunca.
Mas seu peito definitivamente tinha mudado da noite para o dia. Havia protuberncias -
protuberncias de verdade, palpveis, do tamanho de damascos! Ela retirou as cobertas
e saltou da cama, espalhando folhas de papel cobertas da arte para o concurso de hinrio
da Constance Billard, em que trabalhou na noite passada. Ela pegou a fita mtrica da
sempeitos e a passou no corpo mais uma vez, com o cuidado de no torcer. A fita dizia
exatamente 80 centmetros. Jenny arrancou a camisola de algodo fino da Hello Kitty
para que no tivesse nenhuma ruga e se mediu de novo. Sem dvida 80. Era um
milagre. Ainda assim, as instrues da sempeitos diziam que era muito difcil medir a si
mesma e sugeria que uma amiga ou membro da famlia fizesse uma leitura mais precisa.
- Dan! - gritou ela. - Rpido, vem c!
Dan retirou o travesseiro da cara e bocejou alto. Meu Deus, era crime dormir numa
manh de sbado? Ele devia ter dormido na casa daquela garota, a Vanessa. Ela disse
que morava com a irm mais velha que ficava acordada at tarde tocando com a banda.
Eles provavelmente dormiriam at o pr do sol em completa paz. No que dormir na
casa de Vanessa fosse uma opo. E no era que ele realmente pensasse nisso em seu
estupor de bbado nem nada.
Mas agora estava pensando?
- Dan? - gritou Jenny de novo. - Est vivo?
Dan se levantou aos trancos e se arrastou infeliz pelo quarto, andando pelo corredor
com o piso de taco que estalava e a parede com a tinta branca lascada. A porta de Jenny
estava um pouquinho aberta.
- Tudo bem, estou aqui  anunciou ele, abrindo a porta.
Jenny estava parada diante do espelho de corpo inteiro atrs da porta do armrio, com a
velha camisola HelIo Kitty preferida rosa-claro. Ela tombou a cabea.
- Percebe alguma coisa diferente?
Dan semicerrou os olhos.
- Voc cortou o cabelo?
Ela revirou os olhos.
- No, idiota, eu aumentei! - Ela ps a mo em concha no peito e apertou um pouco.
Depois pegou a fita mtrica e passou a ele.  Pode me medir para eu ter certeza? Deve
ser mais preciso se outra pessoa medir. - Ela estendeu os braos como as asas de um
avio.
Dan olhou a fita branca laminada adornada com ilustraes de sutis com smileys
sorridentes.
- Quer que eu mea voc?
- No fique sem graa. Quer dizer, eu  que devia estar sem graa  explicou ela,
aturdida pela hesitao dele. - Por favor, mea e acabe logo com isso, sim?
Dan evitou ao mximo os olhos de Jenny enquanto passava a fita pelo tronco da irm.
Ele lembrou a si mesmo de que Jenny no tinha me para ajud-la com essas coisas,
caso contrrio teria pedido a ela. Eu sou tudo o que ela tem, disse ele a si mesmo, cheio
de importncia. A fita grudava em seus dedos pegajosos, de ressaca e sujos de cigarro.
- No aperte demais - lembrou ela, segurando a fita na frente enquanto ele a passava por
suas costas. - Mas no coloque frouxa demais tambm. - Ela endireitou o corpo.
- Humm, parece 80 centmetros. Talvez um tracinho a mais.
Um tracinho a mais? Jenny arrancou a fita mtrica e pulou corda com ela.
- Eu tenho 80! - gritou ela exultante.  80! - Isso no significava que ela pudesse encher
um suti M, mas quase. Em breve.
As folhas de papel espalhadas no cho atraram a ateno de Dan e ele se curvou para
olhar mais de perto. Os olhos azuis de Serena o fitavam com astcia, o cabelo louro
luxuriante derramando-se nas dobras do vestido branco. As palavras Hark! The Herald
Angels Sing estavam impressas em negrito abaixo de seus ps descalos e perfeitos e as
asas brancas e felpudas se abriam, como se ela estivesse prestes a alar voo.
Asas?
Ele pegou um dos desenhos e o levou ao peito.
- Posso ficar com isso? - perguntou ele sem pensar em como parecia pervertido,
perturbado ou biruta.
- No,  meu, seu anormal - rebateu Jenny, passando os braos por seu imenso roupo
cor-de-rosa. O que Dan podia fazer com este desenho na privacidade de seu quarto era
nojento demais para se pensar. - Largue.
Com relutncia, ele deixou o papel flutuar at o cho. Ele cruzou os braos e o olhou.
Serena. Serena, Serena, Serena.
- Bom, quando os hinrios forem impressos, eu vou fazer voc roubar um pra mim.
Jenny se aproximou e olhou os desenhos com ele.
- Acha que posso vencer? Quer dizer, sou s do stimo ano e tem, tipo assim, veteranas
que so melhores artistas do que eu.
Dan revirou os olhos. Jenny nunca entendeu a artista dotada que era. Desde que pde
segurar um lpis, ela desenhava retratos de todos da famlia com a mais incrvel
preciso. Uma vez, ela se meteu em problemas por desenhar a diretora da escola, a Sra.
McLean, durante a reunio de alunos. Mas quando a Sra. M viu com que preciso e
vivacidade fora desenhada, descendo a detalhes como a cabea estranhamente quadrada
da diretora, ela perdoou Jenny. Agora o retrato estava emoldurado e pendia na parede da
sala da Sra. M, para pesar de Jenny.
- Eu sei que voc vai vencer - disse-lhe Dan, cheio de confiana. Ele estava prestes a lhe
dar um abrao de irmo mais velho quando percebeu que Jenny estava com as mos por
dentro do roupo e sentia o peito novamente, desta vez examinando detalhadamente os
seios.
Que legal.
- Tenho que ir agora. - Ele adorava a irm mais nova, mas no ia ficar olhando seu
desenvolvimento, por mais que ela sentisse falta de uma me.
Espere s at que ela o leve para comprar seu primeiro suti.
o que o amor tem a ver com isso?

Serena colocou o MacBook prata na mesa, afastando os quatro luxuosos catlogos de
colgios internos que a me deixara ali com um bilhete escrito em sua letra cheia de
voltas: Sabe que seu pai e seu irmo ficariam felicssimos se voc fosse para a
Hanover. Como se Serena pudesse at pensar em colgio interno, agora que ela e Nate
se beijaram. Ela pegou o controle remoto e zapeou pelos canais, procurando por alguma
coisa que a absorvesse para passar o tempo em que Blair estava no interminvel banho.
- Volta! - gritou Blair do banheiro. A porta se abriu, liberando uma nuvem de vapor e
ela saltou na cama, totalmente vestida, o cabelo molhado pingando. Ela atirou a toalha
branca e molhada na mesa, cobrindo os catlogos de internatos. - Era Quanto mais
quente melhor. Eu reconheo a voz de Marilyn em qualquer lugar.
Por que  to parecida com a dela?
As duas meninas viram o filme em silncio. Marilyn Monroe beijava o cara charmoso
que no era bom para ela e falava acelerado.
-  timo como todos eles beijam nesses filmes antigos, n? Tipo assim, beijar
realmente significava alguma coisa - observou Serena, tristonha   to romntico dizer
a um cara que voc ama, "Me beije".  Ela sorriu consigo mesma, por um momento
saboreando seu segredo at que soltasse e no fosse mais segredo. Na tela, Marilyn e o
Sr. Charmoso olhavam-se com desejo. Ela lambeu os lbios, preparando-se para sua
confisso.
- J se perguntou como seria beijar o Nate? - disse Blair. Ela no podia ver ningum
beijar sem pensar em Nate.
Serena prendeu a respirao. Todo seu corpo parecia ter sido atirado em uma grelha.
- Humm... Na verdade eu...
- s vezes eu imagino. - Os lbios finos e expressivos de Blair se curvaram num
sorrisinho tmido. Ela suspirou e abraou os joelhos, sentindo-se um pouco mais segura
de si, agora que estava limpa e de calcinha. - Pra falar a verdade, acho que imagino o
tempo todo.  Ela virou a cabea, pousando a bochecha nos joelhos. - Sei que sempre
sou uma cretina com ele e estou sempre dando mole, e voc sempre me sacaneia por ser
apaixonada por ele. Mas a verdade  que no  s uma brincadeira. Eu sou total e
completamente apaixonada por Nate. Sou apaixonada por ele desde sempre. E acabo de
chegar a um ponto em que vou morrer se no puder ficar com ele.
Serena se encolheu nos travesseiros fofos da cama e fitou a amiga mais velha e mais
querida numa incredulidade muda. Todo o quarto estava nublado e Marilyn Monroe
parecia falar a quilmetros dali.
- Sei que voc acha que  tosco porque ele  quase um irmo ou coisa assim. Mas no
consigo evitar. Eu o amo demais.  Blair se balanou de um lado a outro. - Eu at sonho
acordada que ns dois somos casados - admitiu ela.
Serena engoliu o bolo enorme que tinha na garganta. Como poderia dizer alguma coisa
sobre ter beijado Nate na noite anterior estar apaixonada pelo prprio Nate quando Blair
falava de se casar com ele? Se ao menos ela tivesse tido alguma coisa certa quando eles
acordaram. Nate e eu nos amamos, ela se imaginou dizendo enquanto Nate ainda estava
deitado ao lado dela, e seu rosto corou. Ela meteu o polegar na boca e comeou a roer a
unha de manicure perfeita. Nunca foi de roer unhas, mas esta parecia uma boa hora para
comear.
- E agora ele est com aquela piranha cafona da L'Wren - gemeu Blair. - Sabia que ela
foi para O internato? Eu odeio meninas de internato. Elas fingem que so todas
modernas, descoladas e relaxadas, mas na verdade so s umas imbecis. E voc
percebeu que ela fala prprio nome L apstrofe W-R-E-N?  to retardada. Mas ento,
voc tem que me ajudar.
Serena piscou os imensos olhos azuis. Podia sentir uma ressaca se aproximando e no
era nada boa.
- Claro - ofereceu-se Serena, pressionando os ns dos dedos trmulos nas tmporas. - O
que voc quer que eu faa?
- Voc viu como eu respondi ao e-mail daquela cretina e basicamente disse a ela que
Nate a acompanharia ao baile brega de debutantes, n? - Blair mordeu ansiosamente o
lbio inferior e prendeu o cabelo escuro e molhado num coque firme. - Eu sou uma
idiota. No sei por que fiz isso. Ele no pode ir. Temos que impedi-lo. E depois tenho
de dizer a ele... sabe como ... que sou apaixonada por ele.
Sempre que Blair dizia isso os braos de Serena eram tomados de arrepios.
- No se preocupe - respondeu ela de um jeito tranquilizador, sentindo-se ao mesmo
tempo uma traidora e uma mrtir.  Vamos pensar em alguma coisa. - Ela passou os
dedos longos e elegantes pelo cabelo louro embaraado.  claro que Nate no tinha a
inteno de acompanhar a L'Wren ao baile - no quando estava apaixonado por ela -,
mas ela sabia que Blair gostava da ideia de que competia com L'Wren afeto de Nate e
no teve coragem de corrigi-la.
Blair imaginou Serena de smoking e rabo de cavalo enquanto fingia que a acompanhava
em um baile de debutantes. Serena colocaria alguma coisa na champanhe de L'Wren e
depois Blair roubaria Nate numa daquelas carruagens puxadas a cavalo, galopando para
uma sute no Tribeca Star ou num hotel igualmente suntuoso no centro.
Bem no estilo de Quanto mais quente melhor.
Ela abraou Serena e enterrou a cara no cabelo louro e bem condicionado da melhor
amiga.
- Eu o amo tanto - desabafou Blair, aliviada que a informao finalmente tivesse sado e
ela pudesse falar disso com Serena, sua fiel aliada.
Serena afagou as costas de Blair com os olhos na TV de tela plana. Marilyn e seus dois
companheiros travestidos estavam num trem viajando para Miami. Embora estivessem
de vestido, maquiagem e joias, os homens eram evidentemente homens e Marilyn era
burra demais para no perceber.
- Sabe o que a gente devia fazer nesse vero? - refletiu ela em voz alta, desesperada para
mudar de assunto. - Comprar passagens do Eurail e viajar de trem pela Europa toda,
parando onde parecesse legal. Meu irmo fez isso no vero passado, lembra? Ele ficou
bem magro e bronzeado. Seria to romntico - continuou ela toda entusiasmada,
soltando Blair para ver se ela estava ouvindo.
-  perfeito! Minha tia vai se casar na Esccia em agosto, ento eu preciso mesmo ir
para l. - Agora os olhos azuis e brilhantes de Blair cintilavam. - Nate e eu podamos
dividir uma daquelas cabines minsculas! Vamos viajar o tempo todo, pedindo o
servio de quarto, sem jamais sair do trem. E talvez voc conhea um cara tambm -
acrescentou ela generosamente para Serena.
Obrigada. Mas muito obrigada mesmo.
Serena assentiu com energia. Ela sempre foi uma atriz nata.
- Um, no... dez! cem! Vou pirar nos homens! - Ela ficou em p na cama e quicou.
Blair riu.
- Voc  uma puta.
Serena continuou quicando enquanto a semente terrvel que plantou criava razes e
comeava a se espalhar como uma erva daninha venenosa. Ela ainda no contara a Blair
sobre os pais quererem manda-la para o internato no ano que vem e no contara a ela
sobre ter beijado Nate. Sempre que seu p fazia contato com a cama, ela sentia um peso
pavoroso. Ela mentira para Blair. Era uma amiga horrvel. Depois estava no ar de novo,
exultante. Nate a beijou! Eles estavam apaixonados! E mais uma vez seus ps tocavam
as cobertas  ah, como pde fazer isso? Blair ria alegremente, vendo a amiga quicar,
sem saber do abismo que j se formava entre as duas, como uma rachadura na calada.
Serena fechou bem os olhos, ainda quicando. Como era possvel ficar to feliz, excitada
e apaixonada e ao mesmo tempo to magoada, triste, confusa e assustada?
Isso  a vida, meu bem. Acostume-se com ela.
gossipgirl.net
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Advertncia: Todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e eventos foram
alterados ou abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                      oi, gente!

Ocorre-me que muitos de vocs sintonizados aqui no moram perto desta linda cidade e
podem no ter a oportunidade de visit-la. Permitam-me pintar um quadro mais ntido
de meu modesto bairro, o diamante de 60 quilates de Manhattan. Quase todos ns
moramos no raio de vinte quadras que vai da rua 68 Leste  86 Leste, da Quinta
Avenida a Park Avenue. Ns nos vemos na deli quando estamos comprando Trident de
canela e Parliaments. Bebemos cappuccinos juntos na escadaria do Met, dividimos
pratos de fritas na Jackson Hole ou lanamos olhares solidrios a nossas mes durante o
brunch no Payard. Ento, aonde vamos quando no queremos que nossos pais ou os pais
de nossos amigos nos vejam? Ao parque,  claro, ao Central Park.
Os guias daqueles apavorantes nibus de turismo vermelhos de dois andares que rodam
pela cidade podem tentar lhe dizer que Nova York  cheia de parques, mas para ns s
existe um. Pode parecer meio estranho que a gente frequente tanto o parque com nossos
uniformes pregueados e sapatos altamente cobiados, mas aquele  nosso lar fora do lar.
Os patos na represa nos conhecem pelo nome. Os sem-teto piscam para a gente. As
pedras tm manchas de onde nos sentamos por horas, aproveitando o sol. E como
nossos pais jamais sonham em sair de suas limos pretas e reluzentes para se aventurar
no parque e no tm a menor ideia do que nos acontece por l, eles no sabem o que
fazemos enquanto estamos sentados em nossas amadas pedras.
Basicamente, tudo o que no podemos fazer em casa.  claro que nossos pais chegam
em casa tarde e passam metade do tempo fora, mas precisamos de um lugar para ir
quando eles esto em casa. Graas a Deus existe o Sheep Meadow. A Bethesda
Fountain. A esttua de Romeu e Julieta. O zoolgico. Nossas coberturas e casas podem
ser lindas, e nossas casas de campo e de praia ainda mais, mas o Central Park  o lugar
de que nos recordaremos quando nos lembrarmos de crescer.

flagras

N em nosso amado parque Sheep Meadow com colegas de lacrosse do St. Jude's,
tomando aulas sobre a arte de comprar uma trouxinha. Parece que algum tem um novo
hobby. B numa loja de fantasias estranhas no NoHo experimentando um traje de
porteiro. J se preparando para o Halloween? S aparando as pontas no Bumble e
Bumble da 56, parecendo incrivelmente deprimida. Anime-se, meu bem, a primavera
logo vai chegar. J andando pela Broadway, parando diante de cada vitrine recm-
montada para admirar os ltimos acontecimentos. Voc conhece aquela msica: All it
takes is a rake and a hoe and a piece of fertile ground. D na seo de poesia da livraria
Strand no Village, lendo Keats por prazer. Logo ele vai comear a se vestir de meias at
os joelhos e camisas brancas bufantes com babados e restringir o consumo, s para fazer
efeito. V, seguindo-o com sua cmera digital. Ela daria medo se no estivesse uma
gracinha de apaixonada. C fazendo seu desfile com capa em couro branco com
monograma de carro diante da embaixada da Itlia. Ele est posando para a Vogue
italiana ou est pensando em emigrar?

seu e-mail

P: Cara GG,
Tenho que ir a um baile de debutantes com uma menina porque ela me convidou e eu
gosto dela mas (a) no sei danar nada, a no ser ska; (b) eu me recuso a usar smoking;
(c) eu tenho um piercing na lngua que tenho certeza de que ela no sabe e (d) no sei
por que eu disse sim.
- b-baca

R: Caro b-baca,
Voc se chamou assim, no eu. S o que eu posso dizer  que ela o convidou por um
motivo e aposto que tem um monte de coisas que voc tambm no sabe sobre ela. Por
exemplo, ela deve ter mais piercings do que voc, e outras coisas que voc ficaria
apavorado em descobrir. Ento por que no descobri-las?
- GG

P: Prezada gossip girl,
Nem acredito que voc est aqui e eu estou aqui e ai meu Deus a vida  to doida. Voc
sabe que todos ns danamos naquela festa no fim de semana e eu vomitei total no
radiador? Ai meu Deus. Meu pai teve que, tipo assim, pagar por aquilo. Estou numa
encrenca danada. De qualquer forma, obrigada por me mandar para casa no seu carro -
foi um amor da sua parte. Eu te amo!
- cara

R: Prezada cara,
Ainda estou me recuperando daquela festa - feliz por saber que voc chegou segura em
casa. Mas cuide para colocar aquela blusa linda de seda Marc Jacobs lavanda de molho
numa boa gua morna com lava-roupas Woolite. Eu odiaria v-Ia arruinada. Eu te amo
tambm!
- GG

E por falar em partilhar amor, acho que est na hora de tirar minha bunda dessa pedra e
andar devagar e sedutoramente para casa atravs da multido de meninos adorveis que
jogam futebol ali. Alguns me parecem conhecidos. Mesmo que eu no os conhea,
todos eles me conhecem. Ou logo conhecero.

                                Pra voc que me ama,

                                     gossip girl




De: lwren@knowes.com
Para: narchibald@stjudes.edu
Data: Domingo, 16 de fevereiro, 14:45
Assunto: Re: Re: ...continua.

Querido Natie,
Obrigada por seu bilhete. Acho que vc sabe que te acho um gato. Tenho
tipo oito namorados aqui, mas no consigo parar de pensar em vc. Por
favor, v at o final do e-mail p/ver a minha foto de calcinha de seda
com estampa de leopardo Victoria's Secret que comprei para o baile a
que vc vai me levar. Espero que goste! ;)

Morrendo de saudade,

L'Wren




De: bwaldorf@constancebillard.edu
Para: svanderwoodsen@constancebillard.edu
Data: Domingo, 16 de fevereiro, 17:17
Assunto: Eu e nate

oi,

Eu andei pensando, e se voc se vestir de garom, eu me esconder
debaixo de uma mesa e quando ningum estiver olhando, a gente amarra
as mos e os ps de L'Wren com o cachecol Hermes da minha me? Depois
eu levo Nate para baixo da mesa comigo e, enquanto voc inventa uma
distrao, a gente, tipo assim, sai engatinhando do salo e some dali.
Pode dar certo, n?

Vou continuar pensando.

- B




hms chapado

Nate estava na calada da pizzaria na 80 com a Madison com um grupo meninas da
L'cole, impressionando-as com sua nova capacidade de comprar maconha, enrolar um
baseado e ficar chapado em plena luz do dia. Depois da nevasca no fim de semana, a
segunda-feira estava estranhamente quente e as meninas da L'cole ostentavam o que
restava do bronzeado de St. Barts amarrando as fraldas das blusas da escola para revelar
a barriga achatada e enrolando a cintura da saia de l pregueada do uniforme at que
mais parecia uma tanga do que uma saia.
Na vspera, os colegas de turma do St. Jude's de Nate, Charlie Dern e Jeremy Scott
Tompkinson, apresentaram Nate a Mitchell, o cara plido e alarmante de magrelo da
pizzaria que vendia fatias de pizza e trouxinhas de cannabis tailandesa de primeira a
quem sabia pedir "duas fatias de siciliana com organo extra".
Arr, a palavra mgica.
Nate se sentia um espio, mas ficou chapado de novo. Na verdade, como na vspera ele
havia concludo que gostava muito da sensao de ficar doido - como tudo ficava
muito mais intenso e ao mesmo tempo muito mais fcil -, ele pretendia ficar doido pelo
resto da vida.
No deixa de ser uma aspirao.
Ontem, na casa de Charlie, ele descobriu que os trs colegas j fumavam maconha h
anos. Anthony Avuldsen, o louro bermauricinho com cara de surfista da turma dele,
roubava a maconha do pote de caf guatemalteco especial do pai desde que tinha 10
anos. Jeremy, o magrelo com cabelo de Beatles do final dos anos 60 cujas calas
estavam sempre caindo, fez o prprio cachimbo na aula de cermica, queimou no forno
e tudo, e vitrificou com um desenho xadrez multicor que parecia extremamente
psicodlico depois de uns tapas. E havia tambm Charlie, cujo irmo mais velho, Tao,
mandava maconha para ele o tempo todo. Os quatro meninos tinham fumado no
cachimbo de Jeremy ontem. Foi muito intenso.
Uma das alunas da L'cole beijou Nate no rosto antes de ir embora, sufocando-o com
seu cabelo preto com spray.
Merci! Merci! Mu! Mu!
Nate deu um tapa no baseado e semicerrou os olhos para o sol amarelo, aquecendo-se
nele. Ah, sim, sem dvida era timo ser jovem, bonito, chapado e concorrido. L'Wren o
queria, essas francesas todas o queriam, Blair sempre meio que o queria e Serena sem
dvida nenhuma o queria de verdade, ele estava prestes a peg-la na escola para
descobrir o quanto.

Serena estava com pressa. Sua reunio com o reitor de admisso da Hanover e seu pai ia
comear em dez minutos no Vale Club na Vanderbilt Avenue, a mais de 50 quadras de
distncia. Madame Rogers a atrasou, dando a toda a turma uma aula em francs sobre
por que o pretrito perfeito do condicional era o mais importante de todos, tagarelando
que nenhuma pessoa inteligente podia passar sem ele porque permitia que a linguagem
tivesse imaginao e inspirava cineastas franceses a investigar reinos romnticos que de
outra forma teria continuado inexplorados.
Tipo O ltimo tango em Paris?
Quando a aula finalmente acabou, Serena voou pelas portas azuis da Constance Billard
School for Girls, abotoando o casaco de veludo Agns B. cor ele framboesa enquanto
andava e acenava como louca para parar um txi. Ela teve medo da reunio o dia todo
mas, se chegasse atrasada, seu pai provavelmente a mandaria a uma escola militar em
vez de um internato.
- Ei... pera! - De repente a cabea loura, linda e irresistvel de Nate e seus olhos verdes
cintilantes boiaram na frente dela. Ele se inclinou e a beijou direto na boca.
Ol.
- Pensei em voc o fim de semana todo - disse-lhe ele, de repente percebendo que podia
ter beijado Serena o fim de semana todo se no tivesse ficado alto com os amigos.
D.
- Eu tambm - sussurrou Serena, o corao batendo como louco nas costelas. Ser que
ele veio se desculpar por sair da casa dela to de repente na manh de ontem? Ser que
ele veio dizer que a amava? Ela segurou a mo dele e a ficou balanando, o rosto
adquirindo um rosa brilhante e feliz. Atrs, ela podia ouvir o zumbido da fofoca das
alunas da Constance Billard.
- Pera, eles esto juntos, ou s se beijam na boca quando se encontram ou coisa assim?
- Kati Farkas queria saber enquanto passava e aplicava gloss nos lbios num fascnio
completo.
- Sei l. Ela me parece bem confusa - observou Isabel Coates com uma preciso
clssica.
- Nossa, ele  um gato. No lugar dela, eu o agarraria e arrancaria suas roupas - declarou
Laura Salmon.
- Cad a Blair? - perguntou Rain Hoffstetter.
Felizmente, Blair estava numa aula de tnis na Asphalt Green. Nate pegou na mochila o
minsculo veleiro azul que fez na aula de artes e deu a Serena.
- Fiz pra voc - disse-lhe ele timidamente, parecendo ter uns 7 anos.
Serena passou a maior parte da vspera com Blair, fingindo estar animada com Blair e
Nate. Agora mal conseguia resistir a agarr-lo e beija-lo todo. Ela avanou um passo e
se encostou em seu peito musculoso. Ele tinha cheiro de fumaa e Nate, e era
maravilhoso.
- Quando a gente vai contar a Blair? - perguntou ela.
Nate enterrou o nariz no cabelo claro de cheiro doce de Serena. No lhe ocorreu que
eles deviam contar alguma coisa a algum. Afinal, eles ficavam juntos o tempo todo
mesmo. Agora eles s se beijavam quando estavam juntos, e cedo ou tarde fariam mais.
Mas as meninas eram assim - tinham de saber das coisas. Precisavam planejar.
- Voc no contou? - respondeu ele. - No  nenhum segredo nem nada disso.
Serena recuou um passo e examinou o barquinho de argila na mo. Suas colegas da
Constance estavam reunidas to perto, que ela baixou a voz para no ser ouvida.
- Eu no contei porque pensei que devamos fazer isso juntos. - Ela olhou cheia de
esperana para Nate. Como namorados, acrescentou ela em silncio.
Nate deu um sorriso infantil. A coisa mais incrvel em estar chapado era que ele podia
pensar numa coisa completamente egosta e irresponsvel, depois dizer e no se sentir
culpado por isso.
- Eu prefiro que voc conte a ela. No sou bom nessas cosias. E voc conhece a Blair.
Serena revirou os olhos como se entendesse. , ela conhecia a Blair. Blair ia decapit-la
com suas unhas perfeitamente pintadas. Mas um dia tudo seria perdoado - talvez.
- T legal. Bom, vou contar a ela logo - prometeu Serena vagamente. - Mas tenho que ir
agora.
Nate avanou um passo e lhe deu um leve beijo na boca.
- Voc est linda hoje - disse ele, querendo agora no estar to doido.
Serena riu e o afastou.
- Eu te ligo, t legal? - disse ela rapidamente antes de disparar pela rua e entrar num txi
que esperava. Sentando-se atrs no banco de vinil pegajoso, ela pegou o barquinho de
argila azul no bolso do casaco. Estava escrito no casco HMS SERENA, com um
corao vermelho ao lado do seu nome. Eram quatro horas e a Quinta Avenida
enxameava de estudantes de escolas particulares uniformizadas e suas babs a caminho
das aulas de bal ou patinao no gelo no Sky Rink. O txi parou no sinal na esquina da
Quinta Avenida com a 93. Nate o alcanou e Serena baixou a janela, colocando a
cabea para fora.
- Ei, Natie. No vai mesmo levar a L'Wren naquele baile de debutantes, vai? - gritou
ela.
Nate colocou as mos nos bolsos da cala cqui. Blair tinha respondido ao e-mail de
L'Wren com aquela rplica retardada e ninfomanaca, ento ele agora estava meio
comprometido, no estava? Alm disso, quando ele contou sobre isso a Charlie,
Anthony e Jeremy, todos concordaram  L'Wren  coisa certa, cara. Transa com a
garota mais velha e acaba com isso. Se esperar paraf fazer com algum que ama, ser
um virgem de 30 anos. Essas palavras pareceram muito sensatas para ele.
- . Acho que tenho que ir! - gritou ele, como se fosse um trabalho daqueles.
Serena se recostou no banco enquanto o txi entrava na Quinta, passando pelo museu
Cooper-Hewitt, o museu Guggenheim e o Metropolitan num borro de cinza. Seu
celular zumbiu com outra mensagem de texto maluca de Blair.
A GENTE PODE BATER NA CABEA DE NATE E ELE DESMAIA E ESQUECE
DE IR, MAS E SE ELE AMNSIA E NO SOUBER QUEM EU SOU? ENTO
TALVEZ EU FINJA QUE J SOMOS CASADOS!
At agora, Serena ignorou os estratagemas malucos de Blair, tratando-os como isso
mesmo  malucos. Agora que ela sabia que Nate ainda pretendia levar L'Wren ao baile,
as coisas estavam diferentes.
Ele no podia ir de jeito nenhum.




wimbledon pode esperar

Blair costumava fantasiar sobre rolar na areia com um biquni de batik numa praia
extica com o instrutor de tnis, Duane, que tinha os msculos, o cabelo preto ondulado
e os olhos turquesa mais incrveis e falava com sotaque australiano. Mas agora que
verbalizara sua paixo por Nate a Serena, ela superou Duane. Toda sua raison d'tre era
Nate, Nate, Nate e ela no ligava mais para as coxas de Duane ou se o cabelo dele era
preto, verde ou roxo.
Duane queria trabalhar os voleios de Blair e seu jogo de ps, mas Blair estava to
preocupada com a ideia de que precisava bolar um plano tirar-Nate-da-cama-de-
L'Wren-e-botar-na-dela que fosse  prova de falhas que insistiu em s treinar os saques.
Deste modo, a cada vez que Duane recarregava a mquina de bolas, ela podia pegar o
celular e mandar outro plano diablico para Serena.
A GENTE PODE DAR UM PORRE NELE, ENROLAR EM LENIS E TRANC-
LO NUM ARMRIO E S SOLTAR QUANDO PROMETER NO IR.
Duane liberou a bola seguinte antes que Blair estivesse pronta e ela bateu em cheio em
seu peito.
- Meu Deus! Vai se foder! - gritou ela, fuzilando-o com os olhos.
Ora, ora.
Num banco no meio da arquibancada central, uma menina do Sagrado Corao que
esperava por sua aula escondeu o riso na mo. Usava um vestido de tnis Lacoste verde-
limo e tinha os msculos dos braos muito impressionantes para uma menina que no
passava de 11 anos. Blair pensou que a garota era meio parecida com ela alguns anos
atrs - to sria com o tnis e ainda sem pensar em homens. Agora as coisas eram
diferentes. Ela s pensava em Nate. Era como se passasse um filme em sua cabea o
tempo todo, uma histria de amor.
Ela e Nate finalmente declarariam sua paixo mtua depois de tantos anos de negao e
iam passar os ltimos anos do secundrio grudados na boca um do outro. Ela passaria a
maior parte das noites na casa dele, mas de vez em quando eles iam escapulir para a
casa de vero da famlia dela em Newport, Rhode Island, quando os pais dela
estivessem jogando golfe na Esccia, e iam fazer amor nos sofs sem tirar as capas que
colocavam a cada inverno. Depois eles se formariam e iriam para Yale, onde os dois
entrariam antecipadamente, porque, fala srio, se era para se candidatar, no havia outra
universidade digna disso. Depois Nate se tornaria advogado e ela se tornaria alguma
coisa viajada, glamourosa e divertida que envolvesse usar roupas incrveis e ter
conversas inteligentes ao mesmo tempo. Eles teriam o casamento do sculo na catedral
de St. Patrick, iam se mudar para um inacreditvel apartamento em Park Avenue e
transariam o tempo todo. Este filme estava em reprise constante em sua mente e era
difcil pensar em outra coisa. Ela certamente no podia treinar seu saque.
O bolso da saia de tnis listrada de rosa e creme Lilly Pulitz vibrou. Blair mandou um
saque vigoroso na cabea de Duane e sacou o celular. Serena tinha respondido.
E SE AGENTE PREPARAR O NATE PRO BAILE? DEIXAR O CARA BEM
BEBUM. VC BEIJA ELE, ELE SE ESQUECE DE IR AO BAILE?
Blair respondeu rapidamente:
LEGAL! VAMOS PLANEJAR MAIS TARDE? TE ADORO11!
Duane soltou outra bola, que raspou no ombro de Blair. A bola seguinte quicou
diretamente diante dela e quase atingiu seu olho. Ela afastou rosto do telefone. Duane
estava do outro lado da quadra com as mos na cintura atltica, os lindos olhos escuros
vincados de impacincia.
- Se quer mesmo entrar no campeonato nacional este ano, sugiro que guarde esse
telefone! - gritou ele com seu lindo sotaque australiano antes de se virar para acionar a
mquina de bolas.
Blair tinha uma conspirao a tramar e a pequena performance de Duane com as bolas
de tnis era totalmente irritante. Afinal, quem pagava era ela. Ele podia esperar
enquanto ela digitava mensagens muito importantes. Ou podia ir se foder. Ela
respondeu com um dar de ombros.Foi at a menina do Sagrado Corao e lhe entregou
sua raquete de tnis.
- Acho que fiquei menstruada. Por favor, coloque isso no meu armrio e diga a Duane
que fui para casa - instruiu ela, indo despreocupadamente para a sada.
Bom backhand.




baixa em s a melhor atriz

A meia-cala creme Wolford com padro de renda de Serena coava e seu pai a
enlouquecia com suas perguntas interminveis.
- Oua, Serena  muito criativa. Ocorreu-me que ela pode atuar. No consigo me
lembrar... A Hanover tem um bom programa de teatro? Eu era de uma equipe de
debates.
William van der Woodsen era alto e bonito, de olhos azul-escuros como os da filha,
cabelo cinza alourado e uma tendncia a usar plastrom de seda em vez de gravatas. Ele
era o eptome do almofadinha e por vrias vezes Serena viu mulheres, de jovens
comissrias de bordo a matronas diretoras de escola, praticamente desmaiarem na
presena dele. Ele cruzou as pernas longas de jogador de squash.
- Acho que ela  uma boa contribuio para qualquer programa de teatro, no concorda?
Serena sentiu o celular zumbir no bolso do casaco forrado de cetim. Por reflexo, ela
olhou o aparelho e leu o texto de Blair. Curvando-se para que suas mos ficassem
escondidas pela mesa, ela digitou a resposta rapidamente.
O reitor de admisso da Hanover acabou sendo uma mulher de meia-idade chamada
Candice Kaplan que parecia se esforar muito para ser cool. Seu cabelo de corte curto
era tingido de um mbar escuro e ela vestia um terninho Chanel rosa angor e botas
Manolo de couro preto. Na verdade ela era mesmo meio cool.
- Eu interpretei Lady Macbeth em nossa produo das veteranas - disse esfuziante a
diretora Kaplan com sua sedutora voz aveludada. - Conseguimos umas crticas boas e
fizemos uma turn pela Europa no vero. - Ela piscou como quem conspira para Serena
e empurrou os culos hexagonais rosa pelo nariz longo e ossudo. Uma imensa aliana
de noivado de platina e safira cintilou no anular da mo direita. - Eu esperava que me
fizesse umas perguntas, querida  disse ela incisivamente.
A sala de estar principal do Yale Club era do tamanho de um salo de baile, com janelas
acortinadas de veludo azul-marinho do cho ao teto dando para a Grand Central Station.
Garons de gravata-borboleta entravam e saam em meio aos grupos reunidos em
silncio em poltronas de couro marrom, servindo com eficincia coquetis, ch e
jornais. Era uma excelente opo para uma reunio como esta, uma vez que no havia
possibilidade de aparecer algum que Serena conhecesse. Ela respirou fundo, prestes a
fazer a melhor representao de sua vida.
- No sei no que sou boa - ela suspirou, cruzando os braos e fitando as botas Marni
marrons. - Viajei pelo mundo todo e tive professores particulares de francs, latim e
histria mundial. Jogo tnis, hquei sobre a grama, futebol. Nado, leio, escrevo. Sou
pssima em matemtica e sim, atuei um pouco. Mas, quando penso no futuro, eu talvez
v ser s... - Sua voz falhou dramaticamente enquanto ela puxava a cabeleira linda e
loura para o alto da cabea e fazia um beicinho com os lbios com gloss. Depois ela
deixou o cabelo cair em cascata pelos ombros bem definidos. - Cabeleireira? Atriz?
Quem sabe? Provavelmente vou aprender muita coisa, mas no farei nada muito bem.
Serena no sabia exatamente quem estava baixando nela  Liz Taylor como criana
prodgio misturada com um pouco de Lindsay Lohan? -, mas sabia que estava dando
certo. Candice tirou os culos e examinou Serena, como se percebesse pela primeira vez
que Serena podia ser uma puro-sangue, um espcime extraordinrio de ser humano com
uma conformao perfeita, mas tambm uma mimadinha.
- Quer dizer, eu s tenho 15 anos. Como posso saber de alguma coisa? - acrescentou
Serena, olhando o pai. Ele tomou um longo gole do scotch e descruzou e recruzou as
pernas longas e graciosas. Ela sabia que ele resistia a coloc-la sobre os joelhos e lhe
dar umas palmadas. Desculpe, papai, disse-lhe ela em silncio, mas eu no posso ir
agora. Simplesmente no posso.
- Bom, certamente voc tem a aparncia para fazer o que quiser - observou a diretora
Kaplan, os cantos da boca pintadas de fcsia curvando-se de desprazer. Ela deu um
pigarro e rapidamente empurrou os culos para cima do nariz. - Mas voc est se
matriculando tarde, suas notas so apenas corretas e seus testes SAT deixam muito a
desejar. Seu irmo, Erik,  um tesouro absoluto na Hanover... Que esquiador!... Mas
receio que isso no seja o bastante para permitir seu ingresso assim to tardiamente. -
Ela franziu os lbios. - Serena, voc precisa me provar que realmente quer ir.
Serena fitou as botas sem dizer nada. No, no, eu no quero ir!
A diretora Kaplan se levantou e estendeu a mo para o Sr. van der Woodsen.
- Analisaremos a solicitao assim que a recebermos, mas lamento dizer que no posso
prometer nada. Obrigada pelo ch.
Serena se levantou e apertou a mo da diretora, sorrindo feito uma idiota. Assim que a
diretora Kaplan foi embora, o Sr. van der Woodsen sentou-se novamente, endireitando o
plastrom de seda verde e girando o scotch no copo de cristal, visivelmente pesaroso,
- Perdi uma reunio do conselho por isso - observou ele com amargura. Ele fitou a filha,
os olhos azuis frios de mgoa. - Se no quer ir para um colgio interno, por que no diz
simplesmente?
Serena roeu a unha do polegar, sentindo-se totalmente envergonhada. O pai sempre lhe
deu tanto apoio, aparecendo do nada em todas as suas apresentaes e peas escolares
quando ela sempre achou que ele no fazia ideia do que ela andava aprontando. Ela
sorriu para si mesma, lembrando-se da vez na quarta srie em que ela perdeu cinco
dentes numa semana e estava fazendo a segunda filha de A novia rebelde. Sua lngua
ficava saltando pelo buraco na boca e ela mal conseguia falar, que dir cantar um yodel
sozinha.
High on a hill was a lonely goatherd, Lay odl, lay odl lay hee hoo!!
Mas ela foi at o fim da apresentao, a cara quente e vermelha e os olhos molhados de
lgrimas de constrangimento. Depois o pai lhe deu de presente um buqu imenso de
margaridas japonesas do Takashimaya e a levou para o Serendipity para um sundae
gigante de hortel, embora sorvete e restaurantes cheios de crianas gritonas lhe dessem
arrepios.
Ela olhou cheia de esperana para o pai do outro lado da mesa. Ele podia estar
decepcionado, mas era o pai dela e Serena sabia que ele s queria que ela fosse feliz.
- Eu no quero ir, pai - disse-lhe ela, os grandes olhos brilhantes e azuis. - No quero ir
para o colgio interno.
O Sr. van der Woodsen baixou o drinque na mesa e abriu os braos. Ela disparou para
ele, sentando-se em seu colo enquanto fungava em sua gola perfeitamente branca,
sentindo-se de novo uma menina banguela de 9 anos. Ela adorava o cheiro do pai - de
couro bem azeitado, limas frescas e scotch.
- Est tudo bem - disse ele tranquilizador, afagando suas costas. - Se no quer ir, ento
no ir.
Serena suspirou fundo e brincou com um dos botes dourados do palet esporte do pai.
Ela mal podia esperar para contar a Nate que ia ficar. Agora no havia nada que os
separasse. Seu celular zumbiu onde ela o deixou, no encosto da poltrona de couro, e ela
mergulhou para ele como se fosse um salva-vidas. Natie? No, s outro texto da Blair.
Ah, ela.
PRECISO DE UMA CALCINHA LINDA PRA VC SABE QUEM. BARNEYS MAIS
TARDE?
Serena atirou o telefone na bolsa Balenciaga preta xadrez e vestiu o casaco framboesa.
Estava cansada de mentir.  claro que no queria que Nate fosse quele baile com a
L'Wren cara-de-pau, mas tambm no queria ler mais textos sobre Blair precisando de
calcinha sexy para ele. Blair era sua melhor amiga. Estava na hora de dizer a verdade,
de elas pararem com essa farsa, comearem a planejar o vero e encontrarem um
namorado perfeito para Blair. Claro que ela ia ficar meio amuada, mas quando Serena
contasse como os homens eram maravilhosos na Holanda, ela ia superar.
Claro que ia.




" uma p... de pequeno prncipe", disse a lagarta  borboleta

- Jenny, escute s isso. - Dan tirou um trago do quarto Camel sem filtro do dia e deu um
pigarro. - Seu cabelo  da cor do ouro. Pense como ser maravilhoso quando voc me
cativar! O trigo, que tambm  dourado, me far pensar de novo em voc. E eu amarei
ouvir o vento no trigal... - ele parou de ler e olhou a irm, que estava deitada de bruos
na sala de estar empoeirada, desenhando num bloco com bastes grossos de carvo. - 
o tipo de coisa que eu queria dizer. Eu sou tmido demais, mas num poema  diferente.
 como se tudo fosse uma metfora, e mesmo que voc realmente diga o que quer, no
h nada de constrangedor nisso, porque  o poema falando. Entendeu?
Jenny fitou o irmo por um segundo e voltou a borrar os olhos de anjo a carvo. Ela no
fazia ideia do que Dan estava falando, mas sabia que ele se sentia melhor tagarelando
daquele jeito, e assim no disse nada. Neste sentido, ela e Dan eram parecidos. Em
pblico, eles pareciam tmidos. Em casa, no se conseguia fazer com que calassem a
boca.
- Isso  do Pequeno prncipe, de Antoine de Saint-Exupry. Ele  francs. Isso  uma
traduo. - Dan deu outro trago no cigarro e folheou o livro fino de segunda mo com
suas delicadas ilustraes em preto e branco. Ele agora fumava regularmente,
cultivando sua imagem de um poeta angustiado. At agora, o pai no falara nada sobre o
assunto, mas ele precisava de muito tempo para perceber as coisas. - Parece um livro
infantil, mas na verdade esta  uma obra existencial profunda. E tambm  romntico...
Ele se apaixona por essa rosa, mas sabe que no pode ter um caso de amor com ela. Mas
ele a ama. No consegue deixar de am-la.
Jenny mal escutava. Evidentemente tudo o que Dan dizia tinha alguma relao com sua
obsesso por Serena. Ontem ela percebeu que parte dos desenhos de anjo no estava em
seu portflio. Ela irrompeu no quarto dele e os encontrou presos com tachinhas na
parede. A falta de vergonha na cara dele era ridcula.
- Eu tenho orgulho do seu trabalho - disse-lhe ele na defensiva quando ela apontou o
que ele pegou sem pedir.
T legal.
Jenny deixou que ele ficasse com os desenhos, embora se preocupasse um pouco que o
irmo mais velho estivesse se transformando num psicopata e tivesse iluses de que um
dia Serena apareceria na cozinha e o convidaria para sair.
Ah, se fosse assim.
Dan continuou a ler. O Sr. Sohn, professor de histria na Riverside Prep, passara O
pequeno prncipe para ilustrar o que as pessoas criativas estavam fazendo e no que
pensavam durante o regime nazista. O Sr. Sohn era gente boa. Sempre que podia, ele
gostava de demonstrar que voc no precisaria ser um advogado tedioso ou corretor de
valores quando ficasse mais velho. Ele tentava introduzir modelos como este, de
Antoine de Saint-Exupry, que foi piloto da marinha e tambm um filsofo-escritor-
ilustrador incrvel. Ele parecia to elegante  at o nome dele era elegante.
- Antoine de Saint-Exupry - recitou Dan, rolando-o na lngua com um sotaque francs
teatral.
Jenny voltou a olhar do desenho para o irmo.
- Voc precisa de amigos.
-  a que eu entro - veio do corredor uma voz rouca de mulher. Rufus apareceu na
soleira da porta da sala com a cala Adidas laranja e uma camiseta de flanela de xadrez
verde e vermelho. Doa nos olhos de Dan olhar para ele.
- Acabo de voltar de minhas compras de aafro para minha paella com tinta de lula e
encontrei essa linda careca no saguo  disse ele a Dan com uma piscadela boba. - Ela
no  loura, mas eu a convidei a ficar para jantar assim mesmo.
Dan fechou o livro e se levantou.
- Vanessa?
Rufus deu um passo para o lado, permitindo que Vanessa entrasse na sala.
- Oi - ela cumprimentou Dan e depois olhou para Jenny.  Oi. - Ela no sabia por que
tinha vindo sem telefonar nem nada. Ela s andou pensando muito nele e desconfiava de
que Rufus tinha se esquecido de dar o recado a Dan, uma vez que ele no retomou a
ligao. Talvez ele s fosse supertmido.
Tudo isso  motivo para ser mais agressiva.
- Devo suportar a presena de duas ou trs lagartas se quiser me familiarizar as
borboletas - citou Rufus, apontando o livro de Dan.
Ento foi da que ele herdou, pensou Vanessa. O pai era um f de literatura.
Jenny se sentou e cruzou as pernas. Ela ainda estava com o uniforme azul-marinho
pregueado da Constance, mas tinha trocado a camisa plo branca e sem graa por um
top preto que mostrava maravilhosamente seus novos peitos. O cabelo crespo e escuro
fazia ccegas nos ombros nus, de modo que ela parecia uma espcie de Medusa pbere.
- Ei, voc  da minha escola - observou ela com insolncia.   do segundo ano. Voc
conhece a Serena?
Vanessa se sentou no cho diante de Jenny e de costas para Dan, que ainda estava
sentado no surrado sof de couro marrom.
- Talvez voc possa me dizer - comeou ela num tom confidencial  por que todo
mundo  to obcecado por Serena.
Rufus parou na soleira da porta. Em silncio, Dan rezou para que o pai no dissesse
nada de constrangedor sobre Serena ser basicamente o nico assunto de Dan e Jenny.
Era meio estranho para qualquer um deles ficar falando de uma pobre inocente que
morava do outro lado da cidade e nem fazia ideia de que eles existiam.
Mais ou menos.
- Ela  perfeita - respondeu Jenny por fim com sinceridade enquanto escolhia um novo
basto de carvo.
Vanessa revirou os olhos e Rufus pediu licena para se concentrar em sua paella.
- Muito bem, est na hora de mudar de assunto  declarou Vanessa, enfiando a saia
marrom pregueada do uniforme por baixo dos joelhos amorfos e plidos, que sem
dvida no eram seu melhor atributo. Ela apontou os desenhos a carvo de Jenny.  O
que  tudo isso?
Jenny mordeu o lbio. Ela sabia que Vanessa era uma espcie de artista. Suas fotos
arrepiantes e deprimentes em preto e branco das pessoas no metr estiveram em
exposio no corredor do laboratrio de cincias o inverno todo.
- Entrei naquele concurso de projeto dos hinrios. Aquele que a Sra. M colocou um
aviso, sabe? Devia ser s para as meninas mais velhas, mas a Srta. Monet meio que me
fez entrar. Sei l. Acho que  uma boa prtica.
Vanessa pegou um dos desenhos para ver mais de perto e o examinou. Jenny tinha a
misteriosa capacidade de ser boa com o carvo. Suas linhas eram to precisas que era
como se ela estivesse copiando alguma coisa.
- Voc vai vencer - garantiu-lhe Vanessa. - Vai vencer total.
Jenny gostou dela de imediato. Ela a havia percebido antes sempre teve um pouco de
medo de Vanessa, em especial agora, que estava careca. Mas ela no era de dar medo,
era s... confiante. E tinha peitos bonitos. No eram imensos, mas sem dvida se
destacavam. Jenny empinou o peito e olhou para si mesma, procurando por sinais do
colo.
- No  l um visual muito bom - observou Vanessa.  Os tomara que caias deviam ser
ilegais.
- Obrigado - concordou Dan, unindo os joelhos nodosos e brancos. Era estranho o modo
como Vanessa apareceu inesperadamente e depois passou o tempo todo falando com a
irm dele. Mas ele estava grato por ela no ter percebido que ele estava sentado ali s de
cueca samba-cano branca Fruit of the Loom, que era o que ele sempre usava estava
fazendo o dever de casa.
- Eu meio que estou fazendo um experimento com meus... peitos  explicou Jenny,
puxando o top para cima. - Estou tomando uns suplementos e todo dia, quando chego
em casa, coloco esse top e me meo. Est dando certo. J passei de nmero nenhum
para P, e estou s no quarto dia.
- Meu Deus. - Dan escondeu o rosto nas mos.
- Silncio a, capito Cuecas - rebateu Vanessa, rindo consigo mesma. O tempo todo em
que esteve sentada ali, ela estava ciente da presena de Dan atrs dela. Fazia com que se
sentisse frvola, despreocupada e eltrica. - Jenny - disse ela, um pouco mais a srio 
voc tem o qu, 12, 13 anos?
Jenny assentiu.
- Estou no stimo ano.
- Posso ver os suplementos que est tomando?
Jenny correu para pegar o frasco de suplementos escondido embaixo da colcha rosa
Target Shabby Chic de sua cama. Ela nem acreditava que contou a Vanessa sobre os
comprimidos para aumentar os seios, mas era meio legal compartilhar. Talvez a
segundanista careca que usava Doc Martens pretos fosse a soluo para seu vazio de
no ter me nem irm mais velha.
- Ainda no terminei de falar com voc - informou Vanessa a Dan enquanto eles
esperavam que Jenny voltasse. - No elevador, seu pai me disse que voc escreve
poemas. Estou criando uma revista de artes da Constance e voc devia ver as porcarias
que esto aparecendo. Se seus poemas forem bons, quero publicar.
A cara de Dan ficou vermelha feito uma beterraba. Todos os poemas dele eram sobre
Serena.
- Aqui esto. - Jenny disparou de volta  sala e entregou o saco de plstico branco a
Vanessa.
Vanessa o virou e leu o rtulo em voz alta.
- Inhame, feno grego, raiz de macca, cevada, ginseng, biotina, alga marinha, gelatina.
Parece muito saudvel, mas eu no fao ideia do que seja raiz de macca. - Ela abriu a
tampa e cheirou. - At tem um cheiro bom. - Ela fechou a tampa e devolveu o frasco. 
No acho que essas coisas vo fazer mal a voc. Os ingredientes parecem muito o que
minha irm maluca come toda noite no jantar. Ela  macrobitica. Mas minha teoria 
de que seus peitos vo continuar crescendo sem essas coisas. Pode acreditar, no final do
stimo ano passei de totalmente achatada a isso. - Ela ergueu a camiseta preta e revelou
seus robustos peitos tamanho M encerrados num suti preto de algodo feito pela
Playtex para a Kmart. - Sei que no so imensos, mas tenho certeza de que ainda esto
crescendo.
Atrs dela, Vanessa praticamente podia ouvir o suor pingando das palmas das mos de
Dan. Meu Deus, ele era uma graa.
Dan no queria que Vanessa fosse embora, mas queria que eles falassem de outra coisa
e que Marx, o gato, ou algum pudesse causar algum distrbio para ele poder ir
correndo at o quarto, vestir uma cala, queimar o caderno preto, rasgar os desenhos de
anjo e se livrar do cheiro de sei l o que Rufus estava cozinhando. O ar fedia a cera de
ouvido condimentada.
Jenny franziu a testa para o pote grande de suplementos.
- Ento acha que devo parar de tomar? As instrues diziam que os resultados totais s
vo ocorrer depois de voc tomar por pelo menos trs meses.
Vanessa a fitou, percebendo agora que Jenny falava a srio sobre os peitos. Obviamente
ela pensou muito no assunto e fez muita pesquisa.
- Acho que devia parar de tomar por uma semana, mas continuar se medindo. Se
continuar crescendo, vai saber que  voc, no os comprimidos. Pode acreditar, o corpo
 capaz de umas coisas bem doidas.
Dan se remexeu pouco  vontade no sof. Ele no queria ouvir mais nada sobre os
peitos da irm.
- J terminamos com essa discusso? - perguntou ele grosseiramente.
Jenny no tinha certeza.
- Vou pensar no assunto - concordou ela, insegura, e levou os suplementos para o
quarto. Ela no gostava de ouvir o que devia fazer de algum que mal conhecia, mas
Vanessa tinha plantado uma semente de dvida. Afinal, em algumas fotos da famlia,
sua me tinha um volume e tanto. Talvez, se ela esperasse que a Me Natureza fizesse
sua parte, ela tivesse peitos ainda maiores.
- Tudo bem, senhor pelado. - Vanessa girou e bateu na coxa nua de Dan. - Me mostre
suas coisas.
Corando violentamente, Dan pegou a mochila e com relutncia lhe entregou o caderno.
Se eles iam ser amigos, era inevitvel que ela lesse os poemas dele. E descobrisse sua
obsesso por Serena. Sua debilidade tambm ficaria evidente, mas isso tambm era
inevitvel.
Vanessa colocou o caderno de capa preta no colo e folheou as pginas. Ela se interessou
por um daqueles posteriores ao Dia dos Namorados. Depois de eles se conhecerem.

Diga
Califrnia, nunca estive l
Algum fuma na Califrnia?
Eles so limpos, puros, eles beijam de lngua?
Eles usam preto como voc?
V6c me conhece?
Acho que a conheo.
Acabamos de nos encontrar mas
Suspeito de que voc sabe muito
Do que espreita por baixo
Desta pedra.
Ei, Viva Negra,
Me pique.

Vanessa leu o poema todo duas vezes com uma certeza quase absoluta de que o poema
era sobre ela. Ele at meio que se amoldava a ela. Eles usam preto como voc? Ansiosa
para ler mais, ela virou a pgina.

Vire seus olhos brilhantes
Eu sei que 
Uma msica vagabunda dos anos 80
Mas combina com voc
Posso at imaginar
Voc com camiseta, arrasto anos 80
O cabelo louro todo estranho
Sentada na minha cama
Pintando minhas unhas
E mascando chiclete
Sopre uma grande bola
Me masque e me cuspa

Ela no tinha cabelo louro, mas talvez Dan tenha imaginado que seu cabelo era louro
antes de ela raspar.
Uma cabea raspada deixa muito para a imaginao.
Ela voltou ao poema anterior, de que gostou mais.
- Posso publicar esse? Eu no usaria seu nome, uma vez que devia ser s para alunas da
Constance. Posso dizer que  Annima. Voc ficar famoso - prometeu ela com um
sorriso tmido.
Dan retribuiu lentamente o sorriso. Vanessa basicamente estava lhe propondo uma
forma segura de levar seu recado a Serena. Ela leria os poemas e aos poucos lhe
ocorreria que foram escritos para ela. Depois, Jenny deixaria escapar que a Annima era
na verdade seu irmo mais velho poeta e lindo, e seu caso de amor dos sonhos
comearia.
- Jantar! - berrou Rufus da cozinha.
- Vou fazer cpias e dar a Jenny para levar  escola.  Dan pegou o caderno de Vanessa
e se levantou.  Pode ficar para jantar. Mas tenho que te avisar, a culinria do meu pai 
totalmente biruta. Em geral Jenny e eu fingimos comer e depois compramos donuts ou
coisa assim.
Vanessa olhou radiante para ele. O apartamento dos Humphrey no era to elegante e
cheio de livros como pensou que fosse.  claro que havia muitos livros, mas estavam
empilhados no cho em montes poeirentos e no havia um nico vaso de flores  vista.
O lugar provavelmente no recebia uma limpeza h pelo menos dez anos. Ainda assim,
ela estava apaixonada por toda a famlia, em especial por Dan. Tinha certeza de que
podia comer qualquer coisa, se isso significasse ficar sentada ao lado dele, vendo o jeito
lindo como as mos de Dan tremiam enquanto ele lutava com o bife.
Ou com os ovos flambados com nozes carameladas e presunto.




b de barbarizar e p de purgar
As portas do elevador de painis de carvalho se abriram para o foyer dos Waldorf.
Bloqueando o caminho de Blair, havia um pequeno transportador de animais xadrez do
qual emanava um miado melanclico. Blair atirou o cardig TSE azul-marinho no
guidom da scooter Razor prata do irmo Tyler e se curvou para examinar o
transportador. Um minsculo gatinho cinza-azulado a fitou de dentro com os olhos
azuis cheios de esperana.
- Est tudo bem, gatinho - tranquilizou-o Blair. Ela abriu o transportador para soltar o
gato e aninh-lo nos braos. Uma folha de papel de carta Crane com listras douradas e
creme do pai estava dobrada dentro do transportador. Ela a pegou e abriu o bilhete,
lendo enquanto o gatinho amassava as patas em sua mo.

Minha querida Ursinha Blair,
Como sabe, sua me e eu estamos nos separando. No deve ser surpresa que eu tenha
decidido me mudar. Sei que ser difcil, e assim estou lhe deixando este lindo gatinho
Russian Blue para lhe dar algum consolo. Ele  muito bonzinho. Abrace-o e pense em
mim.
Eu te amo, minha Ursinha. Ligarei em breve.
- Papai

Blair releu o bilhete, apertando tanto o gatinho que ele se espremeu para sair. No deve
ser surpresa... ? Que porra era essa?!  claro que sua famlia nunca foi de dizer o que
tinha em mente, mas o pai simplesmente se levantou e foi embora? Mudou-se, como se
no fosse grande coisa, abandonando suas responsabilidades para com a famlia, os
filhos, a primognita? Ser que a me dela percebeu que ele foi embora?
Blair ficou tentada a atirar o gatinho na parede, mas seu corpinho cinza era to peludo e
inocente que ela no conseguiu. O pelo era mais macio do que o do casaco de mink da
me, como de um mink recm-nascido. Ela o segurou diante do rosto e colocou o nariz
em sua testa cinza e peluda.
- Minha coisinha perdida Kitty Minky - piou ela dramaticamente e o levou pelo corredor
at o quarto. Muito em breve sua cama ia ficar um tanto abarrotada, com Nate dormindo
ali o tempo todo, mas at l podia haver espao para um filhote de gato. Ela o deixou
confortvel nos travesseiros de seda rosa, afagando-o com o indicador trmulo. Estava
morta de raiva do pai e to triste que tinha vontade de atirar a moblia do quarto pela
janela.
- Papai me deu um presente bem legal - ela ouviu o irmo Tyler de dez anos, falar da
porta. - O que voc ganhou?
Blair assentiu para Kitty Minky, o nome que decidiu dar ao filhote. Ele estava
enroscado numa bola cinza e ronronava satisfeito. Tyler pulou na cama e puxou o
gatinho de lado, esfregando vigorosamente sua barriga rosada e matando a coisinha de
susto.
- Ele me deu uma coleo de discos de vinil e um toca-discos Zenith vintage incrvel.
Toda a coleo pertencia quele DJ famoso que est na priso ou coisa assim. Cara, 
radical.
Tyler estava praticamente ofegando de to animado. Um dia ele queria ser um DJ
famoso e passava muito tempo em seu quarto, cultivando seu status de nerd, jogando
Xbox e ouvindo Led Zeppelin com fones de ouvidos gigantescos como um dos Little
Einsteins com defeito. Ainda assim, havia algo de incrivelmente triste na empolgao
dele, como se ele tentasse ao mximo no chorar e parecer mais animado. Deu tanta
raiva em Blair que ela achou que ia explodir. Que se foda sua famlia de fodidos.
Ela pegou Kitty Minky nos braos e o apertou ternamente no peito.
- A mame est em casa?
Tyler deu de ombros e chutou violentamente as sandlias douradas Sigerson Morrison
de Blair pelo quarto s pelo prazer de fazer isso.
- Fazendo compras - respondeu ele monotonamente.  Papai levou as taas de
champanhe preferidas dela - acrescentou ele.  Aquelas Baccalaureadas.
- Baccarat - corrigiu-o Blair. Os dois irmos trocaram um olhar, meio solidrios, meio
desafiadores, mas nenhum deles estava disposto a abrir o corao com o outro. Blair
abraou ainda mais no peito o novo gatinho. Tyler se levantou e pegou um pedao de
chiclete Doubleminty na embalagem na mesa. Colocou na boca e largou o papel no
cho.
- Sai daqui, seu porco - ordenou Blair, como fez mil vezes na vida. No, no haveria
lgrimas. No antes que ela fechasse a porta, depois que o irmo sasse. E botasse o gato
no cho e...
Blair disparou para o banheiro, ajoelhou-se diante da privada reluzente de porcelana
branca e colocou o dedo mdio na garganta at sentir nusea. Lgrimas escorriam por
seu rosto enquanto ela vomitava o iogurte com alface e limo que tinha comido com
Serena no refeitrio da Constance, o croissant e o chocolate quente que consumira no
caf da manh com os pais, a omelete de queijo e fritas que Myrtle fizera para ela e
Tyler de jantar na noite anterior e cada refeio que fez na vida. Foi como se houvesse
alguma coisa terrvel por dentro e ela tivesse de expulsar, livrar-se dela. E embora a
parte do vmito tenha sido feia, nojenta, dolorosa e vergonhosa, ela se sentiu melhor de
imediato. Melhor de verdade.
A porta do banheiro se abriu. Da ponta da cama, Kitty Minky a fitava com os olhos
grandes e curiosos. Suas macias orelhas cinza viravam para frente e para trs, como se
ele tentasse entender o que Blair fazia de joelhos diante da privada. Depois a porta do
quarto se abriu e Serena entrou, parecendo corada, feliz e pronta para ir s compras. Ela
parou e fitou Blair.
- o que est fazendo?
Blair se levantou, deu descarga rapidamente e jogou gua fria no rosto. Depois
espremeu um pouco de Colgate no dedo, passou nos dentes e na lngua e enxaguou com
um pouco de gua morna. Pronto, assim estava melhor. Ela voltou para cama e pegou
Kitty Minky nos braos.
- Meu pai saiu de casa - explicou ela, estendendo o gatinho para a amiga a fim de
distra-la do que acabara de ver.
Serena examinou a bola de pelos cinza, segurando-o delicadamente nas mos longas e
magras. No txi, a caminho da casa de Blair, ela estava toda animada para contar 
amiga que tinha beijado Nate; que pensou que os pais dela iam mand-la para o colgio
interno, mas agora, graas a Deus, no iam mais; que lamentava por no contar nada
disso a ela antes. Elas ainda podiam se divertir evitando que Nate fosse ao baile de
debutantes com L'Wren, s que Blair no ia ficar com ele porque ele e Serena j
estavam juntos. Serena estava louca para ver Nate e contar as boas novas, beij-lo,
beij-lo e beij-lo...
Mas agora essa. O pai de Blair foi embora. Ele lhe deu um gatinho como pedido de
desculpas e Blair vomitou de propsito por causa disso. Serena passou a cara no pelo
macio e quente de Kitty Minky. Mesmo que no fosse mais para o internato, seus dias
de atriz estavam comeando. Ela ia ter que continuar fingindo que queria ajudar Blair a
ficar com Nate, quando no tinha inteno nenhuma de fazer nada disso. Nate era dela;
ele j deixou isso claro.
E justo quando ela estava planejando dar essa notcia especial?
Com cuidado, ela botou Kitty Minky na cama. Depois abraou Blair.
- Vamos.  a semana ps-Dia dos Namorados. Acho que tem umas coisas na Barneys
que podem estar em liquidao.
Como se uma das duas um dia tivesse comprado alguma coisa em liquidao.
Blair calou um par de mocassins Tod's de veludo preto e borrifou gua Evian no rosto.
Se pai a levou ao primeiro Quebra-Nozes e a ajudou a escolher o primeiro par de
Manolo Blahniks, mas Blair tinha coisas melhores para fazer do que se lamentar. Se
finalmente ia tirar as roupas com Nate, precisava de uma lingerie decente para a
ocasio.
E no havia melhor cura para a melancolia do que a Barneys.




garotos chapados podem ler nas entrelinhas

Nate estava em sua ala da casa dos Archibald, dividindo um baseado com Jeremy,
Anthony e Charlie no novo cachimbo azul que comprou numa tabacaria na 14 Leste. As
janelas estavam abertas para deixar a fumaa sair e os meninos se sentaram juntos numa
roda fechada em volta do cachimbo, como escoteiros em tomo de uma fogueira.
- Cara, daqui a dois dias voc vai ser El Capitn!  observou Jeremy. Ele passou a Nate
a engenhoca azul que parecia um tubo, bateu os punhos no peito e bufou pelas narinas
como um gorila excitado. Osamigos de Nate agiam como se estivessem transando com
meninas mais velhas desde a terceira srie, mas a verdade era que eram virgens totais,
desfrutando por tabela da emoo do encontro de Nate com L'Wren.
Nate sorriu para a abertura do novo cachimbo. Era 15 centmetros maior do que o feito 
mo de Jeremy e o deixou totalmente doido depois de meio tapa. Mesmo sem o
estmulo dos amigos, Nate se sentia completamente atiado. Estava louco para
finalmente transar. Era este rito imenso de passagem com que fantasiava todo menino e
estava prestes a acontecer com ele. Ele se levantou e pegou o iMac grafite na mesa.
- Ela me manda um e-mail quente todo dia - ele se gabou, ligando o laptop e clicando na
caixa de entrada.  claro que uma nova mensagem de L'Wren encimava a lista.

De: lwren@knowes.com
Para: narchibald@stjudes.edu
Assunto: Pensando em vc
Data: Quarta-feira, 19 de fevereiro, 16:18

Natie, meu amor,

S mais dois dias at eu tirar sua gravata-borboleta e atirar suas
cuecas pela janela. Prepare-se para se divertir muito com uma garota
que sabe o que faz, porque  como dizem, a prtica faz a perfeio!!

Estou feliz por ser voc e voc vai ficar feliz por eu eu. ;)

- L'Wren

Os meninos riam e sopravam anis de fumaa enquanto Nate lia a mensagem em voz
alta. Depois ele clicou na mensagem abaixo.

De: svanderwoodsen@constancebillard.edu
Para: narchibald@stjudes.edu
Assunto: Ns
Data: Quarta-feira, 19 de fevereiro, 15:05

Oi, Natie,

s queria que voc soubesse que ainda no contei e Blair porque acho
que no devo. Talvez eu seja uma covarde, mas acho que ela est
passando por dificuldades com a famlia e no quero que ela fique mais
triste. Podemos meio que fingir que no est acontecendo nada por um
tempo at que as coisas fiquem menos doidas?

Voc sabe que eu te amo,

-S

- Est vendo?  dessa porra que eu estou falando!  gritou alegremente Jeremy Scott
Tompkinson, apontando a tela enquanto lia por sobre o ombro de Nate. Ele colocou o
cachimbo nas mos de Nate e leu a mensagem para os outros enquanto Nate dava outro
tapa de estremecer.
- "Meio que fingir que no est acontecendo nada"?  repetiu Jeremy com um revirar de
desdm dos olhos castanhos injetados.  Serena  uma loucura e tudo, mas ela est
levando voc para a estrada dos tijolos amarelos para a terra-do-nunca-se-trepa - exps
ele com uma intensidade de chapado. - A garota da faculdade j tirou a roupa. Voc s
precisa ligar e bam!... Sua virgindade faz parte de sua infncia de bochechas rosadas. -
Ele bateu os punhos no peito de novo.  El Capitn, lembra? A porra do El Capitn!
Nate deu outro tapa, a cabea girando da falta de oxignio e uma overdose de tetra-
hidrocanabinol. Ele no tinha certeza do que Serena quis dizer a respeito de Blair, mas
depois percebeu que no via Blair desde a manh depois da festa de Dia dos
Namorados. Talvez ela no estivesse saindo porque as coisas estavam ruins com sua
famlia e ela no estava com vontade de falar nisso.
Ou talvez ele s estivesse doido demais para perceber que se passara quase uma
semana inteira sem que eles se falassem.
Nate passou as mos no cabelo castanho-dourado ondulado. Se a famlia de Blair estava
com problemas de verdade, isso era ruim. E era um amor que Serena no quisesse virar
o carrinho ou entornar a sopa, ou sei l como era a expresso. Ele se lembrava de
quando no estava to chapado. Mas nada disso significava que ele no ia em frente e
perderia a virgindade com L'Wren, n?
Charlie deu de ombros.
- Mas a Serena  muito gata  observou ele, pegando o cachimbo de Nate.
- Ela  uma deusa daquelas  concordou Anthony.  Mas aposto que vai ficar virgem
at, tipo assim, os 69 anos. 69... r!... Entendeu? Depois ela vai virar freira. As mulheres
bonitas demais nunca ficam na horizontal.
Isso  verdade?
Nate pegou o cachimbo de volta e o fitou, sem dar outro trago nem nada, s segurando
porque era dele e ele gostava. A gua dentro do cachimbo era de uma cor cinza-azulado,
quase preta. Ele no gostava de falar de mulheres com os amigos. S o fazia querer estar
com as mulheres de quem estavam falando. As mulheres tinham um cheiro bom e o
faziam se sentir bem. Ele gostava muito delas.
Suspiro. Apesar de sua negligncia, ns tambm gostamos muito dele.
O Nokia de Nate tocou e vibrou no bolso e ele o arrastou com os dedos de borracha que
pareciam pertencer a outra pessoa. A palavra Blair assomava na telinha do aparelho.
- Ela detona - ele atendeu, depois riu. O mundo que se danasse, ele estava doido de
verdade.
- Natie? - respondeu Blair com a melhor voz de Marlin Monroe, sedutora, lamurienta e
infantil. -Adivinha onde estou.
- Onze? - balbuciou ele. Ele mal conseguia falar.
- Na sala de provas da Bergdorf's. Nua - disse ela com cinismo.
- Eba! - respondeu Nate alegremente. Ele podia imaginar. Toda uma sala de provas
cheia de mulheres nuas. -  disso que eu estou falando!
- Mas ento, Serena e eu queremos, tipo assim, que voc se prepare para o lance das
debutantes, entendeu? Tipo ajudar voc a amarrar a gravata-borboleta e pentear seu
cabelo? A gente encontrou com o Chuck pegando o smoking. Ele vai levar uma garota
ao baile tambm e disse que vai dar uma pr-festa na sute dos Bass no Tribeca Star!
No parece timo? Vamos preparar voc na festa do Chuck, t? Vai ser divertido!
A voz de Blair parecia muito a voz de adultos naqueles desenhos do Charlie Brown -
"ua ua ua" -, mas Nate entendeu a essncia do que ela dizia. Elas queriam vesti-lo para a
festa de deix-lo pronto, meio como aquelas guas provocadoras que os criadores usam
nos haras de Kentucky. Ele foi a uma fazenda de criao de puros-sangues numa
viagem para ver o Kentucky Derby com o pai e tinha visto uma das netas do Secretariat
ser coberta. Primeiro o cara da fazenda cercava o garanho com guas no cio para ficar
todo ligado. Depois eles levavam o garanho excitado para trs da neta de Secretariat e -
ela detonou! Nate riu ao telefone.
Natie?
- T. Tudo bem - gaguejou ele. - A gente se v l  acrescentou ele antes de desligar.
Depois ele bocejou e esticou os braos, sentindo-se particularmente garanho e
msculo. Ele se levantou, colocou com cuidado o cachimbo novo em cima da mesa e
arrotou.  Algum sabe alguma coisa sobre camisinhas?
Os trs amigos rolaram no cho, gargalhando e dando socos fracos um no outro.
- Excurso! - gritou Charlie.
-  farmcia! - acrescentou Anthony.
- El Capitn! - rugiu Jeremy com a voz rouca.
- Ela detona - Nate se arrebentou de rir de novo.
Os meninos so to idiotas. O triste na histria  que quanto mais idiotas eles so, mais
ns os amamos.
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Advertncia: Todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e eventos foram
alterados ou abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                       oi, gente!

as debs

Caso voc realmente no saiba o que  uma debutante ou por que essas coisas ainda
existem, embora vivamos nos tempos modernos e a maioria de ns precisa ir para
faculdade ou ter uma profisso e usar mais terninhos - terninhos perfeitamente elegantes
e lindamente benfeitos - do que vestidos de tafet bufantes, vou dar umas informaes,

Segundo o dicionrio: debutante (s) - menina ou mulher que faz uma estreia, em
especial na alta sociedade.

Trata-se s de nossos pais querendo achar que criaram alguma coisa to puro-sangue
como um cavalo de corrida e to casta como uma santa, quando na verdade todas as
debutantes ficam terrivelmente bbadas antes, durante e depois do baile, trocam de
acompanhantes e, como acontece com qualquer outro evento social, o que interessa so
as festas antes e depois do baile. Este ano o onipresente C far as duas coisas em sua
sute na cobertura da famlia no Tribeca Star Hotel. A ideia  levar sua roupa e se vestir
na pr-festa, ir ao baile, depois voltar para a sute com seu acompanhante ou outra
pessoa e se desvestir. Como C est nos lembrando constantemente, a hidro est sempre
quente.
E caso voc esteja preocupada com o que usar em ocasies assim, no se preocupe.
Espere alguns dias; voc chegar da escola e encontrar seu quarto absolutamente cheio
de vestidos de alta costura de cada estilista que apareceu na edio do ms da revista W.
Pelo menos  o que vai acontecer comigo. Isto , quando eu fizer meu debut, ou "estreia
na sociedade", como se chama com mais frequncia. At parece que eu estreio. Estreie,
estreie, quem quer que voc seja! Deixa pra l. De qualquer forma, os melhores de ns
ainda no esto l - precisamos de alguns anos. Como o bom vinho, ficamos melhor
com a idade.

flagras

S e B vestindo-se de cetim branco e renda preta na Barneys, Bergdorf's e Bendels nos
departamentos de lingerie. Se La Perla embargasse a remessa de suas calcinhas e sutis
para os Estados Unidos, essas meninas continuariam bem abastecidas durante anos.
Imagino que elas sintam o mesmo que eu: o vestido  importante, mas o que voc usa
por baixo do vestido  crucial. V tirando fotos de gente se beijando na rua. Estaria se
sentindo meio romntica? D vasculhando o departamento de sutis com a irm, J, na
Bloomingdale's. Esse menino merece uma medalha de ouro. C se salvando no bar do
Tribeca Star enquanto entrevistava debutantes para o acompanhar no baile da semana
que vem. Em geral no  o contrrio?  claro que nenhuma das debutantes falava ingls
e uma delas tinha presas no lugar dos dentes, mas todas eram princesas genunas de
terras distantes. Como sempre, ele vai ter de onde escolher. Algumas coisas no mudam
nunca. A me de B na Baccarat, encomendando cristal como uma noiva. De l ela foi
para a Gucci, Dior e ABC Carpet and Home. Que engraado, todos so lugares onde o
marido dela tem conta. Que bom que ela encontrou uma forma saudvel de espairecer.

seu e-mail

P: Cara GG,
Estou to animada por ser debutante, mas meu acompanhante  um man. Como posso
me livrar dele?
- prdmary

R: Cara prdmary,
Um acompanhante e s isso, um acompanhante. Ele leva voc ao baile, voc dana com
ele uma vez, depois voc dana com todo mundo e o perde de vista oh-to-casualmente.
No existe nenhuma regra dizendo que o acompanhante deva acompanh-la para casa.
- GG

P: Cara GG,
Eu ando muito triste ultimamente. Me d algum propsito. E no diga que o vero est
chegando, porque isso vai me deprimir ainda mais.
- depr

R: Cara depr,
Tenho certeza de que seu aniversrio deve estar chegando uma hora dessas nos
prximos 12 meses. Feche suas botas Jimmy Choo mais pontudas, pegue um txi para a
Madison Avenue e s pare de encher sacolas de compras com artigos frvolos quando
comear a se sentir feliz de novo.
- GG

Hora de a gente se vestir, galera

                                    Pra voc que me ama,

                                        gossip girl




s e b criam a distrao definitiva
A sute dos Bass no Tribeca Star era grande o bastante para servir de habitao. Era o
local perfeito para uma festa - chique e moderno, com sofs de veludo cinza-
acastanhado de bom gosto, painis de cerejeira, carpete creme e cama king size, duas
imensas TV de plasma e um generoso bar. A principal atrao era a banheira gigantesca
de hidro, situada numa espcie de antessala entre a sute master e o banheiro, atrs de
uma imensa porta corredia de vidro fosco. Em geral,a porta ficava aberta para que os
convidados circulassem livremente entre o sof, a cama, o bar e a hidro levando garrafas
de champanhe, os corpos molhados enrolados frouxamente nas toalhas brancas de
algodo egpcio do hotel.
Eram seis da tarde de sexta-feira, a noite em que Nate ia acompanhar L'Wren Knowes
ao baile de debutantes; a noite em que Nate pretendia finalmente perder a virgindade e
se tomar homem; a noite que Serena e Blair planejaram a semana toda.
Elas chegaram cedo na sute. Serena levou metade do armrio de bebidas dos pais e um
pacote de Gauloises. Blair tinha ostras Fresh Durect, morangos com chocolate Godiva e
salgadinhos Triscuits. A ideia era encher Nate de afrodisacos, lcool e uma aura geral
de seduo, levando-o a ficar to distrado que se esqueceria completamente de L'Wren,
do baile e da primeira vez dele.
Mas era melhor que fossem uns afrodisacos fortes!
A companheira de Chuck no baile era a condessa italiana de 20 anos Donatella Juliet de
la Varga, herdeira da fortuna em azeite de oliva dos Varga. A condessa era
incrivelmente bonita, com cabelo cor de mbar na altura dos quadris, olhos cinza-
pombo, uma pele azeitonada impecvel, pernas interminveis e a proporo busto-
cintura-quadris 90/60/90 de uma modelo da Victoria's Secret. Para completa alegria de
Chuck, a condessa estava to acostumada a ficar de topless nas praias de toda a Europa,
que no achou nada demais andar pela sute sem o suti, pedindo conselhos sobre que
sandlias Prada douradas de salto alto ela deveria usar no baile. Infelizmente, seu ingls
era to limitado que ela s conseguia se comunicar dizendo coisas equivalentes a "OK",
"Legal!" e "Demais, n?", o que a fazia parecer um tanto retardada, mas aumentava seu
fascnio.
 difcil ter inveja de algum, mesmo bonito, que s consegue dizer trs coisas.
- Fazendo um buffet, meninas? - perguntou Chuck quando percebeu Blair e Serena
colocando as compras na mesa de centro com tampo de vidro. Elas pegaram alguns
cinzeiros de cristal Baccarat no bar e os encheram de uma gama de ofertas, de Gauloises
a fatias de lima.
Vai uma tigela de cigarros? Azeitonas? Uma ostra?
- Fofo! - exclamou a menina alta e principalmente nua a reboque de Chuck, apontando
os itens arrumadinhos na mesa de centro.
Chuck passou o brao pela cintura nua e curva da condessa. Ela usava calcinha de renda
branca, botas douradas abertas nos dedos e mais nada. Os peitos redondos do tamanho
de uma laranja eram bronzeados e robustos, como se passassem mais tempo no sol e ao
ar livre do que o rosto perfeitamente esculpido, que era comparativamente plido.
Qual era mesmo a praia que ela frequentava?
- Mas meus amores, vocs se esqueceram das camisinhas  brincou Chuck como o
babaca tarado que era.  No se preocupem, tenho certeza de que temos algumas por a.
 Na verdade, tinha mesmo  caixas delas, no armrio sob a pia do banheiro. Era
repulsivo. Quem podia dar conta de tantas camisinhas antes de estourar o prazo de
validade? Mas os pais de Chuck - embora nunca envolvessem o filho em uma conversa
sobre sexo seguro - eram inflexveis que a equipe de limpeza do hotel mantivesse o
armrio do banheiro bem abastecido. Era de rigueur nas famlias como os Bass, os
Waldorf e os van der Woodsen; tudo para evitar um escndalo.
Antes prevenir que remediar, n?
A condessa ia pegar uma ostra e Blair deu um tapa na mo dela.
- So do meu namorado - sibilou ela, encarando, contra a vontade, os peitos
perfeitamente bronzeados da condessa italiana.
Serena fitou a melhor amiga. Namorado? Ela puxou ansiosa o relgio Cartier de ouro
no pulso, esta noite ia ser mais ardilosa do que ela pensava.
Ela ficou num processo de negao a semana toda, contando a si mesma histrias como,
Blair vai ficar bbada mesmo e desmaiar e depois ele vai ser meu, todo meu... S vou
confrontar Blair e dizer a ela que a ltima coisa de que ela precisa agora  do Nate. O
que ela realmente precisa  de terapia. A verdade era que s o que ela precisava fazer
era beijar Nate no minuto em que ele passasse pela porta. Ele ia se esquecer de L'Wren
e lev-la nos braos para um quarto de hotel s deles. Blair um dia ia superar
completamente. Ela podia ficar perigosamente colrica por um tempo, mas eles podiam
se esconder em seu quarto, bebendo champanhe e se aconchegando at que fosse seguro
sair.
Blair brandiu um Triscuit com alguns farelos de caviar.
- Toma - ofereceu generosamente  italiana exibicionista.  Gostei dos seus sapatos.
- OK - respondeu a condessa, mastigando o Triscuit. Ela levantou um p adornado de
Prada e balanou os dedos com esmalte vinho. - Demais, n?
Blair e Serena assentiram. Serena, com um vestido com corpete Diane von Furstenberg
preto sapatilhas de bal pretas Lanvin, o cabelo num rabo de cavalo, se sentia
simplezinha em comparao. Blair se vestira com mais cuidado e estava com o vestido
de jersey de seda Calvin Klein cinza-carvo que parecia um tdio no cabide, mas
envolvia seu corpo tonificado do tnis em todos os lugares certos. Ainda assim, seus
peitos nunca foram e provavelmente nunca seriam to bronzeados e robustos quanto os
de Donatella.
- Demais - repetiram as meninas, assentindo sua apreciao para os sapatos fantsticos.
Ela era mesmo demais. Chuck no a merecia.
Serena encarou os peitos adoravelmente nus de Donatella enquanto comia um Triscuit e
pensava no prximo movimento que faria. Depois Nate entrou cambaleando na sute,
levando um saco de terno da Bergdorf's e lindo daquele jeito esbugalhado de chapado.
Serena entendeu de pronto que no podia continuar com a farsa de Blair. Ela no era
egosta por natureza, mas Nate j era dela e ela o queria. Ela o queria todo para si
mesma.
- Natie! - exclamou ela, disparando para ajud-lo com as coisas. - Voc parece nervoso.
Venha, tome uma bebida. Vai ser divertido, voc vai ver.
Os olhos de Nate estavam imensos e verde-esmeralda. Serena era to linda. Por que ele
ia ao baile de debutantes quando podia simplesmente ficar aqui e beij-la a noite toda?
E ento Blair se postou ao lado dele, pura e linda, esgrimindo uma ostra na ponta de um
garfo de prata.
- Come isso, Natie - piou ela. -  bem frio e escorregadio.
 pouca distncia dele, uma linda menina com peitos grandes e bronzeados e s uma
calcinha de renda branca estava curvada sobre uma tigela de vidro cheia de cigarros.
Atrs dela, subia o vapor da hidro que transbordava de meninas e meninos pouco
vestidos bebendo diretamente de uma garrafa imensa de Dom Prignon. Felizmente,
Nate tinha ficado doidao com seu novo cachimbo azul antes de vir para c. Ele sentia
que tinha entrado numa orgia a todo vapor.
- Vem. - Serena e Blair pegaram a mo dele e o puxaram para o sof. - Voc sabe que
nos ama.
O celular de Blair tocou e se mexeu na mesa de centro. Ela o pegou, na esperana de
que fosse a Sephora na Broadway do SoHo ligando para dizer que receberam um novo
estoque de sua colnia Hermes preferida, Eau d'Orange Verte, e estavam mandando
para ela agora. Ela experimentou cada colnia que eles vendiam e foi essa que ela
escolheu para Nate - fresca, masculina e no entanto tremendamente comestvel. Ela ia
borrifar em todo o peito dele e depois beijar.
- Al. Aqui  Blair Waldorf - respondeu ela num tom de executiva.
- Ursinha Blair?  o seu pai.
Ela quase desligou de pronto, mas a verdade era que sentia falta do pai. Sentia falta de
v-lo e ouvir sua voz ponderada de advogado. Ela se sentou num sof de veludo e
enfiou uma ostra crua na boca.
- Muito obrigada pelo gatinho, pai. - Sua voz era baixa e de menininha. -  lindo.
- Eu sabia que ele tinha de ser seu - respondeu o pai, mas ele parecia distrado, como se
pensasse em coisas mais srias do que filhotes de gato. - Ursinha, no sei quais so seus
planos esta noite, mas eu gostaria que voc conhecesse meu parceiro, e vamos ficar aqui
no Carlyle. Voc podia vir a p.
Blair revirou os olhos e olhou para Nate. Ele estava to lindo mergulhando morangos na
champanhe e lambendo. Ela mal podia esperar para mergulhar Nate em champanhe e
depois lamber.
- Na verdade estou muito ocupada hoje, pai - cantarolou ela ao telefone. - Por que quer
que eu conhea um advogado chato com quem voc trabalha? Quer dizer, vocs no
tm, tipo assim, um processo para trabalhar nem nada? - Ela sabia que parecia mimada e
desagradvel, mas foi dele que herdou a falta de papas na lngua e ela realmente tinha
coisas muito melhores para fazer esta noite do que conhecer um dos colegas tacanhos
dele.
O pai riu.
- Na verdade, Giles e eu no trabalhamos juntos. Ns nos conhecemos numa degustao
de vinhos em Bouley. Ele  meu novo parceiro e quero dizer que estamos juntos. Somos
um casal.
Blair grudou o telefone na orelha. Um casal? O pai estava tendo uma conversa de "qual
 o meu aroma" com algum chamado Giles quando ela o ouviu no closet? O pai dela
era gay? Ele estava deixando a me e seus filhos para ficar com um man francs de
nome Giles e ele ia ficar com Giles num hotel s a algumas quadras da casa dos
Waldorf? Era incompreensvel demais para digerir, em especial com o estmago cheio
de vodca e ostras cruas.
Do outro lado da mesa de centro, Nate colocou as mos nos bolsos da cala cqui
Brooks Brothers e pegou um punhado de camisinhas. Um dos cinzeiros de vidro agora
estava vazio e ele o encheu com um sortimento de profilticos embrulhados em cores
vivas que ele obviamente comprou para usar mais tarde, com L'Wren. O pai de Blair
preferia franceses e seu amado estava prestes a transar com uma puta impertinente e
mais velha. Blair pegou o copo de Stoli com gelo e virou o contedo na garganta.
- Desculpe, papai - ela conseguiu arfar. - Talvez em outra hora. - Depois ela atirou o
telefone pela sala e disparou pela hidro lotada, indo para o toalete superprivativo
localizado no funeto do banheiro branco, trancando a porta.
Serena acendeu um Gauloise e seguiu Blair, abandonando um Nate muito doido, que se
banqueteava com morangos imensos mergulhados em chocolate enquanto fazia uma
torre de camisinhas coloridas e encarava os peitos de Donatella. Ela podia ouvir a amiga
vomitando do outro lado da porta. Serena bateu de leve.
- Blair? Est tudo bem?
Blair tossiu, ficou de p aos trancos e deu descarga.
- Ele  gay - ela disse, ofegando. Depois se ajoelhou e vomitou na loua branca de novo.
- Quem? O Nate? -  claro que Serena achava. que Blair estava falando de Nate. Ele era
a nica pessoa em sua cabea, desde sempre e para sempre.
Colocando-se desequilibrada de p, Blair deu descarga novamente e abriu a porta. Ela
foi at o quarto principal, enxugou a boca na manga e escancarou o armrio embaixo da
pia. Trojan, Durex. As embalagens de cores vivas e brilhantes com seus nomes em
negrito gritavam para ela como um coro sombrio. Mas por trs das caixas de camisinhas
havia um frasco de Scope de menta. Ela a pegou e colocou uma poro imensa na boca,
gargarejando antes de cuspir com rudo na pia.
- No. - Serena s vezes podia ser uma idiota. - Meu pai. Meu pai  gay. Ele at tem
namorado. Um merda francs qualquer.
Serena a encarou.
- Mas...
- Ele acabou de me ligar. Queria que eu me encontrasse com ele e o "parceiro" dele no
hotel dos dois. - Ela ps a mo na barriga de novo, a cara to verde quanto o Scope que
tinha nas mos. Meu Deus. Mas que merda.
- Ah, Blair. - O queixo com uma leve fenda de Serena tremia. Os olhos azuis brilharam
e duas lgrimas gordas rolaram por cada bochecha adorvel. A vida de Blair era um
desastre. Mas no era por isso que ela chorava. Ela chorava porque agora que Blair
ouvira essa notcia extraespecial sobre o pai, no havia como afastar Nate dela.
Haveria?




um dia a pequena j acordou e no era mais to pequena

- Eu sou o mestre, eu sou o rei. Deite-se a meus ps! Voc ondula quando ouve meu
nome! - Zeke Freedman rugia enquanto gesticulava como louco com seu joystick
Nintendo. Zeke era o melhor e nico amigo de Dan desde o jardim de infncia. Na
poca, eles foram os meninos mais baixos da turma e eram mais proficientes em leitura
do que em luta, e assim eles se uniram em seu canto da biblioteca da sala de aula. Zeke
ainda era um aluno de jardim de infncia em muitos aspectos. Depois de fazer o dever
de seu curso de frica e Oriente Mdio na noite da vspera, ele ficou obcecado com a
palavra ondular e agora tentava usar em quase todas as frases.
- E eu vou urinar nos seus ps, criatura desprezvel  rebateu Dan enquanto seu
desengonado jogador de trancinhas na tela dava um golpe perfeito num salto.
- Ah! Cara - gemeu Zeke, puxando a cala de veludo cotel cinza imensa tamanho
baleia para cima dos quadris de mulher. Nos ltimos cinco anos Zeke passara do
segundo menino mais baixo da turma para o mais alto. Seus ombros eram imensos e
arriados, os quadris pareciam de uma gestante em sua terceira gestao de trigmeos, a
cintura era indefinida, o queixo era forte - at o cabelo escuro e crespo era grande. No
era que ele comesse demais nem fizesse muito exerccio, ele era s "geneticamente
esquisito", como Dan gostava de lembr-lo, numa brincadeira de amigos. - No prximo
jogo minhas lderes de torcida vo ondular to alto, que voc vai ficar to distrado que
no vai saber de onde vem meu golpe!  proclamou Zeke, batendo febrilmente nos
botes do joystick para recomear o jogo.
Andando pelo corredor at o quarto, Jenny cobriu as orelhas com os dedos. J era bem
ruim que fosse a nica mulher na casa  ainda tinha de passar outra solitria noite de
sexta-feira em casa ouvindo meninos falando de urinar um no outro? Ela bateu a porta e
abriu a blusa, deixando-a cair no cho enquanto se empertigava. Abriu o suti de cetim
creme Maidenform P, que a cortara o dia todo, deixando sulcos vermelhos no alto dos
ombros. Ela o atirou na lixeira e abriu a gaveta de lingerie, retirando cuidadosamente o
suti azul de Serena. "M", acenava a etiqueta a ela. Bordado num ponto de cruz perfeito
e minsculo na bainha externa do suti estava uma pequena etiqueta retangular e branca
com o nome SERENA VAN DER WOODSEN impresso numa letra vermelha cheia de
voltas. Sem me ou empregada para costurar etiquetas de nome em suas roupas, Jenny e
Dan tinham perdido muitas roupas com o passar dos anos.
Da a necessidade de roubar as coisas dos outros?
Jenny passou os braos pouco desenvolvidos pelas alas e puxou o suti pela cabea. Da
ltima vez em que experimentou, ele meio que caiu frouxo pelas costelas, como as
coisas aconteciam quando eram de um tamanho dez vezes maior. Desta vez o suti ficou
acima de seus novos peitos. Ela o puxou para baixo, surpresa em ver que o preenchia
quase completamente.
- Dan! - gritou ela, abrindo a porta. Sem pensar no que fazia, ela disparou pelo corredor,
os novos peitos quicando delicadamente no invlucro de algodo. - Ele cabe!  Ela
entrou no escritrio de meias, usando s o suti azul e a cala de pijama Nick & Nora de
coraes vermelhos que o pai lhe dera de Dia dos Namorados no ano anterior.
- Caramba! - exclamou Zeke, o cabelo escuro, grande e crespo parecendo maior do que
nunca. E depois ele ondulou. Ou pelo menos tentou.
- Que merda  essa, Jen? - Dan sacudiu a cabea para ela, irritado. Ela sabia que Zeke
estava ali. O que ela tentava provar?
O rosto de Jenny ficou rosa, mas ela fincou p.
- S queria te dizer que voc-sabe-o-qu de voc-sabe-quem quase cabe em mim. Est
vendo? - Ela apontou o peito inchado.
Mas como  discreta.
Depois ela viu o celular surrado de Dan no sof de couro marrom e mergulhou para ele.
- Ei - gritou ele, tentando resgat-lo. Zeke ondulou de novo e Dan percebeu que perdera
o jogo.
Jenny se agachou protetora sobre o tapete persa cheio de fiapos enquanto comeava a
martelar os botes do telefone.
- S vou ligar para Vanessa e contar a ela...
- No! - gritou Dan, mergulhando no cho para agarr-la. Ele e Zeke deviam estar se
divertindo juntos e Zeke nem sabia que Vanessa existia. Dan no queria ter de explicar a
ele seu relacionamento com Vanessa, porque, com toda sinceridade, ele no sabia como
explicar isso. Jenny rolou de costas, ainda segurando o telefone, e o afastou aos chutes.
Dan voou pela sala como um daqueles bandidos descartveis dos filmes de James Bond.
At umas perninhas de menina podem ser surpreendentemente poderosas.  de todo
aquele bal que somos obrigadas a fazer no primrio.
- Oi, Vanessa,  a Jenny. - Ela falou rapidamente ao telefone.  Sabe quem , a irm do
Dan? - obviamente Vanessa no disse muita coisa, porque Jenny de imediato despejou a
novidade. Adivinha s? Eles cresceram! Ento eu no tomo mais os comprimidos.
Estou parando hoje. Quer dizer, j estou no tamanho que queria, ento acho que  hora
de parar. De qualquer forma, eu s pensei que voc devia saber. Ah, e Dan quer falar
com voc  acrescentou ela, atirando o telefone para o irmo decepcionado.
Ele a fuzilou com os olhos e ps o fone no ouvido.
- Oi - cumprimentou ele numa voz mnima. Sua cara estava vermelha e as mos suadas.
Ele engoliu em seco, nervoso. - Como  que est? - Ela no disse nada. - Al?
Zeke parou no meio de uma ondulao.
- Quem  Vanessa? - perguntou ele em voz alta. - Dan tem namorada! Dan tem
namorada! Quem  ela? Uma das colegas da Jenny?
- Al? - repetiu Dan, a cara pegando fogo.
- Shhh! - Jenny repreendeu Zeke. Ela lhe deu um chute no p. - Por favor?
- Al? - perguntou Dan pela terceira vez. Vanessa deve ter desligado na cara dele. Ou
talvez ela nunca estivesse ali. Jenny podia ser traioeira desse jeito.
- Dan tem namorada! - gritou Zeke e ondulou de novo.  Ah, a propsito, voc perdeu
outro jogo.
Dan se sentou no sof de couro, fuzilando com os olhos a vida em geral.
E agora, quem est se sentindo geneticamente esquisito?




s se d bem com duas meninas numa s noite!
Remember cuddles in the kitchen...
Nate ouvia sua msica preferida dos Arctic Monkeys com um sorriso diablico colado
na cara. Ora essa, a noite ia ser boa para ele. Ele j estava numa festa com uma linda
condessa italiana quase nua e as duas melhores amigas, que tambm estavam
particularmente gostosas. Logo estaria todo produzido com o smoking Armani, pronto
para se encontrar com L'Wren, que era a garota mais gostosa que ele conheceu na vida.
 claro que os pais dela estariam no baile e ele teria de danar e participar de uma
conversa educada e idiota com umas debutantes e seus acompanhantes. Mas assim que
passassem por todas as formalidades, subiriam ao quarto de hotel de L'Wren, para
transar.
Ele olhou o relgio. Sete e cinco. Hora de comear a se arrumar, se queria chegar ao St.
Claire Hotel no centro s oito. Ele olhou a sute abarrotada numa confuso
semichapada. Kati Farkas e Isabel Coates experimentavam gravatas Hermes do pai de
Chuck, s de jeans e suti. Quando  que elas ficaram to maduras?, perguntou-se Nate,
devorando-as com os olhos. Ser que Serena e Blair ficavam assim s de suti? Elas no
deviam estar ajudando-o a se preparar - dando-lhe dicas de dana e passando loo ps-
barba em suas tmporas? Mas onde  que elas estavam, afinal?
Donatella se empoleirou na beira da mesa de centro e passou um monturo de caviar
beluga preto num Triscuit. Deu uma mordidinha e ofereceu o resto a Nate.
- OK? - perguntou ela, com um sorriso luminoso.
Ele pegou o Triscuit e o devorou, perguntando-se se ela era retardada ou s estrangeira.
- Voc viu minhas amigas? As duas meninas bonitas que estavam sentadas aqui? Elas
estavam de roupa - acrescentou ele prestimosamente.
Os olhos cinza de Donatella se iluminaram de entusiasmo.
- Fofo! - Ela se virou a apontou para o vapor que saa da hidro.
A sute estava apinhada e barulhenta, e algum tinha aumentado o volume da ltima
msica dance e melosa de Justin Timberlake no sistema de som Bose, mas uma srie de
gargalhadas histricas penetravam o fragor. Os pelos dos braos tonificados de lacrosse
de Nate se arrepiaram. Ele reconheceria esse som em qualquer lugar. Era um som que
fazia mais do que arrepiar seus pelos.
Epa!
Ouvir Serena rir era como sentir ccegas. Dava arrepios e um surto de adrenalina. Fazia
com que visse estrelas e perdesse a coordenao. Ele teve vontade de ir ao banheiro, que
era exatamente onde estava indo agora. No  parte do toalete, mas a parte da hidro - a
origem do som.
- Ol? - chamou Nate com cautela atravs do vapor. Mais risadas, combinadas com o
gorgolejar baixo dos jatos da banheira. Uma pele nua e rosada cintilava molhada por
sob a superfcie da gua agitada. - Quem est a? - Ele se aproximou um passo. Duas
cabeas reluzentes se projetaram para fora das bolhas, uma clara e outra escura.
- Somos ns, Natie - disse Blair. Ela ajeitou o cabelo castanho na nuca de um jeito que
parecia comercial de xampu. Os braos ainda bronzeados do Natal em St. Barts estavam
cruzados numa tentativa totalmente intil de esconder o fato de que ela estava
completamente nua.  Eu estava me sentindo um nojo, ento decidi fazer uma hidro 
explicou ela, alternando os detalhes mais dolorosos de sua vida familiar absurdamente
deprimente.
- As hidros so minhas preferidas - intrometeu-se Serena. Ela encostou a cabea loura
no mrmore, expondo o pescoo longo e perfeito, entre outras coisas. - De agora em
diante, vou tratar de todos os meus assuntos debaixo da gua.
Nate se sentou na beira da banheira, molhando a cala cqui. Meu Deus, Serena era to
linda. Ele ficava sem fala de excitado s de olhar para ela. Estranhamente, ele esperava
que a noite com L'Wren fosse cur-lo deste problema. Se ele transasse com L'Wren e
meio que tirasse isso de seu sistema, talvez no pensasse tanto em Serena  pelo menos
no de uma forma sexual. Afinal, ele estava apaixonado por ela e parecia meio errado
sentir esse tipo de atrao por uma menina por quem se est apaixonado, em especial
quando ela era sua melhor amiga.
Mas isso faz algum sentido?
- Vocs no deviam estar me ajudando a me arrumar?  perguntou ele, olhando o
relgio. Ele j estava atrasado. A questo era o quanto. L'Wren no parecia o tipo de
garota que perdoa tudo, no quando tinha planos paralelos. - Sabem que sou um bosta
com gravatas-borboleta - acrescentou ele, estremecendo ao ouvir como parecia idiota.
Ultimamente seus amigos andavam usando a palavra bosta o tempo todo, mas sempre
que ele dizia isso, achava que parecia idiota.
Exato.
Serena riu de novo, provocando um frenesi em todo o corpo de Nate. Se ele no fosse
para esse baile e perdesse a virgindade j, ia perder o juzo.
-  melhor eu ir - murmurou ele, levantando-se.
- No! - O corao de Blair disparou. Ela estava nua e Nate estava bem ali, parecendo
doido, meio tonto e totalmente subjugado, mas tambm to ridiculamente lindo que ela
s queria agarr-lo e pux-lo para a gua. Ele no podia sair. Ela no ia permitir que ele
sasse. Esta noite devia ser deles e de jeito nenhum Nate ia se agarrar com aquela
piranhuda que ia arruin-lo totalmente para sempre. Ela lanou um olhar a Serena de
"me ajuda de algum jeito!" e cutucou a ndega da amiga com o calcanhar
cuidadosamente esfoliado.
Serena retribuiu o chute. Tanto quanto Blair, ela queria que Nate pulasse na banheira
com elas.
- Natie? - ela piou. - Vai ter que vestir o smoking de qualquer jeito. Por que no entra e
depois ajudamos voc a se vestir?
Nate deu de ombros. Ele no conseguia dizer no a Serena, em especial quando ela
estava to nua numa banheira feita para dois, ou trs, ou quatro ou cinco.
- Tudo bem. Mas s um minutinho. - Ele tirou a camiseta cinza e a jogou no cho. -
Fechem os olhos.
As duas meninas fingiram fechar os olhos, conscientes enquanto ele tirava a cala, a
cueca samba-cano laranja e por fim as meias. Oh, oh, oh!
Depois, com a mesma rapidez, as cuecas voltaram.
- No posso fazer isso. Estou atrasado. Tenho que ir. Ser que vocs podem, por favor,
tipo assim, colocar um roupo ou coisa parecida e me ajudar? - pediu Nate.
Ai.
Serena e Blair tiveram de se beliscar para no gritar com aquele encanto completo.
- Ns vamos ajudar voc - insistiu Blair com firmeza. - Entre.
- Ajudaria se voc soubesse que no somos nada ameaadoras? - perguntou Serena
timidamente, erguendo uma sobrancelha loura perfeita. Ela agarrou Blair e lhe deu um
beijo na boca, usando a lngua e tudo. - Est vendo? - disse ela, afastando-se. - Somos
lsbicas. - Debaixo da gua, Blair bateu o p e o cotovelo em Serena, mas Serena
continuava sorrindo para Nate, desafiando-o a entrar.
 claro que agora ela conseguiu, porque uma coisa ridcula estava acontecendo dentro
da cueca laranja e O nico lugar para esconder ou acabar com isso era debaixo das
bolhas de uma gua a 40 graus.
- Tapem os olhos de novo, com as mos. E no espiem, suas pervertidas  disse-lhes
irritado, embora no estivesse nada irritado, e sim outra coisa. Como  que elas podiam
fazer isso com ele? Especialmente Serena. A festa que se fodesse. L'Wren que se
fodesse. Ele ia ficar com Serena esta noite. E desta vez eles no iam s se beijar, ele
tinha certeza absoluta disso. Ele a amava e tinha certeza absoluta de que ela o amava
tambm, e no havia nada de errado em ficar com algum em que se confia e ama.
Tinha de ser muito melhor do que uma noite qualquer com uma universitria.
Ele pulou para dentro, espadanando gua quente e todas as suas preocupaes o
deixaram.
- Ol, senhoras - cumprimentou-as ele como um bobo. - Quer dizer, ol, amigas
lsbicas.
Blair riu e se aproximou um pouco dele.
- Eu no sou exatamente lsbica - declarou ela com ousadia. - S gosto de beijar. Vou
beijar qualquer um. Em especial meus amigos.
Serena podia sentir suas mos vagando pela gua quente na direo de Nate, procurando
por ele. Ele era dela, o Nate dela, e ela estava louca para beij-lo de novo. E de novo. E
mais uma vez.
- No quero que v danar com aquela garota - Serena ouviu Blair murmurar
corajosamente. Serena baixou as mos e se obrigou a dar as costas a eles. Blair parecia
to cheia de esperanas e sua vida agora estava uma merda. Ela merecia ter um
momento a ss com Nate. Depois de alguns minutos, ele a rejeitaria docemente, viria
para Serena, a pegaria nos braos e a levaria para passar uma noite romntica juntos. A
primeira de muitas.
- Talvez eu no v - respondeu Nate, aproximando-se de Serena.
 isso mesmo, pensou Serena, feliz, enquanto Nate vagava para ela. Ele estava sorrindo
para ela daquele jeito torto e irresistvel, e ela mal conseguia reprimir a vontade de se
atirar nele. Depois Blair riu como tonta e espirrou gua na cabea de Nate, e Serena
mais uma vez foi lembrada de sua misso.
- Eu mudei de ideia - anunciou ela, colocando as mos com firmeza na beira da
banheira. - Eu gosto de homens.
Nate riu e passou o brao por sua cintura nua, puxando-a para ele.  claro que ela
gostava de homens. Ela gostava dele. Ela o amava.
Serena fechou os olhos e se obrigou a escapar de seu abrao.
- A verdade  que eu sempre quis beijar o Chuck - mentiu ela, levantando-se e saindo da
banheira. Ela pegou um roupo branco Tribeca Star Frette no gancho de cromo e o
passou firme no corpo. Isto deve ser divertido - acrescentou ela e saiu para encontrar
Chuck, que agora tinha de beijar para dar alguma autenticidade a sua mentira, mas pelo
menos Nate saberia onde encontr-la.
Chuck e Donatella estavam parados junto  porta da sute, alimentando-se com a ltima
ostra mergulhada em Stoli antes de sarem para o baile. Os dois agora estavam vestidos
- com muito requinte tambm - ela com um vestido Prada de manguinha curta creme no
estilo Hollywood anos 40 adornado de prolas e arminho branco nos ombros, e ele com
um smoking Armani preto com cauda e gravata-borboleta branca. Eles pareciam atores
prestes a descer a nave central em sua grande cena do casamento.
- Me beija - ordenou Serena a Chuck com urgncia. Ela ficou na ponta dos ps, fechou
os olhos e puxou para si a cara linda mas ainda assim repulsiva de Chuck. - Rpido.
- Mas no tenha dvida! - exclamou ele em voz alta, atirando-se nela com sua boca
imensa e faminta. Serena continuou de olhos fechados, a cabea girando com o cheiro
forte da colnia goiste de Chuck. Parecia que ele a engolia inteira.
- Fofo! - exclamou Donatella, batendo as mos, deliciada.
Serena conseguiu se afastar de Chuck e limpou a boca na manga do roupo.
Argh.
- Sua vez!  gritou Chuck em xtase e agarrou Donatella, dando outro de seus famosos
beijos de devorar a cabea. Donatella riu e depois girou, o vestido de cetim creme se
abrindo em leque nos tornozelos enquanto ela pegava os ombros de Serena e a beijava
na boca para ficar  altura dos dois. Ela tinha gosto de azeitona e beijava muito melhor
do que Chuck podia esperar fazer.
- Fofo! - exclamou ela de novo enquanto Serena limpava a boca na outra manga.
Evidentemente Donatella achava que esse era um costume de americanos antes de uma
festa - uma orgia de beijos.
Ou talvez ela fosse mesmo retardada.




d meio que talvez tenha uma namorada
- No vai atender? - gritou Jenny para Dan de seu quarto quando a campainha da
portaria tocou pela segunda vez. Eles no estavam esperando ningum, mas o pai,
Rufus, tinha ido a um recital de poesia com uns amigos poetas Beat comunistas. Talvez
estivesse bbado demais de absinto e tenha voltado cedo para casa para dormir,
perdendo as chaves. Jenny estava ocupada experimentando sutis, blusas e vestidos e
admirando seus peitos em desenvolvimento. Ela precisava de todo um novo guarda-
roupa, mas de mulher - roupas com decotes em V e decote redondo e botes para abrir e
mostrar seu colo. No que ela realmente quisesse que algum olhasse - ela s gostava de
olhar para si mesma. Ela queria ser capaz de ir a banheiro no meio de uma aula de
matemtica, ver seu reflexo no espelho acima da pia e dizer, "Oi, peitos! Onde vocs
estiveram em toda a minha vida?"
Pode ter certeza de que ela no ser a nica a dizer oi.
A campainha tocou novamente.
- Dan? - gritou Jenny de novo. Ela abriu a porta usando um mai Speedo de listas
verticais rosa e roxo tamanho infantil to apertado e revelador em cima que mais parecia
um busti do que um mai, e andou com raiva pelo corredor para ver quem era.
Dan estava no escritrio, escrevendo outro poema em seu caderno de capa de couro
preto. Zeke tinha sado logo depois do anncio constrangedor de Jenny de que seu peito
finalmente era tamanho 54 ou coisa assim. Desde ento, Dan ficou ocupado recortando
um dos anjos louros de Jenny e colando-o na face interna da capa do caderno enquanto
refletia numa nova metfora. Ele pensou que os anjos tinham asas e portanto eram mais
como pssaros do que como pessoas. As nicas aves com que estava familiarizado eram
os pombos, e os pombos que ele conhecia sempre tomavam banhos em poas ou nas
fontes de praa. E se Serena fosse um pombo e voasse para sua janela, mas ele no
conseguisse abrir a janela e deix-la entrar porque tinha sido apanhado feito uma lagosta
e estava sendo fervido vivo numa panela grande?
T legal, Pirado. Diga o que quiser.

No consigo respirar com essa tampa
Deixe o ar entrar
Mergulhe sua asa
Tome um banho
Entre
Estou ficando vermelho
No  culpa sua
Eu sou to vermelho

- Oi, querido, cheguei.
Dan desviou os olhos de sua ltima obra-prima. Vanessa estava na soleira da porta
vestida com meias arrasto pretas at o joelho, bermuda de l preta, jaqueta preta e as
botas de combate pretas. O rosto plido estava rosado de frio e os grandes olhos
castanhos brilhavam de diverso. Dan s a vira duas vezes e achava que Vanessa tinha
um visual nico. No era feia, mas tambm no era bonita. Neste momento, porm, ela
parecia perfeitamente nova e incrvel, como se fosse desembrulhada de celofane - a
garota mais descolada e mais original que j inventaram. Jenny pairava atrs dela com o
mai Speedo de criana que era dez vezes menor do que ela. O cabelo crespo e escuro
estava num rabo de cavalo firme, como que para deixar seu peito mais pronunciado.
Mas ele j no vira o bastante?
Vanessa desabotoou a jaqueta e a atirou no sof de couro ao lado de Dan.
- O que est escrevendo? Alguma coisa que eu precise ver?
Ele fechou o caderno e o protegeu no peito.
- Ainda estou terminando.
Ela deu de ombros, sabendo que ia convenc-lo a mostrar um dia desses. Dan a olhou
de um jeito estranho.
- Sentiu minha falta? - perguntou ela, com esperana. Era s o que ela podia fazer para
no pular em seu colo e plantar um beijo bem gordo naqueles lbios rosa-azulados dele.
Dan no disse nada, mas seu rosto ficou vermelho como a lagosta do poema.
Vanessa olhou para Jenny.
- Se precisar de tops maiores ou coisa assim, posso te emprestar alguns. Posso at levar
voc para fazer compras. - Ela sentia pena de Jenny, crescendo numa casa cheia de
homens esquisitos e desastrados que se vestiam mal. No que as roupas de Dan fossem
medonhas  s pareciam ter sido atiradas da mquina de lavar numa gaveta sem que
fossem dobradas corretamente.
Desde que ele ficasse longe das calas stretch vermelhas do pai, tudo bem.
Jenny olhou com ceticismo para as roupas completamente pretas de Vanessa e a cabea
raspada. No, obrigada.
- Est tudo bem. O papai disse que posso pegar o carto de crdito amanh. Ele me deu
um limite de trezentos dlares, que no  grande coisa, mas acho que d. Quer dizer, o
que eu comprar agora no deve caber no Outono. Eu ainda estou crescendo.
Sim, sabemos disso,
- Tudo bem - respondeu Vanessa. - Mas por que no veste outra coisa agora e joga esse
mai na pilha da Legio da Boa Vontade? Di na gente como deve doer em voc -
acrescentou ela gentilmente.
Jenny corou e trotou pelo corredor, amando o modo como seus peitos novos quicavam.
Vanessa era legal. Ela estava feliz por deix-la entrar. Se ao menos Dan no fosse um
man to grande. Ele provavelmente ia dizer alguma coisa idiota agora e Vanessa ia
correr do apartamento aos gritos, quando o que ele realmente devia fazer era beijar a
garota.
To nova e to sbia.
- Desculpe por no ter dito nada no telefone - disse Vanessa, ainda parada na porta. - s
vezes eu sou bem irritante. Sou melhor pessoalmente - acrescentou ela, sentindo-se um
tanto sem graa. Era bvio que ela gostava dele. A essa altura, ele devia ter deduzido
isso.
- Voc  melhor pessoalmente. Cortou o cabelo de novo ou coisa assim? - Dan hesitou.
O que ele queria dizer era que ela estava mais bonita do que quando a vira h alguns
dias, mas ele no sabia dizer por qu. Do que eles deviam falar, alis?
Vanessa deu de ombros e sacudiu a cabea. Depois foi para o sof, tirou o casaco do
caminho e se sentou. O apartamento dos Humphrey a lembrava da casa dos pais em
Vermont, a casa onde fora criada. Era cheia de porcaria, como se todo mundo tivesse
medo de jogar alguma coisa fora. Lenos usados que escaparam da lixeira podiam ser
recolhidos do cho. Baralhos com cartas faltando estavam empilhados nas prateleiras.
Um velocpede vermelho e empoeirado estava estacionado no canto da sala de estar,
uma relquia da infncia de Jenny e Dan.
Dan ainda estava agarrado ao caderno preto. Ela o tocou com a ponta dos dedos.
- Posso?
Ele abraou o caderno ainda mais no peito. Quanto mais Vanessa lia, mais transparente
ele ficava. Era assustador, deixar algum ler a birutice que saa de sua cabea, sem
reviso. Ainda mais assustadora era a ideia de que ela queria publicar suas birutices para
que todo mundo lesse - inclusive Serena.
- S se me deixar ver uma de suas fotos primeiro - ele barganhou.
- T legal - Vanessa concordou. Ela vasculhou o bolso do casaco e pegou a cmera
digital Nikon. - No sei bem o que est aqui. - A cmera bipou e ela se aproximou de
Dan para ele poder ver as fotos na telinha.
Isso era legal, percebeu ele, afrouxando o aperto no caderno preto. Era bom ficar com
uma garota descolada numa noite de sexta-feira. O pai dele nem estava em casa. Eles
podiam ficar bbados, se quisessem. Ver filmes de adulto. Fazer coisas normais de
adolescentes. No era isso que as pessoas normais faziam? Ele nem se lembrava do que
fazia normalmente nas noites de sexta. s vezes ele e Jenny jogavam palavras cruzadas.
Bons tempos.
Vanessa passou pelas fotos na memria da cmera.
- Pera. Minha irm vai me matar se souber que te mostrei essa. - Ela escondeu a tela e
pulou umas fotos picantes de Ruby tomando banho com Tofu. Quando chegou  srie
de fotos do chiclete-na-calada, passou a cmera a Dan.
- Legal - disse ele. Era meio animador saber que Vanessa podia passar tanto tempo
fotografando um chiclete mastigado. Era quase pior do que escrever um poema do ponto
de vista de uma lagosta sendo fervida viva.
Quase.
- Parece alguma coisa de dentro da gente, n? Sabe o tom de rosa que a gente v quando
fazem cirurgias, tipo assim, no ER?  observou ela, admirando a prpria obra.
Dan desviou os olhos da cmera. s vezes Vanessa dizia coisas idnticas a algo que ele
poderia ter dito. Ele gostava, mas tambm era meio assustador.
- Que foi? - perguntou ela, tentando no parecer esperanosa. Dan estava a ponto de
beij-la?
- Nada no. - Dan voltou-se para a cmera. A srie seguinte de fotos eram as que Blair
tinha tirado de Vanessa raspando a cabea no barbeiro. - Caraca, seu cabelo era bem
comprido. Voc no ficou nervosa? - Era difcil imaginar Vanessa com todo aquele
cabelo preto e luxuriante. Tambm era difcil imaginar por que ela ia querer raspar tudo.
- No.  Vanessa admirou a foto de si mesma sorrindo diabolicamente para seu reflexo
no espelho da barbearia enquanto o barbeiro raspava um naco de cabelo. Ela estava bem
cool, embora s dissesse isso a si mesma. Dan apertou a seta com o polegar da mo
direita e apareceu na tela uma foto de Serena de costas para a cmera, a bunda nua
espiando por baixo de um minivestido de veludo roxo que mal existia. Ela olhava por
sobre o ombro, sorrindo maliciosamente. Impresso em cada ndega rosada e curva havia
um corao perfeito e vermelho.
- Oh! - exclamou Dan. Suas mos comearam a tremer e ele largou a cmera no tapete
oriental desbotado.
Vanessa pegou a cmera, desligou-a e a atirou na bolsa.
- Desculpe, isso tambm foi meio pornogrfico. - Ela franziu a testa. - Acho que sou
meio pervertida. Nunca percebi isso.
Dan olhou inexpressivamente para ela, perguntando-se se podia convenc-la a fazer
alguma coisa que tomasse tempo para ele poder ver o resto das fotos e ver se havia mais
alguma de Serena. Ele no ligava para seu grau de perverso, tinha de v-las.
Ei, como os dois eram pervertidos assumidos, por que no olhar as fotos juntos e fazer
uma festinha de perverso?
- Quer pedir uma pizza? Acho que meu pai at tem alguma cerveja na geladeira. - Ele
vasculhou os bolsos e acendeu um cigarro com os dedos trmulos. S fazia uma
semana, mas ele j estava viciado.  claro que ele sabia que fazia mal, mas essa era a
parte mais sedutora de fumar. Se ele quisesse ser um poeta como Keats Ou Kerouac,
tinha de morrer cedo. Seu pai at o deixava fumar no quarto dele. ''Voc toma suas
decises e aguenta as consequncias", disse-lhe Rufus com menosprezo.
Se ao menos os pais menosprezassem as coisas da mesma forma.
Vanessa deu de ombros.
- Claro, pizza  timo. No tomo cerveja, tem gosto de ranho. - Ela esperou que ele se
levantasse e pegasse o cardpio da pizzaria ou lhe trouxesse um copo de gua, mas ele
ficou ali, dando baforadas furiosas no cigarro, parecendo adoravelmente miservel.
- Os cardpios esto na cozinha  mentiu ele. Dan e Jenny sabiam o nmero da pizzaria
de cor, mas Rufus no confiava em comida delivery, dizendo que era "cheia de coc de
rato e casca de barata", e em geral
Jogava fora os cardpios que apareciam debaixo da porta da frente. - Procure na gaveta
 direita da pia - sugeriu Dan, sabendo que era a gaveta onde Rufus atirava todas as
receitas que recortava de jornais e revistas, alm de todos a tranqueira que ele usava
para prender o cabelo rebelde. A gaveta era absolutamente abarrotada de porcaria.
Vanessa olhou criticamente para ele por um momento. Ser que Dan era um daqueles
caras que pareciam esclarecidos mas na verdade viviam na Idade Mdia, esperando que
as mulheres fizessem tudo no que dizia respeito  comida e  limpeza da casa? Ou
talvez ele s no pudesse fumar na cozinha. Ela se levantou para procurar o cardpio.
- Volto logo - disse ela, pegando o caderno preto do colo dele e colocando-o debaixo do
brao. Se a pizzaria a deixasse na espera, pelo menos teria alguma coisa para ler.
- No, por favor, n... - Dan comeou a protestar. Depois se lembrou de que estava
prestes a pegar a cmera de Vanessa na bolsa e baixar, com sorte, algumas fotos de
Serena para seu computador, embora no tivesse certeza de que tinha a capacidade de
ser to furtivo. - Eu gosto de pepperoni - disse ele.
- Saquei. - Vanessa abriu o caderno enquanto andava pelo corredor at a cozinha.
Colado na segunda capa estava um dos anjos louros que Jenny desenhara para o
concurso do hinrio. Vanessa continuou a virar as pginas. Apoiando a irm, isso era
legal, pensou ela.
Pense melhor, meu bem.




um beijo  s um beijo  pelo menos,  a mentira que contamos a ns
mesmos

Blair se sentou sobre as mos em um dos ressaltos de mrmore submersos da hidro. Os
jatos batiam em suas costas, provocando uma vibrao em todo seu corpo. Nate estava
sentado na salincia oposta, o queixo molhado pousando apaticamente na lateral da
banheira enquanto via Serena beijar Chuck e depois Donatella. Que porra estava
acontecendo? Serena podia ser to sacana. Ou talvez ele estivesse totalmente enganado
e ela no gostava dele como ele pensava.
Mas talvez no estivesse tudo perdido. Ele ainda ia ao baile com L'Wren. A perda de
sua virgindade era iminente. Isto era bom. A ideia de que ia transar com Serena em vez
de L'Wren tinha sido uma asneira temporria causada por THC demais da marijuana.
El Capitn. El Capitn! Ele levantou a cabea.
- Estou atrasado - disse a Blair com urgncia. - Tenho que ir.
Blair sabia que essa era a sua deixa. Ela piscou para o vapor em seus olhos azuis,
criando coragem para o papel mais importante que ia representar at agora no filme de
sua vida. A me era gorda e ridcula. O pai era egosta e gay. Seu irmo mais novo
estava destinado a ser um fracasso. Basicamente, sua vida tinha sido uma colossal perda
de tempo - at agora. Nate estava bem ali diante dela. Carpe diem. Agora era sua
oportunidade de aproveitar o dia.
Entre outras coisas dignas de serem aproveitadas.
Nate se lanou para uma das toalhas felpudas e brancas dobradas elegantemente na
prateleira de metal aquecido, instalada fora do alcance da banheira.
- Droga.
Blair disparou da banheira e pegou duas toalhas. Passou uma no prprio corpo e outra
entregou a Nate.
Ele saiu, tentando agir com a maior frieza possvel, e amarrou a toalha na cintura.
- Obrigado - ele sorriu para ela e sacudiu a gua do cabelo. Droga, estou to atrasado.
- Eu no quero que voc v, Nate - murmurou Blair de novo, a voz tremendo, mas
insistente. Pingava gua das pontas de seus cabelos longos nos ombros nus,
provocando-lhe arrepios.
Os olhos verdes e cintilantes de Nate se iluminaram ainda mais ao olhar para ela, como
se a visse ali pela primeira vez. Blair olhou para ele, sentindo que ia ficar enjoada de
novo, mas desta vez no bom sentido.
- E se a gente... - comeou ela, desejando que seu corao no estivesse batendo to
alto, para poder se ouvir pensar. - E se a gente s... - ela parou e lambeu os lbios
simtricos. Os olhos amendoados e a face perfeitamente esculpida de Nate pareciam ser
as nicas coisas de cor no ambiente. Meu Deus, como o amava. - Por que a gente no se
beija? - terminou ela rapidamente.
Nate franziu a testa. Blair queria que ele a beijasse - agora, quando ele estava prestes a
sair para se encontrar com uma garota mais velha e muito gata e com sorte transar com
ela? Agora, quando ele a acabou de ser rejeitado por Serena? Como ele podia beijar
Blair quando eles se conheciam desde a pr-escola? Ela costumava deixar
coraezinhos Play-Doh nos sapatos dele quando ele os tirava durante a soneca. Ele
cingiu ainda mais a toalha. Na verdade, fazia completo sentido. Blair sempre teve uma
queda por ele e era uma de suas melhores amigas. Ela era bonita, divertida e inteligente,
e provavelmente o conhecia melhor do que ele mesmo. Ela era to perfeccionista, mas
sempre o aceitou, com todos os seus defeitos.
Serena tinha sado porque no queria beij-lo. Mas Blair sim, e ele tambm amava a
Blair. Ele nunca havia pensado em beijar Blair, mas por que no? Talvez ele estivesse
com a garota errada o tempo todo. Talvez ele s desejasse Serena e pensasse que era
amor, quando na verdade era Blair que ele amava o tempo todo. At o jeito de ela dizer
"vamos nos beijar" era muito romntico. Ela no era toda assanhada e aflita. Ela no
queria se retorcer nua na hidro, como L'Wren teria feito. Ela s queria ficar com as
toalhas e beijar, o que o fazia se sentir meio maduro e cool.
Nate deu um passo para a frente. Blair olhou para ele cheia de expectativa, os lbios
separados. Ele a abraou, como fez muita vezes, e no foi estranho nem tenso - foi
totalmente natural. Nate baixou a cabea e a beijou, como tambm fez muitas vezes,
mas desta vez beijou-a nos lindos lbios cor de pssego, e no no rosto. O beijo foi
longo e doce, e ela meio que ficava explorando a boca de Nate com a lngua quente e
veloz de um jeito que o fez sorrir quando o beijava. Ele a apertou um pouco mais. ,
beijar Blair era timo.
Ela se afastou e ps o rosto em seu peito nu.
- Eu te amo, Nate - sussurrou ela na pele molhada dele. - Sempre amei voc. - Todo o
corpo de Blair parecia de cera que foi derretida e depois esfriada. Ela estava elstica,
flexvel.
Nate ps as mos por baixo de seu cabelo molhado e afastou sua cabea do peito para
beij-la novamente. Blair era to linda e teatral, que ele se sentia estar atuando num
filme romntico meloso. Imagina-se que ele tenha se esquecido do baile e de ficar com
L'Wren. Ele no podia ir embora agora, no quando havia toda essa beijao pela
frente. A boca de Blair tinha gosto de Triscuits e vodca. Tinha um gosto bom. E ela no
ia a lugar nenhum. Se quisesse, ele podia beijar Blair a noite toda, porque ele tambm
no ia a lugar nenhum. Saber disso o deixou satisfeito, feliz e louco para beij-la ainda
mais.
Do outro lado da sute, atravs do vapor, Serena via as cabeas escuras e molhadas dos
dois se unindo e permanecendo juntas. Era to romntico  o jeito como as toalhas
brancas estavam enroladas com tanta elegncia no corpo, a ternura com que Nate
segurava a cabea de Blair. A viso de Serena comeou a embaar e lgrimas quentes
desceram por seu rosto. Com raiva de si mesma, por ficar parada ali boquiaberta, feito
uma idiota, ela pegou as roupas descartadas e o casaco framboesa no cho e correu para
fora da sute para se vestir num dos toaletes do lobby do hotel. No suportava ver mais
nada.
E isso era s o comeo.




no acredite em tudo o que l

Prezados sempeitos.com,
S gostaria de agradecer por disponibilizar um produto que realmente
funciona. Comecei a tomar os suplementos h uma semana e passei de P
para M! S tenho 12 anos e meio e antes eu era totalmente achatada.
Agora eu me sinto muito melhor e posso usar as roupas que gosto, como
biqunis e golas em V, que no fica nada despencando na frente! Acho
que at estou andando diferente agora. De qualquer forma, obrigada
pela ateno. Vocs so o mximo!!

Atenciosamente,
Jennifer Humphrey
P.S.: Veja abaixo as fotos de minha transformao!

Enquanto Jenny estava no quarto ao lado, anexando fotos dela mesma com o top preto
em vrias fases de crescimento de sua cmera digital Hello Kitty para compartilhar com
o universo digital, Dan estava sentado  mesa diante do computador e passava
freneticamente as fotos mrbidas de Vanessa at chegar quela de Serena e sua bunda
de fora. Ele clicou download e baixou a foto de Serena e a amiga bonita de cabelos
escuros. O sorriso de Serena ficou ainda melhor  mais de outro mundo e mais atraente.
Ele podia cortar a outra garota. Ele clicou download de novo.
- Meu Jesus Cristo!  A voz de Vanessa ecoou pelo corredor, vindo da cozinha. Houve
um estardalhao enquanto vrios objetos caam da gaveta especial de Rufus e se
espalhavam pelo linleo. Apressadamente, Dan clicou pelas outras cinquenta fotos da
cmera. Havia muitas de pombos, poas, gente dormindo em bancos, lixo variado e a
irm de Vanessa, Ruby, mas nenhuma outra de Serena. Ele puxou o cabo da cmera e
correu de volta ao estdio.
- Foda-se o cardpio da pizzaria, nem consigo encontrar uma porra de xcara nessa
cozinha - gritou Vanessa da cozinha para o corredor, a voz estridente de irritao. -
Voc est fumando? D pra me ajudar a encontrar essa merda, uma vez que  a sua
casa, e no a minha?
Dan sorriu para a total falta de falsidade de Vanessa. Ela no tentava impressionar
ningum. Ela no estava paquerando, nem fingindo estar entediada, nem falando por
falar. Ela s queria pedir uma pizza. Ele se sentiu mal por roubar a cmera pelas costas
dela, mas Vanessa jamais saberia e era por uma boa causa.
O Fundo de Deficientes Eu Venero Serena van der Woodsen?
- Estou indo! - gritou ele enquanto atirava a cmera de volta  bolsa de lona preta de
Vanessa. Ele disparou pelo corredor at a cozinha e a encontrou sentada  mesa de
frmica rachada, lendo concentrada um de seus ltimos poemas, o rosto corado de
prazer.

Estou ficando vermelho
No  sua culpa
Estou to vermelho

Ah, sim, isso, pensou Vanessa consigo mesma, emocionada com a ideia de que Dan
corava quando pensava nela, do mesmo modo que ela corava quando pensava nele.
- Esse ainda no est terminado - explicou ele sem jeito enquanto relia o poema por
sobre o ombro de Vanessa, as mos tremendo de constrangimento. Ele ainda queria
acrescentar alguns versos, algo sobre cupido ter asas, ento tambm ser um pssaro.
Cupido era um pombo? No, isso era ridculo. Mas parecia necessrio invocar cupido
quando ele estava discutindo Serena como um pombo-anjo.
T legal, anormal/gnio.
- Me d quando estiver pronto. Acho que vou publicar uma srie de cinco ou seis
poemas seus na revista. As pessoas vo ficar impressionadas com a Annima quando
sair, ser uma zoeira, todo mundo tentando adivinhar quem ela . - Ela fechou o
caderno. - Ei, o que aconteceu com a nossa pizza?
Dan pegou o caderno de volta e o protegeu sob o brao.
-  646-555-PEEZA - recitou ele mecanicamente.
Vanessa se levantou, uns 5 centmetros mais alta do que ele. Ela lhe deu um cutuco
firme na barriga magra, de repente grata por no ter tido irmo. Os meninos eram uns
idiotas.
- Obrigada, Stormfield. Vou querer queijo extra com cebola. - Ela mordeu o lbio,
perguntando-se se ela e Dan iam se beijar mais tarde. - Pensando bem, sem cebola. S
queijo. Por favor  acrescentou ela apressadamente. - E uma ginger ale.

Duas horas depois, uma pizza devorada, meia-pepperoni, meia-queijo extra, duas latas
de ginger ale e quatro garrafas vazias de Amstel Light estavam no cho do escritrio
dos Humphrey. The Late Show bruxuleava mudo na antiga TV Philips, mas Vanessa e
Dan no estavam vendo. Estavam sentados no cho com as costas no antigo sof de
couro marrom, os ombros se tocando. Vanessa se perguntou se Dan tinha bebido cerveja
suficiente para no ter um ataque apopltico se ela o beijasse. Tinha certeza de que seria
o primeiro beijo para os dois. Certamente ele agia como algum que nunca foi beijado e
Vanessa sabia que ela prpria jamais beijou.
Dan ficou observando Vanessa pelo canto do olho por um tempo. Seus grandes olhos
castanhos eram mesmo lindos e os lbios eram bem vermelhos. Ou talvez os lbios dela
estivessem tendo uma espcie de reao alrgica ao pepperoni, que ela roubava das
fatias dele. Vanessa no era Serena, mas ele ainda no conseguia deixar de se perguntar
como seria beij-la. Depois ele se sentiu um pervertido por pensar nisso. S porque ela
era uma garota, no queria dizer que fosse um objeto sexual, ralhou a voz de Jenny para
ele. A irm feminista que queria desesperadamente ter tetas.
Ele esticou as pernas e bocejou, meio cutucando Vanessa ao fazer isso. Ela riu e
retribuiu o cutuco. Depois ela meio que o agarrou e colocou a cara dele na dela at que
os lbios se tocassem. Foi s um beijo molhado que tinha gosto de pepperoni: sem
lngua.
O crebro de Dan entrou e saiu de foco, como televisor numa tempestade eltrica. Um
pombo voou por sua cara e ele pensou que tinha o cheiro da amostra de perfume que
Jenny passava nos pulsos e tornozelos depois de tomar banho. Ela dizia que era o
mesmo perfume que Serena usava: Cristalle. Depois o televisor em sua cabea se
apagou para sempre.
Vanessa fitava Dan esparramado no cho, diante dela. Ele parecia estar inconsciente.
Ela segurou seus ombros e o sacudiu gentilmente.
- Dan? Est vivo? Preciso chamar uma ambulncia?
Os olhos dele se abriram.
- Cristalle - murmurou ele com um francs ruim.
- Voc est me assustando - sussurrou ela. Um fio de baba pendia de sua bochecha
plida. Ela limpou com o polegar de unha curta. - Diga alguma coisa normal. Quem
escreveu Judas, o obscuro?
- Thomas Hardy - respondeu ele automaticamente.
Ela relaxou o aperto nos ombros dele.  claro que o cara por quem ela se apaixonou
tinha de ser a pessoa mais imatura do mundo. Um mero beijo e ele entrava em parafuso.
Talvez ela tivesse agido rpido demais. Talvez ele precisasse de um ou dois meses s
sentado no sof, sentindo a eletricidade entre as coxas, conversando e respirando o ar
abafado de primavera. Depois finalmente ele voaria em cima dela, incapaz de resistir.
- Acho que voc precisa parar de fumar tanto  aconselhou Vanessa, ajudando-o a ficar
de p. Ela o levou pelo corredor at seu quarto. - E beba mais gua em vez de caf
instantneo e cerveja.
O quarto estava escuro e reconfortante. Dan subiu na cama como um bom menino. Ele
sempre foi peso-leve, mas desmaiar assim - tenha d, era constrangedor. Ele pegou o
copo de gua que Vanessa lhe passava e bebeu lentamente. Suas mos tremiam. Talvez
no fosse a cerveja. Talvez fosse toda a excitao de baixar aquelas fotos de Serena.
Ou a excitao de saber que podia olhar para elas sempre que quisesse?
- Voc vai dormir. - Vanessa pegou o copo vazio e afagou a mo dele. - Eu vou para
casa. - Ela hesitou, sem ousar beij-lo de novo, nem mesmo no rosto, por medo de
provocar uma parada cardaca em Dan. Em vez disso, ela saiu do quarto na ponta dos
ps e fechou delicadamente a porta. Dan era to frgil, que era igualzinho a um daqueles
poetas doentios da Inglaterra que morriam aos 20 anos porque a vida tinha beleza e
tragdia demais para eles suportarem. Ele devia ser mais romntico do que ela, mais
romntico do que qualquer mulher.
E isso meio que a fazia am-lo ainda mais.




embora ele no seja um amante de gatos

- Quer conhecer meu gatinho novo? - Blair pegou Nate pela mo e o puxou pelo
corredor at seu quarto. Eles nem conversaram no carro ao virem do Tribeca Star. No
conversaram muito a noite toda. S ficaram se beijando - na hidro vaporosa, nos
confortveis roupes rancos, no sof apinhado enquanto dividiam um ltimo coquetel,
depois no txi a caminho de casa. Era como se eles no se cansassem um do outro. Eles
s queriam beijar e beijar. Como se ansiassem por uma coisa por anos, mas no
soubessem o que era e agora finalmente tivessem descoberto.
Nham.
Um gatinho cinza com olhos azuis assustados estava enroscado na cama de Blair.
- A est voc - Blair cumprimentou ternamente o gato e o pegou, aninhando-o nos
braos.   um Russian Blue. - Ela passou o gato a Nate. - Kitty Minky, este  o seu
papai.
Nate no era de gostar de bichos e definitivamente no era pai de ningum.
- Oi - Nate cumprimentou o gato asperamente. - E a?  Kitty Minky cravou as garras na
mo dele e Nate o soltou no cho.
- Cuidado! - gritou Blair com severidade. Ela pegou o gato de novo. - Ele  s um beb.
- Desculpe. - Nate enfiou as mos nos bolsos, meio sem graa. Ele j viera mil vezes ao
quarto de Blair, mas a me e o irmo dela estavam em casa e ele se sentia... estranho.
Queria enfim transar esta noite, mas no sabia se podia fazer isso com um gato olhando.
Ou na cama em que costumava brincar de esconde-esconde o tempo todo quando era
pequeno. Ele foi at a TV de tela plana e a ligou.  Quer ver um filme ou coisa assim?
Meu Deus, ele era lindo.
- No. Vem c. - Em vez de esperar que ele fosse at a cama, Blair se lanou, tirou o
cinto da cala dele e o chicoteou pelo quarto. Ela riu. - Sei que acabamos de nos vestir,
mas... - Depois ela o beijou, lembrando-o do motivo para estar ali.
T legal, agora ele no se sentia mais estranho. Ele a pegou e carregou at a cama.
Depois tirou o gato do quarto.
Miau-miau, nada de olhar. Tchauzinho.
Ele voltou  cama e tirou a camiseta cinza e Blair acompanhou seus movimentos com
um sorrisinho.
- Eu te amo, Nate - sussurrou ela, corando.
Nate a fitou, perguntando-se o que dizer. No que ele no a amasse.  claro que a
amava. Ela era a Blair. Ele s no estava preparado para entrar na... namoradice dessa
histria. Neste momento ele s queria tirar as roupas dela. Ele pegou a bainha e
comeou a puxar para cima. Subindo, subindo, por sobre a cabea. Cara, os vestidos
eram timos. S uma pea grande de tecido sobre a cabea e blam!  ela estava
praticamente nua.
A calcinha de Blair era do tipo que deixa as meninas parecerem mais nuas. Calcinha de
revista de sacanagem, com renda. Ele tinha medo de tocar. Em vez disso, ele se deitou
ao lado de Blair e afagou seu brao, o ombro, o pescoo. Ela encostou a cabea em sua
mo sorriu para ele.
- Nate?
- Humm - respondeu ele, os olhos verdes fechados. A pele de Blair era macia, o cabelo
sedoso.
- Voc no disse nada. Eu disse que te amo e voc no disse nada.  ela esperava,
ansiosa.
Nate abriu os olhos. Ela no ia deixar que ele se safasse desse jeito.
- Eu tambm te amo - respondeu ele automaticamente.  Pensei que voc soubesse.
Blair no era uma pessoa religiosa, no mesmo, mas estava tendo uma experincia
mstica. Nate era um deus, o deus dela, e ele a abenoara com seu amor.
Ah, Senhor!
- Agora pode me beijar, idiota - ordenou ela, agarrando sua cabea dourada. Eles se
beijaram por um tempo, felizes, famintos. Depois ela empurrou sua cabea. - No estou
pronta para fazer sexo - declarou ela simplesmente. - Mas vamos transar logo 
prometeu ela com a expresso sria. - Quando eu estiver pronta.
 melhor que ningum tente adivinhar quando. Ser quando for e pronto.
Nate gostou que ela fosse franca com ele. As mulheres podiam ser to confusas. Como
Serena - ela era totalmente confusa. Blair no era confusa. Sua sinceridade era quase
generosa.
- Tudo bem. Eu posso esperar.
Ela pegou a cabea dele de novo, com vontade de devor-la. Meu Deus, Deus, Deus, ele
era to lindo, lindo, lindo! Ela o beijou com intensidade, entrando realmente no beijo. E
ele entrou tambm.
- Meninas, querem uns biscoitos? - A voz cantarolada de Eleanor Waldorf ecoou do
outro lado da porta. Ela abriu s uma fresta. - E tenho trufas de La Maison du Chocolat!
Blair atirou um travesseiro na porta.
- Vai embora, me.
Eleanor colocou a cabea para dentro do quarto.
- Oh! - exclamou ela quando viu Nate, sem camisa, deitado por cima da filha quase nua.
- Ol, Nathaniel. Est tudo bem. No liguem para mim. Estou indo embora. - Ela
rapidamente fechou a porta.
- Desculpe. - Nate se afastou e ficou pendurado de cabea e tronco para fora da cama,
tateando em busca da camisa no cho. Isso era muito esquisito. Ele podia voltar quando
no houvesse ningum em casa.
- Pare. Voc no vai embora. - Blair pegou o cabelo dele, praticamente arrancando seu
escalpo. - Voc conhece a minha me. Ela toma Xanax demais. Ela nem vai se lembrar
disso de manh. Mesmo que lembre, ela no liga. Provavelmente est no telefone agora
com o Crane, encomendando nossos convites de casamento. - Ela corou, depois beijou o
pescoo de Nate pouco abaixo do lbulo da orelha. - No que a gente v se casar, nem
nada disso. - Enquanto isso, no filme que passava em sua cabea, ela podia ouvir a
marcha nupcial, ver o incrvel vestido de noiva Vera Wang sem alas, imaginar Nate
esperando por ela no altar com smoking Thomas Wylde, os olhos verdes cintilando de
lgrimas ao se maravilhar com a beleza de Blair.
No vamos nos empolgar.
Nate se acomodou na cama de novo.
- Olha, eu sei que no vamos fazer nada, mas pode tirar essa coisa? - perguntou ele,
apontando para o intimidador suti La Perla de renda e cetim marfim.
Blair corou de novo e fugiu para baixo do lenol de seda rosa. Rebolou como um peixe
e tirou o suti, atirando-o para a porta do armrio.
- Assim? - perguntou ela timidamente, erguendo as sobrancelhas escuras e bem
modeladas.
Nate entrou sob as cobertas atrs dela. Sua pele era to macia, como a camura que ele
usava para polir o casco do veleiro. Era to bom ficar com a Blair. Ele no conseguia
deixar de se surpreender com isso. Nate tinha certeza de que era ela que ele queria o
tempo todo.
- Assim mesmo - murmurou ele, beijando-a.
- Eu te amo, Nate - sussurrou Blair de novo.
Desta vez ele fez tudo certinho. Ergueu-se e olhou em seus conhecidos e esperanosos
olhos azuis.
- Eu tambm te amo, Blair.
Ela detona!
gossipgirl.net
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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: Todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e eventos foram
alterados ou abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                      oi, gente!

Mal  meia-noite e, como Cinderela, eu estou em casa, seca, aquecida e sem meus
stilettos loubotin de couro malva que ficaram arruinados para sempre da neve. Podem
me chamar de Vov Sensvel, mas de agora em diante, na primeira vez em que a
temperatura estiver uns 20 graus, estarei com meus chinelos de estampa de leopardo,
dentro e fora de casa. Agora que estou aquecida e confortvel, podemos discutir estas
intrigantes festividades da noite.
um baile  um baile  mas no h nada como uma pr-festa

Minhas caras debutantes, vocs debutaram esta noite e agora esto debutadas para
sempre. Odeio dizer isso, mas - o baile foi uma completa chatura. A no ser pela parte
em que aquela linda condessa italiana tira o vestido. Ao que parece, h toda uma faco
nudista na aristocracia italiana - quem diria? E houve tambm a parte em que aquela
debutante muito irritada de nome duvidoso subiu na mesa e gritou imprecaes para o
acompanhante ausente. Isso foi timo, o ponto alto de toda a algazarra. Mas a maior
parte da excitao aconteceu no Tribeca Star Hotel...
flagras

S esquivando-se no saguo do hotel enrolada num roupo branco do Tribeca Star. Ser
que criou uma nova tendncia  a foge-do-quarto? O pai de B, pegando as chaves para o
quarto no carlyle Hotel acompanhado de um cara to lindo que qualquer um ia querer
escapar com ele, homem ou mulher. B e N muito gracinhas, subindo na traseira de um
txi e descendo dele, juntos, na calada do prdio dela na 72 com a Quinta. C no saguo
do prdio de S na 83 com a Quinta, sendo enxotado pelo porteiro, de cabelos brancos,
da noite. O que foi isso? E a gente que pensava que ele tinha colocado aquela linda e
nua condessa italiana num jato particular para Las Vegas e a essa altura estava casado
com ela. E mais tarde, S, tremendo enquanto fumava sozinha na escadaria do Met, uma
mrtir fantasmagrica com jeans baggy e fleece Patagonia. Gostaria de dizer que ela
parecia trgica, mas o trnsito na Quinta Avenida praticamente parou por causa dela,
ento ela no poderia parecer assim to mal. V pegando o trem L  meia-noite para
Williamsburg, tirando fotos do bbado porco que se mijava enquanto dormia nos bancos
na frente dela. Ela parece ter achado isso muito divertido. Essa menina  uma
pervertida.
a quem interessar possa

Isto pode ser extremamente bvio para muitos, mas se voc vai colocar fotos de si
mesma na Internet, em especial fotos quase reveladoras de seus atributos fsicos, no
costuma ser boa ideia dar seu nome completo.  s um aviso. Agora eu sei quem voc 
- todo mundo sabe. E no  a ltima vez que vamos ouvir falar de voc. Essas fotos vo
chegar aos cantos mais distantes da terra e, no vero, voc estar recebendo
correspondncia de fs babacas de Bora-Bora. Depois no diga que eu no avisei.
seu e-mail

P: Cara GG,
Acho que estou apaixonado. No, droga, eu sei que estou. E eu a deixei escapar. Peguei
o nibus errado. Ela acha que estou com outra. Porcaria. O amor  uma merda.
- CBret

R: Caro CBret
Nunca  tarde demais para dizer "Eu te amo". Leve para ela duas dzias de rosas de
caule longo, trufas de chocolate preto e um milkshake preto e branco e ela vai se
esquecer totalmente da outra garota.
- GG

P: Minha querida Gossip Girl,
Sei que minha filha est com um rapaz em seu quarto esta noite e no sei bem o que
fazer. Eles se conhecem desde sempre, mas so to novos. Ser que eu deveria oferecer
um leite quente e profiteroles aos dois e depois dizer a ele para ir para casa?
- hiperme

R: Cara hiperme,
 um amor de sua parte se preocupar, mas provavelmente no h problema nenhum em
deixar que fiquem a ss. Se voc  sempre assim to doce e preocupada, sua filha
provavelmente tem uma boa cabea sobre os ombros e o rapaz deve ser respeitvel, se
ela decidiu lev-lo para casa. Devia se sentir com sorte por eles no estarem na rua
fazendo nada de desagradvel.  bom que estejam em casa. Voc pode preparar o caf
da manh para eles. As torradas do Balthazar sempre agradam. Tenha doces sonhos.
- GG

P: Cara GG,
Eu dirijo um txi para as estrelas. Me ligue uma hora dessas.
- zip

R: Caro zip,
Obrigada pela dica, mas eu prefiro minha limusine.
- GG
no  a ltima palavra

Algo me diz que esta no  a ltima vez que vamos ouvir falar desta noite. Alguns de
ns esto sozinhos, alguns no esto e, como Scarlett O'Hara certa vez disse, amanh 
outro dia. Se houver alguma coisa para contar, vocs sabem onde me encontrar e eu
certamente sei onde encontrar vocs.

                                 Pra voc que me ama,

                                      gossip girl
olha s o que a fada dos dentes deixou aqui

Serena estava deitava em cima de seu cobertor branco, totalmente vestida com a legging
de cashmere carvo TSE preferida e um suter de cashmere preto J. Crew com gola em
V. Era manh de sbado. Ela dormiu a maior parte da noite, mas acordou s cinco da
manh para tomar um banho e fazer uma limpeza na pele com leite e no conseguiu
voltar a dormir. Deviam ser oito da manh ou talvez at nove, ela no sabia. Tinha
parado de nevar e o sol se infiltrava no quarto atravs das cortinas brancas, que estavam
bem fechadas.
Com a mo mole, ela pegou a caixa da Tiffany em sua mesa de cabeceira de mogno
antiga. A tampa tinha suas iniciais: SvdW. Ela a tirou e examinou o interior da caixa,
revestido do veludo azul-claro tpico da Tiffany. Seis minsculos dentes de bordas
marrons estavam juntos no meio - seus dentes de leite. Por que havia apenas seis, Nate
sempre quis saber. Havia dois incisivos, dois dentes superiores e dois inferiores. Onde
estavam os molares? E o resto? Serena sempre disse a ele que os outros tinham cado
enquanto ela comia torta-musse de chocolate na festa de aniversrio de 8 anos e ela
engoliu todos, mas os dois sabiam que no era verdade. Era um mistrio.
Ela pegou os dentes na caixa e os segurou. Pareciam meio nojentos, como os ossos de
um bicho atropelado, algo em que ela no devia tocar. Ela os devolveu  caixa e fechou
a tampa, mantendo-a equilibrada na barriga. Seu corpo estava cansado, to cansado que
ela podia dormir por dias, mas Serena tinha medo de fechar os olhos e ver Blair e Nate
se beijando de novo. Algo que jamais esqueceria.
- Srta. Serena? - A empregada brasileira dos van der Woodsen, Deidre, bateu de leve na
porta. - H um Sr. Chuck Bass aqui, ele tem presentes - acrescentou ela zombeteira,
como se Serena ficasse totalmente maravilhada ao ver o Sr. Chuck Bass to cedo numa
manh de sbado.
- Ai - murmurou Serena, enfiando os ps em seus velhos chinelos pretos de pele de
ovelha Ugg. Ela foi at a porta e abriu um pouco.
- Ei, Deidre, ele est, tipo assim, na casa? Ou est esperando l embaixo? - perguntou
ela, na esperana de que a empregada dissesse ao porteiro para mandar Chuck embora.
- Estou bem aqui - respondeu com grandiloquncia a voz alta de Chuck. Ele apareceu na
porta da frente brandindo um buqu de lrios brancos e um mocha-choco-frappi gelado
gigantesco encimado com Reddi Whip num copo de plstico transparente da Starbucks.
Bom dia, querida. - Ele lhe deu um beijo no rosto e entrou no quarto como se fosse uma
rotina nas manhs de sbado. Deidre disparou pelo corredor com seu uniforme de
empregada cinza e branco, lanando a Serena um olhar divertido com os olhos
castanhos suaves que diziam, "Que encanto!"
Serena no odiava muita coisa, mas desprezava abertamente bebidas doces e geladas da
Starbucks, e o cheiro dominador dos lrios sempre lhe dera repulsa. Assim como a
colnia masculina de Chuck, o cabelo dele que parecia molhado e seus dentes brancos,
reluzententes e imensos. Ela se perguntou rapidamente se Chuck j teve dentes de leite.
Era difcil imagin-lo com qualquer coisa de beb.
- Oi, Chuck - ela o cumprimentou, cansada. Ela pegou o caf e ps os lrios na mesa.
Queria atir-los pela janela, mas podia ser uma grosseria. - Voc acordou cedo. Cad a
Donatella?
Ela percebeu que ele ainda estava com o palet com cauda e ainda estava bonito, de um
jeito de comercial de desodorante. De repente ele se ajoelhou na frente dela, segurando
suas mos moles.
- Fiquei acordado a noite toda, olhando seu prdio. Olhando suas luzes acendendo e
apagando. O porteiro da noite no me deixou entrar. Ele nem quis tocar o interfone. -
Ele parou, como se tivesse dito o necessrio.
Serena franziu a testa. Tinha a sensao de que perdera alguma coisa.
- Cad a Donatella? - repetiu ela feito uma idiota.  Vocs estavam to... bem juntos.
Chuck revirou os olhos como se Donatella de la Varga e seus seios nus e perfeitamente
redondos fizessem parte do passado.
- Ela era uma criana. Uma virgem total. Por acaso ela est prometida a algum prncipe
suo e ele determinou que ela tem de ser virgem at o casamento, que vai acontecer,
tipo assim, daqui a dois meses. O pai dela vigiou a garota feito um falco a noite toda.
Talvez ele nem fosse pai dela. Tenho certeza de que ele tinha uma arma. Isso meio que
estragou meus planos. De qualquer forma, no importa. - Chuck segurou as mos de
Serena com mais firmeza. - Quando voc me beijou ontem  noite, eu entendi.  voc
que eu amo.
Serena o encarou, os cantos da boca perfeita se retorcendo. Ele no podia estar falando
mais a srio.
- A Blair armou isso pra mim? - perguntou ela, cheia de desconfiana. Blair adorava
pegadinhas. E ela estava completamente inconsciente de que tinha magoado Serena
ontem  noite. Ela era bem capaz de aprontar essa.
Chuck franziu o cenho.
- No. Ela ficou meio ocupada ontem. - Ele fez uma coisa nojenta com as mos,
passando o indicador para dentro e para fora de um buraco em O que fez com o
indicador esquerdo e o polegar.  Com Nate - acrescentou ele, para ilustrar.
O gesto lhe pareceu um soco na barriga. Serena fez uma careta e levou a mo 
garganta.
- Eu no queria ferir seus sentimentos, Chuck - disse-lhe ela em voz baixa -, mas agora
preciso que voc v. - Ela puxou com urgncia as mos dele, tentando coloc-lo de p.
Chuck se levantou e agarrou seus braos vestidos de cashmere. Ele estava prestes a
engolir a cara de Serena em um de seus beijos molhados, dominadores e devoradores,
mas Serena recuou, tirando os braos das mos dele.
- Por favor - pediu ela.
Ele ficou parado ali, olhando-a. No era o que ele esperava. Evidentemente, ele pensou
que o beijo da noite anterior tinha sido uma espcie de convite aberto.
- Voc devia ser meio fcil - grunhiu ele. - Ou s  assim com mulheres?
Serena decidiu no responder a essa pergunta.
- Tchau, Chuck. - Ela pegou o telefone, pensando que ele mais provavelmente ia sair se
ela se ocupasse com outra coisa. Ela apertou uns botes aleatoriamente.
- Eu te ligo - disse-lhe ele alegremente e acenou para ela antes de sair.
Por favor, no ligue.
O telefone tocou na mo ansiosa de Serena.
- Oi! - Era Blair, to animada que praticamente gritava.  Ns fizemos!
Serena tombou tonta na cama. Ela se sentia retorcida ou inundada. O que devia dizer...
meus parabns? Pelo menos Blair estava feliz agora e no curvada sobre uma privada,
botando as tripas para fora.
- Ele ainda est a? - sussurrou Serena com a voz rouca.
- Est - sussurrou Blair levianamente. - Est dormindo.
Serena fechou os olhos enquanto as lgrimas se derramaram descontroladas.
- Oh.
- No se esquea de ligar para aquele agente de viagens com o itinerrio para nosso
vero - lembrou-lhe Blair, toda mandona. - Diga a ele que no ligamos para escalar os
Alpes nem fazer Caminho Alpino nem nada disso. Eu no escalo. S quero passar o
maior tempo possvel com trem, em minha couchette, com Nate.
- Tudo bem - Serena chorava, sem flego - Eu te ligo mais tarde - Acrescentou ela
apressada e desligou. Ela se lembrou de se sentar na beira da cama, fitando o tapete de
tric cereja e azul com padronagem de rosas enquanto as lgrimas desciam pelo rosto e
caam no colo. Sua infelicidade era to completa, que ela podia estar sentada ali por um
minuto, dez ou quarenta e cinco minutos, ela no sabia.
Por fim ela enxugou as lgrimas e foi  mesa. Atirou de lado a pilha esquecida de
catlogos de internatos e abriu o livro de latim. Amo, amas, amat. Em toda sua vida,
Serena nunca fez dever de casa num sbado de manha. Mas uma vez que os dois
melhores amigos agora estavam praticamente noivos - um do outro -, talvez esta fosse
sua chance de se tornar uma estudante modelo, de dedicar seu tempo livre  caridade,
aperfeioar sua backhand.
Reabilitar seu corao arrasado.




est faltando algo no reino da dinamarca

HAMLET: Permite-me a jovem que eu me recline em seu regao?
OFLIA: No, meu senhor.
HAMLET: Quero dizer, a cabea em seu regao.
OFLIA: Sim, meu senhor.
HAMLET: Pensavas que eu falava em bandalheiras?*

Dan olhou, sem esperana de compreender, a mesma pgina desbotada de sua antologia
de Shakespeare, as palavras cruzando seu sistema de coordenadas e depois escapulindo.
Ele j havia lido Hamlet e se maravilhou com a obra, mas hoje no conseguia se
concentrar. Roupa suja, decidiu ele, a respeito de nada. Ele ia lavar a roupa e depois
voltar ao dever de casa. Ele empurrou a cadeira e pegou as roupas sujas espalhadas pelo
carpete marrom cheio de fiapos que cobria todo o quarto. Talvez ele lavasse a roupa de
todo mundo. Seu pai ia adorar isso. Qualquer coisa para no ficar olhando feito um
idiota essas fotos de Serena van der Woodsen em seu computador, ou para no pensar
no fato de que ele tinha certeza absoluta de que Vanessa tentara beij-lo ontem  noite.
Antes que desmaiasse, e antes que ela o colocasse na cama e fosse para casa.
Era evidente que ela gostava dele. No se aparece na casa de uma pessoa sem anunciar e
se comea a beijar se no gostar dessa pessoa - no ? Ele s no sabia o que fazer com
isso. Dan tirou a desbotada fronha de Homem-Aranha do travesseiro e enfiou nela um
chumao de roupas sujas, principalmente camisas que ele nem se lembrava de usar e
cuecas que ele discretamente chutou para debaixo da cama.
Que legal.
Dan seguiu pelo corredor estreito e empoeirado at o quarto do pai. Como sempre,
Rufus ainda estava na cama. Ele passava as manhs de sbado - e todas as outras
manhs, alis - enfiado sob um spero cobertor vermelho de l, lendo jornais e
publicaes de literatura, fumando e xingando. A fome o obrigaria a se levantar l pela

_______________
*Traduo de Barbara Heliodora;1I Teatro completo, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2006 . [N.
da T.]
uma hora e ento ele se arriscaria a ir ao supermercado para comprar a aventura
culinria do dia. J passava de uma hora, mas Rufus ficou at tarde na noite anterior no
East Village com os amigos anarquistas escritores, ento ele estava embromando na
cama.
- Pai? - chamou Dan do lado de fora da porta. - Tem alguma roupa para lavar?
Um rosnado abafado e um murmrio de dentro, depois Rufus abriu a porta. O elstico
roxo do rabo de cavalo da noite passada estava pendurado em uns fios de cabelo
grisalho perto da orelha esquerda. A barba grisalha e preta parecia ter estado numa
briga. Sua barriga se projetava acima do cs da cueca samba-cano azul-clara Hanes,
expondo um trecho branco de pele peluda por baixo de um casaco de capuz preto
apertado demais do Mets que Dan desconfiava que era dele.
- Vai lavar roupa?
- Acho que estou procrastinando - Dan deu de ombros. - Tenho um trabalho para
escrever. Hamlet.
Rufus assentiu. Se havia uma coisa que pai e filho tinham em comum, era o interesse
por literatura.
- No devia ser to difcil. Mas voc decidiu lavar a roupa.  Ele farejou o ar com
suspeita.  H algo de podre no reino da Dinamarca  ele citou a famosa frase de
Shakespeare, os olhos castanhos remelentos se esbugalhando com uma imperiosidade
de sapo.
- Dan tem namorada...! - A voz irritante de irm mais nova Jenny cantarolou do
corredor. Ela danou no quarto usando um vestido abotoado de brim Diesel com o zper
estrategicamente aberto para mostrar seu colo em desenvolvimento. Estava maquiada e
obviamente se produzia e se olhava no espelho desde o amanhecer.
- No tenho no! - Dan se virou e atirou em Jenny a fronha cheia de roupa suja. As
cuecas sujas se espalharam aos ps da irm.
Ela torceu o nariz arrebitado e sardento.
- Al! Totalmente desnecessrio!
-  a mesma menina? A careca que conheci? - perguntou Rufus enquanto se colocava de
quatro e comeava a patrulhar o quarto em busca de roupas sujas, empilhando-as em um
dos braos enquanto prosseguia. Um monte de suas roupas s podia ser lavado a seco,
mas isso no o impedia de lavar em gua e us-las. Era opinio dele que quanto mais
encolhidas e enrugadas as roupas ficavam, mais interessantes ficariam. Ele se levantou e
passou a braada fedorenta a Dan.
- Onde ela mora? Devamos convidar os pais dela para jantar.
- No! - gritaram os dois filhos ao mesmo tempo.
- Ela mora com a irm - acrescentou Dan, sentindo-se meio mal por insultar a culinria
do pai o tempo todo. - Ela  macrobitica. Ou coisa assim, eu esqueci.
- Vai lavar roupa? - perguntou Jenny ansiosa enquanto Dan seguia pelo corredor,
passando pelo quarto dela. Ela sempre cuidou dessa tarefa, ento era essencial que
tirasse proveito da generosidade do irmo mais velho. - Pera! - ela disparou para o
armrio e pegou uma pilha arrumada de jeans e camisetas. De jeito nenhum ia deixar
que ele lavasse suas calcinhas.
Dan esperou na porta. Uma foto do peito empinado de uma menina flutuava na tela do
computador de Jenny. O peito estava vestido num suti simples.
- Legal  observou ele.
Jenny deu de ombros e lhe passou as roupas sujas, enfiadas numa fronha listrada de cor
de rosa e branco.
- Escrevi uma carta de agradecimento  empresa de suplementos para os seios ontem 
noite e recebi um monte de e-mails legais de outras mulheres. - Na verdade, os e-mails
eram principalmente de homens, mas ela no ia dizer isso.
- Essa menina me mandou uma foto dela - continuou Jenny, sentando-se  mesa branca
Pottery Bam Kids "Madeleine". - E olha aqui o que ela escreveu: "Cara Jennifer, voc 
uma inspirao. Reclamei a vida toda de meu peito achatado e sou mais velha do que
voc. Eu estava tomando os suplementos s h uma semana e ia parar, mas desde que
voc escreveu seu testemunho decidi tomar por mais algum tempo. Boa sorte... voc
merece." - Jenny se virou.  No  bacana?
Dan deu de ombros. Ele nem acreditava em quanto tempo as pessoas passavam online.
Preferia escrever coisas no papel, riscar tudo e ficar doente de fumar enquanto encarava
furiosamente uma nova pgina em branco.
No  da que vem o problema com os desmaios?
Jenny rolou rapidamente para o e-mail seguinte, de um cara pirado de Lancaster, na
Pensilvnia, que lhe mandou uma foto de sua bunda com as palavras Nova e
Aprimorada! escritas em marcador azul-non. Algumas pessoas eram to idiotas.
- Mas ento, eu vou logo quela loja de sutis que li online, onde tem sutis que cabem
melhor e eles tm sutis do mundo todo. Eu preciso mesmo de uns maiores agora e esse
lugar parece legal. Fica no Village. Quer ir?
Comprar sutis com a irm, ou ficar em casa, fumando, tomando caf e reclamando de
seu status no universo? Era uma parada dura.
- Talvez em outra hora - disse-lhe ele gentilmente.
Dan foi para o poro com um punhado de moedas de 25 centavos e dois travesseiros
cheios de roupas sujas. Ele costumava pensar que era o nico garoto do mundo que
tinha de lavar a prpria roupa. Certamente ele era o nico em sua turma que fazia isso.
Ento era muito reconfortante conhecer algum que tambm lavava a prpria roupa. E
Vanessa era a diva dos descolados. Ele sempre achou que, se tivesse namorada, ela seria
diferente. Diferente tipo uma certa loura platinada de olhos azuis e pernas de anjo.
Ah, sim? E quem seria essa pessoa?
O caso era que, apesar do fato de que ele andou escrevendo poemas para ela, Serena van
der Woodsen francamente no sabia que ele existia. Vanessa j apareceu na casa dele.
Ela o viu vomitar. Ela pegou a cara dele e lhe deu um beijo. Ela era de verdade - to real
que ele ainda podia sentir o gosto da gordura de pepperoni em seus lbios vermelhos.
Ela gostava dele, e jamais uma garota gostou de Dan. Ainda assim, ser que eles tinham
de se beijar? Mesmo que nunca acontecesse realmente na vida real, estava acontecendo
o tempo todo em sua mente, em seus poemas: os beijos eram reservados para Serena.
Boa sorte para explicar isso.




v pratica a moderao
Vanessa estava sentada no colcho do futon com o iMac aberto no colo, obrigando-se a
escrever um e-mail tedioso e simptico quando o que realmente queria era aparecer sem
avisar na casa de Dan de novo, enfiar-se embaixo da melanclica colcha puda do
Homem-Aranha dele e saquear seu corpo desesperadamente plido, gato e faminto. O
quarto dele estava escuro quando ela o ajudou a ir para a cama na noite anterior,
iluminado somente pela tela azul e bruxuleante do computador. Ela s pde distinguir
mais da arte de Jenny pendurada torta paredes. Quem no amaria um irmo to
dedicado? Ele era o menino mais doce do mundo.

Caro Dan,
Espero que esteja melhor. S queria agradecer pela pizza. A gente
podia ver um filme estrangeiro um dia desses, quando estiver se
sentindo bem. Quem sabe amanh, no Paris? Ah, mas voc precisa
escrever aquele trabalho grande sobre Hamlet. Deixa pra l. As frias
de primavera so daqui a duas semanas - sem dvida vamos nos encontrar
depois. Prometo no fazer nada, se no estiver preparado.

Seus dedos sem esmalte pairaram acima do teclado cinza. Ela no queria encorajar, mas
o que tinha escrito dava a impresso de que estava pronta para todo tipo de perverses.
Na verdade, Vanessa tinha certeza absoluta de que ia gostar de todo tipo de perverses
com Dan, mas no era isso que queria dizer. Ela s queria que ele soubesse que ela no
ia tentar beij-lo novamente. No quando isso o deixava to nervoso que ele desmaiava.
Ela s tinha de se moderar e esperar que ele a beijasse.
Ela apagou tudo, exceto as trs primeiras linhas do e-mail, depois acrescentou:

Vejo voc nas frias de primavera, talvez. Bjs - V
P.S.: Me mande aqueles poemas por e-mail assim que terminar!

Ela clicou em Enviar e depois nas pginas dos poemas de Dan que j estavam
armazenadas no computador. Vanessa passou os olhos por eles, demorando-se nos
versos de que mais gostava. Eles usam preto como voc?... Acabamos de nos conhecer,
mas... me fisgue.
Sim, ela ia moderar. Depois, um dia, em breve, Dan estaria no meio da redao de um
poema e de repente perceberia que no podia suportar mais. Ia correr at Brooklyn,
peg-la nos braos e beij-la louca e desesperadamente. A partir da, eles seriam
inseparveis. Daqui a uns 15 anos, quando Dan ganhasse o prmio Pulitzer e ela
ganhasse um Oscar por seu documentrio ousado sobre os detritos da cidade, eles
deixariam vazar a notcia de que ela era a musa de sua poesia desde que ele comeou a
escrever. Eles morariam juntos num prdio louco de lofts em Williamsburg e criariam
obras-primas cruas e mgicas juntos, at morrerem nos braos murchos um do outro aos
103 anos. Escreveriam livros sobre eles. Eles seriam famosos por sua obra e por sua
parceria no amor e na arte, como Gertrude Stein e Alice B. Toklas ou Henry Miller e
Anas Nin. Juntos para sempre.
Parece coisa de poesia. Ou de fico.




n conhece a palavra mgica
Nate acordou antes de Blair. Ele sabia que era tarde porque o gato - Tiger Monkey ou
sei l que porra de nome tinha - estava esparramado no peitoril da janela, tomando
banho de sol. Tinha parado de nevar e de vez em quando um naco de neve derretida caa
em cascata do telhado do prdio com um baque abafado na rua.
Nate pensou ter sentido cheiro de bacon e seu estmago roncou com urgncia. Ao lado
dele, Blair estava deitada de lado s com a camiseta cinza de Nate e a calcinha de cetim
marfim enquanto abraava o travesseiro, os lbios curvados num sorriso. Ela parecia
saciada e feliz, embora eles no tivessem transado. Ela parecia uma propaganda de sexo.
Nate saiu de baixo das cobertas, ainda com a cala cqui. Passou os dedos pelo cabelo
castanho-dourado e ondulado e localizou um moletom no armrio de Blair que serviria
por ora. Ele dormiu na casa dela tantas vezes, no quarto de hspedes, ou no cho, nunca
em sua cama. Mas ela sempre vestia pijama, eles nunca chegaram ao ponto de se beijar
e Serena sempre esteve presente. Foi estranho descobrir que Serena no estava ali.
Como as coisas ficaram assim? Ser que Serena tinha alguma coisa melhor para fazer,
algum com quem ficar? Os detalhes eram nebulosos, como se ele os lembrasse numa
nuvem de vapor, mas a essa altura era evidente que ele estava com Blair.
Em silncio, ele abriu a porta do quarto, foi na ponta dos ps para o corredor e fechou a
porta. Sem dvida bacon. Ele andou descalo pelo piso de taco do corredor, na
esperana de que a cozinheira dos Waldorf, Mirtle, lhe desse um prato lotado, depois ele
podia se retirar para a biblioteca, onde veria futebol da Premier League da Inglaterra e
se empanturrar de comida.
-  voc, Ursinha? - soou a voz de comandante-dos-tribunais do pai de Blair. Nate
parou num timo. Tinha certeza de que o pai nem morava mais aqui. Pelo menos no o
tempo todo. - S passamos para pegar umas coisas!
- Tem bacon e suco - acrescentou vagamente a Sra. Waldorf quando Nate apareceu na
sala de jantar. Seu cabelo louro normalmente perfeito estava amassado nas costas e o
corpo levemente rechonchudo embrulhava-se num robe de cetim preto e longo que
parecia um traje de esqui da dcada de 1940, preso na cintura com um cordo dourado
com bolas. Seus ps cintilavam em chinelos de lantejoulas douradas com saltos
dourados pontudos.
Ser que ela est tentando reconquistar o marido, ou apavor-lo?
Harold Waldorf, advogado, estava agachado, feito um ladro, diante do buf imperial
francs, embalando taas de cristal numa espcie de caixa revestida de veludo vermelho.
Agachado ao lado dele, estava um homem mais novo, moreno, de cabelo liso e muito
bronzeado usando uma camisa salmo e um relgio Piaget de platina.
Bom dia, Rico Suave.
- A Blair ainda est dormindo - anunciou Nate, um pouco mais alto do que pretendia.
Ele puxou uma cadeira ao lado de Eleanor e se sentou, devorando com os olhos o prato
de porcelana com bacon torrado diante dele.
Eleanor empurrou o prato para ele e usou um par de pinas de prata para colocar
algumas tiras em seu prato.
- Est bom - disse-lhe ela distraidamente. Alguma coisa no fato de ela no olhar
realmente para ele, nem para nada na sala, entristeceu Nate. Ele pegou um pedao de
bacon e o colocou na boca. Cara, ele adorava bacon.
O Sr. Waldorf se levantou como se percebesse a presena de Nate pela primeira vez. Foi
at a mesa e lhe deu um tapinha no ombro.
- Nathaniel. H muito tempo no nos vemos. S estou pegando umas coisas. Que bom
que passou por aqui. Acho que a Blair ainda est dormindo.
D?
Ele tirou o par de luvas de algodo branco que usava para manipular o cristal.
- S pegando umas coisas - disse ele pela terceira vez. Seu amigo de camisa rosa sorriu
para Nate, constrangido. - Este  meu parceiro - o Sr. Waldorf o apresentou. - Giles.
O cara bronzeado estendeu a mo para Nate e Nate passou o brao por cima do prato
para apert-la. O cara tinha um aperto firme, mas depois que ele segurou a mo, curvou-
se e deu dois beijos no rosto de Nate.
- Encantado - murmurou ele, como um bom gay. De repente ocorreu a Nate que o Sr.
Waldorf no quis dizer parceiro nos negcios, quis dizer parceiro-parceiro. Meu Deus.
No surpreendia que Eleanor estivesse to maluca. Coitada da Blair.
- Nate dormiu aqui - disse-lhes Eleanor, como num transe. Ela serviu de mais caf do
bule de prata que estava sobre a mesa.  Eu os vi na noite passada.
O rosto de Nate ardeu, mas o tom de voz de Eleanor no era de acusao. Ela
simplesmente est deixando claro que ele no tinha acabado de chegar.
Como se o cabelo desgrenhado e os ps descalos de Nate j no deixassem isso bem
claro.
- Vou s pegar a Ursinha - anunciou o Sr. Waldorf, fechando o zper da caixa de couro
preto. Ele entregou a caixa ao namorado francs. - Ela est morrendo de vontade de
conhecer voc.
Nate enfiou outro pedao de bacon na boca e rapidamente o engoliu. Depois se levantou
e empurrou a cadeira para trs. O Sr. Waldorf j estava saindo da sala de jantar.
- Por favor, deixe a Blair dormir  disse Nate atrs dele. O pai de Blair parou e se virou.
 Ela anda muito estressada com tudo.  Ele gesticulou para a me de Blair, a caixa de
couro preto, Giles.  Por favor, deixe que ela durma.
O Sr. Waldorf deu ombros e voltou  sala. Pegou seu copo de cristal pela metade com
suco de laranja e terminou de beber.
- Se acha que ela precisa descansar - aquiesceu ele.
Nate pegou outro pedao de bacon e o colocou na boca, inteiro. Eleanor agora olhava
para ele, os olhos azul-beb arregalados e surpresos. Era meio gentil o modo como
Nate, bem, protegeu Blair de conhecer o amante gay do pai. Como se ela fosse sua
esposinha e ele cuidasse dela. Isso o fez se sentir msculo e primitivo, como King
Kong. Agora,  claro, ele queria acordar Blair e fazer um sexo ruidoso de gorila.
Calminha a, Tarzan.
- Ento, acho que vamos andando - o Sr. Waldorf se dirigiu  esposa. Ele se curvou e
lhe deu um beijo rpido no rosto.  Vamos para Paris amanh, mas sei que vou
conversar com a Ursinha antes disso. De qualquer forma, diga a ela que voltarei para
levar Tyler e ela para esquiar em Sun Valley nas frias de primavera, como sempre. Ele
olhou para Nate. -  claro que voc est convidado.
Nate meio que sorriu por gratido e mordeu outro naco de bacon. Alguma coisa na
gayzisse do Sr. Waldorf o fazia se sentir um homem das cavernas. Como se s o que
pudesse fazer fosse grunhir e bater em coisas com uma clava.
E arquear a moblia?
A Sra. Waldorf estava sentada muito reta.
- Divirta-se na Frana - disse ela monotonamente ao marido. Nate se perguntou se ela
estava pensando no que ela ia fazer nas frias de primavera enquanto eles estavam
esquiando. Ele queria convid-la tambm, como acompanhante dele, mas isso no ia
fazer sentido nenhum. Ainda assim, a Sra. Waldorf era uma mulher legar. Ela no
merecia ficar triste. Ele se levantou, desesperado para sair da sala e de toda essa
situao de merda.
- Boa sorte, Nathaniel  disse-lhe o Sr. Waldorf, apertando sua mo como se Nate fosse
um cliente dele.
- Obrigado - respondeu Nate. Giles piscou para ele, mas Nate no retribuiu. Ele no
estava pronto para ficar cheio de piscadelas com um cara que acabou de conhecer.
Eles foram para o hall pegar os casacos. A Sra. Waldorf ainda olhava para Nate como se
esperasse que ele lhe dissesse o que fazer.
- Tenha um bom dia. - Ele se aproximou e lhe beijou delicadamente no rosto. - Vou
levar Blair... - ele parou - ao zoolgico. - Ele pegou outro pedao de bacon e saiu
rapidamente da sala de jantar, descendo o longo corredor at o quarto de Blair. Abriu a
porta. Nada tinha mudado. Ela ainda estava abraada com o travesseiro, dormindo, com
o sorriso de satisfao na cara. Pussy Willow; ou sei l que porra de nome tinha, ainda
estava estirado no peitoril.
Nate engoliu o resto do bacon e foi at a cama, tentando controlar o homem-gorila
dentro dele. Curvou-se e beijou Blair nos lbios rosados e sorridentes. Ela abriu os
olhos e sorriu para ele, perfeitamente linda e inocente.
- Oi.
- Oi.
- Eu tinha acordado mais cedo - Blair bocejou. - Liguei para Serena. Depois voltei para
a cama.
Nate no ligava para nada disso. S queria tirar Blair da casa sem falar com ela da me
triste prestes a desatar em gritos por causa da gayzisse repentina do pai e seu estranho
modo de lidar com cristal. Ele queria comprar uma fatia de pizza de champignon e ver
os lees-marinhos. E talvez, quando Blair estivesse no banheiro ou falando com os
pinguins, ele desse uma pequena caminhada e fumasse o baseado que ainda tinha no
bolso. Ele estava excitado e ansiava por maconha desde que saiu da hidro na noite
anterior e, se no pudesse ter uma das coisas que desejava, pelo menos podia ter a outra.
- Vou tirar voc de fininho da casa - ele disse a Blair, a voz falhando de um jeito
sensual.
Blair ainda estava tonta da sensao maravilhosa de acordar com um beijo de Nate.
Sentia-se a Bela Adormecida quando o Prncipe Encantado finalmente vem acord-la e
tudo no reino ganha vida. Ele era totalmente perfeito. A vida dela era totalmente
perfeita.
- No vou a lugar nenhum - insistiu ela, puxando-o para a cama macia e coberta de seda.
Os lbios dele tinham gosto de bacon.  Voc devia me trazer o caf da manh.
Nate rolou de lado na cama e abriu a porta do armrio de Blair. Pegou uma cala jeans
no cho, um suter vermelho que estava pendurado num cabide e um par de botas curtas
e pretas de salto gatinha que ele achou sexy mas confortveis. Depois abriu a gaveta da
cmoda e pegou calcinha branca e suti de algodo branco.
Blair se sentou, observando-o, o cobertor cor-de-rosa puxado at o pescoo. O gatinho
cinza pulou em seu colo, cravando as patas em sua coxa de um jeito sensual. Nate atirou
as roupas na cama, assustando o gato.
- No vou vestir isso. - Ela torceu o nariz. - Esses jeans so ridculos e no combinam
nada com as botas.
Nate revirou os olhos, impaciente. Ele no queria ouvir essa besteirada de patricinha. S
estava tentando tir-la da casa.
- Vista o que quiser. S quero dar um passeio. Tomar algum ar. Comprar um presente
para voc.
Blair arregalou os olhos azul-claros.
- Um presente? - Ela bateu palmas como uma menininha e pegou a calcinha e o suti,
contorcendo-se sob as cobertas para vesti-las. Ela se levantou, tropeando no colcho
enquanto enfiava os ps nas pernas do jeans True Religion que ele escolhera. Nate teve
de desviar os olhos, para no perder o juzo, enquanto ela lutava com o suter. V-la de
suti de algodo branco, to inocente, o exasperava.
Ela se vestiu em segundos - at as botas. Disparando para o banheiro, ela passou Crest
na boca com o dedo, baixou a cabea e passou no cabelo algumas vezes a escova de
cerdas de javali e cabo de madeira Mason Pears. Depois borrifou uma nuvem de Chanel
Mademoiselle no ar e passou por ela, saindo do banheiro, cobrindo todo seu ser com o
aroma.
- Tudo bem. Pronta!
V como podemos ser rpidas e obedientes quando voc diz a palavra mgica?
Nate segurou a mo dela e os dois dispararam pelo corredor.
- Eu nem tomei banho  murmurou Blair. No que ela ligasse. Ela ia ganhar um
presente. Presente, presente, presente!
- Nem eu. Est tudo bem, estamos com o cheiro um do outro.  bom.
Mas ele no pode ser mais lindinho?
No saguo, Nate apertou o boto do elevador.
-  voc, Blair? - A voz de Eleanor Waldorf vibrou da sala de jantar
BIair abotoou o casaco preto Searle, enrolou o cachecol de cashmere branco TSE no
pescoo e enfiou as mos num par de luvas de cashmere cinza.
- Vamos tomar o caf da manh fora!  gritou ela enquanto as portas do elevador se
fechavam atrs deles.
O elevador desceu ao lobby. Nate passou o brao nos ombros de Blair com o tipo de
satisfao presunosa que a gente sente quando salva o dia.
T legal, ento ele  incrivelmente lindo e um tiquinho convencido, mas ele sabe fazer
isso to bem...




os coraes rabugentos tambm tm sentimentos

A Tiffany foi ideia de Nate. Eles viram o filme com Audrey Hepburn cem vezes h
algumas semanas e Blair pareceu gostar muito. Ele s queria que ela ficasse feliz.
A secular joalheria Tiffany&Co. localizava-se na esquina da Quinta Avenida com a rua
57 desde 1940. Construda em calcrio cinza, com vitrines altas, quadradas e
acortinadas, mais parecia um banco do que uma joalheria. Um porteiro de casaco de
uniforme azul-marinho na altura dos joelhos com botes dourados, um quepe de couro
debruado de preto e luvas brancas imaculadas abriu a porta de vidro da loja.
- Bom dia! - disse ele alegremente, tocando no quepe.
- Ah, olha - piou Blair, indo direto para o mostrurio de diamantes. - Eu adoro um
diamante simples - acrescentou ela.
Como se isso existisse.
Nate estava pensando mais na linha de uma caneta azul da Tiffany, ou um peso para
papis vermelho e pequeno, de cristal Swarowsky, em forma de cupido. A caneta seria
totalmente til e o cupido seria um bom peso de papis para todos os... papis de Blair.
Um vendedor hiperansioso com um bigode preto mnimo j estava pegando um par de
brincos de diamante para Blair experimentar. Eram brincos de platina em pingente,
salpicados de diamantes em lapidao princesa e custavam tanto quanto o Aston Martin
do pai de Nate.
- Oh! - Blair ofegou, adorando como os diamantes cintilavam na luz do sol que entrava
pelas imensas vitrines da loja.
- Eles ficam maravilhosos com seus lindos olhos azuis  piou o vendedor, insinuando-
se.
Nate olhou com irritao para o vendedor. Ele tinha 15 anos e, sim, talvez usasse roupas
caras e tivesse uma vida boa e uma linda namorada, mas ele realmente parecia algum
que podia comprar esses brincos com o carto de crdito do pai e se safar? Eram o tipo
de brincos que as estrelas de cinema pegam emprestado para usar no Oscar. No
compram. Pegam emprestado.
Toda essa provao meio que estragava o humor de Nate. Ele nunca foi de fazer
compras. S o que realmente queria era fumar um baseado bem gordo e talvez comer
um hambrguer sebento e grande no Jackson Hole, embora ele soubesse que Blair
odiava o lugar porque deixava seu cabelo com cheiro de anis de cebola.
- So bonitos - foi s o que ele disse. Ele se encostou no mostrurio, de costas para o
vendedor e braos cruzados.
Blair riu, admirando-se no espelho dourado que o vendedor erguia. Ela sabia que a
pacincia de Nate j estava se esgotando e que ela precisava encontrar o artigo perfeito
para colocar numa daquelas lindas caixinhas azuis da Tiffany antes que ele quisesse
comer uma pizza, fazer xixi ou qualquer outra coisa e exigisse que eles fossem embora.
- Sei que no vamos comprar, s pensei que seria divertido experiment-los. - Ela tirou
os brincos das orelhas e os atirou no alto do mostrurio de vidro como se eles fossem
feitos de plstico.  Vamos.
Ela passou o brao no de Nate e ele a levou obediente pelo salo at um mostrurio de
joias de ouro Elsa Peretti, um clssico da Tiffany. Blair torceu o nariz. Que tdio.
- Ali. - Nate apontou um coraozinho simples de ouro em pingente, pendurado em um
cordo de seda preta. Era simples e elegante e o cordo preto era meio sexy. Ele podia
imagin-lo pendurado no pescoo de Blair quando eles transassem. Ia ficar legal  um
contraste bonito  com o suti de algodo branco que ela usava.   isso. - Ele indicou 
vendedora atrs do mostrurio. -  o que vou comprar para voc.
Blair tentou no fazer beicinho. O pingente de corao era meio feio. Quem ia querer
usar um cordo preto no pescoo? Quem ia pagar por um pedao de cordo preto para
usar no pescoo? E o corao em si era torto e parecia deformado. Mas talvez, se ela
colocasse o corao numa corrente de ouro de outro colar, ele ficasse mais normal. Ela
acumulou um monte de joias nos seus 15 anos - certamente havia alguma coisa em sua
caixa de joias. E era um doce que Nate quisesse comprar um presente para ela. No era
nem aniversrio dela. Nem era mais Dia dos Namorados.
O esprito  esse. Jamais diga no a um presente. Alm disso, voc sempre pode pass-
lo adiante...
- Gostaria de experimentar? - perguntou a vendedora. Ela ajeitou os culos grossos no
nariz e se abaixou para destrancar a caixa com as mos trmulas. A mulher tinha uns
110 anos e sua pele e cabelo pareciam ter sido polvilhados com talco de beb. At as
mos eram brancas feito giz. Ela retirou o pingente da caixa e o estendeu a Nate,
girando-o na frente do rosto dele como quem o hipnotiza. - O cavalheiro quer fazer as
honras?
Blair desabotoou o casaco e Nate passou o cordo preto de seda em seu pescoo, o
coraozinho de ouro contra seu peito, apontando direto para o colo. Nate no
conseguia parar de olhar, um lembrete constante dos seios de Blair. Era demais.
A vendedora vov estendeu um espelho para eles, mas Blair nem mesmo olhou. Ela
sabia, pela intensidade nos olhos verdes de Nate, que ele gostou e, embora preferisse
diamantes, ela meio que amou o modo como ele encarava seu peito, como se quisesse
atac-lo.
- Vou levar - disse ela  vendedora.
Nate passou o brao na cintura de Blair e lhe deu um aperto adorvel.
- , mas podemos levar numa daquelas caixinhas azuis e com fita, de qualquer forma? 
perguntou ele.  Ela adora essas caixas.
Blair fechou os olhos enquanto o corao lhe pesava um pouco. Ela nunca foi de
manifestar afeto em pblico - quem queria olhar outras pessoas se esfregando como
animais? -, mas Nate era completamente irresistvel. Ela no conseguia tirar as mos
dele. Blair atirou os braos em seu pescoo, beijando-o e lambendo seu rosto como um
filhote.
- Eu te amo, eu te amo, eu te amo! - murmurou ela no ouvido dele.
- Voc sabe que eu te amo - murmurou ele tambm enquanto pagava pelo colar 
mulher. Ele se sentia uma espcie de bom samaritano, resgatando Blair da famlia
maluca, comprando-lhe um corao, fazendo-a feliz. No que ele tambm no estivesse
feliz. Ele estava se divertindo muito. Mas ele podia ficar uma frao mais feliz se
tivesse fumado um baseado no banheiro de hspedes antes de eles sarem.
- Prxima parada, zoolgico - anunciou ele enquanto o porteiro de luvas brancas abria-
lhes a porta e eles saam na Quinta Avenida. Blair podia afagar as cabras do zoolgico
enquanto ele ia "tirar gua do joelho" e fumava um baseado num banco gelado ao lado
do urso polar.
Que legal.
- Espera! - gritou Blair, atirando os braos no pescoo de Nate mais uma vez. Tinha de
beij-lo no local exato da calada onde Audrey Hepburn comeu um Danish retirado do
saco de papel pardo na calada da Tiffany na cena de abertura de Bonequinha de luxo.
Isso  muito melhor do que qualquer Danish de queijo, pensou ela cheia de cobia
enquanto passava a lngua pelos dentes perfeitos de Nate. Hoje corao de ouro, daqui a
alguns anos uma aliana de noivado de diamante! De repente Nate se afastou e recuou
um passo.
- Ei - disse ele por sobre o ombro de Blair. Nate limpou a boca na manga do casaco azul
de l, parecendo meio tmido.
Blair se virou. L estava Serena, parecendo sentir frio e meio desmazelada e
completamente linda, como a princesa em A princesa e a ervilha antes de sair aos
trancos e barrancos do castelo na tempestade e encontrar o prncipe que vai se casar
com ela.
Mas no havia uma princesa disponvel para se casar neste cenrio em particular.
Serena disparava para longe deles, atravessou a Quinta Avenida, quando Nate a chamou
novamente.
- Ei, espera!
Ela parou e se virou, os olhos azuis arregalados e assustados, como se ela tivesse
acabado de ver os dois ali.
- Ah, oi - ela hesitou. - Eu no tinha visto vocs.
Uma histria plausvel.




ursos polares, falces e pombos, ai meu deus!

A cor da lama de inverno mida empilhada entre os carros estacionados na Quinta
Avenida combinava exatamente com o estado de esprito de Serena. Era uma sensao
estranha. Em geral ela era a ensolarada, o copo-meio-cheio, a levanta-astral. Hoje ela se
sentia positivamente oca. Suas tentativas de se aplacar com lembranas de que fizera
uma coisa muito altrusta e tornara a melhor amiga indizivelmente feliz no estavam
funcionando. O conto de fadas de seus sonhos tinha sido impiedosamente adaptado num
filme em que estrelavam atores diferentes e a parte dela tinha sido reescrita. A questo
era, que papel ela faria a seguir?
A outra? Foi s uma ideia...
Ela deixou o celular em casa de propsito, por medo de receber de Blair mais um dos
telefonemas estou-to-feliz de revirar o estmago. Ela andava sem objetivo nenhum, as
mos sem luva enfiadas nos bolsos do casaco Burberry de xadrez marrom, o queixo
metido na gola, gelada at ossos porque saiu com pressa de casa sem colocar gorro e
luvas nem tomar o caf da manh, suas Uggs azul-beb estavam totalmente ensopadas e
as costas do jeans Earl estavam pontilhadas de manchas de lama. Serena s se deu conta
do quanto andou quando ouviu uma voz amada e familiar, "Ei, espera!", olhou e viu seu
pior pesadelo ganhando vida: Blair e Nate, parecendo o casal mais lindo do mundo,
balanando uma sacolinha azul-clara mnima da Tiffany, de braos dados.
Blair parecia ter feito um lifting facial num daqueles cirurgies plsticos que realmente
sabem o que fazem: estava positivamente radiante. Nate s parecia o Nate. Serena
queria sentir raiva dele por no manifestar nenhum sinal de remorso, mas assim que viu
seu lindo, querido e indizvel rosto, a raiva no veio  tona. Ela o amava. Era simples.
No importava o que acontecesse, ela sempre o amaria.
O que meio que tornava completamente estranho este momento especfico.
- Olha o que Nate comprou para mim. - Blair abriu rapidamente o casaco e mostrou o
corao de ouro para Serena. - No  a coisa mais linda do mundo?
Ai.
Serena sentiu que Blair estava explodindo com a notcia e mal podia esperar para
bombarde-la quando elas se vissem na escola na segunda-feira. Ela j podia imaginar o
grupo de meninas em volta dela em sua mesa preferida do refeitrio enquanto Blair
fingia no querer lhes dar um relato detalhado de sua gloriosa noite com Nate. Kati,
Isabel, Rain e Laura a encheriam de perguntas enquanto um grupo de meninas do
primeiro ano, lideradas por Kathy Reinerson, ficaria amontoado por perto, ouvindo.
Serena precisaria agir como se estivesse animada e intrigada, enquanto cada palavra de
Blair lhe seria como um murro na cara.
-  lindo - respondeu Serena com uma cortesia distante, recebendo o esprito de seus
ancestrais britnicos. Como a rainha Elizabeth da Inglaterra, Serena foi criada e educada
para ser elegante, para no bater o pezinho e fazer bico diante da adversidade.
Se ao menos ela tivesse alguns corgis para se aninhar.
A esquina de 57 com a Quinta provavelmente era o lugar mais imprprio para algum
parar e ter uma conversa em toda Manhattan. Turistas passavam apressados por eles,
espremendo sacolas compras e xingando baixinho em todas as lnguas. Normalmente,
os trs amigos teriam andado rapidamente, de braos dados, interrompendo um ao outro
com a ltima fofoca ou falsas ilaes. A estranheza no passou despercebida de Serena.
- E ento, Natie - esperta, ela mudou de assunto , o que aconteceu com aquela garota
que voc devia acompanhar ao baile de debutantes?
- Quem? - respondeu ele, totalmente sem noo.
Serena e Blair trocaram um olhar. Ah, ser jovem, bonito e desejado, pelo menos quando
se tratava de mulheres. Nate era como um sabujo, s conseguia seguir um cheiro de
cada vez.
- Sabe quem , a L'Wren? - Serena o lembrou, pronunciando o nome idiota da menina
com uma preciso cmica.
O ar de riso de Blair se transformou num olhar de alerta. Ela no queria discutir aquela
universitria piranhuda no melhor dia de sua vida, ento Serena podia fazer a gentileza
de calar a porra da boca?
- Ns vamos ao zoolgico - anunciou ela, pegando a amiga pelo brao. - Voc tem que
vir tambm. - Assim que disse isso, porm, ela percebeu com uma crueldade nauseante
meio estranha que ela no queria que Serena fosse. Quando ela estava com Nate, ela o
queria s para ela, porque agora ele era dela. Todo dela.
- Sei que voc adora o urso polar - lembrou Nate a Serena. Era uma das coisas que ele
adorava nela, o modo como ela falava do urso polar como se fosse seu gmeo separado
ao nascimento.
- Tenho um encontro - mentiu Serena, surpreendendo-se consigo mesma. Um encontro?
Com quem?
- Com Chuck? - perguntou Blair com insolncia.
Serena a encarou, apavorada. Ser que Blair realmente acreditava que ela beijou Chuck
na noite anterior porque estava a fim dele?
- Vou encontrar com meu pai para um brunch - ela informou.  Ele quer discutir meu
futuro - acrescentou ela, lanando a Nate um olhar incisivo como quem diz, Lembra de
mim? A garota que tem uma pilha de catlogos de internatos no quarto, colocado ali
pelos pais, que esto loucos para se livrar dela? A garota que ficou magoada com a
ideia de ir para o internato porque no ia poder ver seu rosto perfeito todo dia? A
garota que decidiu ficar em Nova York para ficar com voc? A garota que est  beira
de um colapso nervoso nesse exato momento enquanto conversamos?
Nate sorriu para ela com um olhar vago. Sua noite com Blair parecia ter apagado sua
memria de quaisquer dilemas, a no ser quando e onde ele e Blair iam se agarrar da
prxima vez e como comprar a prxima trouxinha.
Serena olhou o relgio Rolex de platina.
- Estou atrasada - murmurou ela, elaborando a mentira. - Divirtam-se, meninos -
acrescentou ela, agitando a mo longa e delicada e descendo o meio-fio para pegar um
txi. Pouco importava que no tivesse dinheiro nenhum agora. Para que serviam os
porteiros?
Blair e Nate acenaram animadamente enquanto o txi fazia um retorno ilegal e ia para o
leste pela rua 57. Serena sentia que os estava vendo pela ltima vez, como se eles
estivessem dando adeus para sempre. E de certo modo, talvez estivessem mesmo.
Em seu quarto, ela se sentou na cama e encarou a foto no porta-retratos de prata na mesa
de cabeceira. Ironicamente, o porta-retratos era da Tiffany. Nate estava entre ela e Blair,
abraando-as, ao lado da piscina da casa de campo dos van der Woodsen. Os trs
estavam com trajes de banho em cores vivas e sorriam feito bobos, como se guardassem
um grande segredo.
Ela se levantou e foi at a janela, olhando o outro lado da Quinta Avenida, o Met e o
Central Park. Do lado de fora, tinha comeado a nevar. A neve mida caa devagar at
derreter na calada. Um cavalo e uma charrete trotaram pela Quinta, carregando dois
passageiros aninhados sob um manto de l cinza. Serena podia ter jurado ter
reconhecido o cachecol de cashmere branco de Blair, e aquela no era a sacola azul da
Tiffany em seu colo? Depois alguma coisa se mexeu no telhado de calcrio branco do
Met e ela olhou, semicerrando os olhos. Era um pssaro grande, elegante e marrom com
um bico em gancho, talvez um daqueles falces peregrinos dos noticirios, os que esto
em risco de extino. Eles deviam adorar a cidade para querer ficar aqui sozinhos na
neve sem ningum para conversar a no ser os pombos esquilos. Ou talvez ele estivesse
esperando outro falco que momentaneamente foi distrado por outro pssaro bonito. O
falco solitrio parecia estar esperando h muito tempo e, considerando o clima, havia
uma boa possibilidade de o outro falco no voltar.
Mas o falco teimoso no estava preparado para desistir. S o que podia fazer era enfiar
a cabea embaixo da asa e esperar.




j conhece a me que jamais teve
O Village Bra Shop, situado na esquina da Christopher Street com a Stima, parecia o
tipo de loja que existe desde a dcada de 1970, vendendo perucas, redes de cabelo e
meias a senhoras amalucadas. A pintura cor de pssego estava rachada e descascando; a
placa em preto e branco da loja estava to desbotada que mal era legvel; e a nica
vitrine exibia um manequim empoeirado e amorfo com sombra verde nos olhos, uma
capa de chuva rosa e galochas pretas de borracha. A capa escondia to completamente
os peitos que nem havia a sugesto de um suti. Jenny ficou preocupada. Cad os
sutis?
Ela empurrou a porta e enfiou a cabea para dentro da minscula loja, pronta para fugir
se parecesse assustadora. De imediato se viu diante de prateleiras e mais prateleiras de
sutis belamente produzidos e impossveis de encontrar em outro lugar, de lugares
distantes como Hungria, Polnia, Blgica, Frana, Inglaterra, Brasil e Hong Kong.
Havia push-ups e gel-lifts e cruzados nas costas e sutis para aleitamento, sutis sem
ala, com alas que podem variar com e sem arame. A Village Bra Shop era o paraso
dos sutis.
Jenny entrou completamente e tocou a pequena campainha na mesa vazia na frente da
loja. Uma senhorinha baixinha, exibindo coque, uns culos imensos, um jaleco de
laboratrio branco e tornozelos calombentos apareceu dos fundos. Ela parecia a Bab da
verso animada da Disney para Os 101 dlmatas, a que Jenny assistia antigamente
como uma viciada.
- Posso ajud-la? - perguntou ela com um forte sotaque do Brooklyn. Sua cabea subiu
e desceu ao avaliar Jenny de cima a baixo. Uma fita mtrica amarela pendia de seu
pescoo. Jenny quase podia ver os nmeros piscando nas lentes grossas dos culos da
Bab: 80 X 55 X 68. - Entendo. Voc est crescendo. Eu posso ajudar  acrescentou ela
antes que Jenny conseguisse se explicar, depois rapidamente trancou a porta de vidro da
loja, baixou uma veneziana preta para impedir a viso da rua e puxou a fita mtrica dos
ombros. - Tire toda a parte de cima. Abra os braos como um avio. No se preocupe,
ningum pode ver aqui dentro.  muito privativo.
Jenny tirou timidamente o suter e o suti Playtex e os colocou em cima da mesa de
metal com a sineta. Ela fechou os olhos e ergueu os braos como as asas de um avio.
Estava nua diante de uma completa estranha dentro de uma loja - parecia essencial
manter os olhos fechados para no morrer de constrangimento.
A Bab passou a fita mtrica em volta de seu peito. Deu-lhe ccegas. Jenny continuou
de olhos bem fechados enquanto a Bab murmurava consigo mesma e pegava uma
caneta na mesa. Ela mediu cada peito de Jenny individualmente, de vrios ngulos
diferentes.
- G - pronunciou ela por fim, dando um tapinha no antebrao de Jenny para indicar que
podia baixar os braos. Ela foi ao fundo da loja e voltou com um suti estruturado de
algodo branco e simples com bojo de cetim branco. - No parece grande coisa, mas 
perfeito para uma menina em crescimento. Vai lhe dar uma boa cobertura manter sua
forma depois de lavado. - Ela sorriu enquanto ajudava Jenny e ajeitar as alas do suti. -
Da Polnia. Um suti de tima qualidade.
Jenny esperou enquanto a Bab fechava os ganchos triplos. Depois ela a seguiu at os
fundos da loja para olhar no espelho. Seu corpo parecia minsculo e l estava o suti.
No puxava para cima nem lhe dava um colo a mais - ele a ngolia.
Havia alguma coisa muito antiquada nele, concluiu Jenny com uma careta de decepo.
Como se fosse o primeiro suti feito no mundo. E deixava seus peitos feito torpedos.
Alm de tudo, a Polnia no era exatamente o epicentro da indstria da moda.
-  grande demais - queixou-se ela. Afinal, era um G. Ela se medira todo dia desde a
semana anterior e ela no era G.
- Na verdade, no - insistiu a Bab calmamente. - Daqui a um ms, voc estar pedindo
um maior.
Os olhos castanhos de Jenny se arregalaram. Mas tinha parado de tomar os suplementos.
Seus peitos agora eram perfeitos. Ela gostava deles do jeito que estavam - do mesmo
tamanho dos de Serena van der Woodsen - nem um centmetro a mais ou a menos.
- Como assim?
- Eu lhe disse que voc est crescendo. Provavelmente chegar a GG. Para uma menina
baixinha, voc tem peitos grandes e saudveis. - A Bab sorriu e apontou os prprios
seios disformes, que pareciam bales de aniversrio parcialmente murchos enfiados
dentro do jaleco. - Como eu.
Jenny cruzou os braos. Um GG? Impossvel. Ela passou a vida toda dolorosamente de
peito achatado e agora esta mulher estava lhe dizendo que ia ficar um monstro de peitos
gigantes?
Peites Maravilha ao resgate!
- Coloque seu suter. As linhas nesse suti so muito boas  orientou a Bab. - Ela
pegou o suter de Jenny e o colocou com cuidado pela cabea, puxando-o para baixo e
alisando-o como se fosse a me de Jenny ou coisa assim. - timo. Est vendo?
Jenny deu um passo para trs e examinou criticamente seu reflexo. As linhas eram
mesmo boas. Seu peito parecia empinado, mas no muito abertamente, e o efeito
torpedo de algum modo diminura com o suter simples de gola em V. Os peitos
estavam naturais e normais.
Mas no por muito tempo.
-  confortvel tambm. Pode comprar dois desses... Um branco e um cor de pele, caso
vista uma camiseta ou alguma coisa transparente. Voc pode alternar entre os dois at
que esteja pronta para um tamanho maior.  A Bab vasculhou uma gaveta e pegou a
verso do suti com cor da pele. Parecia uma prtese de bunda com alas para uma
pessoa com a pele estranhamente bege.
No era exatamente o que sonhamos quando pensamos em lingerie.
- Dinheiro ou carto?
Jenny pagou pelos sutis com o carto Discover do pai, ainda tonta pelo que a Bab
disse sobre seu peito em crescimento. Ela era uma profissional dos peitos... Devia saber
de tudo. Os sutis eram caros, 75 dlares cada um. Estaria ela destinada a gastar metade
de seu salrio s com sutis quando fosse adulta e tivesse uma carreira como artista
grfica? Ser que isso aconteceria se ela no tivesse tomado aqueles suplementos idiotas
da sempeitos.com? Ser que os suplementos de algum modo estimularam demais o
hormnio do crescimento das glndulas mamrias? As palavras de um de seus
admiradores online lampejaram em sua mente. Quando olho seu peito com o top preto,
vejo meu futuro e voc est nele, menina. Estaria ela destinada a uma vida de cantadas
nojentas de completos estranhos?
Bom, pelo menos ela no se sentiria s.
gossipgirl.net
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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e eventos foram alterados
ou abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                      oi, gente!

o casamento do ano

T legal, ento eles no vo se casar - ainda. Eles no compraram uma aliana e ela no
fez a prova do vestido. Mas eles compraram uma joia - na Tiffany, s isso. E de onde
saram essas duas pessoas que dois dias atrs eram s amigos e no se beijavam e se
afagavam em pblico a semana toda? Eles pareciam pinguins imperadores, fazendo
aquela dana de "encontrei o parceiro de minha vida toda", por toda a cidade. E no me
surpreenderia se eles tivessem de parar na emergncia do Lenox Hill Hospital para
separar cirurgicamente os lbios para poderem ir  escola amanh. E sabe de uma coisa?
Eu meio que odeio casais felizes.  tipo assim, ns adoramos que eles tenham se
encontrado, mas s vezes  mais educado ser feliz em particular, assim as pessoas no
tm de ficar olhando voc ser toda gracinha e chata. Pense desta maneira: se voc deixar
que nossa imaginao funcione, podemos ser mais gentis com voc quando falarmos no
assunto, o que estamos dispostos a fazer.
Pelo menos, eu estou. Simplesmente no consigo ficar de boca fechada! E nem alguns
de vocs.
seu e-mail

P: Cara GG,
Sou um homem e provavelmente no sou melhor juiz, mas se voc realmente acha que
uma garota  uma gata e voc, tipo assim, compra todo tipo de porcaria para ela e
basicamente deixa claro que voc a quer, e ela lhe diz para ir embora, isso significa que
ela realmente est a fim de voc e s est jogando duro para que voc a queira ainda
mais?
- meliga

R: Caro meliga,
No.
- GG

P: Estou com o mesmo cara desde que tnhamos 12 anos. Agora j faz quatro anos e ele
est tipo assim, qual vai ser? Algum dia vc vai deixar? Talvez seja diferente para
garotas. Talvez eu deva deixar rolar.
- virg

R: Cara virg,
Vou entrar em mais detalhes sobre isso a seguir, mas s porque vocs esto juntos h
muito tempo no quer dizer que voc deva alguma coisa a ele. Se voc est bem do jeito
que as coisas esto, ento ele deve estar tambm, ou voc pode dizer a ele para guardar
o taco. Se quiser, eu digo a ele para guardar o taco  onde machuca.
- GG

P: Prezada GG,
S acho que quando um cara diz ser seu acompanhante em um evento muito importante,
ele devia pelo menos ter a decncia de aparecer. Alguns homens deviam ser castrados,
no acha?
- bitr

R: Cara bitr,
No.
- GG

a hora certa de fazer

Por alguma razo, algumas fs decidiram que eu sou a me delas e ficam repetindo a
pergunta "acha que estou pronta?" por e-mail. Vamos dar um jeito nisso: eu no sou
me de vocs. Nem chego perto de ser velha para ser me de ningum. Mas nem sua
me pode lhe dizer o que fazer. Voc  sua melhor juza. E o melhor conselho que posso
dar , se voc tem alguma dvida, mesmo a mais leve, se voc chega a pensar em
perguntar a si mesma ou a mim ou a outra pessoa se est pronta, provavelmente no
est. Confie em si mesma e, se no puder fazer isso, confie em mim. Eu sei de tudo.
flagras

N e B na Tiffany & Co., sendo gracinha e irritantes. N e B no Zoolgico do Central
Park, ensinando os lees-marinhos a beijar e sendo ainda mais gracinha e ainda mais
irritantes. N e B numa charrete, sendo gracinha e irritantes em toda parte. N e B dando
sorvete de morango na boca do outro. Ser que eles, por favor, podem ir para um motel?
Epa - acho que eles j foram! S lendo a seo de viagens do New York Times sozinha na
cafeteria Three Guys na Madison. Planejando uma fuga? C na loja da Hallmark na
Madison, exigindo que colassem uma foto de sua cabea na frente do carto com
desconto de Dia dos Namorados e entregassem o carto em certo endereo do Upper
East Side. Imagina-se quem seja a garota de sorte. O pai de B numa degustao de
vinhos na Provena. O pai de B dando em cima de um vendedor de calados na butique
Prada em Paris. O pai de B experimentando colches novos em uma loja em Nice. O pai
de B sentado no colo de um operador de trator em um vinhedo num vilarejo nos
arredores de Cannes. Zut Alors, esse cara realmente  rodado!
a vingana do rejeitado

Uma certa caloura na universidade que muitos de ns conhecemos melhor do que
pensamos decidiu deixar a faculdade e se mudar para a Itlia. Parece que ela fez
amizade com certa condessa italiana no mesmo baile de debutantes em que as duas
foram abandonadas por seus acompanhantes. Elas decidiram criar uma sociedade
secreta em Florena, cujos dogmas envolvero o nudismo e nada de homens! Parece um
pouco certa ilha grega que comea com a letra L. Tenho certeza de que o clima est
sensacional nesta poca do ano.
e por falar em clima sensacional...

As frias de primavera viro em menos de duas semanas e, com toda a lama e a neve e
as temperaturas abaixo de zero, est quase na hora mesmo. Alguns de ns - inclusive
vocs - vo passar as frias sensatamente, tomando banhos de sol com os mais novos
biqunis Missoni numa praia remota do Caribe. Os mais arrojados faro coisas mais
atlticas, como esquiar, mergulhar ou jogar futebol. Prometo tomar uns raios de sol a
mais por vocs. E por favor, usem um protetor solar 15 no rosto  o bronzeado de
guaxinim dos culos de esqui ou da mscara de mergulho simplesmente no  um bom
visual. O que quer que vocs faam, divirtam-se. Vocs totalmente merecem.
Vou agora tomar um timo banho de leite quente cercada de meus brinquedos
preferidos na banheira: uma garrafa de Veuve Cliquot gelada e uma caixa de trufas de
chocolate Godiva. Por que no faz o mesmo agora?

                                 Pra voc que me ama,

                                      gossip girl




          Air Mail - Par Avion - 4 de maro

          Oi, Ursita,

          Estamos hospedados no mais adorvel B&B, mas j nos apaixonamos
          por um lindo chteau na cidade vizinha que precisa de uma reforma
          sria. Decidi me aposentar cedo e me acomodar por aqui.  um sonho
          que vira realidade. E sabe de uma coisa? - tem um vinhedo! Terei meu
          prprio vinho e voc ser a primeira a provar, ma petite chardonnay.
          Estou morrendo de saudade, mas nos veremos logo em Sun Valley.
          Encontrarei voc no hotel daqui a 12 dias, e por favor, leve aquele seu
          pedao de namorado (ele  seu namorado agora, no ? Conteeeee!!!),
          e Serena,  claro. Anexo aqui as trs passagens de primeira classe.

          As compras por aqui so para l de incrveis. No se preocupe, no
          posso sair de uma butique sem comprar alguma coisa pour toi, Ursinha.

          Te amo todinha,

          Papai




feche a conta, por favor

- Essas duas malas vm para c - Blair instruiu o carregador bronzeado e robusto do Sun
Valley Lodge. Ela indicou a valise Louis Vuitton preta e a bolsa de snowboarding de
nylon vermelho Burton de Nate. O carregador pegou no armrio um rack de madeira
para bagagem, abriu-o na ponta da cama king size California e educadamente colocou a
valise de Blair em cima. Blair apontou a bolsa de viagem prata Tumi de Serena. - Esta
vai para o quarto ao lado.
Nate saiu do banheiro de lajotas de mrmore bege do quarto usando s uma bermuda
xadrez vermelha e azul-real. O peito e os braos eram musculosos de jogar lacrosse e
ainda traziam o que restava do bronzeado de velejar no Natal pelas Ilhas Virgens.
Escapava fumaa do banheiro, onde ele tinha acabado de curtir um baseado da
trouxinha que escondera numa meia tricotada no fundo da bolsa de snowboarding.
- Vou nadar um pouco. Quer vir? - Ele abriu um largo sorriso para Blair e ela se atirou
nele com o completo abandono de quem est de frias no mesmo resort onde Marilyn
Monroe tinha dado em cima de Ernest Hemingway. O pingente de ouro da Tiffany que
ele lhe dera batia em seus peitos no decote fundo do suter preto de gola em V Loro
Piana. Ele olhou para o pingente com uma adorao de chapado.
- Tenho que esperar por meu pai - sussurrou Blair, beijando-o ferozmente. A decorao
bege e preta do quarto e as pesadas cortinas de lona caramelo eram inesperadamente
feias, mas como Blair estava nos braos de Nate, no importava. - Vamos nos divertir
tanto!
Nate segurou a carinha de raposa de Blair e a beijou. Estava louco para que a noite
chegasse. As camas de hotel eram muito confortveis e no havia lembretes estranhos
da infncia ou os pais. Sem animais de estimao, nem fotos, nem ursinhos de pelcia,
nem mames ouvindo por trs das portas. S ele e Blair e aquela camona. Incrvel.
Serena estava parada na sute adjacente de solteiro diante das imensas janelas, vendo ao
longe os esquiadores cruzando as escarpas nevadas da Baldy Montain como insetos
coloridos. O carregador entrou e colocou sua bolsa de viagem prata no rack de madeira
ao p da cama de solteiro. Ela no se importava de ter um quarto s para si. S
precisava dormir com a televiso ligada para abafar o som de Blair e Nate, rindo e
falando com voz de beb, como estavam fazendo agora mesmo.
Ela nem sabia por que tinha vindo, s que sempre vinha a Sun Valley com Blair nas
frias de primavera. Alm disso, Blair ia ficar com o pai pela primeira vez desde que ele
fugiu para Frana com o namorado novo. Se ela ia comear a agir de forma estranha e
vomitar para todo lado, Serena queria estar por perto.
Masoquista.
- Tivemos 15 centmetros de neve na noite passada  informou-lhe o carregador com o
entusiasmo idiota de um verdadeiro viciado em esqui.
Serena se virou, a barra da camiseta de cashmere cinza pregueada abrindo-se em leque
em torno das coxas de seus jeans pretos True Religion. O carregador na verdade era
uma gracinha. Cabelos castanhos acobreados e espessos se projetavam por baixo do
bon verde escuro de Dartmouth que ele usava como acessrio para o suter marrom e
sem graa do Sun Valley Lodge, com o sol dourado gay bordado no peito. Os olhos
azuis-turquesa cintilavam e a cara de surfista bonito era pontilhada de sardas. Ele tinha
uns 22 anos e deve ter se formado em Dartmouth no ano passado. Ainda assim, no
parecia nem um pouco constrangido de ser carregador.
Mas os pais dele devem ter ficado um tanto decepcionados.
Serena tombou a magnfica cabea loura. Ela podia tolerar estas frias se tivesse uma
distrao, na forma de um cara mais velho. Talvez Nate a visse com esse outro cara e
ficasse tremendamente ciumento. Ele ia passar o resto das frias tentando compens-la.
Afinal, Blair realmente precisava passar algum tempo com o pai.
O esprito  esse!
- Voc trabalha o dia todo? Pode me levar para esquiar?  perguntou ela com ousadia.
Ela se aproximou um passo e estendeu a mo. - Meu nome  Serena.
O carregador deu um largo sorriso e estendeu a mo competente e bronzeada.
- Eu adoraria - concordou ele, fechando a mo calosa de esqui na dela. - Meu nome 
Fenner. S largo s duas horas, mas isso lhe dar algum tempo para se acomodar e
podemos dar uma esquiada antes que as pistas fechem. Sei onde encontrar a neve boa.
Serena ficou parada ali, sorrindo de nervosa. Ela nunca falou com um estranho desse
jeito. O nome dele - Fenner - era meio esquisito, mas ele parecia ser um cara legal.
- Encontro voc no saguo s duas horas - concordou ela, na esperana de no terminar
pelada e congelando at a morte em um penhasco abandonado.
- Serena? Com quem est falando a? - A voz feliz de Blair soou do outro quarto.
Fenner tocou a aba do bon de Dartmouth e saiu da sute.
- At mais - disse ele, fechando a porta depois de sair.
Serena foi cautelosamente para a parte de Blair e Nate da sute, meio que esperando
encontr-los nus e se agarrando na cama.
- O Nate foi nadar - anunciou Blair. Sua mala estava vazia no rack de madeira. Ela j
guardara as coisas no slido armrio de faia do hotel e no closet generoso de cedro.
Quatro pares de sapatilhas de bal, trs pares de botas de cano alto e dois pares de Uggs
caramelo e confortveis estavam de prontido no cho do closet.
No que ela pretendesse se aventurar muito.
Blair cutucou a bolsa vermelha de Nate.
- Acha que seria estranho se eu desfizesse a mala dele?
Serena olhou para a bolsa de viagem. Ela nunca usou as gavetas de nenhum hotel em
que ficou. Era o tipo de garota que tira-a-roupa-da-mala.
- No sei. - Ela deu de ombros. - Ele  seu... -Ela estava prestes a dizer namorado, mas
no conseguiu criar coragem. Nate ainda no era de Blair, porque Serena no estava
preparada para desistir dele.
O telefone ao lado da cama tocou alto e as duas meninas pularam.
- Al? - Blair atendeu com um ronronar sexy, sem dvida pensando que era Nate.
Serena viu o corpo da amiga enrijecer.  Tudo bem - disse ela friamente e desligou o
telefone. Ela pegou em cima do frigobar a caixa de trufas de chocolate Lindt
embrulhada em celofane e a abriu. - Papai est subindo. - Ela enfiou uma trufa inteira na
boca. - Com o namorado dele.
Serena percebeu que o rosto da amiga estava totalmente lvido.
- Voc est bem? - perguntou ela, com o cuidado de retirar a caixa de trufas da mo
firme de Blair. Se ela ia vomitar, uma trufa bastava. - Quer uma gua?
Algum bateu na porta com o punho.
- Ursinha?
Blair cambaleou nas sandlias plataforma Kors de pele de ovelha verde menta.
- S um minuto! - ela ofegou, colocando a mo na barriga. Depois disparou para o
banheiro e bateu a porta.
- Ursinha Blair? Estamos aqui! - gritou o Sr. Waldorf mais uma vez.
Serena se arriscou a abrir a porta.
- Oi! - ela piou com entusiasmo. - A Blair est no banheiro. - O Sr. Waldorf parecia
mais jovem, mais bronzeado e mais gay do que ela j vira, vestido com gola rul
amarela apertada, cala de l branca e mocassins italianos marrons sem meias. Ao lado
dele estava um homem moreno, bonito e bem vestido, com cabelo preto penteado para
trs, um terno de cashmere cinza, camisa branca e o que parecia uma aliana de noivado
de platina para homem, incrustada de safiras. O irmo mais novo de Blair, Tyler,
espreitava atrs deles no corredor usando fones de ouvido gigantescos e brancos Bose,
uma camiseta sem mangas do Duran Duran e cala de couro marrom recm-vincada.
Ele tambm parecia meio gay.
- Ol, linda - o Sr. Waldorf cumprimentou Serena, dando-lhe dois beijos no rosto. -
Gostaria que conhecesse meu parceiro, Giles. - Ele a abraou uma ltima vez e se virou
para o amigo elegante. - Esta  Serena, parte de nossa famlia.
Serena corou com a breguice daquilo. No vinha nenhum som do banheiro. O que
aconteceu com a Blair? Ser que ela caiu? Desmaiou?
Giles lhe deu dois graciosos beijos no rosto.
- Mas voc  to bonita - entusiasmou-se ele num sotaque francs delicioso, apertando
as mos dela e abrindo um luminoso sorriso branco.
Serena riu. Giles parecia ter passado toda a vida tomando o sol do Mediterrneo,
comprando roupas lindas e bebendo vinho. Ele tinha cheiro de limo verbena. E aquela
voz! Ele era tres charmant. No surpreendia que o Sr. Waldorf tenha decidido que era
gay.
O pai de Blair olhou no closet e sorriu para a vasta gama de roupas e sapatos.
- Fico feliz em ver que vocs se acomodaram. Blair? - Ele raspou os ns dos dedos na
porta do banheiro. - Voc no est acariciando aquele seu namorado a dentro, est?
 preciso ser um acariciador para reconhecer outro.
Serena estava prestes a improvisar uma mentira elaborada sobre porque a mala de Nate
estava neste quarto - o quarto que ela devia dividir om Blair - e a mala dela no quarto de
Nate, quando Blair saiu do hanheiro. Ela parecia renovada e reluzente, como se tivesse
acabado de dar uma repaginada.
- Oi, pai  ela o cumprimentou com altivez, enchendo o quarto do aroma de lcool e
hortel de desinfetante bucal.  Como est a Frana?
- A Frana  fabulosa, querida. - O Sr. Waldorf a ergueu num abrao apertado e depois a
soltou. Ele passou o brao no lindo amigo. - Ursinha, este  Giles, o homem
maravilhoso de que lhe falei.
Blair hesitou. No havia o risco de vomitar no lindo terno de cashmere de Giles, porque
Blair tinha vomitado tudo que havia no estmago.
- Oi - ela conseguiu dizer enquanto o namorado patentemente gay do pai lhe dava dois
beijos no rosto plido. Tyler se curvava na porta com sua cala de couro ridcula de
quem tenta-desesperadamente-parecer-Jim-Morrison-dos-The-Doors, balanando a
cabea na batida de man dele.
- Harold, voc no me contou que essas meninas eram to lindas - observou Giles. -
Parecem estrelas de cinema. - Ele apontou para as sandlias plataforma de pele de
ovelha verdes e exorbitantes de Blair e inflou as asseadas narinas francesas. - Que
chinelos fofosl
Blair sorriu contra a vontade. T bom, ento ele era legal. E da? Ser que o pai dela
tinha de usar gola rul amarela, agora que era gay? E o namorado tinha de usar joias
cintilantes de homem?
- Agora, onde est o adorvel Nate? - perguntou o Sr.Waldorf, espiando no banheiro
como se Nate pudesse estar escondido ali, entre os produtos de toalete de cortesia
Clarins.
- Os msculos dele estavam doloridos. Ele precisava nadar - anunciou Blair, na
esperana de chocar os dois com a implicao de que ela e Nate andaram fazendo um
sexo louco e selvagem desde que chegaram.
O Sr. Waldorf piscou como quem conspira para Serena, como se eles compartilhassem
secretamente suas opinies sobre o casal soberbo que Nate e Blair formavam.
- Bem, assim que ele voltar, por que no vamos todos esquiar juntos? H simplesmente
baldes de neve fresca e estou louco para experimentar meus novos Rossis.
Blair nem acreditava que o pai tinha dito, de cara dura, as palavras simplesmente baldes.
- Os msculos de Nate esto muito inflamados - repetiu ela com um gemido. - E eu
estou cansada. - Ela no ligava muito para esquiar. S o que queria era rolar naquela
cama grande de hotel com Nate, usando a calcinha Hanky Panky vermelha e o suti da
mesma cor que comprou na Bendel's ontem mesmo.
Serena estava louca para sair desse ninho de amor sufocante.
- Vou encontrar um cara que conheci no saguo s duas horas. Ele trabalha aqui. Ele
conhece todas as pistas boas. A gente pode esquiar junto.
Blair olhou impressionada a amiga. Ela sem dvida no perdia tempo.
- S um minuto. Tenho uma coisa importante para fazer primeiro. - Sr.Waldorf foi para
o corredor e pegou duas sacolas de compras imensas, carregadas de caixas de sapatos e
vrios itens embrulhados em papel preto e branco. - Presentes para todos! - gritou ele,
como um Papai Noel canastro que usava gola rul. Ele botou as sacolas na cama.
Blair queria ser indiferente e inamistosa para que o pai soubesse o quanto ela estava
puta com ele por abandonar a famlia e fugir para a Frana com o novo namorado que
usava joias. Em vez disso, ela bateu palmas, incapaz de controlar a empolgao.
- Ah, papai!
O Sr. Waldorf soprou um beijo para ela e conduziu Giles e Tyler para fora do quarto.
- Vejo vocs s duas!
Blair pegou a primeira sacola e encontrou algo grande embrulhado em papel branco
com o famoso logo de dois Cs da Chanel. Ela rasgou o papel, cheia de ganncia. A nova
bolsa Hobo Jaguar Cub! A lista de espera para a bolsa na loja da Chanel na Madison
tinha umas dez pginas.
Talvez ter um pai gay no fosse to ruim assim.




o clima para trajes de banho est chegando

- Estou procurando por alguma coisa na linha de uma fazenda-modelo. Um lugar em
que ela possa aprender a fazer queijo, cultivar os prprios vegetais, esfolar um bode -
disse Rufus  diretora da Feira Anual de Colnias de Frias da rua 92. Rufus estava
preocupado que Jenny passasse todas as frias de primavera examinando no espelho sua
figura em rpido desenvolvimento e aperfeioando sua caligrafia. Para evitar uma
repetio no vero, ele a arrastou para a feira. Que lugar melhor para afiar as
habilidades necessrias  vida, como fabricar queijos e esfolar bodes, do que numa
colnia de frias?
Que tal uma colnia de bebedores de champanhe e consumistas? Burp!
Jenny apertou o brao do pai enquanto olhava o ambiente. O ginsio estava lotado de
mesas com folhetos de colnias de frias e testemunhos de frequentadores anteriores.
Os diretores das colnias exibiam filmes com as ofertas enquanto os pais e seus
encarregados vagavam pelo ambiente, parecendo to tontos e subjugados quanto Jenny.
A diretora da feira abriu a prancheta. Usava um vestido safri cqui, culos grossos de
armao de plstico transparente, meias cor da carne e sapatos ortopdicos bege. Seu
cabelo tinha um corte pajem e era grisalho, e a pele era macilenta. Ela parecia estar
nesse emprego h muito tempo.
- O Lago Quinnipiac tem cabras, mas se concentra em natao.
- No! - Jenny praticamente gritou. Pelo jeito como seus peitos estavam crescendo, ela
seria G no vero. De jeito nenhum ia nadar em pblico. - Nada de natao. Que tal uma
colnia de artes? - Ou talvez houvesse uma colnia de emagrecimento para meninas
com peitos gigantes?
Ns vamos, ns vamos, ns vamos reduzir os peitos!
A diretora folheou a papelada na prancheta de novo.
- A Rhode Island School of Design tem uma colnia maravilhosa. - Ela olhou para
Jenny por cima dos culos de plstico idiotas. - Voc deve ter 14 anos - acrescentou ela
com uma careta, obviamente incapaz de determinar a idade dessa baixinha de cara de
beb e peito de stripper.
Pelo menos jamais vo pedir a identidade dela.
Rufus j estava distrado com uma mesa coberta de pedras.
- Venha. - Ele pegou Jenny pelo cotovelo e a arrastou.  O que  isso? - perguntou ele 
mulher sentada atrs da mesa. Ela vestia um poncho perturbador de l marrom e azul
que parecia ter sido tricotado por crianas desajeitadas de 2 anos de idade. O cabelo
frisado pendia em duas tranas grisalhas na altura da cintura. Nos ps havia o tipo de
sandlias de couro tranado vendidas por camels do Mxico.
- Gente-pedra - explicou ela, embora as pedras fossem s pedras. - Meu nome  Cindi
Bridgehutter. E isto  o que fazemos na colnia Bridgehutter... extrair as pessoas de
pedras.
Jenny encarou a mulher, que evidentemente era louca. Ela puxou a camiseta de batik
roxo Ben&Jerry apertada demais do pai. Talvez uma colnia de frias no fosse uma
boa ideia. Mas Rufus estava firme, j enamorado da Colnia Bridgehutter e sua
fundadora com cabelos de Rapunzel.
- Pai  gemeu Jenny em voz baixa. Atrs dela, duas louras altas e magrelas, com roupa
de tnis colante, registravam crianas para uma colnia de tnis em Lake Placid. Jenny
no conseguia imaginar seus peitos quicando num uniforme de tnis. Nem pensar, tnis
estava fora.
-  claro que  s uma metfora. Eu sou artista.  uma colnia de artes - explicou
melhor Cindi Bridgehutter alegremente. Seus dentes eram meio azuis e Jenny se
perguntou se ela tomou muitas drogas estranhas quando tinha uns 20 anos ou usou
aparelho quando adulta. Ou talvez fosse uma rara doena da gengiva.
Pedrus gentites?
- Arr! Uma colnia de artes! - entusiasmou-se Rufus. - Matricule-a!
- Pai! - Jenny protestou. Mas ele nem queria saber onde ficava a colnia? E os bodes?
H cinco minutos ele estava inflexvel que ela aprendesse a esfolar um bode.
- Estamos localizados em minha cidade natal, Wooten, na Pensilvnia, perto de um
lindo lago.  claro que todos temos as atividades normais de uma colnia de frias,
como natao, arco e flecha e tnis, mas so opcionais. Nossos frequentadores so
estimulados a trabalhar em suas habilidades manuais. Nossa misso  trazer para fora a
pedra que h dentro deles - exps a Srta. Bridgehutter, puxando as tranas para dar
nfase. - Todo frequentador cria seus prprios taludes.  uma coisa maravilhosa em
cada vero ver os taludes crescerem.
No tem um certo talude de uma pessoa crescendo muito agora mesmo?
- A pedra dentro de cada um! - Rufus parecia emocionado.
A verdade  que a colnia no parecia to ruim. Jenny gostava da ideia de natao ser
opcional. Ela no sabia o que significavam os "taludes", mas esperava que fosse outra
metfora.
- Eu fao caligrafia - arriscou-se ela timidamente. - E retratos. Entrei no concurso do
hinrio da escola.
A Srta. Bridgehutter cintilou os dentes azuis num sorriso esquisito de Cat-in-the-Hat.
Ela claramente no fazia ideia do que Jenny estava falando. Rufus j estava
preenchendo nome, endereo e data de nascimento de Jenny no formulrio de matrcula.
- Vou precisar de um cheque para garantir a vaga  disse-lhe gananciosa a diretora da
colnia.
Jenny olhou a mesa seguinte, onde uma garota ruiva e convencida, com roupa de lder
de torcida, mostrava seu ltimo grito de torcida ao diretor de uma colnia de lderes de
torcida em Princeton, Nova Jersey.
- Digam V-E-R--O! Como  que se diz? Vero!  vero!  hora do vero!
Havia longas filas para matrcula na colnia de lderes de torcida e de tnis. Do outro
lado do ginsio, uma TV mostrava uma menina cavalgando por uma impressionante
pista de hipismo com obstculos. A fila para a colnia era ainda maior. Ningum estava
se matriculando na Colnia Bridgehutter. Ningum.
Humm. Por que ser?
Jenny deu as costas para a mesa onde o pai preenchia furiosamente os formulrios.
Embaixo de uma das pedras-gente havia uma foto de um menino entalhando uma cara
em madeira. Tinha cabelo desgrenhado e escuro e msculos incrveis nos braos.
- Ah, tem meninos l? - perguntou ela ansiosa  diretora de dentes azuis. Ela nunca foi a
uma escola com meninos, que dir dormir num acampamento com eles.
Meninos, meninos, meninos!
- A proporo de meninos para meninas  de trs para um explicou a Srta. Bridgehutter.
- Ultimamente, as meninas se matriculam em colnias de hipismo e futebol. - Ela
entregou a Jenny uma pedra do tamanho de um ovo e abriu o sorriso de dentes azuis de
novo. - Tenho certeza de que ter muita inspirao.
Jenny revirou a pedra nas mos enquanto o pai terminava de preencher os formulrios.
Trs meninos para cada menina. Com nmeros assim, quem no ia querer encontrar a
pedra dentro de si?
Digam V-E-R--O! Como  que se diz? Meninos!




as montanhas renascem ao som do corao de s

- Epa! Desculpe! - gritou Blair ao se chocar com trs grandalhes diante dela na fila do
telefrico. Embora nunca tivesse tentado, ela insistiu em fazer snowboarding em vez de
esquiar, assim ela e Nate fariam a mesma coisa. Ela esquiava desde os 4 anos. No
devia ser to difcil, no ?
- Ursinha, venha com a gente! - O pai pegou o cotovelo de sua jaqueta de esqui branca
Bogner e a puxou de volta  fila quando ele estava prestes a subir na cadeira tripla com
Giles. Blair pulou sem jeito num p s, agarrando-se ao pai at estar sentada em
segurana na cadeira acolchoada do telefrico.
- Ela  maluca - observou Fenner. - No tem pistas fceis por l. Ela devia estar na
Dollar Mountain, tomando aulas.
Serena enterrou os bastes prateados na neve enquanto eles avanavam na fila. Depois
foi a vez de eles subirem na cadeira. Fenner ficou  esquerda e ela imaginou que Tyler
iria com eles, mas ento - uuush! - Nate se enfiou  direita dela com a prancha Burton
verde-non.
- Oi - cumprimentou ele sem flego. - Desculpe pelo atraso.  O telefrico subiu atrs
deles e os deixou de ps pendurados. Serena estava com a parka Patagonia azul-
marinho, da mesma cor de seus olhos. O cabelo louro se derramava por baixo do gorro
de tric com protetor nas orelhas, e as mos estavam enfeixadas num par de luvas pretas
imensas. Ao lado dela, um cara alto, de traje de esqui preto North Face que parecia
muito profissional e culos de proteo laranja, estava sem gorro.
- Ei, voc  o cara do hotel - observou Nate.
Fenner se apresentou.
- Serena me pediu para mostrar uma pista virgem - disse ele, sorrindo para ela. O
telefrico subiu em seu cabo at que os esquis roaram a copa das rvores. O cu estava
azul, a montanha era fresca e branca e o ar tinha cheiro de Natal, embora ainda fosse
maro.
Nate bateu nos esquis de Serena com a prancha de snowboardin
- Eu nunca mais te vi - disse-lhe ele num tom de acusao.
- Bom, eu ainda estou aqui - respondeu ela em voz baixa. Suas coxas e ombros se
tocavam e Serena podia sentir todo o lado de Nate vibrando com um zumbido familiar e
quente. Ser que ele podia sentir? Ele estava zumbindo tambm?
Na verdade ele estava mesmo zumbindo, mas porque tinha fumado um baseado antes e
depois de ir nadar. Nate se virou e olhou para ela, e Serena sustentou o olhar. Seus olhos
verdes cintilantes estavam injetados da maconha e da natao na piscina clorada demais
do hotel. Os olhos azuis dela estavam grandes e esperanosos.
- Oi - disse ele ternamente, talvez com uma certa tristeza.
- Oi - respondeu Serena, perguntando-se se eles iam sobreviver se ela o empurrasse do
telefrico com ela. Era uma queda de pelo menos 20 metros, mas ela estava morrendo
de vontade de rapt-lo e cair fundo na neve para eles se beijarem com privacidade. No
fundo, ele tambm estava morrendo de vontade de beijar Serena. No estava? Pule!, ela
queria gritar. Pule!
A emergncia dos hospitais no  nada privativa, gente.
- Estou pensando em entrar para a patrulha de esqui no ano que vem - disse-lhe Fenner,
batendo os esquis longos numa exibio ruidosa de habilidade. - Meu pai concordou.
Ele queria que eu fosse para a faculdade de medicina, mas ser patrulheiro de esqui 
como ser um mdico dos esquis, s que voc s precisa saber primeiros socorros e RCP.
Cara, a faculdade de medicina  to ultrapassada.
- Legal - respondeu Nate, afastando os olhos de Serena. No alto, ele ouviu Blair gritar
enquanto tentava sair da cadeira. Era uma das coisas mais difceis no snowboarding; ele
tinha levado um ano para aprender. O telefrico parou de repente. Era evidente que
Blair tinha cado.
Serena se mexeu pouco  vontade na cadeira. Fenner era ainda mais bonito com as
roupas de esqui pretas North Face, mas ele era meio velho para ela e meio fascinado
demais por esqui.
- Eu adoro total esses uniformes vermelhos da patrulha  disse ela feito uma idiota, sua
tentativa de dar mole saindo meio amarela.
O telefrico comeou a se mexer de novo. Nate ergueu a ponta da prancha, preparando-
se para sair. Pouco abaixo na rampa, Blair estava sentada, rindo, num monte de neve. O
pai e o namorado francs estavam de p perto dela, parecendo competidores de slalom
da Olimpada Gay da Frana, com aqueles trajes stretch Bogner pretos e iguais.
- Natie! - gritou Blair, acenando com as mos enluvadas. Nate saiu da cadeira e
aproximou-se sem esforo dela. - Meu colar arrebentou - disse-lhe ela, erguendo o
cordo partido de seda preta.
Talvez seja um sinal, pensou Serena, apavorada com a prpria crueldade.
 - Mas ainda tenho o corao - explicou Blair, colocando-se de joelhos e batendo no
bolso da parka. - O cara do telefrico colocou aqui para mim.
Nate tirou as luvas e enfiou o cordo de seda preta no prprio bolso. Depois ajudou
Blair a se levantar e prendeu seu p livre na parte de trs da prancha. Ele segurou as
mos dela e a puxou pela cintura.
- Segure-se em mim - instruiu ele com competncia.  Vou levar voc para baixo.
Serena ficou olhando Nate e Blair seguindo para a parte mais fcil da pista. Eu ainda
estou aqui!, ela gritou para eles em silncio. Depois Fenner apareceu ao lado dela,
rasgando a neve com os esquis compridos de corrida.
- Aperte isso! - disse ele por sobre o ombro como o nerd pirado em esqui que era. O pai
de Blair e Giles comearam a descer atrs dele, fazendo oitos concisos com seus esquis
vermelhos Rossignol. Serena enxugou o nariz na luva, ergueu a cabea e puxou uma
lufada de ar gelado. Ela queria que Nate ficasse com cime dela e Fenner, mas no
conseguia paquerar Fenner direito quando s tinha olhos para Nate.
- E a, linda? - Um snowboarder que parecia macho com um traje Burton com estampa
de camuflagem passou por ela, abrindo-lhe um sorriso torto. Serena o olhou desaparecer
pela descida e pelas rvores. Depois deu impulso nos esquis soltou um uivo alto e
vertiginoso enquanto se catapultava morro abaixo. A neve era fresca e ela estava
cercada de lindos homens fazendo snowboard. Ela no ia deixar que um corao partido
estragasse suas frias.
H algo que no ensinam nas escolas particulares: voc precisa ter nascido para isso - a
arte de se reanimar.




v banca a difcil
danhum: pensei que a gente ia fazer alguma coisa nas frias de primavera. todos os
meus amigos viajaram.
hairlesskat: que amigos?
danhum: t, meu 1 amigo. j enchi aquele caderno de poemas. estou entediado.
hairlesskat: minha toda revista  de seus poemas e minhas fotos pq as meninas da
minha escola so inteis
danhum: minha irm  da sua escola.
hairlesskat: ela no  intil - a arte dela est na revista.
danhum: ento, quer ver um filme?
hairlesskat: prefiro cinema a filmes. A Warhol Sucked comea na Film Forum na
quinta
hairlesskat: ei!
danhum: acho que tudo bem, se vc no puder sair antes disso.
hairlesskat: eu valho a espera.
danhum: hein?
hairlesskat: deixa pra l.
gossipgirl.net
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Advertncia: Todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e eventos foram
alterados ou abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                      oi, gente!

saudaes do paraso

Escrevo para vocs de uma localizao no revelada, embaixo de uma palmeira, a brisa
fraca soprando em meu corpo perfeitamente bronzeado e com um biquni mnimo.
Ocorreu-me que eu nem preciso voltar. Posso fazer o que fao melhor - escrever esta
coluna  de qualquer lugar. E odeio a ideia de voltar a usar roupa. H o problema de
perder os ltimos anos importantes da escola, e a faculdade estaria fora de cogitao,
mas tenho certeza de que em mais ou menos dez anos uma sensata instituio da Ivy
league me dar um diploma honorrio depois de se divertir e se informar com a
sabedoria de minhas palavras por tanto tempo. H um nico probleminha, porm: sinto
muita saudade de vocs. E se eu no estiver onde vocs esto, sinceramente no tenho
muito o que escrever. Ainda assim, vocs tm sido muito bonzinhos me mantendo
informada...
seu e-mail

P: Cara Gossip Girl,
Minha famlia tem uma casa em Sun Valley e fica bem atrs do hotel. Do meu quarto,
d para ver a piscina aquecida. No sou de ficar olhando, mas, sinto muito, eu vi aquele
cara que voc chama de N nadando de costas por uma hora e fumando um baseado
imenso. Umas meninas comearam a aparecer na piscina porque ele estava l. A
namorada dele tem que ficar de olho, porque todas somos loucas por ele.
- skibetty

R: Cara skibetty,
Sim. E o que o torna ainda mais delicioso  que ele no faz ideia de que todas ns
somos completamente apaixonadas.
- GG

P: Prezada GG,
T legal, ento antes de tudo eu sou homem, ento ficar falando com voc  meio
constrangedor pra mim. Mas eu fico pensando, se voc no puder me ajudar, ento
quem pode? Eu vi aquela menina da foto na Internet, acho que ela  linda e quero
conhec-Ia, mas no quero que ela saiba que eu sei quem ela , porque no acho que ela
tivesse a inteno, tipo assim, de se expor ali. Entendeu?
- camarada

R: Caro camarada,
 difcil para mim dizer se voc  horripilante ou no sem te conhecer, mas vou me
arriscar a dizer que se voc viu a foto da garota na Internet, ela na verdade quis "se
expor daquele jeito" -  s uma questo de at que ponto. Com os interesses dela em
mente, sugiro que voc deixe seu encontro pessoal para o destino. Entendeu? Que bom.
- GG

P: Cara GG,
Eu estava fazendo amizade com uma menina e agora ela est meio que agindo como se
tivssemos nos conhecendo online ou coisa assim. No, no  isso... Mas ela est
estranha. Sei que ela gosta de mim, mas s quero ser amigo dela e me divertir. As coisas
tem de ser to complicadas?
- insone

R: Caro insone,
Ela gosta de voc, mas voc "s quer se divertir". Acredito que voc tenha respondido a
sua prpria pergunta.
- GG

flagras

B e N no ponto de partida no alto da montanha em Sun Valley sem as botas de esqui,
afagando-se com os ps embaixo da mesa. S paquerando um instrutor de esqui alto na
fila do cachorro-quente.  como dizem: se no pode derrot-Ios, una-se a eles. O pai de
B e o brinquedinho francs, tambm afagando-se com os ps embaixo da mesa. O irmo
menor de B, T, cercado de admiradoras de 11 anos enquanto matava o almoo para
pegar mais algumas pistas usando s uma camiseta preta do Led Zeppelin e cala de
couro marrom, cortesia de Hermes, Paris. Outro garanho em formao? C em Roma,
banhado em azeite extravirgem e sol, sem camisa, na escada do Coliseu. Ser que ele
est tentando seduzir sua condessa italiana extravirgem?  como dizem: quando em
Roma... K e I esquiando pelas encostas em Stowe, tentando desesperadamente fazer
uma declarao de moda enquanto congelavam o traseirinho com short de brim e
polainas pretas. Desculpe, meus amores, mas Vermont no se compara a Sun Valley. D
na filial da Biblioteca Pblica na esquina da 42 com a Quinta na seo de romantismo.
Ai. E por fim, eu, gloriosa como sempre no mais recente biquni Eres, estirada numa
praia de areias brancas, batendo preguiosamente as teclas de meu laptop...
campari no  to fraco quanto parece

Minha cura definitiva para os muitos dias bebendo tantas garrafas de champanhe sempre
foi um bom copo alto de Campari e gua tnica com uma fatia fresca de lima. Mas o
motivo para eu estar deitada aqui, incapaz de nadar, ler ou me desembaraar de minha
espreguiadeira com estampa de batik,  que quatro ou cinco Camparis com tnica
derrubam qualquer um. O Campari, afinal,  alcolico. E eu pensei que era um tipo
amargo de xarope de cereja. Ic! Ah, bom, vivendo e aprendendo. Ou talvez eu deva
dizer vivendo bem e aprendendo.
Curtam o que resta das frias, meus amores. Quer estejam nas montanhas ou surfando,
quero ver cada um de vocs bronzeado quando voltarmos.

                                 Pra voc que me ama,

                                      gossip girl
o corao dela est na manga dele e ela pode convenc-lo a fazer
qualquer coisa

- Ai, ai, ai, ai, ai! - Blair gritava enquanto Nate puxava suas calas de esqui pretas
Ellesse pelas panturrilhas doloridas de snowboarding. Ele havia avisado que o
snowboarding usa um grupo diferente de msculos e um grupo diferente de habilidades
com relao ao esqui, mas como sempre Balir se recusou a ouvir. Agora estava pagando
por isso. Ontem ela desmaiou de cansao depois do jantar. Esta manh ela mal foi capaz
de andar, mas insistiu que Nate lhe desse outra aula de snowboarding na pista de
iniciantes enquanto Serena esquiava com o pai dela e Giles. Nate tirou a cashmere
branca de gola rul de Blair e esfregou seus braos nus.
Parece que ela estava mesmo sofrendo.
- Quer que eu te d um banho? - props ele.
Blair estava deitada de costas na cama, a dor esquecida. Ele j a havia curado.
- Me beije para melhorar, por favor - orientou ela.
Ele se levantou e fechou a porta entre seu quarto e o de Serena. Serena parecia estar se
divertindo comprando tudo com o pai de Blair e o namorado dele. O que representava
mais tempo para finalmente transar com Blair. Ela estava deitada na cama com uma
calcinha preta e uma camisetinha de malha preta ridiculamente transparente que devia
ser uma espcie de roupa de baixo de polipropileno de alta tecnologia, mas na verdade
era tremendamente sexy. Nate tirou as calas de esqui e depois a camisa. Seu corao
batia acelerado.
- Voc foi to paciente comigo hoje - observou Blair. Ela se apoiou num dos cotovelos
para olhar para ele. A colcha floral marrom e dourada era totalmente medonha mas, de
qualquer forma, Blair estava uma gata com ela. - Eu te amo, Nate.
Nate se sentou na beira da cama.
- Eu tambm te amo, Blair. - Agora seu corao batia mais rpido ainda. Era agora, ele
tinha certeza. Quando eles ficaram juntos pela primeira vez, Blair disse que eles fariam
sexo "depois". Bom, agora era depois. J estava na hora. Ele se curvou e a beijou no
ombro.
Blair segurou a cabea dele e o puxou para cima dela. Um quarto de hotel s dela com o
homem de seus sonhos - o filme que era sua vida ficava cada vez melhor! Ela sorriu
para Nate e quase disse, Vamos fingir que somos casados e estamos em lua de mel, mas
se lembrou de que nem todo mundo era to doido quanto ela.
- Me beija - sussurrou ela em vez disso.
Nate a beijou - toda. Ainda bem que ele passou um longo dia esquiando, nadando e
fumando, porque se ele estivesse um pouco menos cansado, ia ter problemas para se
conter.
- No acho que quero s te beijar - disse ele enquanto tirava o cabelo longo e escuro de
Blair do rosto dela. - Eu quero fazer outra coisa.
Do outro lado da porta, uma TV rugiu. Depois houve uma srie de baques e golpes.
Serena parecia estar de volta, mudando os mveis de lugar. Ser que ela estava com
aquele Fenner?, perguntou-se Nate fugazmente. Era legal ver a facilidade com que
Serena conhecia gente e fazia amigos. Ele passou o dedo pela clavcula e pelo brao de
Blair.
Ela riu de ccegas e se apoiou no outro cotovelo, depois beijou a tmpora de Nate. Ele
era um menino tpico. Obviamente ela estava morrendo de vontade de transar, mas ela
ainda no estava preparada.
- Eu sei que voc quer. Eu tambm quero  murmurou ela, solidria. - Mas temos que
esperar.  Ela beijou seu rosto.  At este vero.  Ela o beijou na boca e sorriu
timidamente.  No trem.  Eles iam passar o dia em Paris, andando pelas ruazinhas em
volta da Ntre-Dame e bebendo vinho ros em cafs romnticos. Quando a noite casse,
eles iam embarcar no trem na Gare du Nord. Quando ele sasse da estao e atravessasse
a cidade, eles se trancariam em sua couchette, tirariam a roupa, dariam morangos com
champanhe ao outro e fariam um amor apaixonado e selvagem at que o trem chegasse
ao litoral.
Nate desconfiou de que devia ficar to animado com isso quanto Blair, mas esperar at
o vero parecia a pior ideia que ele j ouviu. Ele puxou a colcha spera e feia.
- Meu pai disse que "no agradava muito a ele a ideia de eu viajar sozinho com duas
jovens" - admitiu Nate, citando-o quase literalmente, mas sem contar tudo a Blair. A
verdade era que ele tinha certeza de que o pai duro e capito da marinha tinha feito
uma de suas espordicas "verificaes de rotina" em seu quarto pouco antes de Nate
partir para Sun Valley, e possivelmente encontrou seu cachimbo. No que o pai sem-
noo-pra-essas-coisas-modernas soubesse para que servia o cachimbo, mas
provavelmente tinha levantado algumas suspeitas. - Pode ser que ele no me deixe ir.
Blair colocou o rosto em seu peito nu e macio, fechando os olhos e sorrindo enquanto
respirava o maravilhoso Nate. Depois passou os dedos pela barriga de Nate, de
mansinho.
- Desde quando nossos pais probem a gente de fazer alguma coisa que queremos?
Nate riu com certa indiferena.
-  que eu te amo,  s isso. - Perder a virgindade juntos num trem parecia
tremendamente desconfortvel. No haveria espao para se espalhar ou experimentar
diferentes posies. E os travesseiros provavelmente seriam uma merda. Eles no
podiam fazer isso agora? Que diferena faria esperar alguns meses?
Blair bateu na barriga dele de brincadeira e se sentou.
- Eu tenho um presente para voc. Na verdade, o presente  da Frana. Meu pai
comprou.  Ela no ia dizer a ele que tinha adornado o presente com seu toque
engenhoso usando o kit de costura do hotel. Ela se levantou, foi at o closet e pegou o
pacote cuidadosamente reembrulhado. -  da Courreges - disse ela com entusiasmo,
entregando a ele. - Em Paris.
Nate se sentou e rasgou o papel branco do pacote, revelando um luxuoso e grosso suter
de cashmere verde-musgo com gola em V.
Blair pegou o suter e o ergueu no peito nu de Nate. Ela estava louca para que ele
experimentasse para poder arranc-lo dele.
- Veste, anda - insistiu ela.
Nate passou os braos nas mangas e puxou o suter pela cabea. Era macio e a sensao
na pele era boa. Ia ser um de seus preferidos - ele j sabia disso.
-  timo. Obrigado.
O tom verde-musgo do suter deixava seus olhos ainda mais verdes e Blair teve vontade
de gritar com o decote em V em seu peito bronzeado. Ela estava louca para dizer a ele
que tinha costurado o corao de ouro que ele comprou para ela na Tiffany, do lado de
dentro de uma das mangas, para que ele sempre estivesse usando seu corao na manga.
Mas Nate s ia querer tirar o corao e faz-la usar novamente. Ela preferia onde estava,
escondido em sua pele adorvel. Ela beijou o pescoo dele e aninhou o rosto em seu
peito maravilhoso coberto de cashmere.
Nate brincou com uma mecha de seu cabelo castanho e brilhante, adorando a sensao
macia e confortvel do suter.
- Ei, onde est o corao que eu te dei? - perguntou ele de repente, como se lesse a
mente de Blair.
Blair levantou a cabea.
- Num lugar seguro. - Ela o beijou na boca longa e lentamente, em parte para faz-lo
esquecer da pergunta e em parte porque estava to delicioso com o suter que ela no
conseguiu resistir.
- Eu te amo, Blair - murmurou ele, puxando para cima a camisetinha preta de malha.
O corao dela na manga dele, de fato.




s chega  maioridade no salo das rugas
Depois do primeiro dia esquiando, Fenner convidou Serena para sair com seus outros
amigos viciados em esqui, mas ela o dispensou. Preferia a solido ou a companhia
tranquilizadora do pai de Blair e do lindo amante gay a fingir dar mole para um cara que
ela no estava nem remotamente interessada. Enquanto Nate e Blair se agarravam do
outro lado da porta, ela tentou assistir Cocktail - o pior filme que Tom Cruise fez na
vida - mas teve que desviar os olhos quando as pessoas no bar abarrotado de Tom
comearam a recitar um poema horrvel e todos no bar uivavam e batiam palmas como
se fosse a coisa mais profunda e genial que ouviram na vida. Ela desligou a TV e tentou
desfazer a mala e guardar as roupas na cmoda do hotel. Ela lavou o cabelo e o secou.
Ela fez as unhas. Ligou a TV de novo e tentou ver Maria Antonieta estrelado por
Kirsten Dunst, mas a histria era to aguada que ela rapidamente ficou entediada. De
vez em quando uma risada abafada ou um risinho de diverso emanava do quarto ao
lado. Maria Antonieta no estava se divertindo nem um pouco com o rei Lus, mas
parecia que Blair e Nate estavam bastante.
Por fim, quando no conseguiu suportar mais, ela vestiu um cardig preto e um par de
sandlias Chanel pretas e surradas e saiu do quarto apressadamente. No segundo andar
do hotel, ficava o famoso bar e salo de dana noturno, popular com quem tinha mais de
60 anos, que a equipe do hotel apelidou de Salo das Rugas. Serena se sentou junto ao
balco do bar, sentindo-se jovem e deslocada. Casais mais velhos enchiam a pista de
dana, abraando-se com cautela enquanto valsavam ou danavam tango com um
medley de msicas de Frank Sinatra tocado pelo pianista de bigode e smoking.
Come fly with me, come fly, come fly away...
- Quero uma dose de Absolut, por favor - disse Serena ao bartender frgil que tinha uns
mil anos. - E uma Coca. - O bartender serviu a Coca, mas no a vodca. Seu corpo
parecia totalmente decrpito, mas sua mente devia estar funcionando bem. Claramente,
ela era nova demais para ele sequer pedir a sua identidade.
Serena ficou grata por ele permitir que ela ficasse. O salo era iluminado por velas e
pelas janelas ela podia ver uma neve delicada comeando a cair. A neve parecia ser feita
de ouro. Um casal passou por ela no bar. Eles eram os melhores danarinos no grupo e
os mais bem vestidos. Ele tinha cabelos prateados e estava elegante num palet de
veludo verde e calas de smoking. Ela era graciosa, num vestido de seda estanho, o
cabelo branco puxado num coque. Eles danavam graciosamente e com facilidade,
como se tivessem praticado por tanto tempo que os passos eram sua segunda natureza.
Seus olhos nunca se desviavam do rosto do parceiro e os dois sorriam, como se fossem
o casal mais sortudo do mundo.
Era difcil no ver a si mesma e a Nate neles. Meio sculo depois de seu romance ter
comeado, eles comemorariam danando aqui. Isto , se as coisas fossem inteiramente
diferentes. Agora parecia muito mais provvel que Nate e Blair fossem o casal de
danarinos. Como ele podia mudar de parceiras com tanta facilidade e sem culpa, sem
bater nem uma vez suas lindas pestanas douradas? Como ele podia se esquecer de que
eles se beijaram na cama quente de Serena naquela noite fria de fevereiro? E beijaram,
beijaram...
Ela acendeu um cigarro, deixando que a fumaa vagasse para a vela acesa. Se ao menos
pudesse desistir completamente de Nate por Blair e parasse de pensar em beij-lo. Mas
ela n conseguia. Mesmo que fosse s em sua cabea, ele ainda era s um pouquinho
dela. Uma coisa era certa: ela no se torturaria de novo, viajando com eles no vero.
Depois deste drinque ia mandar um e-mail ao agente de viagens encarregado de
organizar sua viagem de trem no vero e diria que s haveria dois passageiros, e no
trs. De jeito nenhum Serena ia se sentar em cafs romnticos na Frana com Blair e
Nate enquanto eles se acariciavam por baixo da mesa e se chamavam de nomes de
bichinho, como Totozinho e Pituquinha. De jeito nenhum ela ia ouvir os dois fazendo
um sexo alto e cheio de risos em sua couchette romntica enquanto ela ficava sentada
sozinha na couchette dela, tricotando suteres disformes ou fazendo palavras cruzadas
em francs, que nunca foi a matria mais forte dela. Ela ia encontrar outra coisa para
fazer neste vero, como ajudar a me a podar as roseiras em Ridgefiled, aprender
ilusionismo, aperfeioar seu nado de peito, conhecer outro cara.
Como se pudesse haver outro cara.
Os ombros bem definidos de Serena arriaram e ela se encostou pesadamente no balco
de madeira escura. Lgrimas salgadas vertiam de seus olhos azuis e caam pelo rosto.
De repente ela se sentia mais velha e mais cansada do que qualquer uma das matronas
no salo. Ela empurrou a Coca e estava prestes a descer de sua solitria banqueta no bar
quando o bartender baixou um copo diante dela. Ele serviu uma dose de Absolut. O
pianista tocou outra msica.
lt had to be you, wonderful you, it had to be you...
Serena se endireitou, tombou a cabea para trs e tomou a vodca de um gole s. Nunca
havia bebido de uma tacada s, mas sempre ficava mais ousada quando estava sozinha.
Parece que este pode ser o comeo de uma nova era de ousadia.




v pega d de calas na mo
Era a ltima quinta-feira das frias de primavera. Vanessa tinha finalmente aberto um
espao em seu cronograma para levar um DVD at a casa de Dan, acompanhado de
sushi e uma garrafa de saqu, cortesia de Ruby. Vanessa sempre achou sushi meio
romntico, o jeito como tudo era to elegante e delicado. Dava para dar comida na boca
do outro sem fazer muita baguna. Mal se precisava de um guardanapo. No que ela e
Dan j estivessem na fase de dar comida na boca do outro, em especial porque ela mal
falou com ele por semanas. Mas talvez, at o final da noite...
Nunca subestime o poder do saqu.
Dan esperou por esta noite a semana toda porque, como Zeke estava na Flrida, ele
estava morrendo de tdio e solido e chegou a pensar em escrever um romance. O
problema era que o nico tema em que conseguia pensar era um man entediado e
solitrio de 15 anos, e ningum ia querer ler sobre isso. Felizmente, Vanessa tinha
chegado para alivi-lo de seu umbiguismo. Eles se sentaram no cho do estdio com as
costas no sof de couro marrom. Ele colocou o DVD e apertou play. Um casal japons
andava de metr, com um ar de cansao e meio sebento. Eles eram japoneses, mas
falavam em espanhol.
- Cad as legendas? - perguntou Dan. - Eu no devia entender o que esto dizendo?
Ruby tinha recomendado o filme Mystery Train, que ela afirmou ser o melhor filme j
feito, e era sobre almas perdidas que se encontravam. Vanessa pensou que parecia
perfeito. Ela procurou por quase uma hora e finalmente o encontrou na seo de
importados da minscula locadora suja na rua de seu prdio. Agora ela sabia por qu.
-  em espanhol - observou ela. Ruby no disse a ela que era um filme estrangeiro.
Depois ela percebeu que os lbios do ator estavam se mexendo de um jeito diferente do
som. Elvis apareceu e seus lbios definitivamente estavam se mexendo em ingls, mas a
voz que saa era parecida com a do Julio Iglesias. -  dublado  percebeu ela, sentindo-
se uma completa idiota.
- Est tudo bem, eu posso ler os lbios. - Dan abriu a embalagem do sushi e comeou a
depositar com cuidado o contedo na mesa de centro. Ele serviu saqu em dois copos de
plstico, as mos tremendo, como sempre. Entregou o copo a Vanessa. Ela estava do
mesmo jeito de quando ele a vira pela ltima vez. Sua cabea estava raspada e ela se
vestia inteiramente de preto. Era meio tranquilizador.
Vanessa viu como as mos de Dan tremiam enquanto ele tentava pegar um rolinho
Califrnia com os hashis. Ela serviu mais saqu no copo dele. Talvez fosse bom que o
filme fosse praticamente inassistvel. Dan parecia muito nervoso e Vanessa tinha certeza
de que sabia o motivo. Ele queria que ela o beijasse de novo, mas ele estava apavorado
de desmaiar novamente. O modo como ele se torturava era irresistvel. Era s o que
evitava que ela pulasse em seu corpo branco e esqueltico.
Dan acendeu um cigarro, acompanhando o filme apesar de no entender nada na maior
parte do tempo. Ele gostou de ver que todo o mundo no filme parecia estar fazendo
coisas quando todos os outros dormiam. Ultimamente, ele andava com dificuldade para
dormir. Talvez fossem os cigarros.
Ou o caf instantneo que ele tomava o dia todo?
Ele terminou o saqu e se serviu de novo. A garrafinha estava quase vazia.
- Meu pai saiu - observou ele. - Mas ele abriu uma garrafa de Chianti antes de sair.
Quer que eu pegue?
Vanessa assentiu, estimulando-o. Quanto mais bbado Dan ficasse, mais provvel seria
que baixasse a guarda e a beijasse.
Ou desmaiasse de novo. Ou vomitasse.
- Esse filme me lembra Kerouac - disse-lhe Dan, voltando com uma meia garrafa de
vinho tinto com uma foto de um touro preto no rtulo. - Meu pai ia adorar. Aonde vais,
America, em teu carro reluzente na noite? - ele citou, estufando o peito como um
babaca.
Essa era uma das coisas que Vanessa mais gostava nele, uma das coisas que o
distinguiam: ele podia citar literatura sem parar para pensar. Era um cara sado do
passado. Seu pequeno e desgrenhado Shakespeare. Seu bardo. Ah, ela ficou feliz por ter
vindo. E feliz por ele ter mais vinho.
Logo Dan tinha terminado tambm o Chianti e meio mao de Camels. Sua cabea
estava tonta e a sala parecia tombar. No importava mais que ele no pudesse entender o
filme. Ento, a sala mergulhou e tombou num ngulo mais acentuado. Parecia-lhe estar
num passeio a cavalo no Hershey Park na Pensilvnia, onde o pai o levou com Jenny
uma vez. Uooo, calminha a. Ele afundou em Vanessa e ps o brao em volta dela para
se apoiar.
- Oi - ela riu, virando-se de frente para ele. Sua boca estava to perto do rosto de Dan
que ela podia sentir o cheiro da pele fumarenta, do vinho em seu hlito quente. Pela
primeira vez, ela percebeu que as pontas dos clios de Dan eram louro-arruivadas, a
mesma cor da penugem em seu lbio superior. Queria beij-lo novamente e mal
conseguia se reprimir. Ela queria que ele tomasse a iniciativa. A qualquer momento...
- Ai - grunhiu Dan. - Acho que preciso me deitar. - Ele a pegou pela coxa enquanto
tentava se iar para o sof marrom.
Pequenos pulsos eltricos percorreram a perna de Vanessa.
- Aqui. - Ela se ajoelhou ao lado dele e o ajudou a levantar.  Vou pegar uma gua para
voc - ofereceu-se ela, tentando no parecer decepcionada.  Seu frouxo.
Ela pegou a gua e depois, por impulso, a cmera. A cabea de Dan estava atirada de
lado num ngulo desconfortvel e suas plpebras se abriam s um pouco, de modo que
ela podia ver o branco do olho. Suas mos estavam numa posio de orao entre os
joelhos. Ele parecia meio morto. Vanessa tirou uma foto. Depois, s por diverso e
crueldade, e para lembrar a ele que ela testemunhou seu falecimento e ainda assim teve
senso de humor, ela decidiu carregar a foto no computador de Dan. Deixaria a foto
aberta para que ele topasse com ela quando acordasse de manh.
A luminria da mesa estava acesa no quarto dele e o computador zumbia. Canecas
rachadas com caf frio enchiam a mesa, e uma lata velha de Coca guardava os vestgios
da nova obsesso de Dan com os cigarros. O quarto tinha cheiro de coisa velha e o
carpete marrom-papel-pardo estava cheio de fiapos. Vanessa adorou. Era to... Dan.
Ela conectou a cmera, mexeu no mouse e clicou at encontrar uma pasta com o nome
simples de Fotos de Dan. Abrindo a pasta, ela rolou distraidamente pelos arquivos e
estava prestes a descarregar sua prpria foto boba quando deu com dois arquivos
denominados serenavdia1 e serenavdia2. Vanessa clicou na primeira e apareceu na tela
a foto que ela tirou de Serena olhando torto para a cmera, enquanto mostrava a bunda
com a tatuagem de corao. Vanessa encarou a foto. Os versos do poema de Dan  um
de seus favoritos  apareceram em sua mente:

Seu cabelo louro todo estranho
Sentada em minha cama
Pintando minhas unhas

O caderno de poesia de Dan estava na mesa ao lado do monitor. Ela o abriu na
ilustrao de Jenny de um anjo louro que Dan tinha colado na segunda capa. O anjo
tinha os mesmos olhos azul-escuros, o mesmo sorriso sedutor de "voc sabe que me
ama" que Serena mostrava na foto. Vanessa girou na cadeira de Dan. Havia outras
ilustraes de Jenny coladas na parede. Cinco delas, no total. Cada uma das cinco era de
um anjo voando, o rastro dos longos cabelos louros entre as asas abertas, a cabea com
um halo e linda. Ela podia ser qualquer anjo louro, a no ser pelo uniforme azul-
marinho da Constance Billard, os olhos azul-escuros e o pingente de ouro em S em
volta do pescoo.
Outros versos dos poemas de Dan lhe vieram  mente.

Voc me conhece?
Acho que sim

Mas ela no o conhecia, s pensava que sim. Dan no era um irmo dedicado, agora
Vanessa percebia. Estes no eram anjos. Eram todos parecidos com Serena. Ele era to
obcecado com sua linda e loura colega de escola que tinha roubado as fotos e colado
lembretes dela em toda sua parede creme rachada. Dan Humphrey, o objeto de seu afeto
imorredouro, era um maluco que assediava Serena.
Vanessa atirou o caderno na mesa, foi pisando duro at a sala e olhou a forma
adormecida de Dan. Ele parecia um garotinho. As plpebras tremendo, a baba
empoando nos cantos da boca. Ela se virou e foi na ponta dos ps at a cozinha,
procurando nos armrios at encontrar uma panela. Depois a encheu de gua e voltou na
ponta dos ps para a sala de estar. Dan agora roncava suavemente com um brao
pendurado na lateral do sof. Vanessa baixou a panela no cho, levantou o brao e com
cuidado baixou a mo dele na gua morna. Levantou-se e vestiu o casaco de chuva de
PVC preto, deixando-o com sua prpria derrota.
O som de seus Doc Martens reverberando alto no piso de madeira suja, seguido pela
batida da porta da frente, sobressaltou Dan. Ele no pretendia dormir - s precisava
descansar at que a sala endireitasse de novo.
- Ei... Vanessa? - chamou ele, sentando-se. Ele olhou as prprias calas. Estavam
ensopadas. Ele se molhou como um menino de trs anos. E a mo estava molhada
tamhm. Ele girou as pernas para o cho, batendo na panela com gua. O cheiro de
cigarro molhado emanava do tapete persa roto, dando-lhe nuseas.  Meu Deus 
murmurou ele, cambaleando para a porta. Ele seguiu encharcado at seu quarto. A linda
foto desvairada que Vanessa fez de Serena e sua bunda pelada boiava diante dele na tela
do computador. Ah. Ah!
- O que foi? - Jenny colocou a cabea para dentro do quarto dele. - Eca! - gritou ela,
apontando para a virilha molhada de Dan. - Que nojo!
- Vai se foder - disse-lhe Dan, infeliz. Ele desligou o monitor do computador antes que
Jenny pudesse ver o que havia ali. Vanessa devia odi-lo. Ele mesmo se odiava.
- Acabei de ver Vanessa ir embora. - Jenny entrou no quarto dele usando um short de
pijama rosa das Meninas Superpoderosa um top de biquni vermelho J. Crew, o cabelo
crespo e escuro escovado em duas marias-chiquinhas. - Ela  to estranha. Vocs j se
beijaram? Acho que ela gosta mesmo de voc.
Dan fitou a irm, incrdulo. Vanessa o fez se mijar nas calas. Mesmo que gostasse dele
antes, no ia gostar muito dele agora.
- Tenho que trocar de roupa - ele suspirou miseravelmente, procurando uma cala de
veludo semilimpa no cho.
E claramente no era s a roupa que ele precisava trocar.




raiva x melancolia

Depois de nove dias massantes porm gloriosos de esqui, chegara a ltima manh deles
em Sun Valley. Nate sentia-se culpado por no pegar tantas rampas enquanto esteve l,
ento acordou cedo e foi para as encostas. Blair abriu a porta para o quarto de Serena e
se aninhou na cama com ela.
- Est passando Bonequinha de luxo - anunciou ela, apertando "selecionar" no controle
remoto da TV a cabo e pegando o cardpio do servio de quarto na mesa de cabeceira.
O hotel tinha os melhores waffles belgas que ela j comera. Waffles belgas e
Bonequinha de luxo. Existe maneira melhor de terminar umas frias perfeitas?
Bom, h uma coisa que podia torn-las ainda mais especiais.
Serena abriu os olhos azuis e espiou Blair por entre uma cortina de cabelos louros.
Pegou o barco de argila que Nate fez para ela com o HMS Serena com o corao
vermelho encravado e o enfiou debaixo do travesseiro. Toda noite dormia com o barco
na mo, segurando-o contra o corao como um amuleto da sorte e lembrando-se da
noite em que ela e Nate se beijaram. Ela sabia que isso era um tanto psictico, mas Nate
fizera o barco para ela como uma prova de seu... amor. No foi?
Ou talvez ele s tenha pensado que daria um bom peso para papis.
O rosto de Blair reluzia de esquiar ao sol durante o dia e se agarrar com Nate a noite
toda. Ela estava linda e irritante de to feliz. Serena se sentou e tirou o cabelo do rosto.
- Preciso de caf. Um bule inteiro. - Ela passou as ltimas quatro noites bebendo e
vendo gente velha danar no Salo das Rugas e estava numa ressaca constante.
- A melancolia  porque voc est engordando e talvez tenha chovido demais. Voc s
est triste,  s isso - dizia Audrey Hepburn como Holly Golightly na tela. - A raiva 
um sentimento horrvel. De repente voc est com medo e no sabe do que tem medo.
Serena no sabia o que tinha, melancolia ou raiva. Talvez um pouco das duas coisas.
Blair pegou o telefone e pediu quase tudo o que havia no cardpio. Waff1es. Steak com
molho barnaise. Bagels e salmo. Uma omelete americana de queijo. Um shake de
chocolate.
- No consigo decidir o que quero - explicou ela. Talvez fosse o ar da montanha, mas
ela andava faminta desde que chegou.
As duas meninas se sentaram encostadas nos travesseiros de Serena, vendo o filme
agora familiar. O servio de quarto chegou e Blair espalhou o banquete na colcha. Deu
uma dentada no waffie com xarope e depois enfiou uma batata frita cheia de ketchup na
boca.
- No sei o que estou fazendo. Quero ficar magra, magra, magra quando formos viajar
neste vero. - Ela pegou o milkshake de chocolate e tomou um longo gole. - Europa de
trem  murmurou ela sonhadora, vendo Audrey tocar "Moon river" no bandolim. Talvez
ela tambm aprendesse a tocar violo neste vero. Ela podia fazer uma serenata para
Nate e ele ia ficar to aceso que ela teria de derrub-lo no cho de sua couchette. - Vai
ser incrivelmente romntico.
Serena bebeu o caf amargo. O sol jorrava pela janela. Esquiadores cruzavam em
silncio a montanha nevada. "My huckleberry friend", entoava Audrey.
- No posso ir  Europa com vocs - soltou Serena.
Blair franziu a testa e pegou mais fritas.
- Isso  alguma brincadeira de Primeiro de Abril?
Serena sacudiu a cabea. O Primeiro de Abril no ia ser, tipo assim, dali a duas
semanas?
- No, eu realmente no posso ir.
- E por que no? - perguntou Blair, enchendo a boca de fritas.
No  bvio?, Serena queria gritar.
- Meus pais querem que eu fique com eles,  s isso. E vai ter um workshop de teatro
bem legal no vero, muito perto de nossa casa em Ridgefield. Parece incrvel. A
Gwyneth fez antes de ficar famosa. - Ela enrolou no pulso o guardanapo de tecido
branco. Ela sabia vagamente que havia uma comunidade de teatro perto de sua casa em
Connecticut, onde Gwyneth Paltrow atuou uma vez numa pea quando ela era mais
nova. Quando foi que ela se transformou numa mentirosa to elaborada?
Blair atirou mais fritas na boca e tomou um gole do shake.
- Ah,  mesmo? Voc no vai? - ela repetiu com uma irritao evidente. - Voc  to
esquisita, Serena, no h dvidas disso.
- Desculpe. - Serena tombou a cabea. Seu lbio inferior tremia e ela o mordeu com
fora. Se comeasse a chorar, temia desabafar com Blair e essa era a ltima coisa que
queria fazer.
Blair pegou a faca de carne e serrou seu steak at que sangrasse. Pensando bem, assim
seria ainda melhor. Ela e Nate teriam o couchette no trem s para eles. No teriam de se
preocupar em fazer coisas de turista e divertir Serena - eles podiam s transar,
constantemente, em cada pas da Unio Europeia. Como podia pensar em transar
quando Serena estava sempre zanzando por perto? Ela ficou feliz por ter pedido a Nate
para esperar: seria ainda mais perfeito assim.
- Deixa para l - disse ela distrada, enfiando o garfo num pedao da carne e colocando
na boca. - Est tudo bem.
-  mesmo? - Serena soltou a respirao. Odiava quando Blair ficava irritada com ela.
- Mesmo. - Blair abriu um sorrisinho falso para Serena, o tipo de sorriso que ela em
geral reservava para suas colegas de turma macacas de imitao irritantes, como Nicki
Button e Rain Hoffstetter. Nos ltimos dias, sentia uma nova distncia entre ela e
Serena que ela no conseguia saber exatamente o que era. Elas no eram mais irms.
Eram mais como enteadas. Ela olhou a pilha de comida diante de si. Era de fato uma
imagem revoltante. - Pode colocar isso do lado de fora, por favor? - ladrou ela,
disparando para o banheiro.
Serena pegou os pratos e os cobriu com suas tampas de prata. Devolveu-os  bandeja e
colocou esta no corredor. Podia ouvir Blair vomitar no banheiro, o jato da descarga, o
som de Blair fazendo gargarejos. Desta vez no ia perguntar a Blair se ela estava bem -
s pegou sua bolsa prata Tumi no closet e comeou a fazer as malas. Atirou o barquinho
de argila na bolsa, ansiosa para ir para casa, para longe da viso de Blair.
Mas a gente sabe o que dizem por a. O lar  onde o corao est.




n se revira em sua cama minscula de solteiro
- No se esquea de sua toalha, senhor - disse o careca por trs da mesa branca do
ginsio. Ele entregou a Nate uma toalha de banho branca e quente.
- As meninas esto na sauna - acrescentou ele, prestativo.
Nate abriu a pesada porta para o vestirio. No era o vestirio do St. Jude's, com suas
portas de armrio antigas e pintadas de verde lama - era o vestirio do Bridge, o clube
de golfe do pai dele em Bridgehampton. Os armrios tinham portas de teca. Uma
toalha branca recm-lavada e um charuto enrolado  mo foram colocados em cada
um deles. Muito gentil.
Uma fila de seus colegas do time de lacrosse esperava por ele, vestidos no uniforme
listrado de verde e branco da equipe de lacrosse do St. Jude's e portando seus bastes.
- Mandou bem, cara. - Jeremy Scott Tompkinson bateu na mo de Nate e abriu seu
sorriso torto de chapado.
- Demais, cara - concordou Anthony Avuldsen, estendendo o punho para Nate bater.
- Voc  o cara - concordou Charlie Dern. Ele apertou a mo de Nate, colocando um
baseado gordo na palma ao fazer isso.
-  uma honra ter um jogador como voc no meu time. - O treinador Michaels estendeu
a mo e deu um abrao de urso em Nate.
O time desapareceu no ter e Nate acendeu o baseado. Fumar era como comer o
sundae com calda quente de chocolate mais incrvel que ele j provou. Ele deu um
ltimo tapa e tirou a cala cqui, a camisa polo e a cueca e se enrolou na toalha que o
funcinrio lhe dera. Ps as roupas em um armrio vazio. Ele no estava de sapatos.
A porta de vidro da sauna estava toda fosca. Ele a abriu e entrou.
- Oi, Natie - recebeu-o uma voz de menina.
Nate andou pelo vapor na direo da voz. De repente sentiu braos em volta de seu
pescoo e a menina o estava beijando. Era to incrivelmente fantstico. Beij-la era a
sensao mais incrvel que ele j teve. Era como um barato natural total e ele podia
ficar beijando para sempre. O cabelo da menina parecia castanho, mas estava molhado
e ela parecia mais encorpada do que Blair, e mais alta. Mas tinha o perfume de Blair e
beijava como Blair - ansiosa, voraz, hiperativa.
- Sei que voc me ama - murmurou a menina em seu ouvido e sua voz era exatamente
como a voz de Serena na mensagem da secretria eletrnica.
- Vamos transar - disse Nate. - Eu quero fazer isso  com voc.
- Nate, querido? Est tudo bem?
Nate acordou com um sobressalto e se sentou. Os lenis de flanela xadrez estavam
ensopados de suor. As cabeas de seus pais espiavam para ele pela porta aberta do
quarto. Estavam bronzeados e animados. A me tinha uma tiara de diamantes no cabelo
e uma estola de mink no pescoo. O pai segurava um copo de usque.
- Voc estava falando dormindo - disse-lhe a me com seu sotaque francs aristocrtico.
- E bem alto.
Nate esfregou os olhos e procurou pelas meninas na cama. Ser que ele ainda est
sonhando?
- Vocs voltaram? - perguntou ele, tonto. Enquanto ele estava em Sun Valley, seus pais
tinham ido a St. Barts. Ou talvez Barcelona. Ele no conseguia se lembrar,
O pai deu um pigarro e girou o gelo no copo.
- Na realidade, voltamos ontem. Fomos  pera. A primeira parte do Ciclo do Anel de
Wagner comeou esta noite. Como foi o esqui?
- Esquiar foi bom - respondeu Nate automaticamente, embora no tivesse esquiado
muito. Ele esfregou os olhos um pouco mais, na esperana de que quarto no estivesse
com cheiro de maconha. Ele achava que no, embora o suter verde que Blair dera a ele
fedesse, e estava em sua cadeira, a cerca de um metro da porta.
- Volte a dormir, querido - ordenou a me com um sorriso malicioso.
Nate tombou nos travesseiros e fechou os olhos, tentando voltar ao mesmo sonho. S o
que podia ver em seu olho da mente sonolento eram os rostos das duas meninas que ele
mais amava no mundo, as duas melhores amigas. "Voc sabe que nos ama",
sussurravam elas, alto e claro.
Talvez fosse mais seguro sonhar com outra coisa.
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Advertcia: Todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e eventos foram alterados
ou abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                      oi, gente!

as chuvas de abril trazem as flores de maio, mas o que junho traz?

Saias lindas, chinelos e meninos sem camisa! Fico verdadeiramente aturdida que as
aulas no terminem em maio. Como podemos prestar ateno na aula quando l fora faz
mais de 30 graus? A primavera foi um borro de tempestades eltricas, provas e o
ocasional e totalmente irresponsvel ataque de vamos-aprontar-na-cobertura-enquanto-
os-pais-esto-no-Festival-de-cinema-de-Cannes. Mas agora as janelas esto abertas, os
pssaros cantam, abelhas zumbem e o parque fervilha de meninos jogando Frisbee sem
nem uma camisa  vista. E no entanto ainda temos de usar nosso uniformes quentes e
irritantes da escola e sapatos fechados por mais duas semanas, suando em cima dos
livros de geometria enquanto devaneamos com o vero.  engraado  algumas meninas
que conheo ficam to ocupadas com os planos para o vero. Tudo o que eu quero fazer
 balanar meus ps na beira da piscina.  claro que sou muito especfica com que
piscina e com quem vou balanar os meus ps. Alguns de vocs sem dvida esto
morrendo de vontade de balanar comigo. Vejam como a seguir.
seu e-mail

P: Carssima GG,
Eu a tenho observado. Bem, no observado, mas lido e relido cada palavra sua. Tenho
certeza de que voc  minha alma gmea. Quero lhe mandar minha foto. Quero lhe
mandar minha alma. Eu curto voc de verdade. E esta noite vou sonhar com voc, como
fao toda noite.
- encantado

R: Caro encantado,
Estou verdadeiramente lisonjeada, mas minha alma gmea no tem tempo de ler e reler
tagarelice intil de mulherzinha. No que alguma coisa que eu escreva seja tagarelice
intil, mas  definitivamente de mulherzinha. No, minha alma gmea est caando
lees e observando fontes de gua. Pode me mandar sua foto, mas prefiro que no faa e
continue sonhando comigo.
- GG

P: Cara GG,
Uma pergunta simples. O que voc faz quando est muito puta com algum, mas
tambm gosta muito desse algum?
- botas

R: Cara botas,
Esta no  uma pergunta simples. Tudo o que posso pensar em dizer , grite com ele at
que entenda, ou coloque-o na geladeira. Um dia ele se toca. Assim se espera. Boa sorte!
- GG

flagras

V num karaok na Orchard Street cantando "Crimson and Clover" com a irm mais
velha. Est na hora de ela arrepiar os cabelos. Pera, ela no tem mais cabelo nenhum. D
jogando basquete no Riverside Park com o amigo que precisa-desesperadamente-de-
uma-repaginada-do-Queer-Eye. Bom, pelo menos ele ainda tem um amigo. S no
Zoolgico do Central Park, falando com o urso polar. Pelo menos ela ainda tem um
amigo. B e N comprando roupas de vero na Brooks Brothers da Quinta. Se ela
realmente quer ajud-lo, devia levar o cara em outro lugar. Ele tem 16 anos - hora de
diversificar e usar outra coisa alm de bermudas e camisas polo de cores claras. Na
verdade, apague isso - ns o adoramos do jeitinho que ele .

as meninas da rancor

Parece que nossa amiga careca preferida andou muito ocupada, ocupada, ocupada sendo
mais esperta do que todos ns e lanando a primeira edio de uma nova revista de artes
muito cult e descolada.  apenas uma publicao de uma escola para meninas, mas 
impossvel andar pela Madison Avenue sem ver pelo menos uma pessoa com uma nas
mos. A maior parte das fotos  bem nojenta. Acorda! Quem, com toda sinceridade,
quer ver fotos de chicletes cuspidos e pombos mortos? O maior atrativo, de longe, so
os poemas da Annima. So totalmente esquisitos, meio tristes e meio sensuais. Tem
algo neles que agrada a todos. Melhor de tudo, foram escritos por uma menina, sobre
uma menina. O que me leva a...

to perto e ainda to longe

Algum a percebeu que certo trio transformou-se numa dupla com um elemento
perdido? O Incrvel Trio agora  s um casal chato de pombinhos apaixonados e uma
loura que anda a alguma distncia deles, se estiver andando com eles. Humm,  s uma
ideia, mas ser que uma certa loura linda  a Annima? Talvez aquele beijo entre
mulheres que alguns de ns a vimos dar em certa morena de batom, dividindo uma
hidro vaporosa em certo quarto de hotel no Dia dos Namorados, realmente tenha
significado alguma coisa  para ela. Uia! Mais forragem para meu passatempo
preferido. No, no esse passatempo, seus pervertidos. Eu quis dizer fofocar,  claro!

Epa, est na hora do almoo. Vou passar aquele ultrabronzeador Guerlain com FPS 4 e
ficar no terrao. E vocs que pensavam que o terrao do ginsio da escola era para jogar
queimado.
Vamos ver quem consegue o melhor bronzeado quando as aulas terminarem. E nada de
trapacear com aquela porcaria de bronzeado falso. Reconheo um bronzeado verdadeiro
quando vejo um. Em suas posies, preparar... j!

                                 Pra voc que me ama,
                                      gossip girl
e-mail para b

De: narchibald@stjudes.edu
Para: bwaldorf@constancebillard.edu
Data: Quinta-feira, 12 de junho, 11:50
Assunto: Ms notcias

Oi,

Eu sei que j estou atrasado para o treino de lacrosse da hora do
almoo, mas queria mandar isso para voc poder fazer novos planos ou
coisa assim. Sei que voc vai ficar irritada, mas eu meio que deixei
escapar a meu pai que amos ficar s ns dois nesse vero e ele pirou.
Acho que ele est ficando mais rabugento com a velhice. O resultado 
que no posso ir para a Europa neste vero. Basicamente meu pai quer
que eu ajude a terminar nosso barco no Maine. Vai ser legal depois que
acabar, e eu prometo levar voc nele. Eu sinto muito mesmo, mas
prometo que vou compensar em breve.

- N




do que falam as senhoras que almoam durante o almoo

- Esperem sua vez, meninas - instruiu a Sra. Wiley, a inspetora do almoo de narinas
largas  fila semiordenada de alunas uniformizadas da Constance Billard na entrada do
refeitrio, de bandejas de plstico laranja nas mos. - Tem peixe para todas. Cuidado
com as crianas.
Por anos, os pais da Constance Billard reclamaram dos almoos sem inspirao e a
escola estava decidida a melhorar seu padro de rosbife frio e pur de batata. O primeiro
passo foi contratar uma inspetora de almoo cuja tarefa era monitorar o quanto as
meninas comiam, que preferncias tinham e que tipo de alimento traziam de casa para
suplementar o revoltante almoo da escola. No vero seguinte, a direo prometeu
reformar o refeitrio e no outono ofereceria um buf de saladas luxuoso e uma estao
de sucos, com pratos preparados segundo as observaes da Sra.Wiley. No que ela
tenha preparado alguma coisa que inspirasse admirao. Quem ia preferir palitos de
cenoura refogados em pesto, baguetes e iogurte de ch verde a apavorantes torta de
carne cinzenta e feijo enlatado? Se as alunas e pais ficassem satisfeitos com o novo
cardpio, a Sra. Wiley levaria suas narinas a outra escola malnutrida.
E teriam uma saudade terrvel dela. Que nada.
Blair e Serena estavam na fila do buf de saladas num estranho silncio. Blair estava de
pssimo humor. Tinha recebido o e-mail horrendo de Nate minutos antes - e pensar que
durante toda a manh ela ficou num transe de felicidade pr-vero, revendo
gloriosamente cada momento desde que ela e Nate se beijaram naquela primeira noite
na sute de Chuck. Como ficou feliz ao acordar na manh seguinte, com Nate beijando-
a. A Tiffany. Ver o leo-marinho sendo alimentado no zoolgico. O passeio de charrete
por uma hora na neve, agarrando-se o tempo todo sob o manto de l spera. Dar a Nate
o suter verde-musgo com o corao costurado. Poder finalmente transar com ele neste
vero no trem enquanto sassem de Paris. Agora, eles nem iam mais  Europa.
As meninas colocaram nos pratos pilhas modestas de alface com uma poro de molho
de bleu cheese ao lado antes de passar  rea das sobremesas, onde cada uma delas
escolheu um iogurte desnatado de limo Danone. Este era o "prato de dieta" que elas
inventaram na quinta srie e comiam desde ento. Serena seguiu Blair at a mesa
preferida das duas, diante de uma parede cheia de espelhos. Como sempre, Serena se
sentou de frente para o espelho e Blair de costas para ele. Blair no conseguia olhar a si
mesma e comer ao mesmo tempo.
Serena girou a colher no iogurte, perguntando-se por que Blair estava to mal-
humorada. Ser que ela se deu mal na prova de francs avanado? Ser que ela e Nate
brigaram?, ela no conseguiu deixar de se perguntar cheia de esperana. Do outro lado
do refeitrio, Rain, Laura, Kati e Isabel pegavam suas bandejas e entravam na fila.
Agora era a oportunidade de Serena ter uma conversa particular antes de elas serem
bombardeadas. Blair mexeu o caf com uma irritao exagerada, derramando metade na
bandeja.
- Voc est bem? - perguntou Serena, hesitante. Ela abriu o primeiro boto da blusa
Tocca de manga curta e gola Peter Pan e abotoou novamente.
O pequeno refeitrio abarrotado zumbia do som da conversa das meninas, mas um
silncio quase perceptvel pareceu cair entre as duas quando Serena fez a pergunta. Sem
realmente nenhum movimento, a sala cheia de meninas apontou as orelhas para as duas
segundanistas lindas que falavam em voz baixa na mesa especial perto da parede
espelhada e sua tagarelice ftil transformou-se numa fofoca impiedosa.
- Sabe aqueles poemas da Annima? Serena  a Annima. Ela est totalmente
apaixonada pela Blair. Isso  muito triste - declarou uma aluna da oitava srie que fazia
xixi na cama e se chamava Susie Wexler.
- Elas so to lindas - suspirou uma caloura com culos de fundo de garrafa.
- A Serena fez plstica no nariz - contra-atacou a colega de cabelo frisado. - Meu pai 
podiatra... Eu sei muito bem.
- Ouvi dizer que Blair e Nate vo se casar. Soube que algum o viu olhando alianas de
noivado na Tiffany neste fim de semana. Ai meu Deus, acha que ela est grvida? -
perguntou alegremente uma veterana de pernas tragicamente atarracadas.
- Mas eu pensei ter ouvido que ela  lsbica - observou outra veterana. - Ela no
escreveu todos aqueles poemas lsbicos como a Annima?
Blair tocou o meio do peito, onde o pingente de corao costumava ficar. Mesmo que
fosse feio, talvez ela devesse t-lo colocado numa corrente de ouro e se resignado a usar
at que Nate lhe desse coisa melhor. Pelo menos o colar significava alguma coisa - que
ela e Nate estavam juntos, que estavam apaixonados, que ele era dela. Mesmo que eles
no ficassem juntos neste vero, pelo menos ela teria isso. Ela mergulhou uma folha de
alface em molho de bleu cheese e colocou na boca.
- A verdade  que eu no estou bem. Graas a voc, Nate no pode ir  Europa comigo
neste vero - informou ela a Serena num tom gelado. Ela pegou o garfo de plstico e o
usou para coar a nuca. O cami turquesa com bainha de renda que escolheu vestir para a
aula de hoje saa totalmente do uniforme e a renda coava pra caramba.
Serena contemplou seu reflexo no espelho. Se no tivesse cuidado, tinha medo de que o
brilho em seus olhos azuis revelasse que ela estava contente.
- Mas isso  terrvel. - Ela sacudiu a cabea e desviou os olhos da cara sombriamente
irritada de Blair.
Blair mergulhou a colher no iogurte.
- O pai dele no deixou. Ele quer que Nate o ajude a construir aquele barco idiota no
Maine. A culpa  sua. Se ns trs fssemos, ele no teria problema com isso. - Ela
soltou um suspiro alto e irritado e atirou na bandeja laranja a colher suja de iogurte. -
Nate e eu finalmente amos transar no trem assim que sasse de Paris. Eu comprei uma
lingerie linda. At comprei a rplica exata dos culos de sol que Audrey usa na primeira
cena de Bonequinha de luxo. Agora vou ter que passar metade do vero em Newport
jogando a chatice do tnis com meu pai esfuziante e o namorado dele de bronzeado
falso que mal fala ingls, e a outra metade com minha me idiota numa Esccia de
matar de tdio porque minha tia doida vai se casar pela segunda vez com a porra do
mesmo cara.
Neste exato momento Rain, Laura, Kati e Isabel se aproximaram e sentaram  mesa.
- Vai comer todo o molho? - perguntou Kati, mergulhando a unha cor-de-rosa no bleu
cheese de Serena. - Acabou. Eu tive que pegar o ranch... que nojo. - Ela ps o cabelo
liso e ruivo num coque no alto da cabea e deixou que casse dramaticamente em
cascata nos ombros. Kati tinha o cabelo lindo. Uma pena que fosse to burra.
Pelo menos tinha alguma coisa a favor dela.
Isabel olhou de Blair para Serena. Blair parecia querer decepar a cabea de Serena com
a faca de plstico e Serena fitava o iogurte como se estivesse fundindo-se
telepaticamente com a cultura de lactobacilos. Nate e eu devamos finalmente transar no
trem enquanto sasse de Paris. Todo esse tempo ela pensou que eles tinham transado
em toda parte, mas os dois ainda eram virgens. Ela mal conseguia acreditar nisso.
Pode acreditar, garota.
- A gente, tipo assim, interrompeu alguma coisa? - perguntou Isabel judiciosamente.
Vestia um suter gola drapeada roxo, uma cor que s algum com sua confiana e pele
morena e imaculada poderia vestir. Tinha QI de gnio, mas preferia aplic-lo  cincia
de escolher uma nova cor das luzes do cabelo ou encontrar o vestido idntico ao que
Kate Bosworth usou na festa de gala da Costume Institute, em vez de, digamos, qumica
avanada.
Bom, se voc pudesse, o que teria escolhido?
Serena soltou um suspiro profundo e trmulo. Estava louca para as aulas terminarem.
Talvez precisasse justamente passar o vero longe dos outros. Eles teriam frias
relaxantes e depois voltariam no outono e comeariam do zero. Talvez Blair conhecesse
um tenista em Newport e conclusse que Nate no era assim to especial. Talvez ela e
Blair sentissem tanta saudade uma da outra que fizessem um pacto de jamais serem
cruis uma com a outra de novo. Talvez Nate se lembrasse de que estava apaixonado
por ela, e no por Blair. Blair podia ser muito convincente, mas com alguma distncia
Nate podia perceber que era de Serena que ele sentia falta, e no de Blair.
Tudo  possvel.
- Desculpe, Blair - arriscou-se Serena, olhando esperanosa para a amiga.
Blair empurrou a bandeja com tanta fora que ela oscilou precariamente na beira da
mesa. Ela se levantou com todo o corpo tremendo.
- No basta pedir desculpas. - Deixando a bandeja cheia para a Srta. Wiley pirar, ela
saiu do refeitrio e foi para a enfermaria, onde usou o banheiro privativo para vomitar o
almoo, depois reclamar de clicas e tomar Motrin, o remdio pesado preferido dela.
As outras meninas esperaram que Serena dissesse alguma coisa, mas ela no disse, nem
diria. Em vez disso, ela pegou sua bandeja e a de Blair e as levou de volta  cozinha
para que fossem limpas. O refeitrio agora zumbia com a novidade da briga das duas.
- Est vendo o que acontece quando voc beija sua melhor amiga? - brincou Isabel de
um jeito cortante. - Sempre acaba em lgrimas.
- Eu fico me perguntando o que Nate tem a ver com tudo isso - disse Laura Salmon. -
Com a briga das duas, quero dizer.
De onde ela tirou essa ideia?
A fofoca sobre Serena e Blair vazou de uma mesa  seguinte at que infestou
completamente a sala como uma forte gripe. Por fim chegou  mesa da solitria aluna da
stima srie Jenny, perto do banheiro dos funcionrios.
- Serena no  a Annima - murmurou Jenny consigo mesma enquanto descascava a
terceira nectarina. Ela comeou uma dieta de frutas na esperana de que travaria o
crescimento dos peitos. Hoje estava com a verso bege do suti polons e se sentia
particularmente visvel, porque, como previu a proprietria da Village Bra Shop, eles j
estavam apertados demais. Ela sempre atribuiu a falta de amigas ao fato de que era
tmida e quieta na escola; agora Jenny culpava os peitos. Suas colegas de turma no
faziam ideia de que ela podia contar exatamente quem era a Annima, se elas se
dignassem a falar com ela.
Serena estava saindo do refeitrio quando viu a Vanessa Abrams da cabea raspada
sentada sozinha e lendo sua revista com uma xcara de ch preto. A capa da Rancor
trazia uma foto de um chiclete cuspido na calada. Parecia um pedao de carne que
algum largou quando ia do aougue para casa.
Por impulso, Serena baixou na cadeira de frente para a colega careca.
- Eu adoro a sua revista - disse ela com uma admirao autntica.
Vanessa levantou a cabea em desafio. No tinha deixado de notar que a Srta. Perfeita e
a Srta. Cretina acabaram de ter uma briga. Ser que a Srta. Perfeita j procurava uma
nova amiga?
- Em especial esses poemas da Annima. - Serena riu e se inclinou para frente. - Uma
vez, algum me deixou um poema de amor annimo no meu armrio. Acho que  a
mesma pessoa.
Vanessa olhou a colega loura e perfeita com os grande olhos castanhos. Ela sabia que
era um erro odiar algum que ela mal conhecia, mas no conseguia evitar. Agora estava
claro demais que o nico motivo para Dan permitir que ela usasse seus poemas na
Rancor era porque ele tinha certeza de que Serena os leria. Como pde ser to burra
quando costumava ser to inteligente?
Quando estamos apaixonados, no pensamos l muito bem.
- Meus parabns. - Vanessa fechou a revista e se levantou abruptamente. - Espero que
vocs sejam muito felizes juntos.
Do outro lado do refeitrio, Jenny viu Serena olhar Vanessa partir. Ela parecia to
alarmantemente triste, que Jenny queria poder fazer alguma coisa para consol-la. Mas
Serena van der Woodsen era Serena van der Woodsen, a menina que todo cara queria
ter e toda garota queria ser. Jenny tinha certeza de que podia pensar em alguma coisa
para se consolar.
Ela sempre pensa.




d no consegue abandonar o amor que sente
Dan tinha corrido pelo Central Park at a Constance, saindo da Riverside Prep na West
End Avenue e agora estava morrendo. O suor vertia de seu rosto e ensopava a gola da
camisa. Ele tremia e estava vermelho, e parecia precisar de um hospital. O dia era
quente e sem vento. Ele acendeu um cigarro e deu um trago desesperado. Isso... Muito
melhor. Ele ainda se sentia horrvel, mas um horrvel melhor e intrigante. Agora s o
que tinha de fazer era pensar em alguma coisa legal para dizer a Vanessa para que ela
no o odiasse mais. Que pena que a nica coisa em que conseguia pensar fosse, "Voc 
legal. Eu gosto de voc", que parecia uma proposta de casamento de algum que morou
num poro sem janelas a vida toda, comendo baratas.
Pelo menos seria um passo na direo certa.
Com a fachada de tijolinhos impecvel, a bandeira americana tremulando e grandes
portas azuis, a Constance Billard era muito mais imponente do que a Riverside Prep.
At as professoras pareciam intimidar mais, com seus terninhos de linho, sapatos
pontudos, cabelos perfeitos e maquiagem severa. No era de se admirar que Vanessa
odiasse a escola. Ela devia se sentir o patinho feio neste lugar.
Dan acendeu outro cigarro, atirando discretamente o antigo no pneu da frente da
limusine estacionada onde estava encostado. O robusto prdio de tijolinhos da escola
diante dele pareceu estremecer de alvio quando a ltima sineta tocou. Depois as
grandes portas azuis se abriram e saiu um fluxo de meninas de uniforme de vero
listrado de azul e branco da Constance. Primeiro vieram as menores, com as blusas
brancas com gola de Peter Pan, carregando imensas mochilas sobre rodas, cheias de
lancheiras, lbuns de adesivos, kits de caneta e lbuns de recortes. Em seguida as alunas
intermedirias, desajeitadas com os aparelhos nos dentes e os culos, sobrecarregadas
dos enormes livros de matemtica e latim. E por fim as alunas mais velhas comearam a
escoar mais despreocupadamente, depois de trocar as roupas e vestir short, top e
chinelos de dedo, ligando seus iPods e aplicando sua milionsima camada de gloss
MAC do dia.
Jenny j devia ter sado, mas em geral ela ficava presa em um projeto na sala de artes,
ento Dan no se surpreendeu que ela se atrasasse. Ainda assim, ela devia ser a
cobertura dele. Se Vanessa se recusasse a falar com ele ou lhe criasse dificuldades, ele
contava em fingir que s estava ali para pegar Jenny.
E ento ele a localizou saindo pelas portas azuis, vestida de camiseta preta de
manguinha curta, uma saia supercurta de inverno de l marrom da Constance e meias
arrasto pretas cortadas nos joelhos com os eternos Doc Martens. Ela passeou escada
abaixo daquele jeito deliberadamente lento de fodam-se-todos-os-mans-que-correm e
foi direto para ele. Seus grandes olhos castanhos eram brandos e quase entediados, e ele
sabia que ela estava decidida a no transparecer o quanto estava irritada.
- Tem estado seco e seguro? - perguntou ela, apontando para a cala de veludo preta de
Dan. - Soube que os fraldes Depend tm melhor ajuste do que os Pampers.
Que lindo.
Dan atirou o cigarro na calada fumegante.
- No  minha culpa que voc tenha colocado minha mo numa tigela de gua. O que
voc esperava? - Ele no ia mencionar por que ela colocara a mo dele numa tigela de
gua. Como ele explicaria sua obsesso constante com uma menina que nem sabia o
nome dele?
Vanessa deu de ombros. O que ela esperava? Muito, na verdade. Ela semicerrou os
olhos para ele.
- Qual  o problema com a sua cara? Andou se exercitando ou s est feliz em me ver? -
Ela riu da prpria piada. - Voc veio finalmente me exigir desculpas por minha
pegadinha, ou s est esperando sua irm?
Dan sorriu, depois franziu a testa, repentinamente confuso. Por que mesmo ele estava
ali?
- Eu podia dizer que estou aqui para pegar a Jenny, mas no  verdade. - As palavras
saram de sua boca antes que ele pudesse refre-las. - Eu corri at aqui... para ver voc...
para me desculpar por ser... sei l, um babaca.
Vanessa queria abra-lo, de verdade. Mas abraos eram to bregas. Ela no era de
abraar.
Ai, ande logo. Abrace o cara.
Alm disso, ela ainda no tinha certeza de o que as desculpas de Dan significavam. Ser
que ele queimou as ilustraes de Serena no alto de sua cama? Ele jogou na lixeira as
fotos da bunda de Serena? Ele estava pronto para se dedicar a ela? Ela certamente
esperava que sim, porque o modo meigo e suplicante com que ele a olhava era muito
lindo. Ela estendeu a mo e torceu um dos lbulos da orelha dele.
- Tudo bem - ela abrandou.  Talvez voc possa me pagar uma gua tnica para
compensar. Mas acho que precisamos esperar por sua irm. Ela tem novidades.
Dan olhou a escola de tijolinhos. Pela primeira vez, ele percebeu que as janelas do
segundo andar estavam decoradas com trabalhos das alunas. Ele semicerrou os olhos,
tambm no era s arte aleatria de estudantes. Colados nas vidraas estavam anjos de
cabelos louros das ilustraes do hinrio de Jenny. Serena, Serena, Serena - a cara dela
estava em toda parte.
Dan virou a ara. Ele ficaria bem e no olhasse para aquilo. Tudo ia ficar bem.
- Vamos, equipe azul, vamos nessa, equipe azul, vamos nessa, AZUL!  gritou um
grupo superanimado de jogadoras de vlei enquanto entrava num nibus escolar a
caminho do jogo. Tocou a segunda sineta. Nada de Jenny ainda.
- Hoje tem sol - observou Vanessa, protegendo da luz o rosto plido. Ela notou que Dan
percebeu as ilustraes nas janelas do auditrio, e tambm como ele virou o rosto.
Talvez ela pudesse perdo-lo; talvez, afinal, houvesse alguma esperana para ele.
Dan acendeu outro cigarro e eles esperaram por Jenny num silncio quase confortvel.
Nenhuma das meninas que saam da escola falou com Vanessa. Dan percebeu que ela
era to sem amigos quanto ele e ficou feliz por ter vindo. Vanessa era boa o bastante
para encontrar um cara depois da aula, e ele erabom o bastante para ter uma garota a
quem encontrar.
As portas azuis se abriram e uma menina alta de cabelo louro claro e comprido apareceu
vestindo jeans cortados, camiseta branca e chinelos de dedo prata. Ela parou  porta,
vendo subirem num txi um cara alto que parecia chapado, de camiseta de lacrosse
listrada de verde e branco do St. Jude's, e sua namorada morena e elegantemente vestida
da Constance. Ela envolveu o peito com os braos e todo seu corpo pareceu tremer.
Depois pegou na bolsa uns imensos culos de sol com aro de tartaruga, colocou-os e
continuou a descer a 93 para oeste em direo ao parque, sozinha.

Abrace-se at que eu chegue l, depois o abrao ser meu.
Vamos agitar como peixe numa pedra. Vamos, agite e nade!
Me fisgue. Melhor ainda, eu fisgarei voc.

Dan no tinha certeza da palavra "agitar", No parecia certa, pelo menos no em sua
cabea.
- Me fisgue - murmurou ele, como um louco.
Vanessa agitou a mo diante da cara dele.
- Controle chamando Marte. Marte, responda!
Dan no tinha percebido que estava de olho duro. Na verdade, ele sabia que estava
olhando fixamente para ela  o que tinha esquecido era que Vanessa estava ali com ele,
vendo-o olhar.
- Desculpe - disse ele, ainda encarando. Serena estava virando a esquina, o cabelo
dourado de anjo voando s costas, deixando um rastro de lgrimas.
Um rastro de lgrimas. Isso  bom!
Dan no conseguia esconder o fato de que estivera encarando. Ele tambm no podia
esconder seu desespero. Por que, ah, por que Serena parecia to infeliz, triste e solitria?
Ser que estava apaixonada por aquele doido? Ser que ela no leu os poemas dele?
Ela no sabia que ele era o certo para ela?
Vanessa revirou os olhos, irritada. Dan estava to longe de superar Serena como a
prpria Vanessa estava de superar Dan. Mas ela no podia dizer nada. No valia a pena.
Ele era como um alcolatra ou junkie. S podia ser curado quando admitisse que tinha
um problema.
Ou encontrasse uma droga melhor.
Ela estava prestes a dar um chute forte nas canelas de Dan com as botas de ponta de ao
quando Jenny irrompeu pelas portas azuis e se atirou para o irmo como um filhotinho
superanimado, quicando os peitos novos e tagarelando histericamente.
- Eu tenho tanta coisa pra contar a vocs! Ai, meu Deus. Hoje foi totalmente doido.
Acho que vou ter um ataque cardaco! - Ela pegou o brao de Vanessa. - Eu ganhei! Eu
superganhei o concurso do hinrio. E , tipo assim, to irreal, porque eles gostaram dos
anjos e tudo, mas o que realmente gostaram foi de minha caligrafia. Estou to animada!
- Ela se atirou para Dan de novo, praticamente derrubando-o na calada. - E, ai, meu
Deus,  to estranho... Todo mundo acha que Serena escreveu seus poemas, sabia,
aqueles da Annima? Todo mundo pensa que ela, tipo assim, gosta de mulher e que est
magoada porque Blair tem namorado.
Dan piscou os olhos castanho-claros para ela. Quem era Blair? Era a menina com aquele
doido que ele acabou de ver? Ser que Jenny estava falando a lngua dele?
- Na verdade, no sei bem o que aconteceu, mas a Serena e a melhor amiga, a Blair,
tiveram uma briga das grandes no refeitrio na escola. Foi muito dramtico. Vanessa
viu. - Jenny olhou ansiosa para Vanessa. - No foi dramtico?
Ela franziu os lbios.
- Prefiro filmes estrangeiros.
Jenny revirou os olhos.
- E o que vamos fazer? Aonde vamos? Vocs so amigos de novo? Agora vocs esto,
tipo assim, saindo juntos?
Vanessa se esforou para no corar.
- De jeito nenhum. Somos descolados demais para isso.
Dan sentiu-se oco e encharcado, como madeira boiando at a praia.
-  estranho que pensem que eu sou ela - refletiu ele em voz alta, os ps agarrados no
cho. Se ficasse ali por tempo suficiente, talvez Serena voltasse. Ele podia explicar que
tinha escrito os poemas para ela. Ele a faria sorrir de novo.
- Vamos. - Vanessa passou o brao no de Jenny e seguiu em frente, deixando Dan para
trs. Ele era um caso perdido - completa e inteiramente perdido. - Vamos encontrar
outro assunto para conversar.
Como se isso fosse possvel.
gossipgirl.net
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Advertncia: Todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e eventos foram
alterados ou abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                      oi, gente!

conseguimos

Passamos por outro ano letivo. Agora voc est usando culos de sol Tracey Feith e
espadrilles Tory Burch, voc est lindamente bronzeada, a cidade cheira a uma
combinao inebriante de Coppertone e exaustor de nibus, est fazendo uns 45 graus 
sombra e voc no tem que ir a escola por quase trs meses. Eu sei que voc j sabe
disso - s eu no acredito em mim mesma. Chega de acordar ao amanhecer, chega de
uniformes que irritam a pele, chega de dever de casa de trigonometria que deixa a
cabea zonza, chega de ressacas tortuosas andando pela represa do Central Park durante
a educao fsica, seguindo o professor feito lemingues, chega da professora de latim
com bafo de bagel de cebola. O vero est a para voc. Onze semanas inteiras para
fazer absolutamente tudo ou no fazer absolutamente nada. Ou talvez um pouco de
cada.

seu e-mail

P: Cara GG,
Ento, eu recebi uma foto daquela garota de cabelo castanho e crespo que devia dividir
a cabana comigo na colnia de frias e de jeito nenhum ela tem 12 anos. EIa parece uma
stripper, eu juro. Talvez ela tenha feito implantes, eles cometeram um erro e colocaram
silicone demais. Se for verdade, ento lamento muito por ela. Mas eles deviam ter uma
colnia especial pra gente assim, sabia?
- bunkgrl

R: Cara bunkgrl,
Eles realmente tm uma colnia especial para gente como voc: chama-se Colnia
Reclamona.  totalmente divertido. Eu sei. J fui l.
- GG

P: Cara GG,
Minha irm est tentando me matar. No abertamente, mas ela pegou o pior emprego de
vero disponvel para a humanidade e fez isso para me torturar, eu tenho certeza. Ela
comeou hoje e chegou em casa fedendo a lata de atum podre. Agora toda nossa casa
fede e eu no consigo dormir. Eu sou musicista, trabalho at tarde e meu sono 
sagrado. Queria poder fazer alguma coisa para sabotar o emprego dela e ela ser
demitida. Isso no  terrvel?
- rubadub

R: Cara rubadub,
Sabotagem  o meu segundo nome.
- GG
P: Prezada GG,
Vou viajar amanh para as frias de vero. No vou ver minha namorada por mais de
dois meses e quero dar a ela um presente de despedida, est me entendendo? Eu meio
que sou novo nessa histria, ento qualquer sugesto seria bem-vinda.
- marinheiro

R: Meu caro marinheiro,
Voc  uma graa.  to lindo que voc me pea um conselho. Acho que se voc estiver
em algum lugar confortvel, se tiver velas acesas, tocar uma msica suave e voc disser
coisas doces, tudo isso ser bom. Mas  ela quem vai decidir se vai acontecer - no eu, e
nem voc. Entendeu?
- GG

flagras

N na Tiffany & Co. Sozinho. Procurando por alguma coisa especial para aquele algum
especial para ela se esquecer que voc estragou completamente os planos de vero dela?
S sentada no cho da Corner Bookstore na 93 com Madison, relendo vorazmente A
poca da inocncia, aquela famosa histria nova-iorquina de uma mulher rejeitada pela
sociedade. Livros assim so muito mais significativos da segunda vez. D em um banco
verde e quebrado no canteiro central no meio da Broadway na 96, fumando feito uma
chamin. Por favor, no me diga que  isso que ele pretende fazer o vero todo. B na
Barneys, comprando toda a coleo de tnis Lilly Pulitzer. N no Central Park depois,
fumando com uma sacolinha da Tiffany azul pendurada na cintura. Vai precisar de mais
do que alguns tapas para se recuperar de ter gastado uma fortuna com uma coisa que
cabe numa caixinha de veludo. Eu sei que di, mas rapidinho ela vai te tascar um beijo
para voc se sentir melhor...

a verdade sobre o vero

Falamos nisso o ano todo: o romance de vero, a preguia no sol, dormir tarde, ficar
descala. Mas a verdade  que nestas ltimas semanas de agosto comeamos a ficar
ansiosas. Queremos usar nossas botas Miu Miu de cano alto e comprar casacos de novo;
estamos loucas para voltar  escadaria do Met, tomar cappuccinos e descrever as
particularidades de nossos veres em detalhes. Porque embora estejamos prestes a ter o
melhor vero do mundo - e vamos ter, vocs vo ver!  sempre haver aquela sensao
de que estamos perdendo alguma coisa.
No temam, a GG est aqui. Posso estar de frias, escondida atrs de meus novos culos
de sol Chanel gigantescos e chapu de palha mole Philip Treacy, mas isso no quer
dizer que vou ficar de boca fechada. Prometo contar tudo e qualquer coisa que merea
meno.

Vejo vocs na praia!

                                 Pra voc que me ama,

                                      gossip girl
b s existe em uma cor
Era a segunda-feira depois do ltimo dia de aulas e o ar estava pesado de umidade com
a promessa de um vero quente e abafado. A bolsa de viagem vermelha de Nate estava
pronta. Esta noite era a ltima antes de Blair ir para Newport e ele ir para o Maine. Esta
era a noite que ele esperava, o grande bota-fora de vero - a noite em que ele e Blair
finalmente iam transar. Nate preparara tudo: velas de almscar Dipty-que, trinta de suas
msicas preferidas tocando continuamente no iPod SoundDock, uma garrafa gelada de
Dom Prignon que roubou do bar do pai e um pacote de biscoitos Chips Ahoy - o
preferido de Blair. A empregada estava de folga, ento ele at fez a cama sozinho. E ele
comprou outro presente para Blair na Tiffany.
Como se ele precisasse marcar mais pontos.
- J que os planos de vero mudaram e voc no usa mais o corao - disse Nate,
apertando a caixinha azul-esverdeada da Tiffany na mo de Blair.
Ela abriu a tampa da caixa e a caixa preta de veludo. Dentro dela havia um delicado anel
de ouro com um lindo rubi de um vermelho intenso. Era o anel mais lindo que ela j
vira. Ela colocou o anel no dedo da mo esquerda e lanou os braos no pescoo de
Nate. No filme que era a sua vida, ele acabara de lhe pedir em casamento e a resposta
era sim, ah, sim. Sem dvida nenhuma  sim!
Entra a camisa de fora.
- No estou mais chateada com voc - disse-lhe ela num sussurro abafado. Ela estava
to feliz por ter encontrado outra utilidade para aquele pingente de ouro Elsa Peretti. O
anel de rubi era muito melhor.
Nate sorriu ansioso para Blair, os olhos verde-esmeralda cintilando. Os pais dele
estavam na ltima apresentao do Ciclo do Anel de Wagner. S o que restava fazer
agora era ficar nu.
E agora que era vero, no havia muito o que tirar.
As sobrancelhas benfeitas de Blair se arquearam de expectativa.
- Voc vai ficar todo romntico comigo? - perguntou ela, adorando isso.
Nate passou as mos em seus luxuriantes cabelos escuros.
- Vamos transar - murmurou ele, tentando no parecer ansi so. - Eu quero muito transar
com voc. - De algum modo as palavras eram to familiares que ele sentia que j havia
dito isso. Ou talvez s tivesse pensado tanto em dizer que parecia assim.
Blair colocou as mos por baixo da saia Thomas Pink azul-clara.
- Eu sei, Natie. Eu tambm.
Todo o corpo dele formigou de excitao. Estava prestes a acontecer. Ah, que bom, que
bom, que bom!
Calminha, moo.
Ele a puxou para mais perto e cobriu seus ombros, seu pescoo e a clavcula de beijos.
Depois ele puxou as alas da blusa de vero Issa amarela com folhas de palmeira. Sem
suti, s a Blair.
Ela recuou um passo e colocou as palmas das mos de unhas recm-pintadas em seu
peito macio e maravilhosamente sarado de lacrosse.
- Mas andei pensando muito nisso - disse-lhe ela com firmeza. - E acho que a gente
deve esperar at agosto, quando eu voltar do casamento da minha tia na Esccia.
As mos errantes de Nate pararam de vagar. De que diabos ela estava falando? Em Sun
Valley, ela disse no vero; bom, agora era vero. Ele estava cansado de esperar.
- Mas... - ele comeou a dizer. Foi ento que uma msica do Beck tocou no SoundDock.
Nate parou de gostar dele quando descobriu que Beck era cientologista.
- Pense nisso. Vamos sentir loucamente a falta um do outro no vero. Ns vamos, tipo
assim, imaginar como ser finalmente ficar juntos. E depois, quando eu voltar, vamos
transar, e ento vamos ficar juntos para sempre - explicou Blair, como se tivesse
decifrando o significado da vida.
Este seria o significado da vida segundo Blair.
- Mas...
Ela cravou delicadamente as unhas na pele do peito de Nate.
-  o que eu quero - insistiu Blair, indicando que a discusso estava encerrada. Ela
passou as mos pelos ombros dele e baixou para os braos, afagando-os por baixo das
mangas de sua camiseta cinza. - Isso no quer dizer que no podemos mais nos beijar.
Nate arrancou a camiseta das mos dela e foi at a janela aberta. Seu quarto ficava no
ltimo andar da casa da famlia e a janela por onde ele olhava dava para os fundos do
prdio cinza de calcrio. Trs andares abaixo, a cobiada fonte de Vnus de Milo da
me gorgolejava no jardim. Vaga-lumes voavam no ar parado da noite. Msica e risos
ecoavam de uma janela aberta distante.

She comes in colors everywhere,
She combs her hair,
She's like a rainbow

A msica o lembrava de Serena. Em sua mente, Blair s tinha uma cor - vermelha - mas
Serena era mesmo como um arco-ris. Mas ela no penteava muito o cabelo; no
precisava fazer isso.
Ele e Serena trocaram e-mails de vez em quando, mas raras vezes se viam. Ela j podia
ter partido para Ridgefield - Nate no sabia. Ao que parecia, comeavam amanh os
testes para uma pea que ela queria fazer. Serena de repente parecia to ocupada. Ou
talvez fosse ele que estivesse ocupado.
Ter namorada pode consumir muito tempo.
- Preciso tomar um banho - murmurou ele para Blair e se afastou. Ele bateu a porta do
banheiro e abriu a gua fria a toda. Depois abriu a gaveta de baixo da bancada com
tampo de mrmore e pegou seu suprimento de emergncia: quatro baseados fininhos
numa lata de Altoids. Ele pegou o Zippo prata no bolso e acendeu um. Normalmente ele
no fumava na presena de Blair, mas ele se absteve a tarde toda porque pensou que
finalmente ia transar. Esta histria de esperar o estava enlouquecendo. Qual era o
sentido de estar juntos se eles no podiam estar juntos?
Garotos.
Assim que Nate fechou a porta do banheiro, Blair abriu a gaveta de baixo do armrio de
mogno antigo que ele herdou do falecido av francs. Ela aprumou a gaveta,
procurando entre as pilhas de l e cashmere pelo suter verde-musgo com gola em V
que dera a ele em Sun Valley. Encontrou o suter e virou as mangas pelo avesso. L
estava, o corao de ouro, ainda ali. Ela encostou os lbios e o beijou. Nate podia ficar
magoado com ela por faz-lo esperar, mas ele ainda estava com o corao dela na
manga - ainda era dela, para o que der e vier. Quando eles finalmente transassem, seria
to incrivelmente perfeito que ele se esqueceria de ficar chateado. Valia a pena esperar -
Blair tinha certeza disso.
Ela dobrou com cuidado o suter e o colocou na bolsa de viagem dele. O Maine ficava
muito ao norte. Certamente Nate ia precisar de alguma coisa para vestir nas noites
geladas sem ela. Ela ajeitou a gaveta e ps os outros suteres de volta na melhor ordem
que pde. A fumaa de maconha vazava por baixo da porta do banheiro. Voc sabe que
me ama, escreveu Blair com um pincel atmico verde escuro numa folha de papel
branco da impressora. Ela encostou o bilhete em um dos modelos de veleiro na mesa de
Nate, pegou a bolsa branca Celine e saiu. A ausncia deixa o corao mais apaixonado,
lembrou Blair a si mesma.
Se ela tiver sorte.




s tem sorte por ter um irmo que no consegue ler seus pensamentos
- Mas ento, acabei de terminar de ler Franny e Zooey, de J. D. Salinger - disse Erik van
der Woodsen  irm no trem Metro-North que saa da Grand Central e descia o longo
tnel escuro, partindo da cidade.   o cara que escreveu O apanhador no campo de
centeio. Voc leu esse, no leu?  Enk fitou a irm com os olhos azuis to escuros e
grandes quanto os dela. O cabelo louro claro e ondulado roava os ombros cobertos por
uma camiseta cinza da Brown. Quase todos que os conheciam achavam que eram
gmeos.
Serena assentiu enquanto pegava um ChapStick cereja na bolsa Coach de lona laranja.
Ela mal estava ouvindo. Nem acreditava que ia para Ridgefield, passar outro vero com
a famlia. Era to esquisito. E to deprimente.
- Mas ento, esse livro no  to bom. Na verdade,  bem chato. Toda aquela histria de
religio que eu no esperava mesmo. De qualquer forma, voc me lembrou da menina
no livro, a Franny. Quer dizer, voc me lembra dela agora. Ela , tipo assim, totalmente
deprimida, e o irmo dela, Zooey, tenta ajud-la sair dessa. Ele  meio um sujeito
metido a esperto, mas  bacana que ele se importe.
Serena estava sentada entre a janela e Erik. O trem subia pelo tnel em direo 
superfcie perto da rua 125.
- No estou deprimida - disse ela aos edifcios altos que pareciam deprimentes. 
Estou...  ela parou e fechou a boca com ChapStick. Se dissesse mais alguma coisa, ia
chorar. Em vez disso, afastou a cabea da janela, tombou no ombro musculoso e
conhecido de Erik e deixou que ele afagasse seu cabelo. - S estou feliz por sair daqui -
ela suspirou, fechando bem os olhos para reprimir as lgrimas.
- E eu estou feliz por a gente ficar junto neste vero.  Erik estaria trabalhando no
Ridgefield Polo Club, servindo bebidas na sede ao ar livre ao lado do campo de polo.
Ele s tinha 17 anos, mas de algum modo conseguiu o emprego de bartender mais
cobiado do vero em Connecticut. Serena tinha a sensao de que no veria muito o
irmo depois que ele fizesse amizade com todos aqueles jogadores de polo e chegasse
em algumas amazonas bonitas.
Nate podia ser o amor de sua vida, mas Erik era o seu cavaleiro da armadura reluzente.
Na primeira vez em que ela ficou menstruada, a famlia estava velejando pelas Ilhas
Gregas. Serena ficou constrangida demais para contar  me, ento Erik mergulhou na
gua, nadou at a cidadezinha mais prxima e nadou de volta com absorventes Sayfree
num saco plstico amarrado na cabea. Em toda vspera de Natal, desde que eles eram
bebs, eles desciam de fininho a escada da casa em Ridgefield no meio da noite,
desembrulhavam os presentes e os embrulhavam de novo. Eles dirigiram a Mercedes
sedan da famlia at uma vala e a deixaram l, afirmando que no faziam ideia de como
fora parar ali. Eles ficaram acordados at o amanhecer quase toda noite de vero
conversando sem parar, fingindo que eram timos filsofos. Se Serena devia ficar triste
com algum, escolheria Erik. Ele a conhecia melhor do que qualquer outra pessoa. Mas
ela ainda no conseguia criar coragem para contar o que havia de errado. Afinal, eles
iam passar todo o vero juntos e ela no suportava a ideia de ele zanzando em volta
dela, preocupado, quando s o que ele queria fazer era beber cerveja e ouvir msica na
piscina com os amigos do colgio interno.
Altrusta como sempre, mas no foi o altrusmo que a colocou nessa confuso, antes de
tudo?
Ela recolocou a tampa no ChapStick e o devolveu  bolsa. O barquinho de argila que
Nate fizera para ela estava por cima. Enquanto o trem ganhava velocidade ao passar
pelo Bronx, ela o pegou e o segurou. Era ridculo, ela sabia disso.
Mas era tudo o que tinha.




cabea de peixe, olha a cabea de peixe gordinha

- Me d uns pargos desses a. Cinco o quilo?  uma pechincha, n? Me d meio quilo e
umas patas de caranguejo. Uma dzia.
Vanessa escavou os peixes mortos com a luva de ltex e os baixou num pedao novo de
papel encerado. Havia alguma coisa sumamente satisfatria em trabalhar na peixaria de
Williamsburg. A loja era chamada Brok, que nem era uma palavra, pelo menos no em
ingls. Fedia a peixe cru. Tinha sangue de peixe nos cadaros pretos do Doc Martens.
As pessoas a achavam engraada quando ela as atendia, como se dissessem, O que  que
uma menina careca, toda vestida de preto e com 16 anos est fazendo num lugar
desses? Ela no distinguia um bacalhau de um esturjo, mas a loja tinha o ar-
condicionado no talo e ela adorava a intensidade spera de cortar peixe cru com um
cutelo. Ela at passou a usar uma rede na cabea careca. Comprou uma preta, assim sua
cabea meio que parecia um dedo gigante do p numa meia arrasto preta.
Mas que coisa linda.
Vanessa era a nica empregada que falava ingls. O chefe era russo e todos os colegas
eram velhos chineses. Eles brincavam com ela e apontavam sua cabea como se fosse a
coisa mais engraada do mundo, mas ela s apontava para a cabea deles e ria tambm.
O peixe era uma linguagem universal. Quando ela precisou de ajuda para discernir a
diferena entre perca chilena e vermelho, Vanessa apontava para os psteres encerados
com fotos legendadas de peixes vivos que decoravam as paredes e os amigos chineses
apontavam as postas e fils que ela procurava nas caixas de vidro. Eles a ensinaram a
pesar e fatiar solha. Ela cortava as cabeas e espremia as tripas. Era incrvel.
- Ei, fedorenta. - Ruby entrou na loja enquanto saa o cara do pargo-e-patas-de-
caranguejo. - Eu disse a meu baterista que vou levar umas vieiras para ele. Vai me dar
grtis, n? - Ruby estava com a cala de couro roxa preferida e uma camiseta preta com
as mangas cortadas que dizia P - A! na frente. Ela sempre angariava um monte de
olhares quando usava essa camiseta.
Mas o sentido era esse mesmo.
Vanessa olhou para Hon, o amigo chins de cabelos brancos da peixaria que estava atrs
dela. Depois apontou para a cala da irm e cobriu a boca, fingindo rir, como se fosse a
cala mais ridcula que j vira na vida. Ruby a fuzilou com os olhos.
- Pelo menos no fico fedendo a vagina de atum crua.
Essa foi boa.
Vanessa enfiou um punhado de vieiras num saco de plstico transparente e amarrou um
n no alto do saco. Pareciam lbulos de orelha ensopados. Ela entregou o saco a Ruby.
- Por conta da casa.
- Belo corte. - Ruby balanou o saco na frente.  Podia pelo menos me dar um saco de
papel pardo para que eu no seja presa por esquartejar meus filhos ou coisa assim? - Ela
semicerrou os olhos castanho-escuros para a irm. - Voc tem o comportamento de
algum que terminou com o namorado e decidiu ficar toda fedida para o caso de ele
querer voltar. Como se estivesse tentando ser o mais repulsiva possvel. - Ela tombou a
cabea, as pontas brilhantes do cabelo preto roando o ombro. - O nico problema  que
no tem namorado para terminar com ele.
- Eu gosto daqui - explicou Vanessa, tensa, e passou  irm um saco de papel encerado.
Alguma coisa no saco de vieiras a lembrava de Dan. Ela no o via desde que ele foi 
escola para se desculpar, h mais de um ms.  claro que ela ainda pensava nele o
tempo todo, mas no ia perder seu tempo com algum que estava apaixonado por
Serena van der Woodsen. Parte do motivo para ela ter ficado com o emprego no Brok
foi que, em primeiro lugar, era um emprego que Serena jamais teria, nem em um milho
de anos. O outro motivo era que, se por algum motivo totalmente fortuito Dan
aparecesse em Williamsburg procurando por ela, ia fugir aos gritos quando sentisse o
cheiro dela. Depois ela riria por ltimo.
Pelo menos, essa era a mentira esfarrapada que ela contava a si mesma.
Ela olhou a irm espremer o saco plstico cheio de vieiras cruas no saco de papel
branco. O problema com Dan era que ele tinha lbulos de orelha lindos e seus poemas
eram muito bons mesmo.
E o problema das peixarias  que elas so mesmo muito poticas.




arrasada em malaripolis

A Colnia Bridgehutter em Wooten, Pensilvnia, acabou se revelando um programa de
artes bem bacana. Os frequentadores eram estimulados a rolar na tinta, fazer moldes de
gesso do corpo dos companheiros e tecer roupas para o outro. Tudo na arte era feito 
mo, o que significava que pincis, apontadores de lpis, tesouras e rodas de cermica
eram estritamente proibidos. Os frequentadores deviam "usar sua matria-prima" para
fazer arte, o que significava que tinham de usar o prprio corpo ou coisas que
encontravam no bosque para espalhar a tinta, moldar a argila ou cortar a madeira.
Esperemos que eles possam usar papel higinico.
Jenny gostava de pincis, tesouras e apontadores. Ela no queria usar uma pedra para
cortar uma porcaria de pedao de papel ou uma vareta infestada de formigas para
misturar a tinta. Estava na colnia h quase duas semanas e podia seguramente dizer
que a odiava. Todo o lugar fedia a manteiga de amendoim orgnica ranosa. Sua cabana
era mida. Tinha aranhas no boxe. O colcho tinha cheiro de xixi e guinchava como
louco. Parte de seus professores de arte era legal, mas era difcil ficar animada quando
se tinha de cinzelar madeira com uma pedra. E seus peitos se recusavam a parar de
crescer. Seu pai lhe mandara um pacote cheio de marshmallows, chocolate Cadbury e
bolinhos Hostess no segundo dia de colnia de frias porque ele j sentia muita falta
dela, mas ela jogou fora, por medo de que toda aquela gordura e acar s aumentassem
ainda mais seus peitos. E por medo de que as meninas ms de sua cabana ficassem
ainda mais ms.
- Ela parece que bebeu a coisa que colocaram nos implantes dos peitos - disse Rachel
Werner  melhor amiga e colega de cabana, Jill Dube, num sussurro meio alto. Rachel e
Jill eram de Delaware e este era seu segundo ano na Colnia Bridgehutter. Elas
solicitaram a minscula cabana 5, apelidada de Malaripolis por causa de todos os
mosquitos. Mas a colnia tinha lotado e elas foram obrigadas a ficar com Jenny ali.
Rachel tinha cabelo louro ondulado caindo pela cintura que ela gostava de exibir
balanando-o ao lado da luminria de leitura no beliche de cima, bloqueando a luz de
Jenny. Jill colocava o cabelo castanho liso num rabo de cavalo todo dia e fazia as unhas
dos ps toda noite. Ela trouxe vrios frascos de esmalte, junto com um kit de pedicure
muito abrangente Bliss Spa.
 essencial manter as unhas dos ps bem-aparadas e pintadas quando se est
vasculhando o bosque em busca de pedras e galhos teis.
- Quer dizer silicone? - props Jill.
Rachel deu uma risadinha.
- . Ela parece que bebeu e seus peitos inflaram totalmente.
Hoje estava chovendo, ento Jenny e as colegas de beliche estavam presas na cabana
pelo resto do perodo de duas horas do almoo at que comeasse a aula de tecelagem.
Jenny tinha tecido um conjunto de quatro guardanapos de cnhamo verdes e amarelos.
Estava louca para mand-los para o pai - ele ia ficar to orgulhoso. Jenny est deitada
no beliche de baixo, fingindo ignorar os cochichos desagradveis acima dela enquanto
lia A poca da inocncia, de Edith Wharton, um dos livros da lista de leitura da
Constance Billard para o vero. A pobre condessa Olenska era totalmente proscrita por
todos de Nova York simplesmente porque era bonita e queria se divertir um pouco
depois de deixar o marido mau e velho na Europa. Que bom para ela, pensou Jenny,
perguntando-se brevemente que tamanho de suti usaria a condessa Olenska se vivesse
nos tempos modernos.
Ela dava uns tapas em si mesma enquanto lia, matando trs mosquitos que curravam sua
panturrilha. Os mosquitos na Colnia Bridgehutter eram furiosos e vorazes. Eles
voavam em seu nariz e se banqueteavam na carne entre seus dedos. Ela coou, infeliz,
uma velha picada no joelho, espalhando sangue em toda parte. Podia-se dizer com
segurana que Serena van der Woodsen jamais foi  Colnia Bridgehutter. Jenny teria
percebido as cicatrizes. Neste momento Serena devia estar estirada nas areias brancas de
uma praia no sul da Frana, s com a calcinha de biquni Gucci e os culos de sol
Chanel.
A chuva caa aos baldes do lado de fora da cabana. Toda vez que olhava pela janela para
o ambiente densamente arborizado e mido, Jenny ansiava pelo ambiente de asfalto,
calcrio e tijolos de sua cidade. Ela mal conseguia dormir com o persistente chip-chip
dos grilos. Vou dar uma sirene de polcia a ela um dia desses. A porta de tela da cabana
se abriu num rompante e um cara desajeitado, ensopado, ruivo e sardento que Jenny
tinha visto pela colnia colocou a cabea para dentro.
- Oi. - O rapaz a cumprimentou como se ela fosse a nica presente, embora Rachel
estivesse deitada no beliche acima de Jenny e Jill estivesse no alto do outro beliche.
Jenny pde senti-las espiando curiosamente de cima. - Meu nome  Matt. Voc 
Jennifer Humphrey, no ? - Ele estava com um calo de banho e mais nada. O corpo
era magrelo, queimado de sol e mordido de mosquitos.
Jenny assentiu, corando ao ver suas costelas nuas e molhadas de chuva. Como ele sabia
o nome dela? Ela teve medo de dizer alguma coisa de que Rachel e Jill pudessem zoar
mais tarde e teve medo de se mexer, para que seus peitos no fizessem alguma coisa
constrangedora sozinhos. No incio de junho, ela ia aumentar o tamanho do suti para
GG, mas ela estava presa ao suti polons porque eles davam mais cobertura.
Parece que ela precisa mesmo.
- Eu s queria dar um al - disse-lhe Matt. O nariz dele era pequeno e arrebitado como
de uma boneca e ele era totalmente coberto de sardas. Seus olhos eram azul-claros, e os
dentes eram pequenos e retos. Ele era meio desajeitado e parecia bobo, mas que menino
dessa idade no ?
- Oi - guinchou Jenny. Ela queria que ele dissesse mais alguma coisa, mas ele s ergueu
a mo numa saudao e a porta de tela bateu a suas costas enquanto ele voltava a
disparar para o bosque chuvoso da Pensilvnia.
- Salve, gritem, campistas, salve! - cantaram Rachel e Jill no alto, rindo histericamente,
como tantas vezes fizeram.
Se Serena estivesse aqui, teria pensado em alguma coisa inteligente para dizer, mas
Jenny limitou-se a segurar o livro aberto diante da cara, o rosto em chamas e a mente
disparando. Matt era uma gracmha e parecia superlegal. Talvez ela estivesse se
transformando no tipo de menina que teria mais amigos homens do que mulheres. Ela e
Dan sempre se entenderam, ento isso fazia algum sentido. As meninas pareciam odi-
la agora, antes at que ela abrisse a boca. Os homens eram mais compreensivos.
Hummm. Por que ser?




d j achou
- D uma lida nessa pilha aqui e me diga se acha que alguma coisa que vale ser salva - o
pai de Dan o instruiu de manh, indicando a pilha de manuscritos e jornais amarelados
embaixo e em volta da mesa no pequeno escritrio abarrotado ao lado de seu quarto.
Dan quase queria ter ido para uma colnia de frias com a irm em vez de se oferecer
para trabalhar para o pai. Ele teve a ideia muito idiota e irreal de que em algum
momento neste vero Serena ia esbarrar nele por acaso, descobrir que ele era o autor de
todos aqueles poemas de amor maravilhosos escritos pela Annima e se apaixonar
loucamente por ele.
Mas  claro que, como a maioria dos moradores do Upper East Side com algum senso,
Serena tinha fugido da cidade insuportvel de quente e foi para o campo. A prova de seu
paradeiro estava na seo Styles do New York Times de hoje, que por acaso estava
aberto na frente de Dan, na mesa de metal arranhada do pai. Serena van der Woodsen,
15 anos, filha de Lillian e William van der Waodsen, no 64 Torneio Anual do
Ridgifield Polo Club, dizia a legenda de uma foto em que ela estava com culos de sol
brancos e espadrilles de renda amarelos, o cabelo louro claro derramando-se
descuidadamente nos ombros bronzeados e perfeitos.
Dan abriu a gaveta da mesa do pai e pegou uma tesoura. Com o cuidado de no puir as
bordas, ele comeou a cortar a foto de Serena e a legenda. Depois parou. Que tipo de
pessoa com respeito prprio coleciona imagens de uma menina que nem falava com
ele? Mais um pouco e ele ia fazer uma tatuagem no peito de "Serena Para Sempre" e
comeria rao de gato direto da lata.
Pelo menos ele teria uma refeio equilibrada.
Ele fechou os olhos, rasgou toda a pgina do jornal, amassou numa bola e atirou no
cesto de papis do pai, onde a bola caiu com um som oco. Depois pegou uma pilha de
papis no cho e comeou a organizar. Rufus devia ser a pessoa mais desorganizada do
planeta. Seus papis eram como seu cabelo e suas roupas - totalmente birutas. Havia
contas de mdico, palavras cruzadas, alguma coisa escrita aleatoriamente num pedao
de papel, ensaios em russo impressos em papel colorido e estranhos pargrafos
datilografados de pensamentos profundos e quase inspiradores que s podiam ter sido
escritos pelo prprio Rufus:
In Watermelon Sugar de Brautigan no foi uma divagao de um louco,
inspirada por uma onda de cido. O homem era mais poeta do que
Whitman, superando Song of Myself. Aspire a Brautigan e produza
Whitman. A originalidade  a chave.

Rufus apareceu na soleira enquanto Dan ainda estava lendo.
- Encontrou alguma coisa? - perguntou ele com esperana.
Dan olhou para o pai do pedao de papel sujo de caf e vincado. Ele vestia uma cala de
tweed marrom de 1917 que parecia agradvel, combinada com uma blusa de gola rul
Lacoste laranja e manchada com as mangas cortadas e um par de tamancos Dansko de
couro perfurado. O pequeno crocodilo verde empoleirado em seu mamilo esquerdo
estava parcialmente descosturado, ento parecia que nadava para salvar a prpria vida.
O cabelo desgrenhado e crespo de Rufus estava numa trana presa com a corda
vermelha e branca da caixa biscoitos que ele comprou na padaria italiana esta manh.
Ele parecia Paul Revere em uma viagem de cogumelo.
Publicado na edio de julho da Men's Vogue. At parece.
- O que exatamente eu devo procurar?  Dan pensou que devia s jogar fora a porcaria
velha do pai e abnr espao no escritrio de novo, e talvez escrever alguma coisa digna
de ser guardada.
- Isso!  berrou Rufus para ele, as narinas to infladas que Dan podia ver sua floresta de
pelos pretos no nariz.  Voc deve encontrar a pepita, a coisa.
Dan no fazia ideia do que o pai estava falando.
- Pepita? - repetiu ele. A palavra parecia um tanto pornogrfica, como "As joias da
famlia", um eufemismo para as bolas.
Rufus puxou os lbulos das orelhas e passou as mos na barriga distendida.
- Olha, garoto, quero escrever o romance, mas no tenho tempo para conseguir toda a
inspirao novamente. Estou velho demais para isso. - Ele agitou os braos nus e
flcidos. - Este escritrio est cheio de inspirao. Eu andei inspirado por anos!
Contratei voc para encontrar a fonte, o ncleo de inspirao que vai dar a partida ao
espetculo de fogos de artifcio. Entendeu?  Seus olhos castanhos, remelentos e
injetados se esbugalharam de empolgao.
Dan acendeu um Camel e terminou a caneca de caf instantneo, sentindo-se
subitamente deprimido. O escritrio do pai tinha uma janelinha que dava para a West
End Avenue, mas estava completamente bloqueada pelo ar-condicionado barulhento as
estava. Na maior parte dos dias, Rufus ficava em seu escritrio de porta fechada,
fumando e batendo numa velha mquina de escrever, saindo somente para cozinhar ou
fazer compras para uma de suas misturas horrendas. Ele usava roupas descasadas
compradas no Exrcito da Salvao ou encontra das na rua. Parte de seus amigos
anarquistas dormia em bancos no Riverside Park simplesmente porque se recusavam a
se conformar. Ele sustentava Dan e Jenny com os direitos autorais do livro de seu pai, a
biografia de um pintor russo obscuro, que Rufus conseguiu traduzir para o ingls.
- Voc no devia fumar - disse-lhe Rufus, pegando um dos cigarros de Dan no mao e
acendendo para si mesmo.  Torra o seu crebro.
Para no falar dos pulmes.
Ainda assim, fumar com o pai enquanto tinha uma discusso literria era muito maduro.
Dan se sentia meio cool, como se j estivesse na faculdade.
- Mas como saber quando encontrei? - perguntou ele, soprando uma fumaa fina para o
teto branco e rachado. Ele enfiou o polegar no fundo da caneca vazia de caf e tocou de
leve o contedo.
- Vai falar com voc - explicou Rufus, atirando a cabea para trs e soprando uma srie
de desagradveis anis de fumaa.  Voc simplesmente v e pensa que deve haver
mais. No est pronto. Ento  sua tarefa virar o hambrguer e termin-lo.
Dan lambeu o polegar e franziu a testa. S seu pai compararia processo de criao com
virar hambrgueres.
Rufus apagou o cigarro no solado de madeira de um de seus tamancos e colocou a
guimba na lixeira.
- Vou ter que sair para comprar cardamomo. - Ele levantou a mo para Dan bater. -
Grite quando encontrar. Estou contando com voc, garoto.
Assim que o pai saiu, Dan pegou na lixeira a pgina embolada da seo Styles. Abriu-a
e baixou na mesa, alisando as rugas com a parte plana da mo e limpando os restos das
cinzas de cigarro do pai. L estava ela de novo, com o vestido de vero branco, sorrindo
para a cmera com aqueles olhos azuis tristes e sedutores. Dan no precisava vasculhar
uma pilha de porcaria intil para encontrar sua pepita. Ele j a encontrou.
Sim, mas  o que ns vamos fazer com nossas pepitas e nossas joias de famlia  que faz
toda a diferena.




se ao menos o capito pulasse do navio

- Voc precisa se certificar, filho, que no fiquem espaos. Queremos que fique firme. O
mximo possvel - disse o capito Archibald a Nate enquanto eles andavam de quatro,
martelando pranchas de madeira no convs do iate de cruzeiro de 80 ps que estavam
construindo juntos. O barco teria o nome de Charlotte, grande dama da sociedade de
Nova York e me do capito, av de Nate, e um dia Nate pretendia velejar pelo mundo
nele. Ele j podia imaginar a partida do porto em Mt. Desert Island, iando as velas e
velejando para o azul - s ele e o enorme suprimento de maconha que ele embalaria em
Ziplocs individuais  prova d'gua para a viagem. O suficiente para durar pelo menos
seis meses.
E por falar em maconha, era a ltima semana de junho e estava um inferno de quente,
em especial no Maine. Nate estava preocupado com suas plantas. Ele comeou uma
mini-horta sozinho, atrs da casa de barcos - dez plantas de marijuana com sementes
que tinha comprado online da Tailndia. As sementinhas tinham germinado desde que
ele as plantou h duas semanas, mas o sol direto e o calor de 32 graus podiam cobrar
seu preo dia aps dia, em especial quando Nate s podia escapulir para agu-las no
meio da noite, depois que os pais fossem dormir ou sassem para uma festa. A casa de
barcos ficava perto da margem, a 700 metros da casa, ento ningum encontraria as
plantas, a no ser que estivesse procurando. Mesmo que nunca dessem em nada, era
meio divertido v-las brotar e desenvolver as folhas. Ele tinha orgulho delas.
T legal, Peter Rabbit, mas cuidado com o Mr. MacGregor.
Nate engatinhou at um ponto que o pai tinha deixado passar e bateu o prego na prancha
at que a cabea desapareceu. A carcaa do Charlotte foi montada em quatro imensos
cavaletes de madeira do lado de fora da casa de barcos, a 150 metros da margem.
Construir o barco tinha sido incrvel at agora - o bom e antiquado trabalho braal -,
desde que o pai no tentasse conversar muito com ele.
E desde que ele fumasse um bem grosso atrs da casa de barcos antes de pegar no
batente.
O capito Archibald era um perfeccionista total, ento mesmo que Nate estivesse doido
o tempo todo, ele no poderia ferrar alguma coisa. O cara da madeira tinha cortado cada
pea no tamanho certo e basicamente construiu o casco para eles. S o que Nate tinha
de fazer era bater os pregos, aplicar o selante e dar um bom carma ao barco. Ele andava
com vibraes positivas ultimamente. Vibraes positivas e sexo. S o que tinha de
fazer era continuar positivo, construir o barco, passar pelo vero e logo ele teria sexo
com Blair. Esperar era um saco, mas em breve ele no esperaria mais.
As ondas batiam na praia e gaivotas guinchavam no alto. O ar tinha cheiro de uva-do-
monte e sal. Do outro lado do grupo de bordos que escondiam os anexos, assomava a
manso branca e colonial dos Archibald, com suas vinte janelas triangulares e
venezianas vermelhas e alegres. O gramado luxuriante era margeado por canteiros de
flores num paisagismo requintado e rolava colina abaixo como um magnfico tapete
verde de 400 metros at o mar agitado e cinzento.
- Me diga uma coisa, filho - o pai de Nate comeou, em sua voz autoritria de capito-
do-navio enquanto se deitava de bruos, semicerrando os olhos para a proa aberta do
barco para ver se estava no nvel. - Fale-me das garotas de sua vida. Como est aquela
menina adorvel dos van der Woodsen, a Serena? E a outra, a filha do advogado. Qual 
o nome dela?
- Blair. - Nate pegou uma prancha e se agachou a estibordo com ela na esperana de sair
do alcance do pai. Para desnimo dele, o pai engatinhou atrs.
- Coloque reta - ordenou ele, pairando diretamente sobre as costas nuas e bronzeadas de
Nate. - Se estragarmos isso, vamos ter que refazer todo o projeto.
Mas sem presso, nem nada.
O capito Archibald passou um nivelador ao filho, depois pensou melhor e tirou a
prancha das mos de Nate para ele mesmo ajustar.
- Sei que voc prefere fingir que essas meninas so s suas amigas. Mas posso apostar
que  um pouco mais do que isso.
Mas que discernimento.
Nate se sentou sobre as coxas e viu o pai exagerar na ateno dada  pea de madeira de
1,5 m. O capito Archibald estava com cala de flanela cinza e uma camisa J. Press
azul-clara, para dentro da cala, com uma camiseta por baixo, e TopSiders. Era seu
uniforme informal padro, mas Nate no entendia como ele suportava com aquele calor.
- A Blair  minha namorada - esclareceu ele, corando um pouco ao dizer isso. - E
Serena  minha... - ele se interrompeu.
- Amante? - sugeriu o capito Archibald, querendo ser til. Ele se sentou com um brilho
de diverso nos olhos verde-escuros. Com o cabelo liso e bem penteado e a atitude
rgia, ele teria sido um cara bonito se no fosse to duro.
- Ela  minha amiga - esclareceu Nate com firmeza. - A Blair  muito inteligente -
acrescentou ele, surpreendendo a si mesmo. - Ela quer ir para Yale. - Ele se sentia bem
elogiando Blair daquele jeito. Fazia com que se sentisse um bom namorado.
O pai lhe passou um martelo.
- Delicadamente, mas com firmeza - instruiu ele. - Se bater com muita fora, pode
danificar a integridade da madeira.
Sim, senhos, HMS P no saco, senhor!
Nate bateu mais alguns pregos enquanto o pai olhava. Ele ficou tentado a ferrar tudo
para que o pai o expulsasse do projeto e ele pudesse passar o resto do vero na praia,
ficando chapado. Mas ele realmente adorava velejar e queria que o barco fosse
construdo.
- Cuidado para no distra-la demais - aconselhou o capito, pegando outra prancha. -
Ela vai precisar estar por cima para entrar para Yale.
Nate se sentou de pernas cruzadas no convs parcialmente construdo, esfregando os
braos musculosos e doloridos. Ele sacudiu a cabea enquanto o pai continuava a
trabalhar. Alguma coisa do que seu pai acabara de dizer implicava que o prprio Nate
jamais seria bom para Yale. Ele era s uma distrao, como um dia de sol ou um
abelho. O pai nunca entenderia como ele acalmava Blair e a distraa quando ela estava
aborrecida com os pais dela. Que ele lhe comprou um sorvete de baunilha Ben & Jerry
ou Chips Ahoy depois do tems para que ela comesse mais. Ele atirou o martelo para
fora do barco, no mar de grama heterognea.
- Vou parar por dez minutos, pai. Quer alguma coisa?
Um tapa do baseado? Um traguinho?




rapunzel, rapunzel, jogue suas tranas

Blair sabia que era um tanto imaturo, mas ia passar o ltimo ms na casa do pai em
Newport, Rhode Island, olhando os veleiros na baa, devaneando sobre transar com
Nate e brincando de se produzir. Cada item do guarda-roupa de sua me tinha sido
usado mais de duas vezes ou estava pequeno demais, e estava guardado em um armrio
de cedro do lado de fora do quarto de Blair, ento as fantasias eram ilimitadas. O pai
devia mandar as roupas de volta para a cidade como parte do acordo de divrcio, uma
vez que ele ia ficar com a casa de Newport, mas eles estavam muito longe de um
acordo, ento as roupas continuavam ali, para Blair brincar.
Havia o vestido de noiva de Eleanor, um Carolina Herrera marfim sem ala e bordado
dentro de num imenso saco de celofane transparente. O terninho de veludo roxo que
Eleanor tinha mandado fazer sob medida para ela na butique de Yves Saint Laurent em
Paris quando ela ainda era tamanho infantil. E os sapatos - filas e mais filas de sapatos
de cada estilista que se podia imaginar, especialmente Prada, que sempre foi o preferido
de Eleanor. Salto alto, plataforma, sandlias - todos de um tamanho grande demais para
Blair, mas ainda assim bons para brincar.
Nesta tarde abafada de julho, o pai de Blair e o pedao de homem flamejante francs,
Jacques, Jean ou sei l que nome tinha, estavam jogando em duplas com outro casal gay
que conheceram no clube na cidade na noite anterior. Blair levou para o closet da me a
tesourinha de unha que usava para aparar as garras de Kitty Minky e comeou a abrir o
saco de celofane que continha seu vestido de noiva Carolina Herrera. Ela sabia que no
devia fazer isso, mas a me no ia saber que foi ela. Ela imaginaria que Harold e seus
amigos gays vestiram as roupas dela e fizeram uma festinha gay Paris is Burning.
E depois os advogados dela podiam pedir mais um milho de dlares.
- Tire a cabea do saco, seu bobo - Blair alertou Kitty Minky, afastando delicadamente
o gatinho cinza para ele no se asfixiar. O Russian Blue lindo e meio crescido se
divertia pulando em uma das bolsas de ala de bambu Gucci de Eleanor, brincando de
esconde-esconde.
Blair deslizou o vestido para fora de seu cabide de cetim branco acolchoado e deixou
que o vestido de vero verde limo Crew casse no cho. Depois entrou no vestido de
noiva e o fechou. Incrivelmente, cabia quase  perfeio. Embora fosse impossvel
imaginar, 17 anos atrs sua me gorducha e esquisita quase tinha o mesmo corpo da
filha.
 incrvel o que quase duas dcadas de antidepressivos podiam fazer com uma pessoa.
Um par de sandlias douradas Prada com salto 10 acenou para Blair. Blair o colocou
nos ps e bateu os saltos pelo corredor at seu quarto enorme. Examinou seu reflexo no
espelho. Seria esse o vestido que usaria quando se casasse com Nate? Ela ia ter
diamantes,  claro, e um penteado complicado tipo Maria Antonieta. Ela torceu o nariz
criticamente e se afastou do espelho. Jamais gostou muito de tomara que caia, e como
poderia resistir a comprar um vestido novo para seu prprio casamento?
Sua casa de bonecas vitoriana de quatro andares estava em seu tablado de madeira
diante de uma srie de guas-furtadas com caixilhos fundos, as almofadas com listras
cor-de-rosa. A casa de boneca tinha sido feita especialmente para Blair, tendo como
modelo a casa de Newport. O maior quarto do andar da casa de boneca era uma rplica
exata de seu quarto, at em detalhes como os abajures de cetim rosa e o tapete redondo e
grande de l adornado com penias rosa em plena florao. Em vez de pessoas,
camundongos feitos de pelo de coelho cinza e vestidos com primorosas roupas de cetim
habitavam a casa de boneca. Numa recente expedio de antiguidades do pai, ele
encontrou um gatinho cinza de pele de coelho. Dormia na verso de boneca da cama de
bronze de Blair, uma miniatura de pelo de coelho de Kitty Minky.
Blair pegou a mame camundongo, trajada com um vestido Laura Ashley floral e
imbecil e avental de renda branco, e sentou-a na privada do banheiro do primeiro andar.
Depois colocou o papai camundongo, que usava um palet de smoking de veludo
vermelho e cala de smoking, na banheira com ps em garra da sute master. Em
seguida, ela disps o mordomo camundongo, que era gordo, inchado e tinha um nariz
vermelho imenso, em cima do papai camundongo. Por fim, ela atirou o irmo mais novo
camundongo, um ano branco que exibia macaco de brim e um gorro de l vermelho,
em sua cama real para Kitty Minky espancar e mastigar. Torturar os camundongos da
casa de boneca era um dos passatempos preferidos de Blair.
E era to teraputico.
Ela pegou o celular e discou para Nate, empoleirando-se delicadamente no peitoril da
janela enquanto esperava que ele atendesse. Do lado de fora, o dramtico gramado do
pai rolava verde para o mar. Veleiros subiam e desciam nas ondas, parecendo pequenos
o bastante para sua casa de camundongos.  esquerda ficava a quadra de tnis de saibro.
O pai e o "parceiro" francs, provavelmente ainda de ressaca da festa gay da noite
anterior, estavam sendo esmagados pelas vizinhas mames de meia-idade.
Blair devia ter se sentido culpada por estar dentro de casa num dia to lindo de vero,
mas no restante do vero ela pretendia cultivar a persona de uma linda donzela trancada
em sua torre de marfim  at o dia em que finalmente transasse com Nate. E parte desta
imagem era paquer-lo impiedosamente ao telefone.
- Oi.  Nate enfim atendeu, parecendo meio desligado.  Eu estava pensando em voc 
acrescentou ele com doura.
Blair queria dizer que estava com o vestido de noiva da me, pensando totalmente em
sua noite de npcias, mas no queria que ele achasse que ela era louca.
Como se a essa altura ele j no soubesse disso.
- S mais cinco semanas - sussurrou ela. - Estou louca para ficar nua com voc -
acrescentou ela num tom de zombaria. Ela ergueu o p com a sandlia dourada e alisou
as dobras do vestido de tafet de cetim branco.
- Eu tambm - concordou Nate. - Eu penso nisso o tempo todo.
A meia verdade do ms.
Blair sacudiu a cabea, o cabelo comprido e castanho ondulado abrindo-se em leque em
seus ombros nus. Ela se sentia exatamente como Rapunzel, presa em sua torre
incrivelmente alta, esperando pelo prncipe elegante. Ela se levantou e ajeitou o
mordomo camundongo para que seu nariz vermelho e inchado ficasse diretamente na
virilha da cala de smoking do papai camundongo.
- Ah, Nate, estou com tanta saudade.
Nate no disse nada. Ela sabia que ele provavelmente estava pensando que os dois
podiam ter transado em Sun Valley, ou antes que partissem para o vero. Mas ele ia
ficar feliz por ela o fazer esperar  ela ia se certificar disso.
- Como est seu barco? - perguntou ela, mudando de assunto. - Vai batiz-lo com meu
nome?
- Ns o batizamos de Charlotte.
Os pelos da nuca de Blair eriaram. Ela ps a mo no peito para evitar que o vestido
casse no cho. Quem era essa Charlotte, porra?
Justo quando voc acha que sabem tudo um do outro...
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Advertncia: Todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e eventos foram
alterados ou abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

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um esquema de noite de vero

O vero est pela metade, mas andei pensando: se eu conseguir que todos nesta gloriosa
praia aqui comigo assinem uma petio para que as aulas comecem um ms depois do
Dia do Trabalho em vez de uma semana depois, talvez o prefeito possa aprovar uma
nova lei.  s a cidade que importa. Desculpe, gente, mas o pessoal da cidade precisa
relaxar.  de todo esse tempo pisando no asfalto, parando txis, esperando por mesas no
la Goulue, brigando pelo ltimo casaco Marc Jacobs tamanho PP na Barneys. A vida 
to estressante e o vero  quente demais. Sei que j disse uma vez que a essa altura
podemos comear a sentir falta uns dos outros. Bom, desculpe. Eu no sinto falta de
ningum - ainda.

flagras

V tirando patas de lagosta - sim, lagostas. Deve ser o pior emprego de vero do mundo,
mas - que surpresa - ela parece ter encontrado sua vocao e nunca para de assoviar
enquanto trabalha. J comprando uma noise machine na Kmart na excurso semanal da
colnia  cidade. Esperemos que ela tenha o cuidado de comprar os sons da metrpole.
Quem conseguo dormir com o gorgolejar de um riacho? D "trabalhando" arduamente
para o pai perto do per do Riverside Park com um mao de Camels, o caderninho preto
e uma garrafa trmica de caf preto e frio. Talvez as pessoas estranhas que moram em
suas casas flutuantes o inspirem. B jogando tnis com o pai em Newport, usando um
vestido de lantejoulas superincrvel. Mas ela est to O grande Gatsby. N comprando
luvas de jardinagem de pele de cervo na loja de ferragens de Mt. Desert Island. Vamos
esperar que sejam  prova de fumaa. S numa espelunca de Connecticut com os
companheiros atores, danando no balco ao som de Lynyrd Skynyrd. Pelo visto ela se
curou - ou talvez ela seja uma atriz mais talentosa do que imaginamos. K e I sendo
expulsas daquele clube sem nome e da moda em East Hampton por danarem no balco.
Macacas de imitao. C viajando at Ridgefield, Connecticut, em seu Jaguar
conversvel para ver certo ensaio de teatro. Ser que ele ainda no a superou? Eu,
assediando surfistas numa praia no identificada em Montauk  algum tem que fazer
isso!

seu e-mail

P: Cara GG,
Tem uma garota na colnia de frias que eu acho uma gata, mas sou tmido demais para
at falar com ela. O que devo fazer?
- garoto kieto

R: Caro garoto kieto,
Tropece nos ps dela e pea desculpas. Ela vai ficar toda vermelha, depois voc vai
ficar todo vermelho, depois ela vai se aprentar e a voc vai se apresentar. Quando
menos perceber, vocs estaro passando filtro solar Banana Boat um no outro e
contando suas histrias de vida. J'adore!
- GG

P: Cara GG,
Vou fazer 16 anos logo e sinto que uma coi a monumental deve acontecer, mas no
tenho certeza se vai ser mais um dia chato de vero.
- bleu

R: Cara bleu,
Isso no existe! Voc precisa acordar; tome um banho frio; coloque um pouco de
Chanel n 5, seu mais adorvel vestido de vero Marni e suas sandlias de salto alto
menos prticas; chame alguns amigos... e depois tenho uma palavrinha para voc: festa!
- GG

notcia nenhuma  boa notcia

Preciso dizer que ultimamente a maioria de vocs est fazendo um pssimo trabalho
como informantes. S posso concluir que isto significa que vocs realmente esto tendo
o melhor vero do mundo. Bom, vocs tero de me contar tudo depois que voltarmos.

O surfe comeou - hora de assumir meu binculo de pera e acompanhar a ao. Graas
a Deus est quente demais para trajes de mergulho!

                                 Pra voc que me ama,

                                      gossip girl




dezesseis velinhas

- Parabns pra voc, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida! Viva
Serena!
Serena acordou ao som do plinc-plinc-plinc minsculo de tambores de ao e o rugir de
avio voando baixo sobre sua cabea. Ela puxou o travesseiro de pena de ganso para a
cabea e riu. Pronto. Erik a fizera sorrir na manh de seu aniversrio, 14 de julho, Dia
da Bastilha, que era mais provavelmente o que ele pretendia conseguir. Ela rolou da
cama e colocou a cabea pela janela aberta, provocando alguma emoo nos rastafris
que tocavam tambor de ao porque ela s estava com um top rosa e calcinha da mesma
cor. Erik estava junto  piscina com parte dos amigos do internato, usando uma bandana
amarela, verde e vermelha de batik na cabea. Por que o aniversrio dela tinha se
tomado um festival de reggae, especialmente no Dia da Bastilha, ela no sabia. Erik
acenou uma baguette de um metro para ela e gesticulou para que descesse.
- Levanta, preguiosa! Tem uma coisa aqui para voc ver!
Serena vestiu uma bermuda de brim e a camiseta preferida, que por acaso era uma
camiseta cinza desbotada do St. Jude's que ela pegou emprestado com Nate na stima
srie e nunca devolveu. Ela desceu ao primeiro andar e pegou uma ma na cozinha,
levando-a at a piscina. Estava quente e ensolarado. A pele sensvel de seu nariz real j
estava ardendo.
- Olha para cima! - gritou Erik para ela.
Serena deu uma mordida na ma e tombou a cabea para trs. Um aviozinho rugia no
cu, deixando uma trilha de fumaa. Depois a fumaa comeou a tomar forma e Serena
percebeu que estava escrevendo, como em O mgico de Oz. F-E-L-I-Z-1-6!, dizia a
trilha.
- Mame e papai sentiram-se culpados por estar fora num grande dia como esse, ento
me deram o carto de crdito para gastar com voc no que eu quisesse - explicou Erik,
dando a ela uma bebida azul-rei gelada com um guarda-chuva de coquetel. - Comecei
pelo Dia da Bastilha e meio que nessa coisa franco-jamaicana. Depois vi um avio
escrevendo no cu no clube de polo outro dia e foi um momento de total iluminao.
Serena no fazia ideia do que ele queria dizer com "coisa franco-jamaicana". Erik vestia
o short de ontem e mais nada, e parecia ter ficado acordado a noite toda, comemorando.
Ela tombou a cabea para trs de novo e olhou o cu. As letras tinham inchado e
desapareciam, de modo que eram quase ilegveis. Ela atirou a ma meio comida na
grama e curvou o canudo da bebida, tomando metade de um gole s. O que quer que
fosse, era muito forte e muito gostoso.
Exatamente como gostamos.
- Seus cartes e outras tralhas esto na mesa. - Erik inditocou a mesa de jardim com
tampo de vidro com seu guarda-sol vermelho festivo. Alguns amigos dele estavam
sentados  mesa. Corky, Dorian e Chase? Serena nunca conseguia se lembrar dos
nomes. Com os cabelos compridos e as roupas Brooks Brothers pudas, todos eram
iguais no internato.
- Feliz aniversrio. - Um dos meninos de levantou e lhe deu um beijo no rosto. Ele s
estava com short Adidas branco rasgado cheirava a cerveja.
- Obrigada - murmurou Serena, vendo os cartes de aniversrio. Dois cartes dos pais
tinham cheques. Cartes das tias e tios conscienciosos. Um carto da me de Blair,
imagine s. E um do Maine. Serena abriu o envelope branco e pegou o carto. Uma
folhinha minscula e verde estava colada com fita adesiva no carto. Feliz Aniversrio,
estava escrito embaixo da folha na letra surpreendentemente elegante e infantil de Nate,
com um grande ponto de exclamao ao lado da folha. Serena examinou o carto. No
era s uma folha comum, ela percebeu. Era maconha.
- Ei!  o que penso que seja? - Erik espiou por sobre o ombro dela. Ele se inclinou e
cheirou. - Que legal. - Ele se virou para os amigos. - Minha irm mais nova est
crescida - disse-lhes ele numa voz falsamente lacrimosa. Depois pegou o carto das
mos dela e ergueu para que os outros vissem. - Olhem s isso!
- Ei. - Serena pegou o carto de volta. - Isso  meu.  Ela colocou o carto no peito. -
Nem d para fumar essa folha nem nada - disse-lhe ela, parecendo mais irritada do que
pretendia. s vezes Erik podia ser um idiota. A no ser por seus ensaios para um
pequeno papel na produo de vero local de A era da inocncia, Serena passava a
maior parte das frias na companhia desses meninos idiotas de colgio interno. Ela
sentia falta de meninas. Sentia falta de Blair. Mas no pretendia telefonar para ela. Ou
talvez telefonasse, mas no sabia bem o que dizer. O motivo para eu estar to estranha
 que eu sou loucamente apaixonada por seu namorado?
Talvez no.
Ela levou o carto para a casa e subiu a escada, guardando-o em segurana na gaveta de
lingerie. Depois vestiu o mai vermelho J. Crew e desceu novamente. Os meninos dos
tambores tinham recomeado a tocar. Eles sorriam para ela, as trancinhas quicando no
ritmo da msica.
- Que bom, vejo que est pronta - observou Eric, baixando sua bebida azul e gelada.
- Pronta para qu? - Serena deu um suspiro meio pesado.
Ele disparou para ela de braos esticados, puxou-a, colocou-a sobre ombro como um
saco de gros e foi correndo at a piscina.
- Para nadar!  gritou ele, pulando na gua e puxando-a com ele.
Serena subiu  superfcie rindo e espremendo o cloro do nariz. Meu Deus, ele era um
idiota. Mas era meio difcil ficar chateada quando ele estava to decidido a faz-la rir.
Afinal, era a porcaria de seu aniversrio de 16 anos e ela esteve num desnimo s o
vero todo. Este era o primeiro dia do resto de sua vida. Estava na hora de sair da
depresso.
- Voc est ferrado - gritou Serena e mergulhou como um boto. Ela puxou o calo de
estampa de surfe amarelo e preto de Erik para cima transformando na pior puxada da
histria. Depois subiu  superfcie. - Todo mundo na piscina! - ordenou ela, como uma
espcie de sargento instrutor de aniversrio. Corky, Dorian e Chase se levantaram e
comearam a tirar a roupa.
No deixa de ser uma forma de comemorar.




o verdadeiro motivo para ir a uma colnia de frias

Estava assando de to quente, mesmo para os primeiros dias de agosto, e como as frias
terminavam no dia seguinte, a maioria dos freqentadores foi ao lago para se refrescar.
Constrangida demais para usar traje de banho na frente das colegas ms de cabana,
Jenny ficou na tecelagem, preparando um fio de seda crua roxa com os fios de
salgueiro-choro em seu tear numa tentativa arriscada de fazer alguma coisa mais
colorida do que sua coleo de guardanapos calombentos verde-vmito. Ela se sentia a
filha do moleiro em Rumpelstiltskin, tentando tecer palha em ouro.
De repente algum apareceu por trs dela e ps as mos em seus olhos. Era Matt. Pelo
menos ela teve certeza de que era ele, uma vez que ela no fez contato visual com outro
menino no tempo em que esteve na colnia.
- Oi - ela riu de nervosa. Ele s acenou um ol para ela duas vezes de longe desde que
ele entrou na cabana h mais de duas semanas. Agora ele estava tocando nela?
- T legal, aqui est o que eu quero que voc faa. Voc vai ficar de p com muito
cuidado e vamos andar assim at a minha cabana.  Ele mantinha as mos firmes nos
olhos dela.
No era Matt, percebeu Jenny, com o corpo rgido.
- Mas...
- No tenha medo - sussurrou o menino num balbucio de lngua presa cheio de saliva
que fez Jenny relaxar um pouco. Se as coisas ficassem esquisitas, ela podia derrubar a
Lngua Presa. - No vai acontecer nada de ruim. Eu prometo.
Querendo confiar nele, ela se levantou e permitiu que ele a levasse para fora do prdio
de artes.
- Vem, vai ser divertido - murmurou o babo em seu ouvido enquanto a puxava pelo
caminho at sua cabana. Jenny sabia que Matt morava na cabana 12, a ltima das
cabanas de madeira dos meninos. Para onde eles estavam indo?
- O que vai ser divertido? - perguntou ela, cambaleando para frente. Era difcil manter o
equilbrio quando no conseguia ver por onde andava e seus peitos quicavam tanto que
chegavam a doer. Para onde ele est me levando?, perguntou-se ela, sentindo ao mesmo
tempo medo e curiosidade.
- Voc vai ver - balbuciou o menino, ajeitando o aperto nos olhos dela. Seus dedos
tinham cheiro de repelente de insetos. Tudo na colnia tinha cheiro de repelente de
insetos, xixi ou manteiga de amendoim.
- T legal, um degrau. Outro degrau - orientou ele, guiando-a com cuidado pela escada
de madeira da cabana. Ele abriu a porta de tela rangente e os dois entraram. O corao
de Jenny disparava. O suor se acumulava sobre o lbio superior e descia para o decote
pouco ventilado entre seus seios. - Agora ande um, dois, trs passos... - Ele tirou as
mos dos olhos de Jenny e lhe deu um empurro entre as omoplatas. Jenny cambaleou
para frente, caindo direto em Matt, que estava parado no meio da cabana, a cara
sardenta to vermelha que era quase roxa. Ele no sorriu para ela nem nada. Ele nem
olhou para Jenny.
- Caraca - ela conseguiu dizer, recuperando o equilbrio. Ela sorriu com cautela para
Matt.
- O que est rolando? - Nervoso, ele engoliu em seco, o pomo-de-ado subindo e
descendo. Ele parecia apavorado.
- Vai - instou o Lngua Presa. Jenny olhou para trs. Ele era um ou dois anos mais velho
do que ela, bronzeado e musculoso, com uma camiseta preta Puma sem mangas, o
cabelo escuro num corte  escovinha e um sorriso torto na cara. Na verdade ele parecia
mais ameaador do que era.
- Voc sabe que quer - disse outra voz de menino. Ela olhou e viu mais dois meninos no
beliche de cima no canto mais distante do quarto. A cabana era quatro vezes maior do
que a que ela dividia com Rachel e Jill e era decorada com uma parafernlia de menino,
como psteres de jogadores de futebol e os vrios prmios de arco e flecha que eles
ganharam no vero. O colcho dos dois meninos estava coberto com lenis pretos de
pirata com crnios e ossos cruzados. A ideia de que um dos meninos gostasse tanto de
piratas a ponto de ter lenol de pirata quase fez Jenny sorrir.
- Fon fon - resmungou um dos meninos piratas, erguendo as mos e abrindo e fechando
os dedos, como quem aperta.
Corando furiosamente, Jenny se virou para Matt. O que quer que o Lngua Presa e os
outros meninos estivessem fazendo, Jenny tinha a sensao de que Matt no estava
nessa. Ele respirou fundo, engoliu em seco de novo e depois mergulhou e colocou os
lbios rachados e secos nos dela. Depois suas mos subiram e ele rapidamente afagou o
peito dela com os dedos sardentos e pegajosos.
- Ei! - gritou Jenny, dando um passo para trs. - Pare com isso. - Seus peitos eram to
novos, at para ela, que a ideia de algum alm da mulher do Village Bra Shop tocarem
neles estava completamente fora de cogitao.
- Desculpe, eu queria te beijar - gaguejou Matt, a cara sardenta uma mistura de roxos e
rosa. - Mas eles me obrigaram a...
- Bobalho - zombou um dos piratas.
- Ele viu seus peitos na Internet  intrometeu-se o Lngua Presa.  Todos ns vimos.
Jenny se vilou e o fuzilou furiosamente com os olhos castanhos tomados de lgrimas.
Ela pensou que Matt podia ser legal. Ela pensou que ele podia ser seu primeiro
namorado. Mas ele era s to babaca quanto o Lngua Presa e os amigos piratas. O que
havia de divertido em faz-la se sentir to mal? Se essa era a ideia deles de diverso,
ento ela se lamentava por eles. Eles eram uns mans; provavelmente sempre seriam
uns mans.
Bom, pelo menos ela conseguiu o primeiro beijo. J era alguma coisa.
- Tenham um bom resto de vero - disse ela, piscando para afastar as lgrimas e
recusando-se a revelar o quanto se sentia colrica e humilhada. Ela abriu a porta de tela
e correu pela escada da cabana, deixando a porta bater. Ela disparou pelo caminho
atravs do bosque fedido e infestado de mosquitos. Talvez ela fosse o tipo de menina
que ia ter mais amigos homens do que mulheres, mas esses meninos eram to imaturos
que mal constavam como homens.
Acostume-se com isso, meu bem - todos eles so assim. Mas eles ficam mais gostosos
com o tempo e a gente aprende a ser mais tolerante.




b envolve-se em telefonemas ntimos no aeroporto
Blair estava na frente da sala VIP do terminal da British Airways no JFK com o celular
apertado na orelha. Dos dois lados, famlias inteiras sentavam-se no cho como sem-
teto, comendo bagels velhos e tomando Starbucks. Caipiras.
 o que se aguenta quando se viaja em agosto.
Anda, Nate. Atende a porcaria do telefone. Blair bateu com impacincia o p de sua
sapatilha de bal de camura preta French Sole. Seu avio para Glasgow ia partir em
menos de uma hora e ela queria dizer adeus e deixar Nate com algo para pensar sobre
ela. Ela estava com o vestido preto, novo e lindo Diane von Furstenberg para viajar,
pensando que, se sentasse sozinha em uma mesa na sala VIP, ela pareceria misteriosa.
Um grupo de lindos admiradores ouviria com inveja enquanto ela fumava, bebia
martnis secos e namorava ao telefone com Nate. Mas assim que ela chegou, descobriu
que seu telefone no funcionava na sala.
- Oi. - Nate atendeu de repente.
- Meu avio vai partir logo - disse-lhe Blair bem baixinho. - S mais duas semanas at a
gente se encontrar novamente.
- Que bom  respondeu ele.
- Eu devia ter te pedido para me encontrar aqui  acrescentou ela sugestivamente, como
se eles pudessem transar ali mesmo, no meio do aeroporto. Talvez eles fossem presos
por comportamento indecente. Eles podiam ficar numa cela de priso juntos. Eles
podiam transar a semana toda. Mas ela perderia o avio.
Para no falar do casamento.
- Estou louco para beijar voc - disse Nate, a voz rouca de toda a maconha que andou
fumando. Ela tentou imagin-lo esparramado na cama de solteiro em sua casa no Maine,
onde ela na verdade nunca esteve. A imagem em sua mente era de uma cabana de
pescador em runas, com telas nas janelas e um forno a lenha dilapidado no canto, mas
ela sabia que era muito mais elegante do que isso.
Mais ou menos.
Ainda assim, a ideia de ele deitado numa colcha de l vermelha de camping pensando
nela com sua lingerie de cetim marfim e preta de renda era deliciosa demais para
dispensar. Ela sorriu para o Samsung prata. Do outro lado do terminal, um casal deu as
mos enquanto via os avies taxiando para suas respectivas pistas. No cho a alguns
metros, uma menina com cabelo preto espigado e piercing na sobrancelha beijava um
namorado tatuado de cabelo cinza. Os aeroportos eram to sexies.
- Sabe de uma coisa, a Serena sempre disse que beijar era a coisa mais romntica do
mundo - murmurou Blair. - Mas  to chato. Com certeza estou pronta para ir at o fim.
- Ela girava sem parar o anelzinho de rubi que ele lhe dera. - Quando eu voltar. Tipo
assim, no minuto em que eu voltar - ela riu.
Um gongo soou dentro da sala VIP e Eleanor colocou a cabea para fora da porta. Ela
perdeu 15 quilos desde maro e estava com um vestido Chanel de linho preto, um
chapu de linho preto de aba larga e enormes culos de sol Chanel - parecendo em cada
centmetro a divorciada estafada.
- Blair, querida, nosso voo parte em meia hora. Temos que ir para o porto.
Blair apertou o telefone nos lbios beijou com rudo.
Mu!
- Eu te amo - sussurrou ela enquanto seguia a me pelo corredor at o avio que
esperava. - E da prxima vez, chega de beijos tediosos.

Muito depois de Blair ter desligado, Nate estava na pequena horta de maconha atrs da
casa de barcos, olhando o pequeno telefone preto na mo. Estava chapado depois de
fumar os primeiros dois baseados de sua maconha cultivada em casa. Era a melhor coisa
do mundo - doa na garganta e lhe dava tremores. Mas o que Blair disse sobre Serena o
abalou ainda mais. Ele mal viu Serena desde que eles estiveram juntos em Sun Valley.
Mesmo na poca, eles no ficaram muito juntos. E, por acaso, era Serena, a romntica,
aquela que falava em beijar. A que o beijou primeiro.
"Eu podia beij-lo para sempre", sussurrou ela para ele no escuro em sua cama no Dia
dos Namorados. Aquelas palavras eram mais poderosas do que qualquer coisa que ele
tivesse fumado. E o desejo que ele sentia agora pelo som da voz dela, seu hlito suave
na pele, o cheiro de madressilva de seu cabelo louro, os lbios dela se mexendo nos
dele, a sensao de seu corpo magro e longo sob suas mos, era mais forte do que
qualquer desejo que ele tenha sentido.
Epa.
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Advertncia: Todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e eventos foram
alterados ou abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                      oi, gente!

Algum j viu a matria na Time Out sobre aquela peixaria russa minscula em
Williamsburg? Ao que parece,  o lugar para comprar peixe fresco para grelhar em seu
quintal no vero. Como se algum de ns grelhasse alguma coisa. Bom, no o grelhado
dessa natureza. B ficar meio grelhada da prxima vez que encontrar o namorado (ver
flagras).

a belle do baile

Dizem em Connecticut que S andou comemorando muito e atuando em seu pequeno
workshop de teatro. Est na hora de ela aprender a arte da distrao: cercar-se de lindos
rapazes, interpretar lindas sedutoras no palco e fingir que no est sentindo falta de
droga nenhuma.
flagras

B fazendo as unhas no salo Vidal Sassoon em Glasgow como preparativo para o
casamento da tia. Ela trancou o cinto de castidade, mas todo aquele ar rural de Rhode
Island a deixou bronzeada, em forma e linda. S com um gorro de seda preta e vestido
dourado curto no palco em A poca da inocncia. S na festa no clube de polo, danando
nas mesas sem gorro e sem vestido. N instalando um sistema de irrigao automtico
atrs da velha casa de barcos no Maine. O que ele est cultivando ali, abboras? K e I
vestindo o uniforme da escola azul e branco como disfarce na praia em East Hampton.
Elas realmente acham que esta  uma tendncia que devemos seguir? Talvez s sintam
falta da escola. C fazendo piquete na praia em Bar Harbor para reverter a regra que
probe topless. N em Nova York, comprando Molson e todos os bagels na deli do
bairro. Ei - o vero ainda no acabou. O que ele est fazendo de volta??

seu e-mail

P: Cara GG,
Est sabendo daquela peixaria maluca em Williamsburg? Eu juro que a careca fatia um
fil como ningum. Ela tambm est uma gata.
- crbby

R: Caro crbby,
Aposto que vou ter que fazer uma viagem at l, uma vez que ningum para de falar
nisso.
- GG

P: Cara GG,
Tem uma menina, na verdade a irm mais nova de um amigo, e todos os meus amigos
esto falando nela. Ela  linda. Todo mundo sempre mente sobre ficar com ela, mas 
claro que eu quero ficar com ela tambm. O que devo fazer?
- gdflw

R: Caro gdflw,
No surja do nada e finja que no sabe quem ela . Ela v isso o tempo todo. Se tiver de
ser, talvez ela v surgir do nada pra cima de voc.
- GG

T legal, gente. Vou a Williamsburg para ver essa careca famosa fatiar peixe.  melhor
que seja to bom quanto todo mundo diz, porque no gosto de sair da ilha de Manhattan
a no ser que envolva ir  praia. E  melhor que eu no me perca por ai. Vocs podem
estar se perguntando o que eu estou fazendo de volta  cidade. Onde um certo menino
vai, no posso ficar distante...
No se preocupem, vamos guardar um pouco de caviar beluga para vocs.

                                 Pra voc que me ama,

                                      gossip girl




j tem certeza de que no perdeu grande coisa
Seu nibus ficou empacado no trnsito lento durante toda a volta da Pensilvnia e o txi
da Port Authority era dirigido pelo motorista mais lerdo do mundo, mas pouco antes da
meia-noite Jenny abriu a porta do apartamento da famlia e entrou na ponta dos ps.
Estava escuro e as janelas da sala estavam abertas. As antigas cortinas de linho voavam
agradavelmente na brisa quente de vero. Como era bom ouvir o som do trnsito, sentir
o cho de tbuas corridas pegajoso estalando sob seus ps, sentir os familiares cheiros
de cigarro, caf e curry. A mesa de jantar ainda estava coberta com os restos de comida:
uma lasanha num Pirex contendo pernas de frango assadas, fatias de abacaxi, bananas
inteiras e o que parecia Hershey's Kisses parcialmente derretidos. Ao lado do Pirex
havia duas garrafas vazias de cerveja Guiness. Uma luz brilhou do estdio no final do
corredor e ela pde ouvir as vozes conhecidas de Dan e do pai.
- Oi, gente - ela cumprimentou os dois. Eles estavam deitados de bruos no tapete persa
desbotado do escritrio, jogando forca. Dan usava uma camiseta branca, pelo avesso, e
bermuda de veludo preto. O cabelo castanho-claro desgrenhado apontava para todo lado
e seus olhos estavam injetados. Havia um cigarro atrs da orelha e ele ninava uma
garrafa de Amstel Light.
Rufus vestia o camiso de dormir preferido, de algodo vermelho na altura do
tornozelo, com as mangas enroladas. Havia fiapos em sua barba. Ele se sentou e
estendeu os braos para um abrao.
- Uma palavra de nove letras que comea em T e que tem trs As?
Jenny se aninhou no colo dele como uma menininha e se permitiu ser sufocada em seu
abrao.
- Vocs esto de dar medo, sabiam? Quer dizer, o que aconteceria se eu nunca mais
voltasse para casa?
Eles se devorariam?
Dan apontou as pernas nuas de Jenny, cheias de picadas de mosquito.
- Nossa.
Jenny deu de ombros. Ela j decidira fingir que a colnia de frias nunca aconteceu.
- No quero falar sobre isso.
Marx, o enorme gato preto dos Humphrey, aproximou-se e esfregou a cabea nas mos
de Jenny. Rufus a ajeitou no colo para poder acrescentar outra letra  palavra da forca.
At agora ele tinha TA_A_GA, e sua forca estava toda formada.
- Estou permitindo ps, mos e orelhas - explicou Dan, balanando a cerveja.
- E uma cara! Voc me prometeu uma cara! - grunhiu Rufus, franzindo a testa para a
palavra. - Tampafiga. Tantaviga? - murmurou ele sem sentido nenhum.
Em seu poleiro na estante, o aparelho de som Sony empoeirado estalou e comeou a
tocar um dos CDs de jazz arrtmicos e estranhos de Rufus.
- E o que vocs fizeram durante todo o vero?  perguntou Jenny.
Dan assentiu como se no fosse grande coisa.
- Muita coisa.
- E o resto da populao humana? Vocs saram? Viram algum? - Ele deu de ombros e
Jenny quis que ele pelo menos estivesse com a camisa pelo lado certo. - Ento
basicamente vocs passaram todo o vero sendo meio papai jnior. Com todo respeito,
pai. E Vanessa?
Dan deu de ombros de novo. Era agosto, estava quente e sua pele era plida feito um
cogumelo. Jenny teve vontade de lhe dar um tabefe.
- Tambaruga? - murmurou Rufus feito um idiota.
Ela saiu do colo do pai e se levantou. Era ela, ou todos os homens eram retardados? Ela
estava cansada da viagem e precisava dormir.
- Pai, a palavra  tartaruga. E Dan, se voc no ligar para Vanessa, eu vou ligar para ela
em seu nome, porque algumas pessoas so muito legais e outras, no.
Amm.
Deitada sob o lenol rosa na cama, ela dormiu como no dormia desde os 2 anos de
idade. Ia passar as ltimas trs semanas de vero trabalhando em sua caligrafia para os
hinrios, aprendendo exerccios para tonificar os seios e certificando-se de que Dan
tomasse banho todo dia e sasse mais. Logo estaria no oitavo ano - o que era
praticamente o ensino mdio - armada com um peito de inspirar assombro e o
conhecimento de que a maioria dos homens era mesmo retardada.
E quem disse que ela poderia no dar certo?




s descobre a cura instantnea para o desnimo
Serena estava sentada na espreguiadeira junto  piscina, vendo a me nadar e pintando
cada uma das unhas dos ps numa cor diferente. Ela queria fazer as cores do arco-ris,
mas faltavam alguns tons fundamentais, como amarelo e violeta. Ela se resignou a um
p em tons diferentes de vermelho e marrom e outro em diferentes tons de rosa e preto.
Na verdade, eles eram meio legais. Ela no se surpreenderia se criasse moda com isso.
Como se tudo o que ela fizesse na vida no criasse moda.
Era outro daqueles dias sufocantes de meio de agosto, quando a nica coisa razovel a
fazer era ficar molhada. Sua me vestia o mai de listras verticais brancas e pretas estilo
anos 1940 que descia pela perna e era amarrado no pescoo. Serena pensou que ela se
parecia exatamente com Katherine Hepburn, pelo menos debaixo da gua. Tambm era
uma boa nadadora, cortando a gua com suas mos capazes de unhas benfeitas e
batendo ritmadamente os ps tamanho 39. Era meio fascinante ver uma pessoa que se
vestia to bem, dava dinheiro a todas as organizaes de caridade certas, promovia
festas to maravilhosas e at cultivava as prprias rosas, fazendo algo to bsico como
nadar.
O celular de Serena zumbiu e quicou no tampo de vidro da mesa. Serena viu a palavra
NATE aparecer no visor. Ela o pegou num timo e atendeu.
- Natie? - gritou ela, agarrada ao telefone. Ele sabia o quanto ela pensou nele o vero
todo? Ele percebia o quanto ela sentia a falta dele? Como estava triste e solitria? - Cad
voc?
- Estou aqui. Em casa, em Nova York. - ele respirou fundo. - Voc pode vir?
Todo o corpo de Serena tremia. Se ao menos ela pudesse se teletransportar para
Manhattan, poderia estar na frente de Nate neste momento, beijando, beijando e
beijando. No que ele necessariamente quisesse beij-la. No, ela teria de se controlar.
Mas ela podia fingir.
Ela olhou o relgio. Eram 14h45. Havia um trem que saa de Ridgefield de hora em
hora, a cada hora e sete minutos.
- Me encontre na Grand Central s 16h35. - Ela desligou o telefone e voou para casa
para se vestir. No segundo andar, colocou um vestido pela cabea e enfiou os ps num
par de chinelos de dedo. Depois voou escada abaixo. As chaves da velha Mercedes da
famlia estavam na mesa da cozinha. Iria de carro at a estao, deixaria as portas
destrancadas e a chave debaixo do banco. Erik fazia isso o tempo todo.
Era a alegria de ser uma van der Woodsen. As coisas simplesmente davam certo.




d j sentiu cheiro pior
Era sexta-feira e a Brok estava um inferno de to movimentada. Fedendo ou no, todo
mundo parecia querer comer frutos do mar quando fazia calor. Vanessa distribua
caranguejos de corpo mole, fils de garoupa, postas de peixe-espada e algumas vieiras
da moda amarelas e imensas que pareciam Twinkies. As mos com luvas de ltex
estavam com uma massa de tripas de peixe e a panturrilha nua estava respingada de
sangue de peixe e uma gosma cinza no identificada.
- Quero 3 quilos de calamares e todos os mexilhes que voc tiver - disse o cara
seguinte da fila.
Vanessa olhou a caixa de vidro sem virar a cabea para cima. Trs quilos de lula? Ela
ficou na ponta dos ps e espiou por sobre a borda do balco alto. Sorrindo para ela
estava o cara despenteado e de sorriso bobo de seus sonhos.
- Ei, eu te conheo. Voc  o Bob Esponja. - Ela se virou para Hon e apontou
diretamente para Dan, cobrindo a boca como se Dan fosse o sujeito de aparncia mais
engraada que ela viu na vida. Hon simplesmente sorriu, pouco  vontade, preocupado
que fosse obviamente uma espcie de briga distorcida entre namorados.
- Emprego legal - observou Dan. Ele ficou olhando Vanessa por um tempo. Ela parecia
to segura, baixando fils de peixe em papel encerado e embrulhando-os como uma
profissional. Ela at sabia usar a caixa registradora antiga e bacana. Deu em Dan
vontade de passar o vero trabalhando na peixaria com ela.
D.
- Minha irm est dormindo na casa de amigos. No consegue suportar meu fedor. -
Vanessa comeou a atender ao prximo cliente, consciente de como Dan a olhava de
perto. Ela deu uma ateno extra s dobras do papel encerado. Era com fazer
aviezinhos de papel: quando mais perfeita a dobra, mais reto o avio voa. O que no
tinha absolutamente nada a ver com peixe.
Mas a gente entendeu o que ela quis dizer.
- Ento, eu estava me perguntando! - Dan foi obrigado a gritar por sobre a cabea de
uma velha. A mulher tinha pedido vinte sardinhas frescas e agora contava cada uma
delas para ter certeza de que Vanessa no a engrupiu. - Tem um filme no Angelika que
eu quero ver...
- Aquele do Tom Waits? - gritou Vanessa, atirando um caranguejo de corpo mole em
Hon para se divertir.
Dan assentiu.
- Quer ir?
Vanessa considerou a cara de Dan. No tinha mudado. Se tanto, ele estava mais branco
agora do que estivera em maio. E desde que eles ficassem pelo Brooklyn e o centro, no
correriam o risco de esbarrar em Serena van der Woodsen. Ela tirou o avental e
arrancou as luvas com os dentes. Seu turno tinha terminado h meia hora. Hon podia
cobrir. Alm disso, ela estava sinceramente meio enjoada de estripar peixe. Ora essa,
podia ser que ela nem voltasse.
Ela contornou o balco e levou Dan para fora da lojinha. O sol batia nas caladas,
deixando tudo branco. Vanessa protegeu os olhos castanhos.
- No liga de andar comigo fedendo desse jeito?
Dan ps o brao no ombro dela e deu uma boa fungada. Depois de anos cheirando os
odores impossveis que emanavam da cozinha do pai, ele no dava a mnima para seu
eau de poisson.
- Voc tem cheiro de sushi bar.  Ele acendeu um cigarro e sorriu sensualmente para
ela, sem pretender.   bom.
Vanessa o odiou totalmente por desarm-la tanto, mas ainda assim ela o amava
completamente. Dan deixou o brao nos ombros de Vanessa enquanto eles desciam a
rua at o metr. Ela no tinha certeza do que o brao dele significava, mas por ora era o
bastante.
Desde que ningum falasse de uma certa loura.




s  um colrio para olhos cansados
Serena no especificou onde ele deveria encontr-la, ento Nate ficou na ponta da
plataforma, onde o trem dela devia chegar, esperando. J estava na cidade h dois dias
antes de finalmente telefonar. No queria estar chapado quando falasse com da, nem
chapado quando a visse, e precisou de um bom tempo para tirar tudo do sistema. No
que ele estivesse com a mente clara. Ele tremia todo, em parte da abstinncia, mas
principalmente porque estava louco para v-la sair do trem e...
L estava, o trem Metro-North prata com sua grossa faixa vermelha alaranjada. Os
faris apontaram para ele e depois o trem parou, sibilando. As portas se abriram e ela
pisou na plataforma, trs vages abaixo, com um vestido leve azul e chinelos de
borracha rosa, o cabelo louro-claro pendendo quase na cintura. Ela o viu e seu rosto se
iluminou com o mais glorioso dos sorrisos. Depois ela partiu numa corrida, os chinelos
batendo no cho enquanto ela se aproximava.
Ele a pegou nos braos e a ergueu, girando-a como uma criana.
- Ah, Natie, voc  to forte! - ela riu, depois se inclinou e lhe deu um beijo na boca.
Nate fechou os olhos e a segurou por um segundo a mais antes de baix-la na
plataforma. Tinha certeza absoluta de que aquele era o melhor dia do vero, talvez de
sua vida. Ele no estava com pressa.
- Vamos tomar um drinque naquele lugar l em cima  disse-lhe asperamente, tentando
esconder o fato de que tinha experimentado sua primeirssima sncope.
- Sou to idiota - disse Serena, entrelaando o brao no dele. - Eu no vim com
dinheiro, nem chave, nem nada. Tive que implorar ao cobrador para me deixar ficar.
Eles subiram a escada de mrmore do primeiro piso e entraram no enorme e elegante
terminal principal da estao. Viajantes com pastas executivas e ternos de vero de
linho corriam para pegar os trens para casa em Westchester e Connecticut. Uma mulher
com vestido Lilly Pulitzer com estampa verde-palmeira e rosa-flamingo e um imenso
chapu de palha amarela estava no meio do terminal examinando os horrios de trens no
painel acima do antiquado balco de passagens da Metro-North, de mrmore e ao,
enquanto o Yorkshire branco com sapatilhas pink circundava nervoso seus ps. Serena
sempre adorou a linda estao, com seus corredores de mrmore frio, restaurantes e
bares romnticos Old New York e o vasto teto em arco verde-mar, decorado com
pinturas douradas maravilhosamente inesperadas do zodaco. Apesar do fato de que a
Grand Central era a maior estao da cidade, com trens que serviam a toda a Nova
Inglaterra, ela mantinha seu ar magnfico de competncia, como uma boa anfitri da
sociedade continuava lindamente equilibrada sob presso.
Nate pegou a mo de Serena e a levou para cima, para o bar ao ar livre que dava para o
terminal principal. As banquetas do bar eram cobertas de veludo vermelho e o interior
da estao era to areo e atemporal, que era difcil acreditar que o sol brilhava l fora,
aumentando a temperatura a 38 graus pavorosamente midos.
As banquetas j estavam se tocando quando eles se sentaram e eles no se incomodaram
em afast-las.
- Dois dry martinis, por favor! - ladrou Serena para o bartender numa voz superior e
depois tombou no peito de cheiro maravilhoso de Nate, rindo. Ela j se sentia bbada. O
que havia de errado com ela?
Amor, meu bem.
O jovem bartender parecia David Beckham com smocking branco e no pediu a
identidade deles. Serena bebeu o martni sem sentir o gosto e olhou nos olhos verdes e
adorveis de Nate. Ela no conseguia tirar os olhos dele. Ele estava como sempre, com
uma camisa polo Ralph Lauren branca, bermuda Brooks Brothers cqui e Docksides
sem meias, a pele bronzeada de trabalhar ao ar livre o vero todo e o cabelo dourado do
sol. Ele era o mesmo  exatamente o mesmo Nate com que ela sonhou o vero todo -, s
que melhor. Ele era tudo, perfeito. Ela estendeu a mo e afagou o pelo fino e louro de
seu brao superbronzeado. Depois afastou a mo, pegou a taa de martni e bebeu.
- Vai me contar sobre o Maine?
Nate queria pegar a mo dela e coloc-la no brao de novo. Ele s pensava em pegar em
Serena. Serena, sua garota, a garota de seus sonhos, estava bem ali, naquele momento,
sentada to perto, a coxa encostada na dele, respirando o mesmo ar, falando com ele e
afagando seu brao. O que o impedia de beij-la de novo? E beijar, beijar...
Ele empurrou seu martni e indicou ao bartender que queria outro.
- Trabalhamos muito no barco. Um dia vou levar voc para velejar nele - disse ele
arfando, achando difcil falar.
Por que falar quando eles podiam se beijar?
Os olhos azuis imensos de Serena pareciam oceanos.
- Ah, Natie.  to bom ver voc - derramou-se ela, todo o corpo tremendo. - Eu estive
to... Havia demais de mim e muito pouco de... voc neste vero.
Nate engoliu o segundo martni. Suas mos pareciam arrebatadas e ele no sabia que
podia control-las. S queria pegar cada lindo pedao dela e segurar. Abaixo deles, o
terminal fervia de gente, mas parecia que eles eram os nicos ali. Como se toda a
estao tivesse sido construda s para eles. Seu pequeno bar com as banquetas de
veludo juntas e a vista da estao movimentada era tremendamente ntimo, mas no era
ntimo O suficiente.
- Vamos para casa  ele sugeriu, porque ele no podia deixar de sugerir isso.
E ele tinha certeza de que ela no diria no.




um lindo dia para um casamento bege

O problema da Esccia  que estava sempre um frio de matar e embora o casamento
fosse nos jardins do castelo Hume, uma casa imponente em Gleneagles, perto da casa de
campo da rainha, pertencente  famlia h mais de quatrocentos anos, havia coc de
cervo em toda parte e as mulheres estavam com os chapus mais feios que Blair j vira
na vida. Ela sabia que era ingls e tudo usar chapus em casamentos, mas ser que os
chapus tinham de ter animais mortos?
Quarenta mesas redondas e grandes espalhavam-se pelos gramados verdes cheios de
coc de cervo, com o castelo assomando agourentamente atrs como algo sado de
Scooby-Doo - assombrado e infestado de fantasmas, com uma nuvem negra de chuva
constante por cima e morcegos em seus campanrios. Uma sebe espessa de 3 metros de
altura cercava o gramado, abrigando dos paparazzi e da plebe as convidadas de salto
alto. As mesas da recepo estavam cobertas com toalhas de linho creme e decoradas
com simples lilases e samambaias. Um palco tinha sido providenciado para acomodar o
entretenimento, comandado pelo Sting em pessoa. Blair tinha esperanas de ver
Madonna, mas ela devia estar em casa com seus cavalos e todas aquelas crianas que
andava adotando.
Blair se sentou trmula  mesa, com o vestido de organza lils e mangas bufantes e um
imenso lao nas costas que a tia tinha feito especialmente para ela no pior alfaiate da
Esccia e uma guirlanda de rosas e cravos no cabelo retardadamente enrolado. Pelo
menos o vestido horrendo caa at os tornozelos e ningum podia saber que ela estava
com leggings de cashmere pretas por baixo, enroladas at os joelhos.
Sempre resistindo s tendncias da moda.
Tyler estava sentado ao lado dela com um terno de vero cinza vincado com uma rosa
na lapela, ninando uma garrafa de Guiness e rindo consigo mesmo. O tio Ray, careca,
barrigudo e de nariz vermelho fazia um discurso e estava bbado, como sempre.
- Eu s queria agradecer a minha esposa por se casar comigo... pelo menos, eu acho que
ainda estamos casados - comeou ele, cuspindo champanhe nas botas do noivo.
Este era o segundo casamento da tia Catherine de Blair com o mesmo homem. O noivo,
o tio Bruce de Blair, era um ex-tecladista do Sting. Bruce e Catherine fugiram quando
tinham 19 anos e se divorciaram um ano depois. Durante o segundo casamento dos dois,
eles tiveram filhos e os casos de sempre, mas nunca se esqueceram do primeiro amor.
Agora, na meia-idade, voltaram e estavam prontos para tentar o casamento de novo.
Amor vincit omnia!
O tio Bruce tinha cabelo louro pegajoso descorado ao acaso e usava botas de caubi
brancas com um terno de vero lils iridescente e cartola lils. A tia Catherine parecia
Lady Marian de Robin Hood, com um vestido verde com corpete de cetim, chapu de
caa emplumada e manto de cetim roxo. Blair sentia que tinha cado na toca de um
coelho de uma espcie de Pas das Maravilhas bizarro. Toda a histria lhe dava vontade
de vomitar.
- E fico feliz que Bruce esteja se casando com Catherine de novo porque, se ele no
fizesse isso, algum ia fazer  continuou o tio Ray com a fala arrastada. Tyler estava
ficando azul de tanto rir. Era sua terceira ou quarta Guiness, ento ele ia vomitar a
qualquer momento.
- Cala a boca - sibilou Blair para ele. Seus estranhos primos escoceses - Peter, de 10
anos, Willie, de 9 e Becky, de 8, alunos de um internato catlico horripilante no campo
e que pareciam assassinos treinados  encararam-na vagamente com seus estranhos
olhos cinza sem clios e cabelo pajem louro. Ela tentou conversar com eles antes, mas
era to impossvel entender seu sotaque escocs que ela desistiu.
Todos aplaudiram quando o tio Ray passou o microfone a Sting, que parecia exatamente
o mesmo das fotos, com cabelo louro espigado, olhos azuis srios e rancorosos e um
corpo bronzeado e magro de ioga enfiado no jeans e a camiseta branca mais apertados
que Blair vira num homem. Ele parecia uma tartaruga das Galpagos de 110 anos com
jeans justinhos.
- Gostaria de dedicar essa msica a meus queridos amigos Catherine e Bruce! - gritou
Sting ao microfone. Depois ele comeou a tocar os primeiros acordes de "Every Breath
You Take" na guitarra branca. A esquerda do palco, a me de Blair rebolava de p com
a msica, bebum de champanhe e usando um vestido roxo e dourado de dama de honra
que parecia ter sido modelado por uma fada-madrinha drogada. A tia Catherine e o novo
marido, Bruce, danaram lento na grama cheia de bosta com os corpos juntos feito
adolescentes num baile. Devia ser romntico, mas Blair teve vontade de estrangular
algum.
Blair Cornelia Archibald, ela rabiscou no guardanapo com o delineador Lancme preto.
Ficava ainda melhor do que Blair Cornelia Waldorf. Ela gostava especialmente do fato
de cada palavra ter um a e um i.

                           Eleanor e Harold Waldorf III,
                 Orgulhosamente convidam ao casamento de sua filha
                                   Blair Cornelia
                                          e
                                Nathaniel Archibald
                              aos dezessete de agosto
                                  dezesseis horas
                        no Salo de Baile do St. Claire Hotel

O nico problema era a primeira linha. Se sua me e seu pai estavam se divorciando e o
pai morava com Giles ou Raoul-Pierre ou sei l que diabos era o nome dele, ento
certamente no podia ter "Eleanor e Harold Waldorf" no convite, podia? Talvez ela s
deixasse a me de fora, embora no parecesse l muito justo.

Uma coisa era certa: ela no estaria de manto roxo, Nate no estaria com botas de
caubi e Sting no cantaria.
Que tal Seal? Ou Bono?
a melhor maneira de se refrescar  tirar a roupa

Como tantas das casas e apartamentos pr-guerra em Nova York, a casa dos Archibald
na 82 Leste no tinha ar-condicionado. A famlia de Nate nunca se incomodou com isso
porque queria preservar as caractersticas originais da casa e de qualquer forma passava
a maior parte do vero em sua propriedade no Maine ou na Europa. Nate abriu todas as
janelas do segundo andar em sua ala e na dos pais, mas ainda estava sufocante. Ele
pegou um pacote com seis cervejas Molson na geladeira e levou Serena para o jardim
sombreado dos fundos. Uma fonte de Vnus de Milo nua em mrmore era a pea central
do jardim. Espirrava gua do alto de sua cabea, caindo em cascata pela expresso
plcida, nos ombros nus e pelas coxas despidas at se acumular a seus ps. Nate e
Serena se empoleiraram no banco que o pai dele tinha feito de ardsia trazida de sua
propriedade no Maine. Uma brisa leve soprava pelos ramos magros das cerejeiras
japonesas junto ao alto muro que os cercava, ajudando pouco a refrescar.
Nate abriu uma cerveja e passou a Serena, que a tomou com ansiedade. Suas plpebras e
bochechas tinham um brilho suarento que era melhor do que maquiagem. Nate procurou
no olhar para ela. Estivera tentando no olhar para ela em todo caminho para casa de
txi. Em vez disso, ele encarou os prdios altos e sem cor da Park Avenue como um
turista. Sabia que se olhasse para ela  olhasse de verdade  eles no teriam chegado em
casa sem tirar as roupas.
Mas agora eles esto em casa.
- Meu Deus, est quente - observou Nate. Ele tomou um gole de cerveja e baixou a
garrafa na laje a seus ps. Depois pegou a bainha de sua camisa polo branca e a tirou
pela cabea. Atirou-a no cho e flexionou os msculos das costas lindamente
tonificados enquanto pegava a cerveja de novo e tomava outro gole.
Serena fitou as sardas douradas e lindas que danavam pelos ombros musculosos. Aqui
estava ela com Nate, Nate, Nate, o Nate dela, nos fundos da casa dele, onde eles
brincavam desde que eram crianas. Ela amarrou uma corda imaginria em volta das
mos para no agarr-lo e atir-lo no piso de lajota. Nate no era dela para agarrar,
lembrou-se ela. Mas a corda parecia to frgil, que poderia romper a qualquer momento.
 claro que Nate era dela. Ele sempre foi dela.
- Est calor mesmo - ela riu, colocando-se de p e aproximando-se da Vnus de Milo
numa tentativa de mudar de foco. Ela saiu danando dos chinelos cor-de-rosa e subiu na
fonte, ensopando-se ao se empoleirar precariamente no colo da Vnus. A gua fria era
incrvel, exatamente o que ela precisava.
E ela estava incrvel ali - uma deusa real, viva, de carne osso. Nate se levantou, botou a
cerveja no banco e disparou para a fonte atrs dela.
- Oi - Serena o cumprimentou, pegando o brao dele para ele no escorregar e rachar o
crnio no mrmore. A gua formava contas no peito perfeito e bronzeado de Nate. Eles
ficaram ali juntos por vrios minutos espantosos, sob dois jatos borbulhantes de gua
fria, olhando-se nos olhos. Verem-se juntos na fonte nos fundos da casa da Nate numa
tarde quente de vero era to previsvel, e no entanto to surpreendente, que era como se
eles estivessem dando vida a um sonho, inventando as partes de que no conseguiam se
lembrar.
Serena estreitou o aperto no brao de Nate e o puxou para ela. Ela o beijou
delicadamente na boca e depois rapidamente se afastou, a cara vermelha. Seu vestido
azul estava ensopado. As calas de Nate estavam ensopadas. O que eles estavam
fazendo?
- Desculpe - ela disse, retirando do rosto uma mecha de cabelo louro molhado.
Nate pegou a mo dela e entrelaou os dedos.
- Est tudo bem. No pare. No quero que voc pare.  Ele beijou seu rosto perfeito,
depois o nariz perfeito, depois os lbios perfeitos, depois o pescoo perfeito, depois os
lbios de novo.
E eles no pararam. Continuaram, beijando-se como loucos e arrancando o resto das
roupas. Era meio constrangedor estar do lado de fora, diante das cmeras de segurana,
e alm disso a fonte era meio pequena e molhada e no havia lugar para se deitar.
- Vamos subir - murmurou Nate, pegando Serena em seus braos fortes antes que ela
pudesse responder.
Como que num sonho - o mais glorioso sonho que ela teve -, Serena deixou que Nate a
carregasse para dentro de casa e pela elegante escada com tapete vermelho. Ela estava
cansada de ser mrtir. Nate a queria e ela o queria. Fim de papo.
Na verdade, este  s o comeo.




a vida segundo b

Sting dera lugar a uma banda de roqueiros folk escoceses de tamancos de couro branco
e cala de couro preta. Agora todos os convidados estavam bbados e todos danavam,
arruinando seus sapatos em merda de cervo, at Eleanor - especialmente Eleanor. Tinha
tirado as sandlias douradas Prada e subido o vestido lils para danar com o prprio
Sting, descala.
Se cuida, Trudie!
Blair continuou  mesa com sua garrafa particular de champanhe Cristal, fumando feito
uma chamin de um mao de Chesterfields que algum largou por ali enquanto
continuava a dirigir o filme que era sua vida, em sua cabea. Eles passariam a lua de
mel no barco de Nate, que ele rebatizaria de Blair,  claro, velejando pela Europa e
talvez nas melhores partes da frica. Quando voltassem, eles se acomodariam no
clssico apartamento na Park Avenue que seus pais teriam lhes comprado como
presente de casamento, decorado segundo especificaes de Blair em veludos e peles
enquanto eles estavam fora. Nate trabalharia para uma empresa de capital de risco,
fazendo alguma coisa fcil que desse muito dinheiro mas permitisse que ele estivesse
em casa s sete, para os dois transarem e depois sarem para jantar. Blair seria
advogada, como o pai, mas seus clientes seriam muito poucos e seletos e ela teria uma
equipe imensa de assistentes supereficientes com cara de rato para fazer absolutamente
tudo para ela, exceto ir ao banheiro e transar com Nate.
Por falar em transar com Nate, por que ela estava sentada aqui vendo sua me triste e
desesperada tentando se dar bem com Sting, justo ele, com a msica que mais dava dor
de cabea do mundo, quando ela podia estar em casa com Nate, transando agora?
Sem comentrios.
Coitado do Nate - ela nem acreditava que o abandonara por esse show de palhaos. Ela
sacou o celular da ridcula bolsa bufante lils que veio com o horroroso vestido lils
bufante e procurou o agente de viagens da me em sua lista de contatos. Certamente
havia um voo partindo desse buraco esquecido da Esccia nas prximas 24 horas. Ela
no ligava que o avio estivesse lotado. Ela mesma ia pilotar, se fosse necessrio. Ela
sabia que Nate estava em Nova York, porque a empregada no Maine lhe disse isso esta
manh depois de ela ligar sete vezes para o celular dele e ele no atender. Coitado do
Nate, totalmente sozinho na casa sufocante de Nova York, ansiando por ela enquanto se
arruinava numa dieta de maconha e gua tnica. Ela estava louca para contar tudo sobre
o casamento que planejava e a vida maravilhosa que eles teriam juntos.
Sem comentrios.




o amor de vero aconteceu to rpido

Nate carregou Serena dois lances de escada at o quarto dos pais. O vestido dela ficou
na fonte, numa bola encharcada de seda azul. O mesmo aconteceu com a cala e o cinto
dele. No restava muita coisa para tirar. Ele a deitou delicadamente na colcha de
algodo italiano amarelo dourado e se deitou ao lado dela, admirando o brilho de sua
pele macia nos raios de sol do final de vero que entravam pela claraboia. Serena virou
a cabea e colocou a testa na dele.
- Eu podia te beijar para sempre - murmurou ela, os lbios roando nos dele. - Mas no
quero s fazer isso.
Eles se olharam nos olhos com uma intensidade excitada que s os excitou ainda mais.
Era isso: o que nenhum dos dois tinha feito estava prestes a acontecer, e da forma mais
perfeita - um com o outro.
Nate puxou Serena para perto.
- Eu amo voc - disse ele alto, porque queria que toda a cidade ouvisse.
- Eu amo voc - respondeu ela, ainda mais alto. Depois ela explodiu em risos excitados
e comeou a tirar a cueca de algodo branco dele com os dedos longos, graciosos e
superansiosos, seguida por sua prpria calcinha branca ensopada pela fonte. Ela atirou
pelo quarto a roupa ntima molhada, que caiu no cho perto da porta.
D-d!
Pera, a camisinha. Nate correu para pegar uma em seu quarto. Aquela necessidade
complicada, viscosa e que parecia boba. Os dois j haviam brincado com elas -
soprando como bales e enchendo de gua - mas nunca usaram uma. Colocar era como
um experimento cientfico na aula de laboratrio na escola e eles queriam que o
experimento fosse absolutamente perfeito. Serena atirou a embalagem vazia no cho.
Preparar, apontar, vai!
Como era divertido, como era certo fazer com o melhor amigo, o cara que ela amava
desde sempre, a coisa que mais apavorava uma menina na primeira vez. O Nate dela.
No havia nada de assustador nisso. Era exatamente como devia ser.
Ele roou o nariz no dela.
- Tem certeza? - perguntou ele em voz baixa, embora tivesse certeza absoluta de que
sabia da resposta.
- Tenho - Serena assentiu, apertando o corpo no dele. Ela nunca teve mais certeza de
nada na vida. - Por favor? - acrescentou ela com uma risadinha, porque era evidente que
ele tambm queria.
E ento eles fizeram. E a parte divertida era ver a cara um do outro, porque os dois
pareciam to assustados, felizes e surpresos. Serena no conseguia parar de rir. Doeu,
sim, mas no como Serena pensou que fosse. Ainda era muito divertido, porque Nate
era to doce. Ele no queria machucar e, sempre que ela se encolhia, ele beijava para
passar a dor. Ela o amava tanto, que doer era a palavra errada. No havia palavras para
o que ela sentia. Era como receber o presente que queria h muito, muito tempo e
descobrir que era ainda melhor do que previra. Era demais. Ele era demais.
Nate nem acreditava que conseguira fazer isso pela primeira vez com a garota mais
linda do universo. Ele ficou feliz por ter esperado, porque nada podia superar isso. Ele
amava tanto Serena que achou que ia explodir. No conseguia parar de sorrir, de rir e de
olhar para ela. Era demais. Ela era demais.
E seus corpos eram demais, como se encaixavam e sabiam por instinto o que fazer. Era
como se fosse preordenado. Eles foram feitos um para o outro, criados para ficar juntos,
como duas peas de um modelo de barco.
Clique!
Eles no estavam mais rindo, porque no achavam mais engraado. S se abraavam,
tremendo da emoo de estarem mais prximos do que nunca, dividindo uma coisa que
eles nem sabiam que existia, algo que eles iam guardar para sempre.
Por fim eles se soltaram dos braos um do outro. Nate acordou primeiro. Agora era
noite. As estrelas saam no alto da claraboia. Sem pensar no que estava fazendo, ele
pegou o controle remoto na mesa de cabeceira do pai e ligou a TV: Estava sintonizada
no History Channel e o narrador de um documentrio sobre Moiss, que parecia
tremendamente o pai de Isabel Coates, amiga de Serena, dizia numa voz incrivelmente
alta, "Moiss no viu alternativa a no ser separar o mar Vermelho para que ele e seu
povo atravessassem".
Meu Deus, como estava alto. Nate tinha se esquecido de que o pai era praticamente
surdo. Ele apertou o boto do volume repetidas vezes para diminuir, mas os clios
longos de Serena j estavam batendo, abrindo em seu peito. Ela levantou a cabea e
sorriu para ele.
- Voc separou meu mar Vermelho!
Os dois bufaram, explodindo numa gargalhada tonta at que uivavam de tanto rir. Era
uma analogia meio grosseira, mas tambm muito engraada. Eles se enroscaram sob as
cobertas, os corpos escorregadios de suor. Logo estavam se beijando, incapazes de parar
e, antes que se dessem conta, ele estava separando o mar Vermelho de Serena mais uma
vez.
E l vo eles de novo, fazendo histria.




sinceridade:  s mais uma palavra

O taxista de Blair de cabelo seboso parecia pensar que ela era uma turista que queria ver
os pontos tursticos ao chegar na cidade. Ele subiu pela ilha a partir da base, apontando
a Prefeitura, a Bolsa de Valores, o Guggenhiem SoHo e a esttua de Gandhi na Union
Square. O voo de Blair que partiu de St. Andrews tinha se atrasado por causa da
neblina, as comissrias de bordo se recusaram a servir sua vodca e no houve nada de
decente para comer por dez horas interminveis. Agora que finalmente estava no cho,
s o que ela queria fazer era pegar um quarto de hotel com Nate em algum lugar, pedir
um brunch imenso e dar torradas e mimosas um ao outro, nus.
- O World Trade Center costumava ser o mais alto, mas agora  o Empire State de novo
- informou o taxista, sacudindo a cabea sebosa com tristeza.
- Pode, por favor, dirigir a merda do carro at Park Avenue?  gritou Blair pela barreira
de plstico entre eles.
Ainda bem que era  prova de balas.
O nico motivo para Blair saber que Nate estava na cidade foi que a empregada dele no
Maine lhe contou - depois de Blair ter desistido do celular de Nate e tentado todos os
outros nmeros. E que motivo poderia haver para ele estar aqui a no ser se preparar
para a iminente chegada de Blair? Ela o imaginou comprando novos lenis Frette,
abastecendo a geladeira com Kettel One e pedindo que um Rolls a pegasse no
aeroporto. Ela imaginou sua surpresa enlevada ao v-la de volta, toda uma semana
antes! Eles iam fazer um piquenique no parque e depois ele a levaria para a casa dele e
fariam um amor apaixonado e doce em sua confortvel cama de solteiro, exclamando o
tempo todo o quanto ele sentiu falta dela o vero todo e como ele ficou deprimido sem
ela.
Arr.
Enfim o txi parou diante da casa dos Archibald na 82 e ela saiu, pegando ela mesma a
mala Louis Vuitton e atirando uma pilha de notas ao motorista. Era quase meio-dia de
um sbado de sol e o resto da cidade estava movimentado e cheio de gente, mas o Upper
East Side parecia abandonado. A casa de Nate estava silenciosa e tranquila. As cortinas
estavam puxadas nos dois primeiros andares. Mas, no terceiro andar, as cortinas
estavam abertas e a janela escancarada.
Blair apertou a campainha do interfone com o polegar, inclinando o corpo todo para ele.
- Nate? Sou eu!

A cabea de Serena estava aninhada no peito nu de Nate enquanto ela devaneava com o
prximo ano letivo. Ia passar cada momento em que estivesse acordada e no estivesse
na escola com ele. Ou ela podia rapt-lo e escond-lo embaixo da cama sob custdia.
Uma coisa era certa: ela jamais se afastaria de Nate de novo.
Nate ainda dormia, sonhando com sereias. Estava  deriva num mar sem vento em seu
barco, o Charlotte. A gua vtrea se estendia interminvel e ele estava de p na proa,
procurando por terra firme. Depois uma voz comeou a chamar seu nome - "Nate?
Nate?"  e bolhas subiram da gua. Um peixe comprido e magro passou, a cabea
dourada cintilando no sol. Depois uma cabea escura pulou da gua; era uma menina,
uma sereia. "Nate? Nate? est me ouvindo, Nate?"
Blair.
Nate se sentou de repente, todo o corpo coberto de um suor nervoso.
- Nate? Voc est a?  A voz de Blair ecoava pela casa.
Serena j estava fora da ama, catando alguma coisa  qualquer coisa  para vestir no
cho. Havia sua calcinha, mas que porra, o vestido! Ela atirou a cueca samba-cano de
Nate para ele e voou para o closet da me de Nate, procurando nos cabides por alguma
coisa remotamente vestvel. A Sra. Archibald se vestia para pera mesmo quando no
estava na pera. Chiffon da Dior. Tafet de la Renta. Charmeuse de seda Valentino com
cauda. Socorro! Serena pegou uma cala cigarette Armani de cetim cinza no cabide e
vestiu. Depois pegou um casaco de l creme Chanel com botes de cristal. Ela ficou
meio cool, mas a l fazia ccegas, estava calor e nunca, nem em um milho de anos, ela
ia usar uma roupa dessas numa tarde de sbado no vero.
Sim, mas essa no era qualquer tarde de sbado no vero.
Ela comeou a fazer a cama, com o cuidado de jogar a embalagem de camisinha na
privada. Nate voltou de seu quarto, parecendo normal com short e camiseta.
- Podemos esperar ela ir embora - sugeriu ele. Seu celular comeou a tocar. Depois o
telefone da casa.
- Nate? Acorda, Nate. Sou eu.
- No, deixa ela entrar - Serena disse a ele, enfiando o cabelo louro molhado do sexo
atrs das orelhas, com se desse um ltimo toque de acabamento. - Vou sair e esconder
nossas coisas. Leve a Blair para fora depois de ela entrar. Diga que era por isso que no
conseguia ouvir.
Serena estava se esquecendo de um buraco imenso na histria  por que ela ainda estava
ali, antes de tudo  mas nenhum dos dois disse nada sobre isso.
Nate obedeceu.
- Al? - Ele falou com cautela no interfone.
- Nate? Que merda, Nate. Estou aqui fora tipo h uma hora com a minha porra de mala.
- Desculpe - murmurou Nate e apertou o porteiro eletrnico.
Serena disparou escada abaixo e foi para o jardim. Havia os restos ensopados das
roupas, emboladas no p da Vnus de Milo, onde eles as deixaram. Ela as pegou,
levantou a tampa da churrasqueira dos Archibald e enfiou as roupas l dentro. Depois
calou os chinelos de borracha, que ficaram positivamente bizarros com o resto de sua
roupa. A cara estava pegajosa de suor e seu corao batia to rpido que chegava a doer.
Calma, ela disse a si mesma. Mas de repente a fonte de seu desespero estava bem ali no
jardim com ela: Blair, parecendo muito limpa e chique, com camiseta de linho preto
com manguinha, sandlias de couro brancas e os culos de sol pretos Audrey Hepburn
empoleirados no alto da cabea.
- Oi! - Serena se atirou na direo de Blair, abraando-a com um abrao sem flego e
desajeitado. - Como foi seu vero? O casamento de sua tia foi legal e tudo?
- Meu vero foi um saco. - Blair se soltou do abrao com os lbios franzidos. - Mas
parece que vocs andaram se divertindo. - Ela pegou uma garrafa de cerveja vazia e a
baixou novamente. Aonde voc vai, alis? - perguntou ela, olhando a roupa de Serena
com curiosidade.
Serena olhou as roupas idiotas que vestia. Suas unhas dos ps estavam pintadas de cores
diferentes, algo que ela nem se lembrava de ter feito.
- Fazer compras - despejou ela. - Na Bloomingdale's. Meus ps cresceram e nenhum de
meus sapatos cabe mais. Erik vai me levar numa pea esta noite e preciso de sapatos. -
Ela s foi na Bloomingdale's uma vez, quando tinha 12 anos, mas a casa de Nate ficava
meio no caminho e era a nica loja que agora fazia sentido. - S passei para dar um oi -
acrescentou ela, explicando sua presena na casa de Nate com a maior rapidez possvel.
Nate estava parado a alguns passos de Blair, atrs dela, de braos cruzados. Serena
encontrou seu olhar pasmo por um segundo fugaz e depois se obrigou a desviar os
olhos.
Blair no parecia nem remotamente desconfiada. Acendeu um cigarro e bafejou
teatralmente.
- Voc no vai acreditar no freak show que foi o casamento da minha tia. Eu tinha que
dar o fora de l. E a Esccia  to medieval. O papel higinico parecia saco de estopa. -
Ela se virou e se aproximou de Nate. - Nosso casamento no vai ser nada parecido -
disse-lhe ela, passando os braos por sua cintura e pousando a cabea em seu ombro.
Ela soltou um suspiro exausto e imenso. - Minha famlia  to fodida. Estou to feliz de
estar em casa.
Nate afagou seu cabelo castanho, a cara se retorcendo de emoes conflitantes. Parte
dele queria soltar que ele estava apaixonado por Serena, que eles agora estavam juntos e
que, embora ele lamentasse por ferir os sentimentos de Blair, ela precisava lidar com
isso. Mas parte dele ainda amava Blair tambm. Ele amava o fato de ela no desconfiar
de nada agora. Como Blair era to presa do drama de sua vida que no tinha tempo para
ser mesquinha.
Blair levantou a cabea e o beijou na boca, um longo beijo convidativo de lembra de
mim? E ele se lembrava dela. Ele lembrava de beij-la pela primeira vez, e se lembrava
de am-la. E ele se lembrava de que no podia terminar com ela agora porque ele ficou
com a melhor amiga dela, por quem por acaso ele tambm estava apaixonado. Ele
segurou seus ombros confiantes e pequenos e retribuiu o beijo, desligado da dor que
provocava.
Serena dilacerou a unha do polegar com os dentes. Agora podia ver que o que ela e Nate
fizeram na noite passada era to perigoso, explosivo e nocivo que era melhor fingir que
no tinha acontecido. Blair e Nate ainda estavam juntos. Ele no ia dar nenhuma
informao voluntariamente sobre o que aconteceu na noite anterior, e ela certamente
no ia dizer nada. Parecia a Serena que seu peito tivesse sido aberto com uma faca cega
e sem nenhuma anestesia, e Blair estava arrancando seu corao com as mos nuas. Mas
o que podia fazer? Como podia ficar ali, vendo-os se beijar e se amando todo o ano
seguinte? A primavera j foi tortura suficiente.
Blair riu ao fechar o zper da bermuda Crew branca de Nate, que ele negligenciou na
pressa para se vestir. Serena ficou olhando, roendo furiosamente a unha do polegar.
Parecia estar num acidente de carro, sangrando por dentro. No era seguro se mexer.
Depois lhe ocorreu que havia uma coisa que ela podia fazer: ela podia ir para o colgio
interno. O pai dela podia mand-la para Hanover  certamente podia. Blair e Nate nunca
mais teriam de v-la de novo e ela nunca mais os veria. Todo mundo ia ficar feliz.
Eles iam ficar mesmo.
- Estou atrasada - disse-lhes ela, virando-se. Quanto mais tempo ficasse, mais difcil
seria ir embora.
- Espera! - gritou Blair. Ela se separou de Nate e correu para Serena, atirando os braos
nela. - Boa sorte. - Ela deu um abrao generoso na amiga. - E divirta-se.
Serena queria ter o maior par de culos de sol do mundo para cobrir o rosto, porque
sentia que tinha se dividido em duas. Blair achava que s estava desejando que ela
tivesse sorte para encontrar um par de sapatos e se divertir vendo a pea; ela no
percebeu que tinha declarado o equivalente a "tenha uma boa vida".
- Obrigada - sussurrou Serena, a voz falhando enquanto uma tsunami de lgrimas
enchiam seus imensos olhos azuis. Ela piscou para afugent-las, olhou e viu Nate
fitando-a, as sobrancelhas castanhas douradas franzidas de confuso. Ela queria abra-
lo tambm, mas tinha medo de tocar nele e perder o controle. Em vez disso, ela engoliu
o choro, abriu para ele seu famoso sorriso voc sabe que me ama e ergueu uma linda
mo que teimava em ser independente.
- Au revoir.
Adieu.




eplogo

O Jeep vermelho de Erik quicava pelas estradas de New Hampshire a caminho da
Hanover Academy, ameaando desalojar a mala de Serena do teto. Serena estava no
banco do carona com os ps descalos empoleirados no painel preto, usando culos de
sol Gucci gigantescos de aro de tartaruga. Ela no falava com ele desde que saiu de
Manhattan e continuava em silncio agora. Erik ouvia uma compilao dos Beatles
muito suavemente no som do carro.

                           I don't know why you say goodbye
                                       I say hello
- O papai  um gnio, colocando voc l dentro, como ele fez. Voc nem teve que
escrever uma porra de um texto! - declarou Erik. Ele olhou a irm. - E quando
chegarmos l, voc provavelmente vai conseguir o maior quarto de todo o campus, sua
pateta de sorte.
Advinha quem no est se sentindo com tanta sorte?
Serena continuou em silncio. Repetidas vezes em sua mente, ela escrevia e-mails.
Primeiro havia um para Blair em que ela confessaria tudo e pediria perdo. Depois
havia um para Nate, dizendo a ele que ela no podia viver sem ele e assim, por favor,
ele poderia se livrar de Blair vir a Hanover para ficar com ela? Em seguida havia um em
que ela libertava Nate, dizendo-lhe que a ficada foi tima e tudo, mas que ela tinha todo
um futuro de ficadas pela frente. E depois havia o de tagarelice vazia em que ela
escrevia aos dois parecendo emocionada por ter partido e cheia de detalhes divertidos
sobre sua nova e incrvel vida no colgio interno.
Comida boa, amigos bons, bons tempos!
Nenhum desses e-mails uma dia seria mandado. Como sua velha bab Agatha
costumava dizer quando ela era pequena e chorava ao ver ervilhas no prato, "Voc tem
o que tem e no fique triste". Blair teria Nate para sempre e ela o teria s por uma noite
perfeita.
Seu novo Treo verde metlico estava em suas mos de ns plidos, onde ficou durante
toda a viagem. Ela o abriu e tirou uma foto de seus dedos dos ps no painel. As unhas
estavam lascadas e descascavam, mas ainda estavam pintadas de cores diferentes, como
estiveram na noite com Nate. Ela apertou "enviar" e mandou a foto para ele, na
esperana de que isso o fizesse rir. Depois fechou o telefone e o atirou na bolsa. Duas
grandes lgrimas cintilantes escorriam pelo rosto.

                                      Hello, hello
                           I don't know why you say goodbye
                                       I say hello
gossipgirl.net
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Advertncia: Todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e eventos foram
alterados ou abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                      oi, gente!

O vero finalmente chega ao fim e as aulas comeam de novo. Mas nossa colega de
turma preferida e mais fabulosa est ausente. Todo mundo que  algum est falando de
por que ela decidiu ir para o internato. Por que a mais popular, mais linda e mais amada
menina da cidade foi embora?  claro que alguns de ns sabem a verdade  pelo menos,
achamos que sabemos. E se no sabemos a verdade, temos nossas opinies e sempre
estamos dispostos a compartilhar.

seu e-mail

P: E a, GG,
Eu estava.numa pea neste vero num workshop de teatro perto de Ridgefield,
Conneeticut, e havia uma menina que era, tipo assim, uma perdida total. Como se ela
fosse para casa com cada cara que estava na pea, inclusive o diretor meio velho, e
tenho certeza de que ela estava drogada. Quando soube que ela ia para o colgio interno,
eu fiquei tipo assim, ah, no, pssima ideia. Ela precisa dos pais!
- gdgrl

R: Cara gdgrl,
 legal de sua parte se preocupar, mas no se surpreenda. Os internatos tm cdigo de
honra e regulamentos. Eles podem ser muito rigorosos.  claro que todos ns sabemos
que as regras
existem para ser quebradas...
- GG

P: Cara GG,
Todas as meninas do meu internato esto falando da garota nova e basicamente todas
ns conclumos que ela  m notcia. Se ela vai fazer amizade por aqui, vai ser com
meninos.
- bordgrl

R: Cara bordgrl,
Tem certeza de que  essa ttica que quer usar? Voc realmente quer que a nova garota
faa amizade com seu namorado? Pera, isso est comeando a ficar estranhamente
familiar.
- GG

flagras

N carregando a bolsa de livros Balenciaga nova em folha chapeada de nquel de B
enquanto a levava  escola - usando uma coleira. Brincadeirinha. V, D e J comprando
roupas para a escola em lojas de segunda mo em Williamsburg. Desejando mais um
ano de solido  mesa? Desculpe, isso foi cruel, mas na maior parte do tempo as roupas
de segunda mo so... velhas. C exibindo sua nova cabea reluzente diante da L'cole,
onde vo todas as meninas fceis - digo, francesas. K e I chegando  Constance Billard
cedo no primeiro dia e esperando do lado de fora com bagels amanteigados e
cappuccinos para todas, inclusive as professoras. Imagino que elas simplesmente esto
loucas para que as aulas comecem! S numa mesa cheia de lindos meninos bebendo cada
palavra dela no salo de jantar da Hanover Academy. Ela no pode estar sofrendo
muito, n?

perguntas

Ser que B e N vo ficar juntos? Ser que eles vo selar o acordo? E quando eles
selarem, ser que ela vai adivinhar que ele j esteve l?

Ser que os peitos de J vo parar de crescer? Ela vai conhecer um cara legal que goste
dela por seu lindo sorriso? Ou o voc-sabe-o-que dela vai continuar crescendo tanto que
no vamos mais poder ver seu sorriso? Para o bem dela, espero que no.

V vai admitir a D que pensa em como ele fica sem a camiseta velha e pavorosa? Pera,
como  que ele fica sem aquela camiseta velha e pavorosa?

Ser que D vai superar S e admitir que j tem namorada?

S vai superar N? Ela vai sobreviver ao internato? Ela vai se dar bem no internato? Ser
que ela vai voltar?

Alguns de vocs j sabem as respostas - pelo menos, vocs pensam que sabem. Se no
souberem, sabem onde encontr-las. No pretendo parar de falar de nada do que
mencionei aqui.

At a prxima.

                                Pra voc que me ama,

                                     gossip girl
Agradecimentos

Sou grata pela oportunidade de finalmente agradecer a todos que contriburam para o
sucesso de Gossip girl. Nenhuma palavra de gratido faz justia ao que devo a minha
amiga e editora da Little, Brown, Cindy Eagan - indescritvel! Voc  A garota por trs
do triunfo de cada livro, jamais dizendo nada que suscitasse dvida, sempre 2000 por
cento positiva, histericamente divertida e exatamente o que eu precisava. A minha
amiga e editora na Alloy Entertainement, Sara Shandler, sempre to perceptiva,
solidria, no fundo cnica, ridiculamente divertida e impossvel de dispensar ao telefone.
Obrigada a meu amigo Josh Bank da Alloy Entertainement por ser meu aliado, por me
fazer rir quando estou rabugenta e por orientar minhas ideias para algo que faa sentido.
Sempre teremos Last Dog. Obrigada a meu amigo Ls Morgenstein da Alloy
Entertainement por no me tratar como idiota mesmo quando eu ajo como idiota, e por
no ter desligado quando gritei ao telefone em todas aquelas vezes. E obrigada a todos
da Little, Brown e da Alloy Entertainement por todos esses anos de trabalho rduo nos
bastidores. Eu no teria conseguido sem vocs. Muito obrigada a minha agente,
Suzanne Gluck, por ver alm da sbia idiota e me aceitar. Obrigada a Liz e a Papa, por
seu amor, orgulho e por serem os profissionais definitivos de marketing de guerrilha,
vocs transformaram os livros em bestsellers. Omi, eu jamais poderia ter escrito este
livro ou nenhum dos outros sem seu amor, apoio e ajuda, em especial com as crianas.
Nem imagino o que fiz para merecer voc. Obrigada a Erasmo por levar msica  vida
de meus filhos. Obrigada a meus filhos por realmente entenderem que eu posso gostar
do que fao e am-los tambm. E obrigada a Richard, voc sabe que eu te amo.
Obrigada, obrigada, obrigada a todos que mencionei e a todos que esqueci. Foi uma
viagem doida e perversa.




                      http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=34725232
